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Do paraíso à destruição – o Pantanal pelos olhos de João Farkas

Fotógrafo brasileiro diz que sofria de “cegueira cognitiva” e acreditava que o Pantanal era somente a biodiversidade típica vivendo em cenários exuberantes

Ao conhecer o Pantanal, João Farkas desconstruiu ideias preconcebidas do bioma e desenvolveu novas linguagens na sua arte
Publicado em 5 de novembro de 2018 às 16:38 Compartilhar:

Brasil, terra e alma - O fotógrafo brasileiro, João Farkas, exibe em Londres, na galeria principal da Embaixada do Brasil, a exposição “Brazil – Land & Soul“. A série conta com 40 fotografias inéditas sobre a região do Pantanal produzidas nos últimos 5 anos. Foram oito expedições que somam cinco mil quilômetros de carro, barco, voadeira e cerca de 40 vôos em pequenos aviões monomotores totalizando 16.000 imagens.

Cegueira cognitiva - Antes de conhecer o Pantanal, Farkas relata que resistia a ideia de fotografar o bioma por acreditar que o mesmo já estava devidamente registrado em imagens de jacarés, infinitas lagoas, pores do sol, onças e tuiuiús. Quando conheceu o lugar sua percepção foi transformada, superando o que chama de cegueira cognitiva. As formas e dimensões do Pantanal incitaram o fotógrafo a ir além de imagens clichês e a buscar novas linguagens, o que resultou em um trabalho extenso e muito diferente do que fizera até então.

Vertigem - A sensação abstrata das imagens “no primeiro momento”, como descreve o jornalista e escritor Leão Serva, deriva de uma viagem profunda na visualidade pantaneira, “quase uma vertigem”, sugere Farkas. As fotos chamam a atenção para a beleza e a variedade paisagística do Pantanal, e também para suas ameaças silenciosas, como assoreamento de rios.

Contraste – Comparando “Brazil – Land & Soul” com seu trabalhos anteriores sobre a Amazônia, Farkas observa que a dualidade homem versus natureza continua. Entretanto aponta que enquanto a Floresta Amazônica entra como pano de fundo da história de ocupação do território brasileiro, no Pantanal a presença humana é esparsa e as ameaças vem do entorno. “A beleza estrondosa dessa região brasileira é tida como distante, intocada e indestrutível. O que não é verdade. Lá também sentem-se os efeitos do antropoceno, a ação profunda do homem sobre o planeta”.

Exposição – Na montagem da mostra, as imagens foram colocadas no chão sobre praticáveis para que as pessoas passeiem entre as fotos olhando sempre de cima, uma vez que grande parte das imagens foram feitas do avião. As imagens devem compor um livro previsto para o primeiro semestre de 2019.

 

Com informações da Folha de São Paulo e Resumo Fotográfico

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