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Especialistas denunciam ‘fracking’ no Brasil

A ANP já tinha leiloado blocos (áreas) para 12 empresas exploradoras e, agora, insiste nos leilões de áreas para adoção de uma tecnologia o Mundo está banindo

Ilan Zugman e Renan Andrade estiveram na Baixada Santista para conscientizar prefeitos e vereadores
Foto: Rodrigo Montaldi/Diário do Litoral
Publicado em 17 de outubro de 2018 às 12:46 Compartilhar:

Via Diário do Litoral

Por Carlos Ratton

Ilan Zugman e Renan Andrade estiveram na Baixada Santista para conscientizar prefeitos e vereadores Foto: Rodrigo Montaldi/Diário do Litoral

Ilan Zugman e Renan Andrade estiveram na Baixada Santista para conscientizar prefeitos e vereadores. Foto: Rodrigo Montaldi/Diário do Litoral

Uma tecnologia nociva ao meio ambiente, que tem o fraturamento (fracking) hidráulico de rocha para extração do gás de xisto, altamente poluente a água, solo e ar, eliminando a biodiversidade e impedindo a produção e o desenvolvimento agrícola, está prestes a ser adotado no Brasil. A informação é dos dois especialistas em gestão ambiental da 350.Org Brasil e da Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus) Ilan Zugman e Renan Andrade que, dias atrás, estiveram visitando a Baixada Santista para conscientizar prefeitos e vereadores da necessidade de criação de uma lei contrária ao “Fracking”.

Segundo eles, a Coesus conseguiu aprovar leis municipais que proíbem a tecnologia em dezenas de cidades. No entanto, sem consultar a sociedade civil, em 2013, a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) já tinha leiloado blocos (áreas) para 12 empresas exploradoras e, agora, insiste nos leilões de áreas para adoção de uma tecnologia o Mundo está banindo.

“Com o fracking não há água, trabalho, não há vida. Na perfuração da rocha para obter o gás são injetados de 10 a 70 milhões de litros de água potável e um verdadeiro coquetel da morte, composto por mais de 700 produtos tóxicos, cancerígenos e radioativos, que se espalham por fissuras e chegam ao meio ambiente – lençol freático, aquíferos, enfim”, afirma Ilan Zugman, alertando que o Brasil possui o Aquífero Guarani.

Vale lembrar que o aquífero é considerado o maior reservatório subterrâneo de água doce do planeta, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados, estendendo-se desde a Bacia Sedimentar do Paraná até a Bacia do Chaco–Paraná, estando presente em quatro países da América do Sul: Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.

Impactos

Renan Pereira informa que o fracking afeta a agricultura, a pecuária, o turismo e a vida das pessoas que vivem no entorno dos poços. Ele conta que há estudos que também interage nas mudanças climáticas e promovem secas, enchentes e outros problemas.

“Já há áreas leiloadas em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Maranhão, Mato Grosso, inclusive o do Sul, Amazonas. Pesquisas já constataram que 75% da biodiversidade da floresta é impactada de forma permanente e irreversível. O fracking só não ocorreu por conta de uma liminar (decisão judicial provisória), em nível nacional, proibindo a tecnologia no País”, afirma.

Para ludibriar a opinião pública, os especialistas revelam que os articuladores mudam a terminologia do fracking para “exploração não convencional, poço verde ou transparente. O Brasil já desenvolve projetos de exploração de energia solar, hídrica, biomassa e aeólica e outras. Não precisamos de fontes nocivas e perigosas como o fracking”, explica Zugman, que finaliza alertando que a Coesus desenvolve palestras e audiências públicas em todo o Brasil para conscientizar as pessoas, bastando entrar em contato com naofrackingbrasil@gmail.com, pelos telefones (55) 41 3240-1160/1163. “Onde for preciso, vamos conscientizar”.

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