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BNDES e a cana na Bacia do Prata

Pode-se afirmar que o BNDES assumiu definitivamente a vanguarda do setor após a crise de 2008, passando da condição de “mero” financiador para a de também sócio, co – estruturador de estratégias e o grande fornecedor dos recursos. Em matéria de 6 de junho de 2011 a Agencia Brasil divulgou declarações do presidente do Banco, Luciano Coutinho, na qual ele afirma que o Banco tem “um forte programa de investimento e esse programa pode consumir, em crédito do BNDES, algo entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões nestes quatro anos, incluindo 2011″. Os empréstimos seriam para financiar a renovação dos canaviais para aumentar a produtividade; a ampliação de usinas; a integração da rede de alcooldutos; a melhoria da logística do setor, entre outras ações. Coutinho afirmou ainda que esses investimentos iriam colaborar com o crescimento do setor sucroalcooleiro do país, “freado pela crise econômica mundial de 2008” e que os financiamentos seriam decisivos para o Brasil estar na liderança da produção e inovação do setor.

Segundo Artur Milanez, gerente do Departamento de Biocombustíveis do Banco, atualmente são feitos novos investimentos imediatos para tecnologias e para renovação e expansão dos canaviais, com vistas ao atendimento da demanda até 2015-2016, quando seriam adicionadas de 50 a 60 milhões de toneladas à produção atual. Outro elemento estratégico indicativo do papel do Banco é o processo de suporte para garantir vantagem competitiva do etanol em relação à gasolina.

Em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o BNDES também lançou em 2012 o Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (Paiss)[1]. O programa conta com1 bilhão de reais, entre 2011 e 2014,para o fomento de projetos que visem o desenvolvimento, a produção e a comercialização de novas tecnologias industriais destinadas ao processamento da biomassa proveniente da cana-de-açúcarO programa tem foco em três áreas prioritárias: 1) etanol de base celulósica (segunda geração), 2) novos produtos da cana e 3) pesquisa na gaseificação de biomassa da cana.

Em fevereiro de 2012 foi criado o Prorenova, programa destinado a ”aumentar a produção de cana de açúcar no país, por meio do financiamento à renovação e implantação de novos canaviais”. O montante original era de 4 bilhões de reais e a expectativa seria  a renovação e/ou ampliação de mais de 1 milhão de hectares de canaviais com um incremento na produção de etanol de 2 a 4 bilhões de litros entre 2013 e 2014. Até setembro de 2012 o programa enfrentava problemas para aplicação de recursos, pois somente 30% haviam sido liberados, segundo o presidente interino da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Antônio de Pádua Rodrigues (O Estado de São Paulo, 20 de setembro de 2012).  Rodrigues disse ainda que para o Programa pudesse funcionar a regra que impede empréstimos porparte do Banco para empresas com capital estrangeiro deveria ser alterada, o que era esperado, segundo ele, para breve.