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O interesse da China atravessa toda a Amazônia

Empreendimentos com financiamento da China têm impactos negativos para populações tradicionais e o ambiente

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Publicado em 26 de março de 2018 às 14:28 Compartilhar:

Via Amazônia Inesc
Por Maurício Ângelo

Os chineses compram muita soja daqui e, por isso, estão muito interessados em como baratear o custo de levá-la daqui para lá. Um problema é a dificuldade manifesta deles em realizar consultas públicas e obter consentimento de populações tradicionais, coisas que têm aos montes ao longo dos projetos que estão interessados na Amazônia. Isso foi demonstrado na construção do linhão de Belo Monte, que acabou impondo um custo adicional que a contratada chinesa não esperava.

Os chineses manifestaram interesse em financiar a Ferrogrão, que liga Sinop, no norte de Mato Grosso, com o porto de Miritituba, no Pará. Também assinaram um protocolo de intenções com o governo do Pará para construir a Ferrovia Paraense que atravessa o estado de Sul a Norte, saindo da fronteira com a soja do norte de Mato Grosso até os portos de Barcarena e Belém. E tem o projeto faraônico da Ferrovia Bioceânica ou Transoceânica que, na sua última versão disponível, vai partir do norte de Goiás, atravessar o Mato Grosso e Rondônia e de lá atravessar a fronteira com o Peru, escalar os Andes e terminar em um porto no Pacífico peruano.

O nome Transoceânica veio na versão original do projeto que ligaria o Porto do Açu no litoral fluminense com o porto peruano. Nesses projetos, os chineses estão oferecendo financiamento, empreiteiras e operadores logísticos. Interessante observar que os projetos são mais para longas esteiras de grãos do que ferrovias que transportam carga e pessoas nos dois sentidos.

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