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Projeto prevê dragagens e retirada de curvas em uma das áreas mais conservadas do Pantanal

Intervenções propostas para a Estação Ecológica de Taiamã podem trazer impactos econômicos e sociais graves

(Foto por: Daniel Kantek - Via: ICMBio)
Publicado em 1 de agosto de 2018 às 19:31 Compartilhar:

Dentro das conclusões do Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental (EVTEA) da Hidrovia Paraná-Paraguai (HPP), elaborado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), está o projeto de dragagem de 20 quilômetros entre o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica de Taiamã.

A região é a mais intocada do Pantanal, praticamente sem a presença humana, exercendo papel hidrológico fundamental na dinâmica das águas vindas do norte, nordeste e noroeste da Bacia do Alto Paraguai. Serve como área de ‘retenção’ devido à baixa declividade, amenizando o efeito das cheias em grande parte da planície.

Em anos de grandes chuvas na Bacia, a retenção diminui impactos para ribeirinhos, fazendeiros e pescadores. A construção de um canal para navegação em 90% do ano, com dragagens e retirada de curvas – como projetam -, aumentará a velocidade de escorrimento do rio Paraguai e alterará as condições das cheias a jusante.

Solange Ikeda, pesquisadora e membro do conselho da Estação Ecológica de Taiamã e do Instituto Gaia, considera que “é um gasto imenso, um desgaste mecânico. Retira toda a areia do rio, aprofunda o canal e essa areia acaba retornando. A medida que realmente deveria acontecer é a de contenção da entrada de sedimento, a recuperação das voçorocas, erosões, que temos da parte alta, de intenso desmatamento que acaba trazendo muita areia e muito sedimento aqui para o Pantanal. Então nesse sentido essas dragagens exageradas, traz consequências econômicas – já que não traz resultado – e quando você pensa em ampliar dragagens inclusive na Estação Ecológica de Taiamã, está propondo mudar a dinâmica do próprio rio”.

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