O projeto “Manejo Integrado do Fogo com as comunidades tradicionais e o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense na transformação da realidade local” representou um passo importante para a construção de estratégias mais justas e eficazes de prevenção e enfrentamento aos incêndios florestais no Pantanal. Em um cenário marcado pelo agravamento das mudanças climáticas e pela recorrência de grandes incêndios, o projeto apostou na articulação entre comunidades tradicionais, áreas protegidas e instituições públicas como caminho para proteger o bioma e os modos de vida que dele dependem.
Coordenado pela Ecoa, em parceria com o Prevfogo/IBAMA e o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense (Parna), o projeto teve como base o fortalecimento do Manejo Integrado do Fogo (MIF), reconhecendo o fogo não apenas como uma ameaça, mas como um elemento que precisa ser compreendido e manejado de forma participativa e responsável. O projeto contou com o apoio fundamental do GEF Terrestre/Funbio, financiador que viabilizou as ações de formação, articulação e fortalecimento das brigadas comunitárias voluntárias locais.
Entre as principais ações, a formação e reciclagem de brigadistas comunitários voluntários se destaca por ter envolvido moradores das comunidades tradicionais do Pantanal: Barra do São Lourenço, Amolar, Binega, Paraguai-Mirim e Baguari. Realizada no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, a formação integrou conteúdos teóricos e práticos sobre comportamento do fogo, técnicas de combate, segurança, legislação ambiental e atuação integrada com os órgãos oficiais, ampliando a capacidade de resposta das comunidades diante dos incêndios.
O projeto também apoiou a brigada do Parna e promoveu duas Oficinas de Educação Ambiental em Manejo Integrado do Fogo, fortalecendo o diálogo entre brigadistas comunitários, professores e instituições ambientais. As oficinas ampliaram a compreensão sobre o papel do fogo nos ecossistemas pantaneiros, estimularam a troca de saberes entre conhecimento tradicional e técnico e contribuíram para a formação de uma cultura preventiva, essencial para reduzir riscos e impactos futuros. Essas ações reforçam que o manejo do fogo começa muito antes das chamas, por meio da informação, da organização comunitária e do planejamento coletivo.
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Os resultados já são vistos: brigadistas comunitários formados pelo projeto passaram a atuar diretamente na proteção de áreas privadas e protegidas, como na RPPN Jaguarte, realizando ações prevenção a incêndios florestais. Também participaram em ocorrências reais na Serra do Amolar, onde a Brigada Comunitária do Amolar esteve na linha de frente junto ao Prevfogo/IBAMA, demonstrando não apenas coragem e dedicação, mas também o fortalecimento do protagonismo comunitário na defesa do território pantaneiro.
Mais do que qualificar pessoas, o projeto contribuiu para cooperação entre comunidades, unidades de conservação e órgãos ambientais. Com o apoio do GEF Terrestre/Funbio, essa iniciativa demonstrou que investir em conhecimento local, articulação institucional e educação ambiental é essencial para transformar realidades, proteger o Pantanal e garantir um futuro mais seguro para quem vive e cuida desse bioma único.
O vídeo abaixo apresenta um recorte dessa trajetória: as ações em campo, os aprendizados coletivos e as pessoas que fazem do Manejo Integrado do Fogo uma ferramenta de conservação, resistência e cuidado com a vida no Pantanal.















