Relato de participação de Nathalia Ziolkowski, presidenta da Ecoa, em curso internacional
Essa foi a reflexão que permeou nossas mentes durante o Curso de Liderança Feminina – América Latina, do qual participei na última semana de fevereiro, no Rio de Janeiro. O encontro foi organizado pelo Danida Fellowship Centre, uma instituição pública autônoma da Dinamarca vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, e reuniu lideranças de diferentes países da região para compartilhar experiências, desafios e caminhos possíveis para fortalecer nossa atuação em contextos marcados por desigualdades.
Estavam ali lideranças do Brasil, Bolívia, Peru, Honduras, Colômbia e México, vindas de organizações sociais, instituições públicas e projetos de cooperação internacional. Apesar das diferenças de origem e trajetória, nossas conversas revelam algo em comum: que exercer liderança sendo mulher na América Latina ainda significa lidar com barreiras estruturais, sobrecarga de responsabilidades e pouca presença nos espaços de decisão.
O curso nos estimulou a reconhecer nossas próprias competências, a valorizar estilos de liderança baseados em escuta, colaboração e mediação, e a enfrentar barreiras culturais que historicamente limitaram o acesso feminino à autoridade formal.
O intercâmbio foi um espaço raro de troca entre mulheres que atuam em contextos sociais e políticos atravessados por profundas desigualdades. Ao longo da semana falamos sobre técnicas de gestão, inseguranças, estratégias e limites, mas também sobre a importância de construir redes de apoio entre mulheres. Em muitos momentos, ficou claro que nossos desafios não são individuais, mas fazem parte de estruturas sociais e políticas que atravessam toda a região.
Minha participação aconteceu por meio do projeto que a Ecoa desenvolve em parceria com a organização Bosques del Mundo, com apoio da cooperação dinamarquesa. Estar nesse espaço também foi uma oportunidade de ampliar vínculos com lideranças ambientais de outros países latino-americanos, especialmente da Bolívia e de Honduras, onde a organização parceira mantém atuação no continente.
Saio dessa experiência com a sensação de que fortalecer lideranças femininas não é apenas um tema de formação profissional. Nossa liderança é uma construção coletiva e política, necessária para que possamos construir instituições mais justas, territórios mais protegidos e sociedades mais democráticas.






