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Estação meteorológica da Ecoa mede sensação de 51 °C em assentamento rural no Pantanal

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Medição foi feita no domingo, durante a primeira onda de calor da primavera sob influência do Super El Niño.

No início da tarde de domingo (27), a estação meteorológica instalada pela Ecoa no Assentamento 72, em Ladário (MS), registrou 43 °C. Com umidade do ar em 35% e vento de 3 km/h, a sensação térmica calculada pelo equipamento chegou a 51 °C. Nesta segunda-feira (28), os números se repetiram: 43 °C às 12h14 e sensação de 50 °C na leitura das 13h11.

Na área urbana de Corumbá, a máxima de domingo foi de 41,9 °C, com sensação térmica de 48 °C, segundo o meteorologista Natálio Abrão. Mato Grosso do Sul está sob alerta vermelho de onda de calor do INMET desde sábado (26), com previsão até quarta-feira (30). O alerta vale para períodos de pelo menos cinco dias com máximas 5 °C acima da média histórica.

A estação do Assentamento 72 foi instalada em 17 de setembro, no norte da Paisagem Modelo Pantanal, entre Corumbá e Ladário, na divisa com a APA Baía Negra. Tem apoio da FAO, a agência das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura, e da organização dinamarquesa Aktion Amazonas. Uma segunda estação será instalada em outubro no Assentamento São Gabriel, ao sul da mesma área.

A proposta é usar dados locais de vento e temperatura para criar um sistema de alerta on-line de incêndios florestais. “Mas a gente consegue monitorar também o quanto o território está ficando quente, a ponto de influenciar a vida das pessoas, de tornar o ambiente insustentável para viver e para produzir”, explica André Nunes, diretor de programas e projetos da Ecoa.

Nas comunidades, o calor já mudou a rotina. “As pessoas estão mudando os horários de trabalho por causa do calor extremo, acordando muito mais cedo e trabalhando à noite para não pegar a tarde”, conta Nunes.

Nathalia Ziolkowski, diretora-presidenta da Ecoa, esteve com moradoras da APA Baía Negra durante o Encontro de Mulheres Interbiomas, realizado em setembro, em Corumbá, pelo projeto Redes pela Conservação, da Cáritas Alemanha. “Compareceram muitas mulheres da APA, a maioria idosas, com problemas de saúde. Não vai ser fácil para elas enfrentarem esse calor, com pouco acesso a água potável, habitações de estrutura não adequada para o calor extremo e condição econômica vulnerabilizadas”, conta.

Em Porto Esperança e Antônio Maria Coelho, comunidades tradicionais da região de Corumbá, o calor se soma aos efeitos da mineração de ferro. Caminhões carregados de minério passam dia e noite, e a poeira entra nas casas mesmo com as janelas fechadas. A água chega em caminhões-pipa e, segundo os/as moradores/as, é de qualidade ruim. As duas comunidades já levaram as denúncias ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

“Todas as comunidades com que trabalhamos estão vulnerabilizadas e terão dificuldades para atravessar os efeitos do Super El Niño, seja pela presença de empreendimentos que impactam o acesso a bens naturais comuns, seja pela dificuldade de acesso a políticas públicas”, diz Nathalia.

O Ministério da Saúde lista como sinais de alerta a transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça, cãibras e diarreia. Idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças cardíacas, renais, respiratórias ou diabetes estão entre os mais expostos. A orientação é beber água mesmo sem sede, usar roupas leves e claras, evitar esforço nas horas mais quentes e procurar ambientes frescos. A página do ministério cita ventiladores, ar-condicionado, centros comunitários e shoppings como refúgio.

O Painel El Niño 2026–2027, boletim do INMET, do INPE, do Cemaden e de outros órgãos federais, prevê que o fenômeno se mantenha até pelo menos o início de 2027, com temperaturas acima da média, mais risco de ondas de calor e de incêndios e chuvas abaixo da média no centro-norte do país. A edição de julho classificou a bacia do rio Paraguai, onde está o Pantanal, como “a situação hidrológica mais crítica do país”.

Com novas ondas de calor previstas para os próximos meses, a Ecoa defende que prefeituras e governo do estado se preparem desde já, com medidas que cheguem às comunidades rurais, tradicionais e ribeirinhas:

  • aviso antecipado dos alertas por rádio, WhatsApp e agentes de saúde;

  • abastecimento emergencial de água potável;

  • visitas da atenção básica a idosos e pessoas com doenças crônicas;

  • elaboração com inclusão emergencial dessas comunidades nos planos municipais de contingência e adaptação climática.

Na quarta-feira (30) há previsão de que as temperaturas devem baixar em Mato Grosso do Sul com a chegada de uma frente fria.

As estações meteorológicas integram o programa “Global Fire Management Hub: Strengthening wildfire risk reduction and preparedness”, da FAO em parceria com o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), de apoio aos países na gestão integrada do fogo, e o projeto “Early action for expected fire risk in the Pantanal”, executado pela Ecoa com financiamento da Aktion Amazonas.

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