Ameaças e violência contra povos indígenas após o segundo turno das eleições exigem investigação e proteção às comunidades

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Violência contra o povo Guarani e Kaiowá se intensificou após eleições. Foto: Percurso da Cultura/Flickr

*Por Rede Cerrado

Incêndio criminoso, ameaças de envenenamento da água e outros episódios de violência acendem o alerta sobre a segurança dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul

A Rede Cerrado manifesta solidariedade aos povos indígenas diante de denúncias de violência registradas após o segundo turno das eleições de 2026. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) relatou às autoridades episódios de violência em Mato Grosso do Sul, incluindo o atropelamento de indígenas em Coronel Sapucaia, que resultou na morte de um homem, e ameaças a comunidades nos municípios de Tacuru e Nioaque (MS), com referências ao envenenamento da água.

Nesta quinta-feira (29), na aldeia Jaguapiré, em Tacuru (MS), a casa da ñandesy Roberta, liderança espiritual Guarani e Kaiowá de 90 anos, foi incendiada. Segundo a denúncia, o incêndio foi criminoso e destruiu instrumentos sagrados utilizados nos rituais tradicionais do povo Guarani e Kaiowá.

Na Aldeia Sassoró, em Tacuru, áudios atribuídos a um servidor público municipal contêm ameaças contra indígenas da comunidade, incluindo a sugestão de envenenar a água consumida pelas famílias. A gravidade dos relatos exige apuração rigorosa e medidas efetivas de proteção.

A violência também atingiu o povo Terena. Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), indígenas foram impedidos de votar em escolas localizadas nas aldeias e sofreram discriminação racial, sendo chamados de “bugres”, termo historicamente pejorativo utilizado para desumanizar e discriminar os povos originários. As denúncias evidenciam violações ao direito ao voto e à dignidade dos povos indígenas.

A Rede Cerrado repudia toda forma de violência, discriminação e perseguição contra os povos indígenas. Discursos que desumanizam essas populações e ameaçam suas vidas são inaceitáveis. O direito de votar, viver em seus territórios e exercer suas culturas deve ser respeitado, sem intimidação ou retaliação.

Cobramos das autoridades competentes a investigação imparcial dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, caso as irregularidades sejam comprovadas. À Prefeitura de Tacuru, exigimos medidas para garantir a segurança da Aldeia Sassoró, o acesso à água potável e a proteção das famílias. Segundo o prefeito, o servidor citado nas denúncias já foi afastado e um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado.

Além de manifestar solidariedade, a Rede Cerrado incentiva o apoio às campanhas emergenciais organizadas pela Aty Guasu, organização representativa do povo Guarani e Kaiowá, para fortalecer a proteção e a assistência às comunidades atingidas.

Como apoiar:

1. Ajuda à luta Guarani e Kaiowá

Contribuições destinadas ao apoio e à proteção das comunidades indígenas, à assistência humanitária e à defesa de seus direitos.

PIX (CNPJ): 29.450.312/0001-89
Titular: Associação Anetete da Comunidade Indígena.

2. Solidariedade à ñandesy Roberta

Campanha para apoiar a anciã e mestra tradicional Guarani e Kaiowá, que teve sua casa incendiada e perdeu seus pertences e instrumentos sagrados.

PIX (celular): 67 99239-6364
Titular: Tônico Benites.

Também recomendamos acompanhar e compartilhar as informações divulgadas pelos canais da Apib, da Aty Guasu, da Mídia Indígena e da Campanha Indígena, fortalecendo a circulação de informações diretamente dos povos e de suas organizações.

Reafirmamos nossa solidariedade às famílias e lideranças da Aldeia Sassoró, aos povos Guarani e Kaiowá e Terena e aos demais povos indígenas do Cerrado, articulados pela Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC).

Não há democracia sem segurança para votar, viver e existir.

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