/

Temporada fraca de chuvas pressiona reservatórios e tarifas elétricas

5 minutos de leitura

Via ClimaInfo

  • Segundo o ONS, perspectiva é de que as vazões dos rios estejam abaixo da média em todos os quatro submercados elétricos no fim de março.

Com cinco ondas de calor “torrando” boa parte do país em dois meses, o consumo elétrico bateu recordes sucessivos. Ao mesmo tempo, mesmo com temporais castigando algumas cidades e regiões, o verão 2024/2025 registrou menos chuvas do que o habitual. Resultado: os reservatórios das hidrelétricas não estão se recompondo como deveriam. O que já pressiona os preços da eletricidade no mercado livre e pode doer no bolso da maioria da população que usa a energia elétrica fornecida pelas distribuidoras, no mercado cativo.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirma que não há riscos de suprimento, considerando os níveis dos reservatórios. No entanto, de acordo com boletim semanal da operação do sistema do ONS, divulgado na 6ª feira (14/3), a perspectiva é de que as vazões dos rios estejam abaixo da média em todos os quatro submercados elétricos [Sul, Centro-Oeste/Sudeste, Nordeste e Norte] no fim de março. Além disso, as previsões apontam para um possível final antecipado do período tipicamente úmido, que normalmente vai de novembro a abril, informam Valor e Canal Energia.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) concluiu após reunião na 5ª feira (13/3) que, no cenário mais positivo, esse será o 13º pior março em condições de afluência. No cenário mais grave, o 3º pior. Além disso, ao menos até abril há previsão de queda, em três de quatro regiões, da chamada energia natural afluente –a energia disponível de fontes naturais que pode ser aproveitada para geração elétrica. Ou seja, o cenário é bastante preocupante.
O mercado livre, que reúne grandes consumidores de eletricidade, já sente o peso da escassez de chuvas. O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que baseia as negociações de curto prazo entre consumidores e geradores de energia elétrica, quase sextuplicou no subsistema Sul e quintuplicou no Centro-Oeste/Sudeste, relatam Folha e InfoMoney.

Só que o PLD também pode afetar as tarifas elétricas do mercado regulado. Ele é usado para o cálculo da bandeira tarifária, que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aplica mensalmente nas contas de luz. Um custo que vai de zero, quando a bandeira é verde, a quase R$ 8 por 100 quilowatts-hora consumidos, na bandeira vermelha patamar 2.

A tarifa elétrica também dá dor de cabeça ao governo em relação à inflação. Em fevereiro, a energia elétrica foi a grande “vilã” do IPCA, que ficou em 1,31%, um resultado mais alto desde março de 2022 e o maior para o mês de fevereiro desde 2003. Com menos chuvas nas hidrelétricas e limitações na transmissão de eletricidade de usinas eólicas e solares do Nordeste, o risco de acionamento das termelétricas a combustíveis fósseis aumenta. Uma energia suja e cara, que dói tanto no bolso do consumidor como no clima.

Em tempo: O outono começa na próxima 5ª feira (20/3), mas as temperaturas devem seguir acima da média em boa parte do país, relata o g1. Segundo a Climatempo, a tendência é uma estação de chuvas dentro da média – o que, portanto, não cobrirá o volume menor verificado no verão – e temperaturas acima do esperado para esse período do ano. Vinicius Lucyrio, meteorologista da Climatempo, destaca que, apesar do calor previsto, o país deve ter dias de grande amplitude térmica, e é mais improvável a ocorrência de ondas de calor.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.