Foram duas semanas intensas de troca, aprendizado e imersão no tema da governança territorial do fogo. Em março, a gestora ambiental Fernanda Cano, do corpo técnico da ECOA, participou de um encontro internacional na Costa Rica representando a Paisagem Modelo Pantanal, que também reuniu representantes de Bosques Modelo de diferentes países da América Latina, organizado pela Rede Latino Americana de Bosques Modelo e pelo Centro Agronômico Tropical de Investigação e Ensino (CATIE).
“Foi um espaço muito rico de troca entre pessoas que atuam diretamente com o manejo do fogo nos seus territórios, desde monitoramento até ações de prevenção e articulação com brigadas”, conta Fernanda.
Participaram do encontro representantes do Brasil, Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Guatemala e Honduras, formando um grupo diverso, mas com desafios em comum. Ao longo da primeira semana, as atividades foram voltadas à troca de experiências e estudos de caso.
Entre os exemplos compartilhados, Fernanda apresentou a experiência da APA Baía Negra, no Pantanal. Em 2024, a área foi a única unidade de conservação da região que não registrou incêndios, resultado de um trabalho conjunto de monitoramento e atuação muito próxima com brigadas comunitárias voluntárias. No entanto, no ano seguinte, grande parte da área foi atingida pelo fogo, evidenciando como são necessários a continuidade das ações e o investimento em prevenção.
“Isso chamou bastante atenção do grupo, porque mostra como o trabalho precisa ser constante. Quando as ações não se mantêm, o território volta a ficar vulnerável”, relata.
Além das apresentações, os participantes se dividiram em grupos para discutir os principais desafios enfrentados em seus países e pensar caminhos possíveis para fortalecer a governança do fogo, incluindo a articulação entre poder público, organizações e comunidades locais.
Na segunda semana, a experiência ganhou outro ritmo: foi hora de ir a campo.
O grupo visitou áreas de conservação na Costa Rica onde o manejo do fogo é parte das estratégias de gestão do território, como as regiões de Tempisque (Bosque Modelo Chorotega) e Guanacaste. Entre os locais visitados estão o Parque Nacional Santa Rosa e o Parque Nacional Palo Verde.
“Foi muito interessante ver como eles trabalham o manejo do fogo em um contexto diferente do nosso, com outros tempos e dinâmicas. Lá, por exemplo, o período crítico de incêndios é diferente do Brasil”, explica Fernanda.
Durante as visitas, os participantes puderam conhecer de perto estratégias de prevenção, combate, educação ambiental e organização institucional, além de dialogar com equipes locais responsáveis pela gestão das áreas protegidas.
O grupo recebeu o nome de “Guardianes del Paisaje”, uma forma simbólica de reconhecer o papel de cada participante na proteção dos territórios onde atua.
“Essa ideia dos ‘guardiões’ apareceu muito forte durante o encontro. No fim, todos nós estamos, de alguma forma, cuidando dos nossos territórios”, resume.
O encontro também contou com a participação de representantes de organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), ampliando o diálogo entre experiências locais e iniciativas globais.



















