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Brigadas comunitárias do Pantanal participam de queima prescrita inédita no Amolar

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Formação da Brigada Voluntária Água Branca. Imagem: Manuela Nicodemos/Acervo Ecoa

Cinco brigadas comunitárias do Pantanal participarão, entre os dias 13 e 27 de junho, de uma série de ações de Manejo Integrado do Fogo (MIF) coordenadas pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama) nas regiões da Serra do Amolar, e nas comunidades Binega, Paraguai Mirim, Ilha do Baguari e Barra do São Lourenço. As atividades incluem queima prescrita, abertura de aceiros, roçadas e outras medidas preventivas voltadas à redução do risco de incêndios florestais.

A iniciativa marca a primeira ação de queima prescrita na região do Amolar com participação de brigadas comunitárias, ampliando a integração entre comunidades locais e órgãos responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios. A atividade está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), que prevê a adoção de estratégias preventivas e o fortalecimento da atuação comunitária na gestão do fogo.

A participação das brigadas é resultado de um processo de formação e fortalecimento comunitário desenvolvido nos últimos anos pela Ecoa em diferentes regiões do Pantanal. Formadas em parceria com Funbio/GEF Terrestre, WWF-Brasil/UNESCO as equipes terão sua participação viabilizada por meio do projeto “Ações estratégicas e participativas no MIF para proteção da APA Baía Negra e sua comunidade”, apoiado pelo Fundo Casa Socioambiental e passam a integrar uma ação de campo coordenada pelo Prevfogo/Ibama, colocando em prática os conhecimentos adquiridos em treinamentos voltados à prevenção e ao enfrentamento dos incêndios florestais.

O MIF combina diferentes estratégias voltadas à prevenção de incêndios de grandes proporções. Entre elas está a queima prescrita, técnica realizada de forma planejada e sob condições específicas de segurança para reduzir o excesso de material combustível acumulado na vegetação. O objetivo é diminuir os riscos de incêndios severos durante o período mais crítico do ano.

A operação está dividida em duas fases. Entre os dias 13 e 17 de junho serão realizados aceiros nas regiões do Amolar, além de treinamento em queima prescrita. Entre os dias 18 e 23 de junho, as ações estarão concentradas no Paraguai Mirim com abertura de aceiros em áreas comunitárias e na escola local.

No Paraguai Mirim, a intervenção será limitada a aceiros e manejo da vegetação. A região possui áreas de turfa: material orgânico que pode permanecer em combustão ‘invisível’ abaixo da superfície por longos períodos, tornando os incêndios mais difíceis de detectar e controlar. Por essa razão, as estratégias adotadas no local diferem das previstas para a região do Amolar.

Participam da ação as brigadas comunitárias do Amolar, Binega, Paraguai Mirim, São Lourenço e Ilha do Baguari – sendo a última a primeira brigada comunitária formada exclusivamente por mulheres no Pantanal.

Brigada Feminina Ilha do Baguari (Foto: Victor Hugo Sanches / Acervo Ecoa)

André Luiz Siqueira, diretor institucional da Ecoa, explica que a participação das brigadas é inovadora e demonstra a continuidade e a sustentabilidade do processo de formação iniciado nos territórios.

“O que torna essa ação inovadora é a combinação entre política pública e participação social. O Prevfogo se aproximando das comunidades tradicionais e da sociedade civil no manejo integrado do fogo com corpo de bombeiros, Ibama e brigadas comunitárias atuando juntos. É uma receita que não existe em outros países que compartilham o bioma Pantanal. Isso mostra o caminho para a adaptação e resiliência climática que o Pantanal precisa, especialmente diante do agravamento da crise hídrica e da aproximação de um novo ciclo de seca intensa.” – André Luiz Siqueira, Ecoa

A ação acontece num momento de alerta elevado. As previsões climáticas apontam para um segundo semestre de alto risco de incêndios no Pantanal, potencializado pelos efeitos do El Niño. Nos últimos anos, eventos extremos de seca e fogo evidenciaram a importância de estratégias preventivas capazes de proteger comunidades, meios de vida e a biodiversidade do bioma. A integração entre órgãos públicos, organizações da sociedade civil e brigadas comunitárias tem sido apontada como um dos caminhos para ampliar a capacidade de prevenção e resposta aos incêndios.

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