Lideranças de MS e MT se reúnem em Campo Grande para discutir desafios do Cerrado e construir agenda de atuação regional

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Lucely Pio, raizeira quilombola e vice-coordenadora da Rede Cerrado. Foto: ECOA

Encontro da Rede Cerrado reúne organizações, comunidades e representantes de diferentes territórios para debater temas como disponibilidade hídrica, incêndios florestais, fortalecimento de povos e comunidades tradicionais e atuação em rede

O Cerrado abriga nascentes que abastecem algumas das principais bacias hidrográficas do país. Das 12 regiões hidrográficas brasileiras, oito recebem contribuições diretas do bioma, que alimenta sistemas hídricos fundamentais para o Pantanal, a Amazônia e outras regiões. Em um cenário marcado pelo avanço do desmatamento, pela degradação ambiental e pelos efeitos das mudanças climáticas, organizações que atuam em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se preparam para discutir os desafios que atravessam o território.

Entre os dias 15 e 17 de junho, Campo Grande (MS) recebe o Encontro Regional da Rede Cerrado, articulação que reúne centenas de organizações, comunidades tradicionais e movimentos sociais em diferentes regiões do país. A atividade será voltada à regional Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e contará com a participação de cerca de 40 representantes territoriais, além da Secretaria Executiva da rede. A organização local do encontro conta com o apoio da Ecoa e do CEPPEC – Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado, instituições que integram a rede e atuam no fortalecimento de iniciativas socioambientais na região.

Ao longo dos três dias, os participantes irão compartilhar experiências e construir coletivamente um diagnóstico sobre a situação do Cerrado na regional. A proposta é identificar desafios comuns, trocar aprendizados acumulados nos territórios e definir prioridades para a atuação conjunta das organizações nos próximos anos.

“Um dos nossos objetivos é construir um diagnóstico a partir da experiência das organizações e dos territórios. O Brasil possui 12 principais bacias hidrográficas e oito delas estão relacionadas ao Cerrado. As nascentes que alimentam o Pantanal, a Amazônia e outros biomas estão aqui. Quando há desmatamento, assoreamento e degradação ambiental, os impactos aparecem tanto no campo quanto nas cidades”, afirma Nathalia Ziolkowski, diretora-presidenta da Ecoa.

Entre os temas previstos para o encontro estão a disponibilidade hídrica, os impactos das mudanças climáticas, a permanência dos povos e comunidades tradiconais do Cerrado para conservação do bioma e a prevenção de incêndios florestais. A Ecoa também levará para o debate pautas relacionadas ao fortalecimento das brigadas comunitárias e ao Manejo Integrado do Fogo (MIF), estratégia que combina conhecimento técnico e saberes locais para reduzir riscos e ampliar a capacidade de resposta das comunidades diante do avanço do fogo.

Além da construção do diagnóstico regional, o encontro busca fortalecer a atuação em rede. A troca de experiências entre organizações que enfrentam desafios semelhantes em diferentes territórios ajuda a ampliar a capacidade de incidência política, fortalecer iniciativas locais e criar oportunidades de cooperação.

“Atuar em rede significa ter muita troca, muito intercâmbio e mais apoio. Isso fortalece tanto a incidência política quanto o trabalho desenvolvido nos territórios. Também nos ajuda a construir soluções coletivas e fortalecer as organizações que estão na ponta”, destaca Nathalia.

A expectativa é que o encontro contribua para consolidar agendas prioritárias para a regional e identificar possibilidades de ações conjuntas entre as organizações participantes, fortalecendo a atuação em defesa do Cerrado e das comunidades que dependem dele.

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