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Plantas medicinais do Cerrado: oficina em Nioaque é tema de pôster no Congresso Nacional de Botânica

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“A canela, a canela todo mundo conhece… mas já tomou chá de casca de guavira? Quase ninguém.”

A pergunta é da professora Ieda Bortolotto, pesquisadora de etnobotânica e uma das fundadoras da Ecoa, em um oficina de plantas medicinais que a Ecoa fez em maio de 2025 com 24 mulheres do Assentamento Andalucia, em Nioaque/MS. Antes, as participantes tinham tentado adivinhar os chás pelo aroma, pelo sabor e pela aparência.

A atividade virou tema de pôster científico no 76º Congresso Nacional de Botânica, que acontece em Campo Grande junto com o XV Encontro de Botânicos do Centro-Oeste. O trabalho tem oito autores, da UFMS, do Ceppec e da Ecoa, entre eles a própria Ieda, Mariana Nocetti, da UFMS, Rosana Claudina da Costa Sampaio, a Preta do Ceppec, e Nathalia Ziolkowski, da Ecoa.

Aliando conhecimento acadêmico e tradicional, a oficina de dois dias teve coleta, identificação e herborização de plantas, conversa sobre nome local e nome científico, exercício de preenchimento de um formulário etnofarmacológico para compreensão da perspectiva científica e a diferença entre planta medicinal e produto fitoterápico. Colheita, secagem, embalagem, rotulagem e as regras para vender plantas medicinais também entraram na pauta.

Surgiu ainda a preocupação com a contaminação das plantas nas áreas de coleta, por causa da proximidade de mineração, estradas e do uso de agrotóxicos, uma das dificuldades que as mulheres do Cerrado e Pantanal têm vivido nos territórios.

A conversa passou também pelos cuidados no manejo, monitoramento ambiental, e a discussão de que as plantas do Cerrado, se bem coletadas, identificadas e processadas, podem ser fonte de renda ligada à conservação do bioma.

A oficina fez parte do projeto “Despertando o Viver no Cerrado: Mulheres articulando em rede”, realizado pela Ecoa e pela CerraPan – Rede de Mulheres Produtoras do Cerrado e Pantanal, com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

🌿Leia também: Mulheres do Cerrado: Oficinas de plantas medicinais fortalecem saberes tradicionais

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