Ecoa e Aktion Amazonas iniciam projeto de três anos com comunidades do Pantanal

3 minutos de leitura

Parceria vai apoiar a produção de mel, frutos nativos e artesanato, as brigadas comunitárias e comunidades tradicionais na defesa do território

Nos dias 16 e 17 de setembro, Toke Nyborg, Nazaret Fernandez, da organização dinamarquesa Aktion Amazonas, e Jenny Flores, da Fundación para la Conservación del Bosque Chiquitano (FCBC), estiveram em Corumbá (MS) com a equipe da Ecoa para dar início ao projeto “Strengthening Local Rights and Resilience in Climate-Vulnerable Wetlands in Brazil”. Além das reuniões de trabalho, o grupo foi até a comunidade Paraguai-Mirim, onde conheceu o apiário local.

Em muitas das comunidades com que o projeto vai trabalhar, a pesca artesanal é a principal fonte de renda. Mas ela para durante os quatro meses do defeso, e o seguro pago às famílias nesse período às vezes atrasa.

“Há situações de vulnerabilidade extrema. Às vezes, temos que conseguir alimento para que as famílias possam atravessar esse período”, conta Nathalia Ziolkowski, diretora-presidenta da Ecoa.

Nesses meses, a renda vem de outras atividades como a apicultura, os frutos nativos e o artesanato, que se somam à pesca e ao turismo. Apoiar essas cadeias da sociobiodiversidade é a primeira frente do projeto.

Essas produções enfrentam o fogo e, em alguns lugares, a mineração. Em Porto da Manga, o grupo que trabalha com a laranjinha-de-pacu (Pouteria glomerata) chegou a estocar 90 kg do fruto em 2019. Em 2020, ano dos grandes incêndios no Pantanal, foram guardados apenas 3 kg. Em Antônio Maria Coelho, o grupo de mulheres que trabalha com a bocaiuva (Acrocomia aculeata) perdeu mercado depois que o fogo atingiu as áreas de coleta. Lá, a polpa é desidratada em secadoras fechadas, para que a poeira do minério não chegue aos frutos.

A segunda frente é o apoio permanente às brigadas comunitárias. A cada ano, parte dos brigadistas deixa a brigada, e é preciso recompor as equipes, repor equipamentos e organizar novas formações.

A terceira é o acompanhamento de comunidades tradicionais em conflitos pelo território, como Porto Esperança, onde os moradores denunciam o tráfego intenso de carretas de minério de ferro e barulho constante perto das residências. Além disso, relatam que estão sofrendo danos na saúde devido à poeira de minério e apontam falhas na fiscalização da atividade.

Veja também: Poeira de minério afeta comunidades e gera denúncias ao MPMS em Corumbá

O projeto Strengthening Local Rights and Resilience in Climate-Vulnerable Wetlands in Brazil é executado pela Ecoa com apoio da Aktion Amazonas.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Mais recente de Blog