Painel

Nova biblioteca digital reúne conteúdos sobre mulheres e Cerrado

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Publicado em 17 de dezembro de 2025

A Ecoa lançou a Biblioteca Virtual de Gênero e Cerrado, uma plataforma digital de acesso público que reúne conteúdos sobre o papel das mulheres na conservação do bioma Cerrado.

A iniciativa integra o projeto “Equidade de gênero e justiça socioambiental para a conservação do Cerrado, Brasil: formação de mulheres líderes”, financiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e apoiado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

A Biblioteca foi desenvolvida como um banco de dados virtual para facilitar o acesso à informação, incentivar a produção e a circulação de conteúdos e servir como acervo de referência para pesquisas, processos formativos, comunicação e incidência política relacionados a gênero e meio ambiente.

O espaço reúne materiais que incorporam a perspectiva de gênero na análise de temas ambientais, territoriais e sociais em diferentes formatos de conteúdo.

Os materiais estão classificados em seis eixos temáticos que orientam a navegação:

  1. Justiça Ambiental, Ecofeminismos e Clima
  2. Territórios, Povos Tradicionais e Autodeterminação
  3. Saberes Tradicionais, Conservação e Manejo do Cerrado
  4. Produção Sustentável, Economia Feminista e Autonomia Econômica
  5. Governança, Políticas Públicas e Participação Feminina
  6. Direitos Humanos, Interseccionalidades e Bem-Estar Socioambiental

A Biblioteca Virtual de Gênero e Cerrado será atualizada de forma contínua, ampliando o número de notícias, análises e produções que evidenciam a contribuição das mulheres para a conservação do Cerrado.

👉 Acesse a Biblioteca Virtual de Gênero e Cerrado e conheça o acervo disponível:

https://ecoa.org.br/biblioteca-de-genero-e-cerrado/

Sobre o CEPF

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, da União Europeia, da Fundação Hans Wilsdorf, do Fundo Global para o Meio Ambiente, do Governo do Canadá, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Um de seus objetivos centrais é fortalecer o papel da sociedade civil na conservação da biodiversidade.

Um herói pantaneiro

Originalmente publicado em 10 de junho de 2022

“Talvez ele nunca tenha sabido quantas famílias salvou no Pantanal, quantas vidas transformou, quantas pessoas resgatou a dignidade. Foi um verdadeiro herói pantaneiro”. É assim que André Luiz Siqueira, diretor presidente da Ecoa, relembra do amigo Mário Sérgio Sobral Costa, também conhecido como Marinho.  

O arquiteto faleceu em abril deste ano e, por muitos anos, atuou como superintendente da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) no Mato Grosso do Sul, função que ocupou por nove anos. Foi também um grande aliado da Ecoa na busca por direitos de comunidades tradicionais do Pantanal.  

Seu nome surgiu recentemente em conversas entre nossa equipe. Falávamos sobre a oportunidade de aproveitar a Semana do Meio Ambiente para valorizar quem luta em defesa do Pantanal. A partir da conversa, a conclusão unânime foi que não havia ninguém melhor do que Marinho para ser homenageado por nós nessa data.  

Marinho (Foto: Kleverton Velasques)

Luta é provavelmente a melhor palavra para sintetizar o imenso trabalho que Marinho realizou para defender essas comunidades e o próprio Pantanal. Foi dele a ideia de aplicar na realidade pantaneira o Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS). O documento concede permissão para que essas pessoas vivam em territórios da União e façam uso sustentável dos seus recursos naturais.

Apesar de possuírem uma ligação ancestral e viverem há diversas gerações nesses locais, diversas comunidades ribeirinhas eram constantemente ameaçadas de expulsão, em alguns casos com aplicação de violência direta. Tais situações eram acompanhadas de perto pela Ecoa.  

A falta de um documento para comprovar a ligação com o território era justamente a principal vulnerabilidade utilizada por quem tentava expulsar os ribeirinhos de onde viviam. É aqui que entra o ponto central do trabalho implementado por Marinho: o TAUS é também uma estratégia para proteger essas comunidades e garantir seu direito de permanecer no local. 

Os trabalhos de levantamento de TAUS no Pantanal pelo SPU-MS começaram em 2006. O primeiro lugar fiscalizado foi o Porto da Manga, há cerca de 70km de Corumbá, (MS).

Nos anos seguintes, o trabalho promovido pelo SPU foi expandido com apoio da Ecoa e organizações como Ministério Público Federal e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, câmpus Pantanal. Assim, ao longo dos anos, a documentação foi emitida para mais de 150 famílias em comunidades com estruturas fundiárias confusas ou ameaçadas de expulsão.

Equipe do SPU na comunidade de São Lourenço (Foto: Iasmim Amiden)

Defensor de famílias pantaneiras

Um exemplo emblemático onde a atuação de Mário Costa à frente do SPU foi fundamental é o da comunidade Barra de São Lourenço, formada principalmente por descendentes de indígenas Guató.  

Os ribeirinhos vivem em uma pequena área na região da Serra do Amolar, na foz entre rio Cuiabá e à margem do rio Paraguai, cercados por reservas de propriedades particulares. Com o discurso de conservar a natureza, os responsáveis pelas reservas impediam os moradores locais de pescarem na região e até a transitar no rio Paraguai. Assim, cerceavam os direitos de uma comunidade tradicional historicamente ligada ao Pantanal.

Em 2012, ao tomar conhecimento da situação, Marinho esteve à frente do extensivo trabalho de garantia de direitos dessas pessoas. Juntamente com o MPF, o SPU realizou a emissão de TAUS para as 27 famílias que compõem a comunidade. 

Posteriormente, em uma ação inédita, a comunidade também recebeu o TAUS coletivo de dois locais: Aterro do Binega e Aterro do Socorro. Este último era de uso ancestral, utilizado pelos antepassados dos atuais moradores da Barra de São Lourenço.  No passado, por ser uma área mais alta, era para lá que os ribeirinhos migravam em épocas de cheia.

Apesar dessa área pertencer à União, proprietários de reservas particulares da região proibiam os ribeirinhos de se mudarem para a pequena ilha. Com a proibição, em algumas cheias extraordinárias que aconteceram no Pantanal, os moradores chegaram a ficar dentro das casas alagadas, em cima de girais, por não ter para onde ir.  

Barra de São Lourenço (Foto: Iasmim Amiden)

 

O processo para a comunidade ter acesso à áreas até então proibidas foi iniciado a partir de 2013, com o trabalho liderado por Mário.

Nos anos seguintes, seguindo os passos do SPU, outras importantes instituições passaram a estar presentes na Barra de São Lourenço. Em 2015, aconteceu a audiência pública liderada pela juíza federal Raquel Domingues TRF-3 com intuito de mediar o conflito entre as áreas protegidas e a comunidade. A partir da audiência, o MPF judicializou a questão e, por fim, a população local pôde ter permissão para  praticarem pesca e coleta de iscas em áreas próximas àquela ocupada pela comunidade.

Ainda no trabalho exercido em parceria com Ecoa, Marinho atuou com sua expertise em arquitetura na elaboração do projeto das Casas Adaptadas para eventos climáticos extremos destinada à comunidades tradicionais do Pantanal. O projeto chegou a ser finalista do Prêmio Mundial de Habitações em 2019.

Outra ação importante de ser relembrada é a participação ativa do arquiteto na articulação entre várias entidades e Governo do Estado para obtenção de fundos que seriam destinados para uma nova escola na Barra de São Lourenço.  

Por sua extensa atuação e dedicação à luta em defesa dos povos tradicionais do Pantanal, Mário chegou a sofrer diversas represálias.  “Ele trouxe o SPU para um papel de protagonismo na causa, trouxe essa ferramenta que salva vidas que é o TAUS“, conta André Luiz Siqueira.

Dona Joana recebe o TAUS coletivo na Barra do São Lourenço (Foto: MPF)

Intelectual, justo e extremamente humano são algumas das características citadas pelo diretor Presidente da Ecoa para definir Marinho. Era também um grande fã da poesia, em especial da obra de Manoel de Barros. Assim como o grande poeta, que encontrava na beleza do Pantanal a inspiração para tecer com as palavras, o trabalho de Mário Costa também era motivado pela ligação que possuía com a região e os povos que ali habitam.

Era, acima de tudo, um apaixonado pelo Pantanal.

 

“No Pantanal não se pode passar régua

sobre muito quando chove.

Régua é existidura de limites e o Pantanal não tem limites.

Aqui, bonito é desnecessário. Beleza e glória das coisas o olho que põe”.

Manoel de Barros, poeta

 

Publicação analisa desigualdades de gênero e destaca protagonismo feminino na defesa do Cerrado. Clique e faça o download!

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Publicado em 12 de dezembro de 2025

O Cerrado nos ensina, há muito, que nada (r)existe só, que a vida se sustenta em relações, em redes que se apoiam, se alimentam e se fortalecem mutuamente.

É desse princípio que parte a 2ª edição do Informe Integrando Gênero à Conservação, uma publicação que mergulha em processos formativos, experiências de campo e nas trajetórias de mulheres que defendem o bioma mais ameaçado do Brasil.

Nesta edição, o informe amplia o olhar sobre como gênero, território e conservação se entrelaçam na prática e olha para como as desigualdades de gênero afetam o cotidiano das mulheres cerratenses, suas possibilidades de participação e suas formas de resistência.

Aqui, o Cerrado aparece como ele é: tecido por muitas vozes. A revista reúne relatos, análises, metodologias e reflexões produzidas ao longo de oficinas, rodas de conversa, cursos e vivências construídas com mulheres quilombolas, indígenas, agricultoras, extrativistas, ativistas e lideranças comunitárias, cada uma trazendo seu modo de ver o mundo, seu território e seu jeito de defendê-lo.

O informe reúne esse mosaico de experiências, sintetizando um percurso que combina método, vivências, reflexão crítica e o desejo coletivo de transformar realidades. O resultado é um retrato forte sobre participação social, incidência política e caminhos de enfrentamento às desigualdades estruturais que afetam a vida de quem sustenta o Cerrado vivo.

A publicação chega em português, francês e inglês, ultrapassando fronteiras para afirmar o que a corrente dominante insiste propositalmente em esquecer:

  • Não há conservação sem mulheres.

  • Não há Cerrado em pé sem os corpos/territórios que o sustentam.

  • Não há futuro climático sem justiça de gênero.

A capa e a contracapa, assinadas por Conchita Silva, trazem a força do traço que nasce da madeira: xilogravuras que falam do próprio Cerrado, uma resistência que se imprime, racha, abre caminho e permanece.

Esta edição é um convite a olhar com profundidade que não há futuro possível para o Cerrado [nem para o clima] sem as mulheres. É também um chamado a compreender que proteger o Cerrado é, antes de tudo, proteger quem cuida dele.

👉 Acesse a publicação completa aqui:

Esta publicação é parte das ações dos projetos “Equidade de gênero e justiça socioambiental para a conservação do Cerrado, Brasil: formação de mulheres líderes” e “Despertando o Viver no Cerrado: Mulheres articulando em rede”, executados pela Ecoa, com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

Sobre o CEPF

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Fundação Hans Wilsdorf, da Gestão Ambiental Global, do governo do Canadá, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Um objetivo fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida na conservação da biodiversidade.

 

Começou a recuperação das nascentes nos assentamentos Andalucia e Boa Esperança!

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A equipe do CEPPEC iniciou, nesta semana, o plantio de mudas nativas nas áreas de recuperação de nascentes nos assentamentos Andalucia e Boa Esperança, no município de Nioaque (MS). As ações integram o conjunto de intervenções para recuperação de duas nascentes que nascem no Cerrado e abastecem o Pantanal.

O plantio faz parte do projeto “Quintais Produtivos”, iniciativa executada pela Ecoa com apoio do Fundo ECOS/ISPN, Global Nature Fund (GNF), Ministério para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (BMZ) e da Bosques del Mundo (BDM), fortalecendo ações integradas de conservação no Cerrado e na Bacia do Alto Paraguai.

Saiba mais:

Ecoa instala câmeras-trap em áreas de nascentes para monitoramento da fauna no Cerrado

As mulheres do Cerrado promovem soberania alimentar e recuperam nascentes

Curta-metragem “Raízes do Cerrado”🎬 já está disponível no canal da Ecoa no YouTube, com versões em português, inglês, francês e libras. Assista!

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A Ecoa lançou o curta-metragem “Raízes do Cerrado: Mulheres em luta pela conservação”, uma produção audiovisual que reúne vozes de mulheres que vivem, cuidam e defendem o Cerrado em diferentes territórios do país.

As falas partem da experiência cotidiana e evidenciam o papel central das mulheres na conservação do bioma.

O curta está disponível no YouTube da Ecoa.

🎬👉 Assista ao documentário completo aqui: https://youtu.be/1_HXn9hxHLY?si=nM6OD76ukQ8noPAw

As plantas alimentícias do Cerrado e do Pantanal carregam histórias, saberes e modos de vida. 🌿✨ Nesta sexta (12/12), comunidades, pesquisadoras e organizações se encontram em Campo Grande para fortalecer a sociobioeconomia e dar visibilidade ao protagonismo das mulheres e dos territórios. A Ecoa apoia essa construção por meio do projeto Despertando o Viver no Cerrado, financiado pelo CEPF Cerrado/IEB. Participe!!!

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🌿SAIBA MAIS: Cerrado, alimento e saberes: Seminário reúne comunidades para valorizar plantas nativas

 

🌿 O Pantanal na COP30. A presidenta da Ecoa, Nathalia Ziolkowski, participou da conferência global GLF Climate 2025, destacando o papel das parcerias e das Florestas Modelo na construção de soluções sustentáveis. 💡 A experiência da Floresta Modelo Pantanal foi apresentada como exemplo de gestão integrada da paisagem, com foco em restauração ambiental, soberania alimentar e resiliência climática.

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As comunidades do Pantanal são protagonistas da conservação e da criação de soluções sustentáveis que unem ciência, saberes locais e ação coletiva.

Essa trajetória foi apresentada por Nathalia Ziolkowski, presidenta da Ecoa, durante o GLF Climate 2025: Uma Nova Visão para a Terra, realizado paralelamente à COP30, em Belém (PA), no dia 17 de novembro.

O evento foi promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF) e pela Rede Internacional de Florestas Modelo (IMFN), reunindo 150 especialistas de todo o mundo para discutir soluções integradas para enfrentar a crise climática.

Na sessão “Mais Fortes Juntos: Parcerias para um Futuro Sustentável”, Nathalia apresentou as experiências desenvolvidas pela Ecoa e pela Paisagem Modelo Pantanal (PMP), destacando ações de restauração ambiental, soberania alimentar, resiliência comunitária e justiça social.

As iniciativas incluem a recuperação de áreas protegidas, a implantação de viveiros de mudas nativas e sistemas agroflorestais, e o fortalecimento de parcerias multissetoriais para o uso sustentável da terra.

O evento foi transmitido globalmente, com tradução automática em vários idiomas.

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