Publicado em 12 de dezembro de 2025
O Cerrado nos ensina, há muito, que nada (r)existe só, que a vida se sustenta em relações, em redes que se apoiam, se alimentam e se fortalecem mutuamente.
É desse princípio que parte a 2ª edição do Informe Integrando Gênero à Conservação, uma publicação que mergulha em processos formativos, experiências de campo e nas trajetórias de mulheres que defendem o bioma mais ameaçado do Brasil.
Nesta edição, o informe amplia o olhar sobre como gênero, território e conservação se entrelaçam na prática e olha para como as desigualdades de gênero afetam o cotidiano das mulheres cerratenses, suas possibilidades de participação e suas formas de resistência.
Aqui, o Cerrado aparece como ele é: tecido por muitas vozes. A revista reúne relatos, análises, metodologias e reflexões produzidas ao longo de oficinas, rodas de conversa, cursos e vivências construídas com mulheres quilombolas, indígenas, agricultoras, extrativistas, ativistas e lideranças comunitárias, cada uma trazendo seu modo de ver o mundo, seu território e seu jeito de defendê-lo.
O informe reúne esse mosaico de experiências, sintetizando um percurso que combina método, vivências, reflexão crítica e o desejo coletivo de transformar realidades. O resultado é um retrato forte sobre participação social, incidência política e caminhos de enfrentamento às desigualdades estruturais que afetam a vida de quem sustenta o Cerrado vivo.
A publicação chega em português, francês e inglês, ultrapassando fronteiras para afirmar o que a corrente dominante insiste propositalmente em esquecer:
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Não há conservação sem mulheres.
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Não há Cerrado em pé sem os corpos/territórios que o sustentam.
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Não há futuro climático sem justiça de gênero.
A capa e a contracapa, assinadas por Conchita Silva, trazem a força do traço que nasce da madeira: xilogravuras que falam do próprio Cerrado, uma resistência que se imprime, racha, abre caminho e permanece.
Esta edição é um convite a olhar com profundidade que não há futuro possível para o Cerrado [nem para o clima] sem as mulheres. É também um chamado a compreender que proteger o Cerrado é, antes de tudo, proteger quem cuida dele.
👉 Acesse a publicação completa aqui:
Esta publicação é parte das ações dos projetos “Equidade de gênero e justiça socioambiental para a conservação do Cerrado, Brasil: formação de mulheres líderes” e “Despertando o Viver no Cerrado: Mulheres articulando em rede”, executados pela Ecoa, com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).
Sobre o CEPF
O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Fundação Hans Wilsdorf, da Gestão Ambiental Global, do governo do Canadá, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Um objetivo fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida na conservação da biodiversidade.

