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Coração das águas: relatos do Cerrado na Casa Feminista da COP30 – Juliana Bonanomi

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Juliana Bonanomi (acervo pessoal)

Durante a COP30, na Cúpula dos Povos em Belém (PA), mulheres do Cerrado ocuparam a Casa Feminista para trocar experiências, fortalecer redes e levar suas vozes às discussões sobre clima, território e soberania. A seguir, em suas próprias palavras, Juliana Bonanomi, uma das cursistas da Formação em Liderança para Mulheres na Conservação do Cerrado compartilha o que viveu e aprendeu nesse espaço de acolhimento e atuação política:

Para mim, a oportunidade de ir à COP30 foi mais do que discutir a crise climática. Foi perceber que as comunidades tradicionais — quilombolas, indígenas — carregam o verdadeiro modo de vida que sustenta a Terra. E, dentro desses grupos, são as mulheres que, em sua maioria, resistem e lutam por seus territórios frente a exploração capitalista.

Mulheres que resistem, insistem e protegem.

Da mulher, mãe da humanidade, nasce a compreensão de que o cuidado com as pessoas começa pelo cuidado com a natureza.

Nas cidades, mulheres negras, mulheres trans, mães e pesquisadoras também lutam para dar voz à sua sabedoria feminina. E ali percebi com mais força o quanto precisamos urgentemente de mais mulheres nos espaços de decisão. Porém, nossas vozes ainda são silenciadas. Gastamos três vezes mais energia para sermos ouvidas, somos constantemente interrompidas e questionadas.

A solução para a crise climática passa pelas mulheres: negras, mães, indígenas, quilombolas, trans — todas que carregam o feminino dentro de si.

Por fim, agradeço às mulheres que lutaram para que eu estivesse na COP30 e que me ensinaram a lutar!

Na Casa Feminista, mais de 60 mulheres de diferentes territórios se reuniram para dialogar sobre justiça climática, defesa dos territórios e transição justa. Além do apoio institucional, a Ecoa viabilizou a participação de três cursistas da “Formação em Liderança para Mulheres na Conservação do Cerrado”, iniciativa realizada com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

Participam das atividades da Casa Feminista e da Cúpula dos Povos: @anacarol.alves @bonanomijuliana e @raizeiraquantica acompanhadas por @jolu_batista que também facilitou a etapa presencial do curso.

Sobre o CEPF

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Fundação Hans Wilsdorf, da Gestão Ambiental Global, o governo do Canadá, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Um objetivo fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida na conservação da biodiversidade.

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