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Eventos climáticos extremos na América do Sul

703 minutos de leitura
eventos climáticos extremos geram crise hídrica

<Eventos climáticos extremos e seus impactos na América do Sul.

Este Projeto de monitoramento de eventos climáticos extremos, originalmente criado em 2021, visava contribuir para o entendimento das consequências da crise hídrica/climática na bacia do rio Prata dos anos 2020/21. A bacia é o principal território econômico para Bolívia, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil.
No Brasil a bacia do Prata tem como seus territórios principais as bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai. A crise hídrica, perceptível com a redução das chuvas entre 2020 e 2021, causou graves impactos ambientais, sociais e econômicos para os países, dentre os quais podemos listar os destrutivos incêndios no Pantanal, as perdas de produção agrícola e a redução de geração elétrica nas represas. De algum modo ela seguiu em 2022/23 provocando perdas de quase 50% na produção de grãos na Argentina, ao tempo em que no território brasileiro a normalização das chuvas enchia as represas para geração de energia e permitia uma safra agrícola dentro do esperado.
Agora retomamos o trabalho de monitoramento, mas ampliando para a América do Sul, um grande território interconectado por suas características físicas e biológicas, o que contribui para melhor percepção das mudanças climáticas e a necessidade de medidas preventivas e mitigatórias partilhadas entre os países que a compõem.

23 abr. 2024

Seca histórica na Colômbia provoca corte no fornecimento de energia elétrica ao Equador

As restrições hídricas na Colômbia impactaram o fornecimento de energia ao país vizinho, que declarou emergência no setor e definiu um “racionamento temporário” de eletricidade.
A crise hídrica na Colômbia virou um problema regional. Na semana passada, as restrições impostas pelas autoridades de Bogotá afetaram a exportação de eletricidade para o Equador, que depende em grande parte do país vizinho para suas necessidades elétricas domésticas.
O aperto acontece em um momento no qual os reservatórios de água, inclusive de usinas hidrelétricas, atingem seus piores níveis em décadas. De acordo com as autoridades colombianas, a média dos reservatórios no país não passa dos 30% da capacidade total. Por conta disso, a Colômbia decidiu suspender o fornecimento de eletricidade ao Equador.
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, declarou emergência no setor elétrico e confirmou que o fornecimento de energia passará por um esquema de racionamento nas próximas semanas. Já na última 3ª feira (16/4), houve cortes de até três horas em diversas cidades do país. O governo também anunciou um corte de 50% da tarifa elétrica no período de racionamento, para aliviar os impactos das restrições.
A importação de eletricidade colombiana já acontecia por conta da baixa capacidade das usinas hidrelétricas do Equador, que passa por problemas há alguns anos. O acordo de compra de energia foi firmado na gestão do antecessor de Noboa, o ex-presidente Guillermo Lasso.
No entanto, a forte seca que atinge o noroeste da América do Sul, intensificada pelo fenômeno El Niño, forçou uma série de restrições no uso da água para evitar um colapso no abastecimento hídrico básico. As hidrelétricas colombianas, que respondem por 70% da geração elétrica do país, estão operando muito abaixo de sua capacidade. Por essa razão, o governo colombiano acionou todas as usinas termelétricas do país em sua capacidade máxima.
AFP, Associated Press, BBC e Reuters deram mais informações. Já na imprensa brasileira, a notícia foi abordada pela Agência Brasil, pela CNN Brasil, O Globo, entre outros.

Via ClimaInfo

15 abr. 2024

Ambientalista afirma que área protegida no Mato Grosso evitou danos, mas deveria ser maior

O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT) completou 35 anos no último dia 12. Ele abriga mais de mil espécies vegetais e animais em 32.630 hectares.

Segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), quase

“Se não tivesse sido criado há 35 anos, aquele território estaria totalmente degradado e ocupado. Haveria dezenas de condomínios, clubes e chácaras, seria tudo privatizado. Estaria extremamente degradado como o resto da Chapada e de Cuiabá”, afirma o fotógrafo e ambientalista Mário Friedlander.

Uma de suas ressalvas, no entanto, é o tamanho da área destinada ao parque, que, para ele, deveria ser três vezes maior do que é. “Lamento que tenha sido criado um Parque tão pequeno. O que ficou de fora está muito degradado, deveria ter pelo menos o triplo do tamanho”, diz.

Segundo o ambientalista, para quem conheceu a área antes do PNCG, “a diferença é brutal!”.

Via MidiaNews

10 abr. 2024

Brasil. No horizonte, crise hídrica com impactos sociais e econômicos

Rio Paraná. Imagem: TV Brasil

As chuvas na Bacia do Rio Paraná estão poucas e este processo já está fazendo estragos econômicos. As indicações são de que o quadro deve ser pior nos próximos meses, pois o fenômeno que “mais afeta o clima do Planeta” está em transição: a temperatura das águas do Pacífico Equatorial. O NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica, numa tradução livre), dos Estados Unidos, atualizado, informa que as águas estão ‘saindo’ da condição El Niño, o aquecimento, para um quadro ‘neutral’, devendo chegar na La Niña, o resfriamento, entre junho e julho de 2024.
Voltando no tempo: em 2020/2021 a Bacia do Rio Paraná atravessou uma crise hídrica de grande impacto social e na economia: as chuvas escassas não propiciaram condições para navegação (caso da Hidrovia Tietê-Paraná) e não abasteceram os reservatórios suficientemente para geração elétrica mínima necessária para o País – e aqui uma informação fundamental: mais de 60% da geração hidrelétrica no Brasil ocorre nesta bacia.
Alguns eventos na Bacia do Paraná indicativos:
–  o serviço de balsa que conecta a cidade de Presidente Franco, no Paraguai, à argentina Puerto Iguazú foi suspenso segunda-feira 8/4. A causa é a estiagem na Bacia do Rio Paraná. Rochas estão expostas nas proximidades do porto paraguaio (ABC Color e H2Foz);
– o governo brasileiro determinou retenção de água nas barragens da bacia para gerenciar condições de geração elétrica;
– a produção agrícola em algumas regiões do estado do Paraná está com problemas sérios. Produtores solicitam suporte do governo federal.

Por Alcides Faria – diretor da Ecoa

10 abr. 2024

Colômbia.

A capital, Bogotá e 11 municípios vizinhos, implementarão um plano de racionamento de água.
A seca é grave e as indicações são de que está relacionada ao fenômeno climático El Niño – o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial.
Nove milhões de pessoas são afetadas.

08 abr. 2024

Chile atravessa uma longa crise hídrica. A sequencia é de 3 anos de uma “mega seca”
O Chile atravessa uma longa crise hídrica. Segundo relatório, de 2022, da organização Meteorológica Mundial (OMM), a mais longa dos últimos mil anos – uma «mega sequência» que dura três anos com “stress hídrico” quase permanente, pois a demanda supera em muito a disponibilidade de água.
Estudo da Fundação Chile destaca que 44% dos problemas hídricos são devidos a falhas na gestão e governança da água, seguidos pelo impacto das atividades produtivas com 17% e pela contaminação química na agroindústria com um 14%. O Chile é um país altamente dependente da água, desde a enorme indústria mineira até a produção agrícola. Seus problemas passam por leis construídas durante a ditadura de Pinochet.

28 mar. 2024

Amazônia de extremos. Roraima

Fogo devastador. “Uma área de 4.580 quilômetros quadrados já foi consumida pelo fogo em Roraima, segundo relatório do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). É como se quase 460 mil campos de futebol tivessem sido destruídos pelas chamas nesta temporada. Aos poucos, o dado se aproxima do registrado na seca severa de 1998, quando 11 mil quilômetros do território do Estado foram destruídos.” Folha de Boa Vista.

Amazônia / Roraima – a seca.

Após dois decretos reconhecendo oficialmente os efeitos da seca em Roraima, 14 dos 15 municípios do estado estão em situação de emergência.

 

27 mar. 2024

La Niña a caminho. Prepare-se Brasil – Sul terá seca? No Pantanal virão as condições climáticas para incêndios como 2020?

(NOOA-USA)

Na imagem do Modelo de Previsão Europeu são projetadas as “anomalias” na temperatura da superfície do Pacifico equatorial até julho. A fina faixa azul ao longo do Equador, na Costa Oeste da América do Sul, indica água invulgarmente mais fria a sendo puxada para a superfície. Água mais fria caracteriza La Niña e a mais quente, como ocorre desde 2023, o El Niño. Nada impacta mais o clima global do que a temperatura do Pacifico equatorial (NOOA-USA).

20 mar. 2024

Brasil. Nova crise hídrica no horizonte com a chegada do fenômeno La Niña?

O NOOA (National Oceanic and Atmospheric Administration – USA) afirma que nos próximos meses se mantem o fenômeno El Niño, mas a probabilidade de chegada do La Niña a partir de julho é de 62%. O primeiro é o fenômeno de aquecimento das águas do Pacífico equatorial e o La Niña o resfriamento – o NOOA concluiu que nada afeta o clima Planeta do que os 2 fenômenos. O ultimo La Niña provavelmente contribuiu para a crise hídrica que levou à redução na geração hidrelétrica na bacia do rio Paraná em 2021. Essa bacia é responsável por mais de 60% do abastecimento de energia elétrica no Brasil.
A revista Exame trouxe a seguinte informação no dia 18 de março: Além do aumento do consumo de energia, o Brasil sente os efeitos da falta de chuvas. Tanto que o ONS avaliou em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), em 6 de março, ser necessário manter atenção à baixa afluência registrada em um período que seria tipicamente úmido. O Operador citou que a fase mais importante da estação chuvosa – de dezembro a fevereiro – apresentou volumes de chuva abaixo da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste. No entanto, o órgão salientou que por ora não há problema com as hidrelétricas.

14 mar. 2024

América do Sul em queimando, Imagem das últimas 24 horas apontada pelo FIRMS (Fire Information for Resource Management System)

14 mar. 2024

Paraguai. Calor e fogo provoca apagão.

Na segunda-feira uma queimada na localidade de Emboscada provocou a interrupção do fornecimento de energia em parte do País. A temperatura e a sensação térmica passavam dos 40ºC em diferentes cidades paraguaias. De acordo com a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), a queima de pastagens abaixo da linha de distribuição causou o corte de energia. Informações do Metsul.

14 mar. 2024

Brasil de extremos. Mais de 30 cidades do estado do Ceará estão em emergência por seca ou estiagem . Danos humanos, materiais e ambientais. “Um dos motivos que levam a essa necessidade é a péssima qualidade da água, salobra e imprópria para o consumo humano. Os lençóis freáticos da zona rural em nosso município não oferecem água de qualidade, e por conta da alta temperatura no período da estiagem, os reservatórios como poços, açudes e pequenas barragens rapidamente evaporam, trazendo um grande prejuízo hídrico à população carente da zona rural” relata o coordenador Defesa Civil de Itapajé, Auricélio Brito.

14 mar. 2024

Amazônia de extremos

Imagem: Defesa Civil

CNN – “No município de Boca do Acre, no interior do Amazonas, perto da divisa do estado com o Acre, cerca de 90% da cidade foi tomada pela inundação causada pelos rios Acre e Purus. Segundo a Defesa Civil do município, mais de 15 mil pessoas foram afetadas. A prefeitura da cidade já montou quatro abrigos públicos em escolas municipais e estaduais. Cestas básicas e água potável estão sendo distribuídas para a população. Em Boca do Acre, o nível do rio chegou a 20,20 metros.
Como o desastre ultrapassou a capacidade de resposta do município, foi necessário decretar estado de emergência. Além de Boca do Acre, o município de Envira e Guajará, também no Amazonas, têm sofrido com a subida dos rios.
Segundo a Defesa Civil estadual, em Envira mais de mil pessoas foram afetadas e 15 estão desalojadas. Em Guajará, são mais de cinco mil afetados e 300 desalojados. O órgão alerta a população sobre os riscos de subida gradual do nível das águas.”

11 mar. 2024

Peru. Peixes e consequências das águas mais quentes com El Niño.

À medida que a temperatura do mar muda, algumas espécies alteram a sua distribuição. Segundo Santiago de la Puente, pesquisador do Instituto Norueguês de Pesquisas Aquáticas, o aumento das temperaturas, aliado aos frequentes e imprevisíveis fenômenos do El Niño, fazem com que a distribuição e o abastecimento do pescado que tradicionalmente os pescadores artesanais do Peru procuram estejam em constante mudança.

Como resultado, estes pescadores, muitos dos quais já lutavam para capturar peixe suficiente devido à sobrepesca, têm de gastar mais tempo e dinheiro na procura das suas espécies-alvo. “Isso significa que [eles não podem] saber quanto vão ganhar ou gastar”, diz De la Puente. “A única coisa que sabem é que terão de se endividar para pagar as contas.”
O pesquisador está preocupado com as complicações que poderão continuar enfrentando ano após ano com as mudanças climáticas e os eventos do El Niño. Ele acrescenta que a falta de estudos sobre o problema dificulta a quantificação dos danos. “Também não temos muita informação sobre o quanto os efeitos do El Niño ou das alterações climáticas afectam os pescadores”, afirma. “E esta lacuna é grave, tendo em conta que a pesca no Peru representa 1% do PIB. “Não é pouca coisa.”

Em busca de flexibilidade na pesca, as mudanças provocadas pelo El Niño podem ter assustado alguns dos animais visados ​​pelos pescadores artesanais no Peru, mas também trazem novos alvos potenciais. Estas incluem espécies que preferem águas mais quentes, como o dourado, o atum e o bonito, explica Gino Passalacqua, oceanógrafo peruano da Universidade da Califórnia em San Diego.

11 mar. 2024

Amazônia dos extremos.

Imagem governo do Acre/ FSP

Enquanto em Roraima o governo decreta emergência, por seis meses, em doze municípios, devido à estiagem e incêndios, no Acre a água da cheia do rio Acre arrasa cidades, a ponto de uma delas, Brasileia, se preparar para mudança de local.
A prefeitura da cidade pretende mudar a sede do município para uma parte mais alta, pois foi atingida pela maior cheia do rio Acre – início no dia 24 de fevereiro. Sedes da administração pública e vários órgãos ficaram debaixo da água. Do outro lado da fronteira, na Bolívia, a cheia desabrigou parte da população e causou danos materiais em Cobija.

08 mar. 2024

O El Niño 2023/24 é um dos cinco mais fortes já registrados, segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO)

A WMO define o El Niño-Oscilação Sul (ENOS) como “um fenômeno natural recorrente caracterizado pela flutuação das temperaturas do oceano no Pacífico equatorial, juntamente com mudanças na atmosfera, o qual têm grande influência nos padrões climáticos em várias partes do mundo.” O ano mais quente já registado, devido às alterações climáticas de longo prazo e ao efeito do episódio El Niño de 2023/2024, foi 2023. Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration dos EUA nada influencia mias o clima global do que o El Nino e La Niña. La NIña ocorre quando as aguas do Pacifico resfriam. As ondas de calor intenso e situações extremas entre secas (bacia Amazônica) e chuvas intensas (Sul da America do Sul) observadas em 2023/24 tiveram relação com o El Niño.

04 mar. 2024

Amazônia de extremos

No noticiário a informação de que o rio Acre sofre uma cheia que é a terceira maior já registrada. No domingo, dia 3, estava com 3,68 metros acima da cota de transbordamento em Rio Branco, a capital do estado do Acre. No ano passado, o rio alcançou 17,72 metros na cidade. Já o maior nível já registrado se deu em 2015, quando o patamar de 18,40 metros foi atingido. O Estado decretou estado de emergência para 19 de seus 22 municípios devido a cheias em outros rios. Cerca de 25 mil pessoas tiveram que deixar suas casas.
O desastre acreano estava ‘anunciado’ há alguns dias, pois na Bolívia, em áreas que drenam para os rios do Acre, ocorriam chuvas intensas, destruindo casas e desabrigando milhares de pessoas. O departamento de Pando, vizinho do Acre, declarou-se em desastre. Cobija, município do departamento, está com mais de 2300 desabrigados graças ao “furioso” rio Acre.

15 fev. 2024

A principal corrente de circulação do Atlântico está a caminho do colapso, afirma novo estudo

Mais evidências sugerem que a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC) está se aproximando do seu ponto de inflexão.
Estudo (Physics-based early warning signal shows that AMOC is on tipping course) chegou a conclusão que a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), “a correia transportadora do oceano” que leva água quente dos trópicos para Norte, para o Atlântico Norte, aproxima-se de ponto de viragem. Se as conclusões do Estudo forem precisas, o colapso terá impactos profundos no clima mundial.
A AMOC desempenha um papel principal no transporte de calor e água doce ao longo do Atlântico através de uma rede de correntes oceânicas profundas e próximas da superfície. Funciona transferindo águas superficiais quentes e salgadas dos trópicos através do Atlântico Norte. Quando se aproxima do Polo Norte, esfria e forma gelo marinho. A água restante então afunda e é transportada para o Sul, nas profundezas abaixo, completando o ciclo.
Ao trazer água mais quente para o Polo Norte, ajuda a promover condições climáticas mais quentes no noroeste da Europa e no Atlântico Norte. Sem a AMOC , estas partes do planeta seriam muito mais frias.
O grande receio é que as alterações climáticas possam perturbar o ciclo de forma irreparável. Numerosos estudos sugeriram que a AMOC está abrandando e fluindo no ritmo mais fraco dos últimos séculos .
A maioria dos modelos mostra que a AMOC continuará a abrandar à medida que a crise climática se agrava. Quão forte e rápida será o abrandamento? Esse é o debate. Investigação recente sugeriu que poderia entrar em colapso dentro de décadas , talvez até anos, embora esta se tenha revelado uma afirmação controversa.
O novo estudo, cientistas da Universidade de Utrecht, na Holanda, afirmam ter encontrado uma nova forma de detectar um sinal de alerta precoce de que a AMOC se aproxima do colapso. Eles executaram um modelo computacional gigante que simula o fluxo de água doce superficial ao redor do Atlântico Norte ao longo de 2.200 anos.
A principal conclusão é que o movimento da água doce no Atlântico em torno do paralelo 34 Sul, o limite sul do Atlântico, poderia ajudar a prever um colapso iminente na AMOC. Ao observar a quantidade mínima de água doce que está sendo deslocada para cima a partir desta parte sul do Atlântico, eles foram capazes de dizer se a AMOC entraria em colapso nos próximos 20 anos.
O colapso da AMOC iria perturbar “drasticamente” a distribuição de calor nos oceanos do mundo e mais além.
O novo estudo foi publicado na revista Science Advances.
A principal corrente de circulação do Atlântico está a caminho do colapso, afirma novo estudo
Mais evidências sugerem que a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC) está se aproximando do seu ponto de inflexão.
Estudo (Physics-based early warning signal shows that AMOC is on tipping course) chegou a conclusão que a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), “a correia transportadora do oceano” que leva água quente dos trópicos para Norte, para o Atlântico Norte, aproxima-se de ponto de viragem. Se as conclusões do Estudo forem precisas, o colapso terá impactos profundos no clima mundial.
A AMOC desempenha um papel principal no transporte de calor e água doce ao longo do Atlântico através de uma rede de correntes oceânicas profundas e próximas da superfície. Funciona transferindo águas superficiais quentes e salgadas dos trópicos através do Atlântico Norte. Quando se aproxima do Polo Norte, esfria e forma gelo marinho. A água restante então afunda e é transportada para o Sul, nas profundezas abaixo, completando o ciclo.
Ao trazer água mais quente para o Polo Norte, ajuda a promover condições climáticas mais quentes no noroeste da Europa e no Atlântico Norte. Sem a AMOC , estas partes do planeta seriam muito mais frias.
O grande receio é que as alterações climáticas possam perturbar o ciclo de forma irreparável. Numerosos estudos sugeriram que a AMOC está abrandando e fluindo no ritmo mais fraco dos últimos séculos .
A maioria dos modelos mostra que a AMOC continuará a abrandar à medida que a crise climática se agrava. Quão forte e rápida será o abrandamento? Esse é o debate. Investigação recente sugeriu que poderia entrar em colapso dentro de décadas , talvez até anos, embora esta se tenha revelado uma afirmação controversa .
O novo estudo, cientistas da Universidade de Utrecht, na Holanda, afirmam ter encontrado uma nova forma de detectar um sinal de alerta precoce de que a AMOC se aproxima do colapso. Eles executaram um modelo computacional gigante que simula o fluxo de água doce superficial ao redor do Atlântico Norte ao longo de 2.200 anos.
A principal conclusão é que o movimento da água doce no Atlântico em torno do paralelo 34 Sul, o limite sul do Atlântico, poderia ajudar a prever um colapso iminente na AMOC. Ao observar a quantidade mínima de água doce que está sendo deslocada para cima a partir desta parte sul do Atlântico, eles foram capazes de dizer se a AMOC entraria em colapso nos próximos 20 anos.
O colapso da AMOC iria perturbar “drasticamente” a distribuição de calor nos oceanos do mundo e mais além.
O novo estudo foi publicado na revista Science Advances.

8 fev. 2024

“O mundo registrou pela primeira vez 12 meses consecutivos com temperaturas 1,5ºC acima da média da era pré-industrial, anunciou nesta quinta-feira o observatório europeu do clima Copernicus. O mês de janeiro foi marcado por uma onda de calor na América do Sul, com temperaturas recordes e incêndios devastadores na Colômbia e Chile, com mais de 130 mortos na região de Valparaíso”. Metsul.

7 fev. 2024

El Niño e mudança climática são pivô de incêndios no Chile e enchentes nos EUA – (The Fingerprints on Chile’s Fires and California Floods: El Niño and Warming)

O New York Times produziu matéria traduzida e publicada pela Folha de São Paulo de hoje (7/1) sobre os incêndios florestais no Chile e as enchentes na California, tratando da conexão entre o aquecimento excepcional da águas do Pacifico Equatorial (El Niño) iniciado em 2023 e ainda permanente neste início de 2024. O texto informa que os incêndios florestais, enquanto varriam regiões costeiras do Chile, mataram mais de 130 pessoas ao passo que no Sul da Califórnia chuvas recordes fizeram com que rios transbordassem e desencadeassem deslizamentos de terra.
A publicação considera que por trás dessa situação estão duas forças poderosas: a mudança climática, que pode intensificar tanto a chuvas quanto secas, e o fenômeno El Niño, que pode contribuir para eventos extremos.
Na Califórnia, meteorologistas vinham alertando há dias que uma forte tempestade fora dos padrões, conhecida como rio atmosférico ou rio voador, estava ganhando força por conta das altas temperaturas do oceano Pacífico. As chuvas começaram no fim de semana e várias cidades entraram em estado de emergência. Na segunda-feira (5), autoridades alertaram que a área de Los Angeles poderia ser inundada com o equivalente à chuva de um ano em um único dia.
No hemisfério Sul, o Chile tem sofrido com a seca há quase uma década. Isso preparou o cenário para um fim de semana infernal, quando, em meio a uma onda de calor severa, os incêndios florestais eclodiram.
Tanto as enchentes quanto os incêndios refletem os riscos climáticos extremos causados pela perigosa combinação de aquecimento global e o El Niño.
O incêndio no Chile e a enchente na Califórnia sucedem o ano mais quente em terra e nos oceanos – anunciam o que 2024 pode ser um dos cinco anos mais quentes registrados, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA na sigla em inglês).

5 fev. 2024

Chile. 112 mortos e centenas de desaparecidos. País em emergência devido a incêndios florestais

Incêndios devastadores varrem a costa do Pacífico do Chile, destruindo bairros inteiros e prendendo pessoas que tentaram de carro. Autoridades informaram no domingo que pelo menos 112 pessoas morreram e centenas continuavam desaparecidas, alertando que o número de mortos pode aumentar. Valparaíso está tomada pela fumaça negra e a cidade turística costeira de Vina del Mar foi muito atingida.
O presidente Gabriel Boric disse que a situação é muito difícil e a ministra do Interior, Carolina Toha, afirma que o País enfrenta o pior desastre desde o terremoto de 2010, que matou cerca de 500 pessoas.

2 fev. 2024

Colômbia

Normalmente um país com muita umidade nesta época do ano sofre com incêndios devastadores. Mais de 160 km2 foram destruídos pelo fogo. O presidente Petro declarou um desastre nacional no dia 27/01 e pediu ajuda internacional para combater os incêndios, que, segundo ele, podem ultrapassar a Cordilheira dos Andes e eclodir na costa do Pacífico e na Amazônia. Com o presidente do Brasil convocou vários países latino-americanos para um Posto de Comando Unificado para propor estratégias contra as mudanças climáticas.
Os incêndios deste mês na Colômbia são incomuns em um país onde as pessoas estão mais acostumadas com chuvas torrenciais e deslizamentos de terra do que com fogo e cinzas. Eles foram atribuídos às altas temperaturas e à seca agravadas pelo fenômeno climático conhecido como El Niño. Secou florestas, savanas e terras altas normalmente úmidas conhecidas como páramos, transformando partes do país em um barril de pólvora.
Os vizinhos, Venezuela e Equador também sofrem com incêndios.

2 fev. 2024

America do Sul de extremos

Chile

Um novo recorde de temperatura máxima para o mês de janeiro foi estabelecido no dia 31 de janeiro na capital, Santiago. A temperatura chegou a 37,3ºC, a terceira temperatura mais elevada registada em mais de um século de dados, informou a Direção Meteorológica do Chile (DMC).

Via Metsul.

Argentina

Temperaturas acima dos 40ºC na Argentina. Serviço Meteorológico Nacional da Argentina emitiu alerta vermelho para províncias do Oeste do país e o Norte da Patagônia.

Uruguai

Máximas previstas entre 34ºC e 38ºC. O Instituto Uruguaio de Meteorologia, também emitiu um aviso de onda de calor a partir de hoje, 2 de fevereiro.

1 fev. 2024

Sojeiros x Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) – quem tem razão?

Diante das variações climáticas dos últimos meses, trazidas pelo fenômeno El Niño (aquecimento das águas do Pacifico Equatorial), as plantadores de soja tiveram problemas para garantir o plantio e o desenvolvimento da cultura como em anos anteriores, em algumas regiões do País. Este quadro trouxe dúvidas na previsão sobre a tonelagem de grãos que serão retirados das lavouras.
No caso do Mato Grosso, a Associação do Produtores de Soja (Aprosoja) afirma que a previsão da Conab está errada. Lá seriam produzidas 9 milhões de toneladas a menos do que o previsto pela Conab, com prejuízos estimados pela Aprosoja de R$60 bilhões.

30 jan. 2024

Começa o processo de enfraquecimento do fenômeno El Niño

– É altamente provável que o pico do evento de El Niño de 2023-2024 já tenha sido alcançado. Pacífico pode passar à neutralidade no outono.

O processo de enfraquecimento do fenômeno El Niño de 2023-2024 começou. Análise dos dados semanais de anomalia de temperatura da superfície do mar combinados com projeções de modelos numéricos indica com alto grau de probabilidade que o pico do evento do fenômeno já foi alcançado e que a partir de agora a tendência é de gradual decaimento.

O último boletim semanal sobre o estado do Pacífico da agência climática dos Estados Unidos, publicado nesta segunda-feira, indicou que a anomalia de temperatura da superfície do mar era de 1,7ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste.

Esta região é a usada oficialmente na Meteorologia como referência para definir se há El Niño e ainda avaliar qual a sua intensidade. O valor positivo de 1,7ºC está ainda na faixa de El Niño forte (+1,5ºC a +1,9ºC). A denominada região Niño 3.4 esteve brevemente com anomalias em patamar de Super El Niño por duas semanas seguidas com registros de +2,1ºC na semana de 22 de novembro de 2023 e +2,0ºC na semana de 29 de novembro.

Então, caiu abaixo de +2,0ºC com registro de +1,9ºC na semana de 6 de dezembro de 2023. Na semana de 13 de dezembro, retornou ao patamar de Super El Niño com +2,0ºC. O valor se manteve nos boletins semanais de 20 e 27 de dezembro de 2023.

Neste mês, agora, os boletins semanais da NOAA indicaram anomalias de +1,9ºC nas semanas de 3 e 10 de janeiro e anomalias de +1,7ºC nas semanas de 17 e 24 de janeiro. Ou seja, o valor atual da região Niño 3.4 está 0,4ºC abaixo do pico alcançado no mês de novembro.

Por outro lado, a região Niño 1+2, está com anomalia de +0,7ºC. O El Niño costeiro junto aos litorais do Peru e Equador teve início no mês de fevereiro e atingiu o seu máximo de intensidade durante o inverno. A maior anomalia de El Niño costeiro na região Niño 1+2 neste ano se deu na semana de 19 de julho com 3,5º C.

O fato de o El Niño ter atingido o seu período de pico no final do ano e no começo de 2024 não significa que o máximo dos seus efeitos ocorra nesta época do ano. No caso do Sul do Brasil, por exemplo, os seus efeitos são maiores na chuva com excessos na primavera, exatamente como ocorreu.

Tendência é de maior enfraquecimento

A previsão da MetSul Meteorologia indica que a tendência para o Pacífico Equatorial é de enfraquecimento adicional do fenômeno El Niño ao longo das próximas semanas, mas o fenômeno deve seguir presente no Pacífico Centro-Leste ainda durante todo o restante do verão ou em quase todo o período. O último boletim mensal de probabilidades do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), dos Estados Unidos, indica que o El Niño deve seguir atuando por mais algumas semanas com uma transição para neutralidade (ausência de El Niño e La Niña) durante o nosso outono.

Conforme as probabilidades estimadas pelo CPC/NWS/NOAA, neste trimestre de janeiro a março a probabilidade é de 100% de El Niño. No trimestre de fevereiro a abril, o órgão da NOAA indica 94% de probabilidade de El Niño, 6% de neutralidade e 0% de La Niña. Para o trimestre de março a maio, o do outono meteorológico, 53% de El Niño, 47% de neutralidade e 0% de La Niña.

Para o trimestre abril a junho, 20% de probabilidade de El Niño, 73% de neutralidade e 7% de La Niña. No trimestre de maio a julho, segundo as estimativas oficiais do centro de clima dos Estados Unidos, as probabilidades seriam de 10% de El Niño, 63% de neutralidade e 27% de La Niña. No trimestre do nosso inverno meteorológico, de junho a agosto, 7% de El Niño, 46% de neutralidade e 47% de La Niña. No trimestre de julho a setembro, a estimativa norte-americana é de 6% de El Niño, 36% de neutralidade e 58% de La Niña.

Por sua vez, no trimestre de agosto a outubro, que marca a transição do final do inverno para o começo da primavera no Hemisfério Sul, a NOAA projeta probabilidade de 6% de El Niño, 30% de neutralidade e 64% de La Niña, ou seja, ou o Pacífico já estará sob La Niña ou numa neutralidade com anomalias negativas.

Embora um evento de La Niña canônico, que se mede no Pacífico Central, não se preveja antes do final do outono ou do inverno, um La Niña costeiro nas costas do Peru e do Equador pode se instalar antes, com resfriamento das águas junto à costa da América do Sul na faixa equatorial, ainda no outono. Um possível resfriamento acentuado do Pacífico na chamada região Niño 1+2, junto aos litorais peruano e equatoriano, pode determinar gradual redução da precipitação e ainda favorecer episódios de frio mais cedo no calendário, alguns de maior intensidade durante o outono. A reprodução em parte dos conteúdos da MetSul é autorizada desde que citada a fonte e publicado o hyperlink para o original https://metsul.com/2024-01-29-el-nino-la-nina-clima-noaa/ .

Via Metsul

18 jan. 2024

Brasil e a produção de grãos na safra 2023-24

Imagem: Telam

Enquanto chuvas ajudam a Argentina a caminhar para supersafra de grãos, no Brasil algumas regiões produtoras sofrem com situações extremas.
No estado de Mato Grosso, nos municípios de Vera e Feliz Natal, região médio-norte, após a seca no plantio, ocorre agora chuva em excesso. Os produtores da leguminosa esperam perdas significativas, com prejuízos estimados em mais de algo entre R$ 600 a 700 milhões. A prefeitura de Feliz Natal já decretou estado de emergência.

Fonte Canal Rural.

17 jan. 2024

Bacia Amazônia. Eventos extremos e a atividade humana

Texto da National Geografic, de abril de 2022, apresenta estudo de 23 pesquisadores sobre a questão dos eventos extremos na bacia Amazônica e suas causas. Entendemos pertinente apresentar o artigo devido a seca extrema ocorrida na região no ano de 2023, pois o trabalho agrega informações e dados importantes.

O estudo: Amazon Hydrology From Space: Scientific Advances and Future Challenges

Um resumo do texto

“A Bacia Amazônica se estende por oito territórios da América do Sul: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. É a bacia com maior volume de água doce do mundo e composta por mais de mil afluentes, quatro deles entre os dez maiores rios do planeta – Madeira, Negro, Japurá e o próprio Amazonas.

Seu tamanho continental faz com que os processos hidrológicos da bacia impactem o ambiente de diversas formas. As altas taxas de precipitação, capacidade de armazenamento de água doce e vazão fluvial fazem dela um ator fundamental no sistema climático global, com grandes contribuições para os ciclos da água, energia e carbono.

Agora um estudo [Amazon Hydrology From Space: Scientific Advances and Future Challenges] conduzido por 23 pesquisadores revisou 30 anos de descobertas e apontou as principais mudanças nesses ciclos hidrológicos a partir de dados de monitoramento por satélites. A equipe aponta como a ação humana está influenciando a distribuição de chuvas, secas, período de cheias e até mudando cursos de rios inteiros.

…………

A alteração na pluviosidade amazônica não significa que as chuvas da região não continuem intensas por toda a extensão da bacia. Os ciclos anuais de precipitação variam significativamente, muito influenciados por latitude, relevo e características atmosféricas. Em média, a pluviosidade anual da região é de 2.200 milímetros, podendo atingir valores superiores a 6.000 mm ao ano em locais chamados “hotspots pluviométricos”, na transição entre os Andes e a Amazônia. Para efeito de comparação, a precipitação média anual da cidade de São Paulo é de 1.616 mm.

A mudança mais importante que estamos analisando no ciclo hidrológico é a intensificação dos eventos extremos”, disse em entrevista à National Geographic Jhan Carlo Espinoza, doutor em climatologia e pesquisador peruano ligado à Universidade de Grenoble Alpes e ao Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, na França, e um dos autores do estudo [.

O que a combinação de observações desde o espaço com estudos in situ estão mostrando é, na verdade, um aumento na intensidade dos processos hidrológicos. “Nos últimos anos, o período de seca na parte sul da Amazônia aumentou em média, um mês. Enquanto que, no norte, as chuvas estão muito mais intensas, causando recordes de cheias nos rios”, relata Espinoza.”
Leia a matéria completa na National Geografic .

 

16 jan. 2024

Colômbia. Chuva intensa de mais de 24 horas, no departamento de Chocó, provoca deslizamentos, levando a morte de 37 pessoas.
A informação dada pela vice-presidente: Francia Márquez na rede social X antes da última atualização para 37 mortes:
“Lamento profundamente a morte de 33 pessoas nesta tragédia, a maioria meninas e meninos, segundo informes preliminares do território. Toda a nossa solidariedade ao departamento de Chocó e às famílias das vítimas”, escreveu
Choveu por mais de 24 horas sem parar na região. Outros deslizamentos dificultaram a chegada dos socorristas à região

16 jan. 2024

Tempestades e chuvas torrenciais matam em São Paulo e no Rio.
Até agora foram contabilizadas doze mortes e uma pessoa no estado do Rio de Janeiro neste fim de semana. As mortes ocorreram por afogamento, deslizamentos de terra e descargas elétricas. Em São Paulo a chuva forte de sexta-feira (12) e madrugada de sábado (13) causaram duas mortes, alagou regiões e provocou quedas de árvores. O fornecimento de energia foi cortado em algumas regiões. Voos no Aeroporto de Congonhas foram suspensos. As tragédias se repetem.

11 jan. 2024

Aquecimento extremo do Atlântico Sul soma-se ao El Nino forte no Pacifico Equatorial

O Atlântico Sul, que influencia diretamente o clima do Brasil, ferve. Sua anomalia de elevação de temperatura é quatro vezes maior que a variação natural e apequena à que caracteriza um El Niño, no Oceano Pacífico, considerado uma das maiores forças da Terra. E a tendência é de que o calor vá piorar até março.
O aquecimento do Atlântico está entre os fenômenos atribuídos esta semana às mudanças climáticas pelo XAIDA (‘eXtreme events: Artificial Intelligence for Detection and Attribution), um consórcio integrado por 16 centros de pesquisa climática europeus.
— O grande aquecimento dos oceanos observado desde o ano passado é resultado de mudanças climáticas. O El Niño sozinho não explica o que vivemos. E 2024 já começou fervendo. Infelizmente, com esse cenário, o Hemisfério Sul vai arder neste verão, que mal começou — afirma Regina Rodrigues, coordenadora do grupo que estuda o Atlântico e suas ondas de calor na Organização Meteorológica Mundial (OMM).
A ciência considera que um El Niño está configurado quando a temperatura na região equatorial do Pacífico está um desvio padrão acima da média. Cerca de 0,5 grau Celsius por três meses consecutivos. Parece pouco, mas trata-se de aquecer uma área maior do que a Amazônia Legal a até 100 metros de profundidade.
Mas o atual aquecimento do Atlântico Sul está quatro desvios padrões acima da média, explica Rodrigues, professora de Oceanografia e de Clima da Universidade Federal de Santa Catarina.
Em dezembro, o Atlântico Sul esteve entre 2 graus Celsius e 3 graus Celsius acima da média. Continua quente em janeiro. Isso é muito grave, combustível para desequilíbrios no mar e na terra, frisa Rodrigues.
Em 2023, por ora o ano mais quente da História, foi o Atlântico Norte que chamou a atenção, com água de até 38 graus Celsius produzindo tempestades. Estava tão poderoso que mudou o típico padrão do El Niño, que costuma diminuir a frequência de furacões no Atlântico.
Em setembro passado, por exemplo, o Atlântico Norte gerou o dobro do número de ciclones que o Pacífico, mesmo estando este sob o El Niño. O Pacífico somou 37 ciclones contra 74 do Atlântico Norte.
Mas, agora, verão no Hemisfério Sul é por aqui que as coisas vão, literalmente, pegar fogo. Pois, somada ao aquecimento do planeta, no verão se intensifica a radiação solar recebida pelo mar. Como a temperatura da água tem uma inércia maior — demora mais para esquentar e para esfriar — o pico de temperatura do Atlântico Sul deve ocorrer em março, diz Rodrigues.
A cientista diz que janeiro ainda deve ter algum refresco, trazido pelas monções, isto é, os canais de umidade das zonas de convergência intertropical (ZCIT) e do Atlântico Sul (ZCAS).
— Já em fevereiro pode ficar mais seco e quente, com piores condições de calor. As chuvas, quando vierem, podem ser devastadoras porque não apenas vem concentradas, quanto encontram solo seco e rachado, onde a água não infiltra e favorece as enxurradas — salienta Rodrigues.
Ela não descarta novos desastres, como o ocorrido no litoral Norte de São Paulo, durante o Carnaval passado, quando foi medida a maior chuva do Brasil.
A mais recente previsão da Agência de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) diz que o Atlântico Tropical deverá continuar com condições para ondas de calor marinhas até junho de 2024, especialmente na região ao norte da linha do equador, influenciando o clima da Amazônia.

Via Exame

 

21 dez. 2023

Brasil. Municípios do estado de Minas Gerais já perderam cerca R$ 1,8 bilhão na safra 2023/24 devido a longa seca

De acordo com o site do Globo Rural as informações foram publicadas no boletim da Emater-MG: “De julho a dezembro, a falta de chuvas e o calor excessivo já causaram prejuízos de R$ 770,5 milhões na produção de carne, leite e derivados e de R$ 692,2 milhões na destruição de pastagem por conta da seca. Na agricultura, a estimativa é que tenham sido perdidos R$ 361 milhões com a redução do plantio de grãos.”

As regiões atingidas são a Norte, o Vale do Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce, Triângulo Mineiro e Noroeste de Minas Gerais.

20 dez. 2023

Brasil. Extremos climáticos: após sofrer com seca, Manaus enfrenta fortes chuvas e inundações

Após estiagem extrema que fez rio Negro atingir menor nível em 120 anos e ar poluído por causa de queimadas, capital amazonense sofre com chuvas.
Nos últimos meses Manaus sofreu com uma seca extrema, efeito do El Niño e das mudanças climáticas. A estiagem fez disparar o número de queimadas no entorno da capital do Amazonas, que registrou em alguns dias um dos piores níveis de poluição do ar do planeta por causa da fumaça desses incêndios. E nesse fim de semana, a chuva, tão esperada pelos manauaras, veio com força além da conta e provocou estragos em várias áreas da cidade.
Uma das cenas mais impressionantes por causa da tempestade foi quando uma casa flutuante de madeira deslizou por um barranco e foi arrastada pela correnteza na manhã de domingo (17/12) no bairro de Educandos, Zona Sul da capital, mostra um vídeo reproduzido por CNN e g1. Uma mulher, que fez as imagens, fala que os pertences do dono do imóvel estavam dentro da residência.
Moradores de Educandos temiam novos deslizamentos na área, informa o g1. Segundo relatos de testemunhas, o barranco, situado no Beco Corinthians, continua cedendo e mais de 30 pessoas que moram no local estão sendo afetadas. Segundo o líder comunitário Gil Eanes, que também mora no local, o barranco desaba devido às mudanças do curso do igarapé e que já reivindicou da Prefeitura de Manaus uma solução para o problema.
Na Zona Norte de Manaus, ruas ficaram alagadas e vários carros foram submersos. A situação começou ainda na manhã de sábado, quando a forte chuva começou a atingir a cidade. Com a inundação, donos de veículos que moram em condomínios ou estavam em lojas próximas ao local correram para tentar salvar seus carros, relata o g1.
No Centro da cidade, uma árvore centenária caiu numa rua e deixou a região sem fornecimento de energia elétrica. Lojistas contaram ao g1 que a árvore caiu por volta de 7h30 de sábado, quando a chuva começou a se intensificar na capital amazonense.
Os fortes ventos associados à tempestade também derrubaram estruturas metálicas na ponte sobre o rio Negro, mostra o Portal do Holanda. Segundo as informações, o material pertencia a uma empresa de publicidade.

Via ClimaInfo

 

18 dez. 2023

Bolívia. Mortes e desabrigados devido a chuvas.

São 55 comunidades atingidas com 2.729 famílias afetadas Casas foram destruídas. O norte de La Paz, Potosí, Cochabamba, Santa Cruz e Chuquisaca são as regiões onde as chuvas foram fortes.
Morreram 10 pessoas: duas na região de La Paz, arrastadas pelo rio Tipuani, uma em Cochabamba, quatro em Potosí e três em Chuquisaca.
Algumas dessas localidades enfrentavam até pouco tempo atrás uma forte seca.

 

18 dez. 2023

Uruguai. Tempestade mata uma criança de 8 anos e um rapaz de 19. Ventos de até 150 kms/hora

A tempestade que atingiu a região central da Argentina neste fim de semana, causando a morte de 13 mortes em Bahía Blanca atingiu também o Uruguai. A tragédia ocorreu na cidade turística de Colônia, onde duas mortes foram confirmadas: um menino de 8 anos e um jovem de 19. Ocorreram quedas massiva de árvores em diversas áreas do território oriental, com ventos de até 150 Kms/hora.

 

18 dez. 2023

Argentina. Mortos, feridos, queda de árvores, dezenas voos cancelados – ventos de até 150 km/hora

Na cidade Bahia Blanca, província de Buenos Aires, o desabamento do telhado do centro esportivo do clube Bahiense del Norte, matou pelo menos 13 pessoas e deixou muitos feridos, alguns deles gravemente – os ventos alcançaram maios de 140 km/hora. Sem eletricidade, com danos gravíssimos em centenas de edifícios, a situação foi de catástrofe. Médicos, bombeiros e pessoal da Defesa Civil trabalharam freneticamente, tentando atender aos múltiplos pedidos de socorro que chegavam de todos os bairros. O núemnro de mortos pode aumentar. A magnitude dos danos causados pela tempestade incluiu a queda de diversas árvores e postes, enquanto grande parte da cidade ficou sem fornecimento de energia.
Há dezenas de voos cancelados e atrasados em consequência da tempestade. A tempestade e as fortes rajadas afetaram drasticamente as atividades do Aeroporto Internacional de Ezeiza e do Aeroporto Jorge Newbery. Aviões foram arrastados.
Na cidade de Buenos Aires o festival Bresh ainda não havia se iniciado mas já contava com centenas de jovens na fila e outros tantos já no interior quando a tempestade chegou. Pelo menos 15 pessoas tiveram que ser atendidas e 13 delas foram transferidas para hospitais com politraumatismo, traumatismo cranioencefálico e fraturas torácicas. Nas proximidades do Hipódromo de Palermo, várias árvores caíram na Avenida Del Libertador, às 4.000, algumas sobre carros estacionados.

 

18 dez. 2023

Brasil. Bahia chega de 150 a 200 mil animais mortos por seca

– Produção de leite da pequena produção e comércio caiu 60%.
– Prejuízos ultrapassam R$1 bilhão.

Humberto Miranda, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), afirma que o estado vive drama por conta da falta de água, levando a prejuízos que ultrapassam R$ 1 bilhão. Ainda segundo o presidente, produção de leite e comercialização, vendido nas pequenas cidades, feiras e nas portas das residências, caiu em 60%.
Já o leite das grandes indústrias caiu de 20 a 30%. O prejuízo é classificado como “absurdo” para pecuária.
Os rebanhos estão sendo dizimados: já morreram entre 150 e 200 mil animais. Humberto Miranda diz que é o fundo do poço. A pecuária de corte hoje vende a arroba 30% mais barata do que se vendia o ano passado.

 

14 dez. 2023

Brasil. Nova onda de calor atinge o Brasil e temperaturas podem chegar a 40°C

Ar quente ganha força e temperaturas máximas podem passar dos 40°C, inclusive no Rio Grande do Sul, que ainda não registrou calor intenso nesta primavera.
O maçarico vai ser aceso novamente no centro-sul do país a partir desta 5ª feira (14/12), com temperaturas chegando a 40°C em várias regiões no fim de semana. Embora a nova onda de calor prevista pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) deva ser menos intensa do que o forno registrado em novembro, os termômetros em alta vão ocorrer em áreas que até então não tinham registrado grande calor na primavera, como o Rio Grande do Sul.
Na 3ª feira (12/12), 15 estados mais o Distrito Federal foram colocados pelo INMET no nível laranja (perigo) para uma onda de calor que se aproxima, informa a CNN. A partir de hoje, as temperaturas devem aumentar até 5°C em relação à média, e o calorão deve permanecer até domingo.
Segundo o Climatempo, as temperaturas devem ficar de 3°C a 5°C mais quentes do que o padrão para esta época do ano em grande parte do país. Segundo o UOL, partes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além do Distrito Federal, são as áreas que aparecem em vermelho na projeção do Climatempo – o que significa termômetros mais de 5°C acima da média.
Já a área em laranja do Climatempo inclui Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. Esses estados terão temperaturas entre 3°C a 5°C mais quentes durante os próximos dias, mas não por tanto tempo quanto nas áreas vermelhas.
Especificamente no Rio Grande do Sul, que vem sendo sistematicamente castigado por temporais nos últimos meses, uma massa de ar excepcionalmente quente vai cobrir o estado com calor potencialmente histórico e recorde em diversas cidades gaúchas. As altas temperaturas deverão ceder apenas na 2ª feira (18/12), com a chegada de uma frente fria e temporais, alguns severos e com danos, detalha o MetSul.
Os eventos climáticos extremos registrados no mês passado – a onda de calor que tomou conta da maior parte do país e as chuvas extremas na Região Sul – prejudicaram a colheita nas lavouras e elevaram os preços de alguns itens alimentícios em novembro, destaca o R7. Assim, o aumento no custo da alimentação respondeu por quase metade da inflação de 0,28% registrada mês passado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com uma contribuição de 0,13 ponto porcentual.
A mais nova onda de calor também foi noticiada por Canal Rural, Globo Rural, Terra, Agência Brasil e g1.

Via ClimaInfo

 

14 dez. 2023

Brasil/Sul. Desastres climáticos causam perdas de R$ 28 bilhões no Sul
Como o levantamento vai só até o início de novembro, os prejuízos devem ser maiores. E não inclui perdas econômicas como a redução da colheita.
Um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que os desastres climáticos já causaram prejuízos de R$ 28,2 bilhões ao agronegócio do sul do país neste ano. O valor inclui perdas com a seca no início de 2023 e as chuvas extremas dos últimos meses. Apenas no Rio Grande do Sul, a cifra chega a R$ 18,1 bilhões entre janeiro e novembro. Os danos com as enchentes, que ocorrem desde setembro, chegaram a R$ 8 bilhões, o que equivale a 40% das perdas que o agro da região sofreu com excesso de chuvas em dez anos. Segundo a CNM, entre 2013 e 2023, os prejuízos causados por enchentes nos três estados da região Sul chegaram a R$ 19,5 bilhões.
Como o levantamento foi feito somente até o início de novembro, os prejuízos com os eventos climáticos extremos devem ser maiores. Além disso, os dados da CNM levam em conta números informados pelos municípios que decretaram situação de emergência devido aos desastres climáticos. Assim, não inclui perdas econômicas como redução da colheita e da qualidade das lavouras de trigo devido aos problemas causados pelo excesso de umidade, explica o Valor.
O governo do Paraná estima que as perdas financeiras na agropecuária do estado, provocadas por chuvas torrenciais, temperaturas altas e fortes ventos, chegam a um valor preliminar de R$ 2,5 bilhões. Já Santa Catarina calcula que os eventos climáticos de outubro e novembro provocaram prejuízos de aproximadamente R$ 3 bilhões nas propriedades rurais catarinenses, detalha a Globo Rural.
Os extremos climáticos no Sul e no Centro-Oeste fizeram a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) reduzir sua estimativa para a colheita de grãos e fibras no país em 2023/24. A indicação agora é de 312 milhões de toneladas, na comparação com a expectativa de 317 milhões no mês passado.

Via ClimaInfo

 

12 dez. 2023

Amazônia: seca leva ribeirinhos à fome

Isolados pela seca, produtores de guaraná estão passando fome na Amazônia. Os ribeirinhos estão criando frango para tentar driblar a falta de peixes.

Não há mercados no Alto Urupadi, localizado na região de comunidades ribeirinhas de Maués, município no Amazonas. As famílias recorrem a quatro fontes: o rio, a floresta, a roça e comércios do centro da cidade, localizados a longas distâncias de barco. Porém, as alternativas foram prejudicadas pela estiagem história que atingiu o Amazonas em 2023. O evento climático extremo matou botos, secou rios, deixou o céu coberto de fumaça e as 62 cidades do estado em situação de emergência.

Com a seca, além da dificuldade de encontrar alimento, a falta de profundidade da água atrapalha a locomoção. Só embarcações pequenas conseguem navegar e, em alguns casos, somente por rotas alternativas. Dessa forma, o tempo de viagem aumenta, crescendo também o gasto com combustível e valor dos produtos à venda em locais próximos. Em alguns locais, um frango chega a custar R$ 70 e uma lata de sardinha R$ 12. O sol intenso também secou plantações e a falta de frutos afastou os animais que poderiam ser caçados na região.

 

07 dez. 2023

Glaciais da Bolívia perderam 40% de sua espessura nos últimos 30 anos. Mulheres indígenas alpinistas da Bolívia temem pelo seu futuro

Mulheres indígenas bolivianas aimaras que escalam a cordilheira dos Andes há anos, trabalhando como guias de turismo, afirmam que  passaram a ver a água escorrendo e não mais o gelo que antes quebrava sob seus pés. 

Conhecidas como cholitas, as mulheres comentaram com repórter da Associated Press (AP) que lembram-se do tempo em que praticamente todos os picos das geleiras estavam cobertos de neve. Agora aparecem as rochas em muitos lugares.  Lidia Huayllas, de 57 anos, afirmou que “antigamente havia um cobertor branco e agora só há rocha. O degelo é muito perceptível”. 
Os glaciares bolivianos e de outras partes dos Andes diminuem a cada ano devido a  mudanças climáticas. Edson Ramírez, glaciologista da Universidade Pierre e Marie Curie, na França, estima que  os glaciares bolivianos perderam nos últimos 30 anos 40% da sua espessura devido às alterações climáticas. Nas partes mais baixas da montanha, diz ele, o gelo praticamente desapareceu. “Já perdemos Chacaltaya”, disse Ramírez, referindo-se a uma montanha de 5.400 metros que costumava ser uma popular estação de esqui e agora não tem mais gelo. 

07 dez. 2023

Brasil. Mel tem produção reduzida devido a calor extremo e tempestades

– No Rio Grande do Sul a queda estimada é de 80%.
– Exportações têm queda de mais de 27%
– No Pantanal a produção se reduz e incêndio destrói centenas de colmeias.

Associação Gaúcha de Apicultura (AGA) estima que 80% da produção de mel do Estado se perdeu em 2023. O Rio Grande do Sul é o maior produtor do país com mais de 9 mil toneladas em 2022, o que corresponde a 36,8% da safra brasileira.
A causa principal foram as tempestades e o calor extremos que levaram as abelhas a trabalharem menos, com menor produção de mel e queda na reprodução.
As exportações de mel do Brasil tiveram uma queda de 24,7%, tendo como uma das causas os eventos extremos do Sul do País.
A Ecoa também identificou o problema em colmeias de comunidades da região do Amolar, município de Corumbá (MS), no Pantanal. Outra região produtora do Pantanal, a de Miranda (MS) os incêndios destruíram inúmeras colmeias de dezenas de produtores, o trabalho de uma vida.

Reinaldo Nogales, produtor de mel da Serra do Amolar. Imagem: Victor Sanches
Mandaçaia pantaneira (Melipona orbignyi), uma das espécies polinizadoras do Pantanal. Imagem: Cleberson Bervian

 

01 dez. 2023

Perdas e danos: crise climática causou US$ 1,5 trilhão em prejuízos econômicos somente em 2022

Prejuízos são maiores para o Sul Global, com os países listados pela ONU como os menos desenvolvidos amargando perda média de 8,3% em seus PIBs.

A mudança climática afeta todo o planeta, mas seus efeitos são muito mais perversos – e caros – para os países em desenvolvimento. Globalmente, houve perdas de US$ 1,5 trilhão no ano passado por causa da crise climática, mas os maiores prejuízos foram sentidos pelas economias das nações pobres, especialmente do Sul Global.

É o que mostra o estudo “Loss and damage today: how climate change is impacting output and capital”, do professor James Rising, da Universidade de Delaware. Segundo o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) de países de baixa renda, dependentes de agricultura, e as regiões tropicais já experimentam perdas substanciais, enquanto nações ricas sofrem impactos suaves, imperceptíveis ou mesmo benefícios temporários com as mudanças climáticas, destaca o Observatório do Clima.

Globalmente, a porcentagem não ponderada de perda do PIB é estimada em 1,8% (US$ 1,5 trilhão). Já a redução ponderada do PIB pela população de países ou regiões chegou a 6,3% em 2022. A diferença entre esses dois números reflete a distribuição desigual dos impactos, explica o Ciclo Vivo, que se concentram em países de baixa renda e regiões tropicais que normalmente têm mais população e menos PIB.

Assim, os países listados pela ONU como os menos desenvolvidos do mundo amargaram perda média de 8,3% em seus PIBs, na comparação com um cenário sem mudanças climáticas. A situação é mais grave nos países do Sudeste asiático, com perda média de 14,1%, e no Sul da África, com -11,2%. Na outra ponta, países europeus registraram aumento médio de 4,7% em seus PIBs no ano passado.

Mesmo nos países ricos, os efeitos aparentemente “positivos” das mudanças climáticas são temporários. Benefícios como a economia de energia usada para aquecimento, nos casos frequentes de verões mais quentes, tendem a dar lugar a desequilíbrios econômicos e perdas materiais.

A análise ainda mostra a dinâmica entre alterações climáticas, resultados econômicos e investimentos de capital. Os países de rendimento baixo e médio enfrentam perdas de capital significativas, de US$ 2,1 trilhões, o que coloca desafios à sua resiliência e ao crescimento econômico a longo prazo.

The Journal e The Straits Times também destacaram o relatório.

Via ClimaInfo

 

24 nov. 2023

El Niño caminha para o ‘Super El Niño’

Imagem: Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA).

-Mais aquecimento das águas do oceano Pacifico Equatorial Central. Quais seriam as consequências?

O site do Metsul trouxe a informação de que o “último boletim semanal do estado do Pacífico da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, indicou que a anomalia de temperatura da superfície do mar era de 1,9ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central.”

“A região é a usada oficialmente na meteorologia como referência para definir se há El Niño e ainda avaliar qual a sua intensidade. O valor positivo de 1,8ºC está na faixa de El Niño forte (+1,5ºC a +1,9ºC) e se trata da maior anomalia semanal observada desde o começo deste evento de El Niño.”

Ainda segundo o Metsul se está muito perto de considerar-se um ‘Super El Niño’, apesar de não existir uma regra técnica para tanto. Considera-se um El Niño fraco se as anomalias estão entre +0,5ºC e +0,9ºC no Pacífico Equatorial Centro-Leste, moderado entre +1ºC e +1,4ºC, forte de +1,5º a +2,0ºC e muito forte acima de +2ºC. Aí entra a questão do que é ou não um Super El Niño.

 

24 nov. 2023

Clima extremo 1: chuvas voltam a matar e destruir no Sul

Rio Grande do Sul e Santa Catarina voltam a sofrer com vendavais, inundações e deslizamentos de terra, que deixaram ao menos sete pessoas mortas.

As chuvas intensas que atingiram a região Sul do Brasil na semana passada deixaram um rastro de destruição e mortes. Os estados mais atingidos pelas tempestades foram Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde ao menos sete pessoas foram mortas em decorrência do desastre climático. Mais de 8 mil pessoas ficaram desabrigadas nos dois estados.

Mais de 200 municípios foram atingidos pelas chuvas, a maior parte (138) no Rio Grande do Sul. O estado também registrou cerca de 7,5 mil desalojados. As chuvas causaram ainda quase 30 bloqueios em rodovias estaduais e federais, com queda de barreiras e erosão do asfalto.

O Vale do Taquari voltou a ser a área mais atingida pelas chuvas no RS. A região já tinha experimentado enchentes históricas durante os vendavais de setembro passado. “Estamos enfrentando o que é por registro a segunda maior enchente da nossa história, perdendo somente para aquele episódio de 4 de setembro. Precisamos de ajuda”, disse Mateus Trojan, prefeito de Muçum, um dos municípios mais afetados pelas chuvas, citado pela Folha.

Na região metropolitana de Porto Alegre, o nível do rio Guaíba bateu os 3,19 metros nesta 2ª feira (20/11), a marca mais alta desde 1941, reportou o g1. As comportas do sistema de proteção contra enchentes estão sendo fechadas, segundo o prefeito Sebastião Melo. É a terceira vez em menos de dois meses que as comportas foram fechadas. A Agência Brasil também abordou a notícia.

Agência Brasil, CNN Brasil, Estadão, Metrópoles e UOL repercutiram os efeitos das chuvas intensas que atingiram o sul do Brasil nos últimos dias.

Em tempo: A procissão de eventos extremos no Brasil mostra a necessidade crítica de avançarmos com a adaptação climática, defendeu o físico Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática (IPCC), ao Valor. “O que era considerado especulação científica agora virou realidade”, afirmou. “O Brasil tem que se adaptar ao novo clima. Temos que ter um plano coerente de adaptação para que a sociedade possa ser melhor protegida contra eventos climáticos extremos, incluindo inundações”.

Via ClimaInfo

 

22 nov. 2023

Bolívia.
Incêndios se espalham, alcançando 18 municipalidades. Casas foram queimadas

Incêndios são registrados em 18 municípios dos departamentos de La Paz, Beni, Santa Cruz e Cochabamba. Cerca de 25 casas foram queimadas em diferentes áreas. A Igreja afirma que os moradores pedem ajuda às autoridades. O site do El Deber registra uma tragédia particular de José Sánchez Saravia, da aldeia indígena Tacuaral del Mato, comunidade em San Borja, departamento de Beni: “Com esse incêndio minha casa ficou em cinzas. Os animais, os cítricos, o cacau, tudo queimou. Não conseguimos salvar nada, nem mesmo as casas”. Somente restou a José e sua família a roupa do corpo. O governo boliviano solicitou ajuda internacional para o combate ao fogo a 4 países, incluindo o Brasil. A Venezuela respondeu enviando 30 bombeiros.

Segundo o El Deber a Coordenadora Nacional de Defesa dos Territórios Indígenas e Áreas Protegidas Indígenas da Bolívia (Contiocap) reiterou o apelo às autoridades para que declarem um desastre devido aos incêndios, a fim de canalizar a ajuda externa. Assinala que as 17 comunidades indígenas de La Paz e Beni foram atingidas pelas chamas de incêndios que até hoje queimaram milhares de animais, afetaram cinco áreas protegidas, além de uma empresa e um hotel que dependem do Estado.

Via El Deber.

 

22 nov. 2023

Brasil.
No Rio Grande do Sul e Santa Catarina tempestades matam 8 pessoas e desabriga milhares

No Rio Grande do Sul, estado situado no extremo sul do país, as chuvas recentes causaram a morte de cinco pessoas e desabrigaram 28 mil. O governo informa que os dados mais recentes da Defesa Civil mostram que dessas 28 mil, 24.976 estão nas casas de amigos ou familiares e 3.351 em abrigos públicos no estado.

Em Santa Catarina, estado vizinho, as chuvas mataram outras 3 pessoas.

 

22 nov. 2023

Bolívia. Chuva não é suficiente para apagar o incêndio que destruiu mais de 30 casas

San Borja é o município mais afetado neste momento. O norte de La Paz começa a receber ajuda e as chuvas extinguiram metade dos incêndios em Santa Cruz. Venezuela foi o primeiro país a oferecer apoio nesta emergência.

Animais queimados, casas em cinzas e a dor das famílias desabrigadas é o que resta em diversas comunidades indígenas e camponesas atingidas pelos incêndios florestais. Mais de 30 casas foram destruídas pelo incêndio, de acordo com a avaliação preliminar dos danos.

Nesta segunda-feira a chuva trouxe esperança em Santa Cruz, no norte de La Paz e parte de Beni, mas não chegou aos municípios benienses que são atualmente os mais atingidos pelos incêndios florestais, como San Borja, onde as chamas implacáveis ​​consumiram 24 casas, apesar dos esforços sobre-humanos de seus habitantes para defendê-las. A ajuda chega através do Governo Municipal, que trouxe o essencial: tendas, alimentos para as panelas comuns e algumas roupas para as crianças, mas é urgente o apoio das autoridades departamentais e nacionais, tanto na assistência às vítimas como no atendimento para os afetados.

Em Santa Cruz, as chuvas no Norte Integrado, nos Vales e na Chiquitania ajudaram a reduzir pela metade os incêndios florestais. Segundo o secretário de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, Pablo Sauto, atualmente restam seis bens e sete estão em monitoramento devido às chuvas. Na capital Santa Cruz, apesar dos aguaceiros, a qualidade do ar continua ruim e as aulas foram suspensas.

Choveu também na localidade de San Buenaventura (La Paz), bem como em Rurrebanaque (Beni) e nas suas comunidades dos distritos 5 e 6, mas não atingiu a zona de El Cebú, uma das mais afetadas pelo fogo. Também não chegou às comunidades de São Borja.

Via El Deber Santa Cruz

 

20 nov. 2023

Queimadas no Pantanal transformam estrada em “corredor de fogo”

Com calor nas alturas e sem chuva, incêndios no bioma não dão trégua, afetam fauna e flora, e fumaça das queimadas invade cidades e estradas.
Em meio à forte onda de calor que toma conta da maior parte do país, o Pantanal tem enfrentado uma série de queimadas que se espalha pelos dois estados em que fica o bioma, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ambos já decretaram situação de emergência. Na 4ª feira (15/11), as chamas atravessaram o km-646 da BR-262, em Corumbá (MS). O “corredor de fogo” assustou motoristas e destruiu a vegetação nas margens da pista. As chamas também atingiram a Transpantaneira, no Mato Grosso.

Via Climainfo.

Ecoa: as chuvas começadas no domingo amenizaram a situação, mas o quadro de alerta deve continuar.

20 nov. 2023

Bolívia. Fogo descontrolado leva governo a pedir ajuda internacional

Imagem: Firms/NASA

 

O Governo de Luis Arce pediu ajuda à França, Chile, Brasil e Venezuela para apagar os incêndios que se alastram pelo país sem controle, atingindo e devastando as reservas naturais e comunidades indígenas. No Brasil, o Itamaraty já teria estabelecido contatos com os governos dos outros países para acelerar a ajuda. A Venezuela se comprometeu com o envio de 30 bombeiros para o combate. O comandante das Forças Armadas afirmou que enviará reforços do Exército, da Aeronáutica e da Marinha.

Chuvas

Até a tarde de domingo (19/11) eram 2.434 fontes de calor., mas devido as chuvas devido às chuvas nos departamentos de Santa Cruz e Beni, foram reduzidas para 1.006, segundo o ministro da Defesa, Edmundo Novillo.

 

20 nov. 2023

Peru. Falta de chuva pode elevar mortalidade da alpaca

Atualmente gira em torno de 10% a mortalidade, mas a falta de chuvas nas zonas altas andinas do país coloca em xeque a criação. A crise afetaria cerca de 80 mil famílias que se dedicam à criação do animal.

A seca faz desaparecer as fontes naturais de água e a afeta a produção da forragem vital para a alimentação destes animais.

Segundo Fredy Quispe Idme , presidente da Sociedade Peruana de Alpacas Registradas (ASPAR ) a mortalidade da alpaca até o momento gira em torno de 10% , mas esse número pode crescer exponencialmente em 2024: “Se não ocorrerem chuvas, estima-se que chegará a 50%”. Acrescenta que a crise se agravará entre junho e agosto do próximo ano, principalmente em Puno, Apurímac e Huancavelica.

Ecoa: vale registrar que a crise de secas ocorre também em outras regiões andinas a exemplo da Bolivia – Cochabamba.

Com informações do La Republica / Peru.

20 nov. 2023

Falta de chuvas reduz área de soja plantada no Maranhão

A escassez e a irregularidade de chuvas fizeram com que o Maranhão tenha apenas 12% de áreas de soja plantadas, quando nesta época, deveria ter 50%, segundo o vice-presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja) Maranhão, José Carlos Oliveira de Paula. Segundo ele, alguns produtores arriscaram plantar no pó, mesmo sem previsão de chuvas mais volumosas que ajudem a germinar as sementes,

A incerteza em relação ao clima também pode fazer com que alguns produtores optem por ocupar algumas áreas com milho verão.

17 nov. 2023

2023 deve ser o ano mais quente em 125 mil anos, segundo cientistas da UE

Cientistas da União Europeia afirmaram que 2023 deverá ser o ano mais quente do mundo em 125 mil anos. Em outubro, foi registrada uma temperatura média 0,4º C mais alta desde 2019.

O calor é resultado de emissões de gases com efeito de estufa associados ao fenômeno climático El Niño. Em 2023, as alterações climáticas apresentam extremos destrutivos, como inundações fortes ondas de calor e incêndios.

 

16 nov. 2023

São Paulo. Vendavais chuvas, arborização mal cuidada e demissões de funcionários pela empresa de energia

80.000 “clientes” da companhia de energia Enel estavam sem energia na manhã de quinta feira (16/11) devido a ventos de até 70 km/hora e chuvas que afetaram alguns municípios atendidos pela empresa. Na semana passada chuvas e vendavais deixaram milhões de pessoas sem energia. A queda de árvores foi uma das causas.
Para o próximo fim de semana estão previstos novos eventos extremos ventos de 100 km/h.
Os problemas enfrentados indicam que parte vem das politicas da empresas, dentre elas o fato de que entre 2019 e 2022, o número de colaboradores próprios e terceirizados caiu de 23,8 mil para 15,3 mil.

 

16 nov. 2023

Calor intensifica queimadas no Pantanal e coloca Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em situação de emergência

Em 13 dias, bioma já registra recorde de queimadas para novembro, superando em cinco vezes a média do mês desde o começo da medição, há 25 anos.
O Pantanal pega fogo. Com calor extremo e sem chuvas, o bioma já registra, em apenas 13 dias de novembro, o maior número de queimadas para o mês desde o início do monitoramento, há 25 anos. Foram 2.387 focos registrados pelo INPE até a 2ª feira. Do total de hectares destruídos pelo fogo no bioma no ano, mais da metade foi registrada somente neste mês, detalha o Bom Dia Brasil.
A devastação fez com que os governos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul decretassem situação de emergência, informam Folha e Estadão. No Mato Grosso do Sul, o decreto, com duração inicial de 90 dias, vale para os municípios de Corumbá, Ladário, Miranda, Aquidauana e Porto Murtinho. Já no Mato Grosso, a emergência vale para todo o estado, e por pelo menos 60 dias.
A temporada de fogo no Pantanal tem sido cruel. Segundo o g1, até novembro, 947.025 hectares do bioma entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso foram consumidos pelas chamas. A área devastada é equivalente a quase oito vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.
A situação dramática na região, como mostram imagens do MetSul, fez o governo federal convocar uma reunião de emergência para montar estratégias de combate ao fogo, segundo o Correio Braziliense. Na 4ª feira (15/11), o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, deslocou-se para Cuiabá para acompanhar o cenário.
Na 2ª feira (13/11), os ministros Marina Silva (Meio Ambiente), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) reuniram-se para organizar planos. O encontro, segundo Ricardo Noblat, do Metrópoles, ocorreu após um “pito” do presidente Lula, que reclamou da lentidão em tomar medidas efetivas contra o fogo e o calor extremo que assola o país.
A oitava e mais forte onda de calor deste ano, que começou no dia 8, contribuiu para aumentar substancialmente os focos de incêndio neste mês. Desde o início do fenômeno até 3ª feira (14/11), houve 6.395 eventos de fogo, 74% mais que o registrado em igual semana de 2022 e 307% maior que o visto em 2021. Das dez maiores ocorrências, oito estão no Pantanal, explica O Globo.
Em tempo: Quase 2.300 queimadas foram registradas em sete cidades próximas de Manaus, no Amazonas, desde o início do período seco e, mesmo assim, houve apenas sete multas aplicadas pelo IBAMA e outras cinco lavradas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) nesses locais. O levantamento foi feito pela Folha nos bancos de dados públicos do órgão federal e da entidade amazonense. Em resposta, o IBAMA disse que prioriza combate a desmatamento no sul do estado. Já o IPAAM não comentou o baixo número de multas. Tanto os órgãos como o governo do Amazonas chegaram a colocar a culpa da fumaça em Manaus por queimadas no vizinho Pará. Mas o Amazônia Real traz dados que mostram que a nuvem que pairou sobre a capital amazonense vinha principalmente de queimadas no próprio estado, ao sul da cidade e, portanto, refletem o avanço da agropecuária nessa área.
Via Climainfo

 

16 nov. 2023

Onda de calor impacta soja e milho e pode explicar pior estimativa para safras de 2024, segundo Embrapa

As altas temperaturas que têm sido registradas e a restrição hídrica geram dúvidas sobre a safra de soja e milho para 2024, a previsão do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é de queda.

À CNN, o pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Gilberto Cunha, afirmou que a atual onda de calor – associada a menor volume de chuva – e o El Niño impactam negativamente duas das principais culturas agrícolas do país, a soja e o milho.

“Quanto mais se atrasa a soja, mais se predispõe a cultura do milho aos riscos de problemas de seca. A agricultura brasileira sofre estes impactos negativos”, disse.

A previsão do IBGE para a safra de 2024 é de 308,5 milhões de toneladas em grãos, cereais e leguminosas. Caso se concretize, a redução será de 2,8% em relação a 2023.

 

16 nov. 2023

Brasil bate sucessivos recordes de consumo de eletricidade por causa do calor extremo

Por dois dias seguidos, consumo de energia elétrica superou 100.000 gigawatts no horário de pico; foi a primeira vez que o país bateu tal marca.
A onda de calor fez o Brasil bater recorde no consumo de eletricidade durante o horário de pico da tarde pelo segundo dia consecutivo. O consumo elétrico nas alturas voltou a provocar alta do preço da energia no mercado atacadista e é visto como um sinal de alerta dos impactos da crise climática no setor.
Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a demanda bateu 101.437 megawatts (MW) às 14h24 de 3ª feira (14/11). O número é quase 500 MW acima dos 100.955 MW registrados na segunda (13/11), que já havia superado o recorde anterior, de 97.659 MW, medido em 26 de setembro deste ano, detalha a Folha. Foi a primeira vez na história do sistema elétrico brasileiro que o consumo superou a marca de 100.000 MW.
O aumento na demanda foi registrado em todo o Sistema Interligado Nacional (SIN), informa o g1. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste também bateu recorde, atingindo 60 GW às 15h30 de segunda. O patamar anterior era de 57,8 GW, registrado também em 26 de setembro.
A elevação da demanda era esperada pelo ONS diante da previsão de temperaturas elevadas, que ampliam o uso de eletrodomésticos como aparelhos de ar condicionado, ventiladores e o consumo energético de refrigeradores. O órgão disse não ver riscos ao abastecimento, mas a subida do consumo já provocou falhas no fornecimento em São Paulo nos últimos dias, afetando o centro e zona oeste da cidade ao longo do dia, de acordo com o R7.
Com a demanda pressionada, os preços da energia elétrica no mercado de curto prazo podem disparar. Atualmente, o piso regulatório está em cerca de R$ 69 por megawatt-hora (MWh). Mas empresas e especialistas do setor temem que o valor chegue a até R$ 600/MWh em determinadas horas do dia, segundo o UOL. E no futuro, essa conta poderá ser cobrada dos consumidores, no momento do reajuste das tarifas elétricas.
O Globo, Jovem Pan, MetSul, Agência Brasil e Terra noticiaram o consumo elétrico recorde no país por causa do calor extremo.
Em tempo: Mesmo com os reservatórios hidrelétricos cheios e a expansão das fontes eólica e solar na matriz elétrica, o ONS decidiu despachar algumas termelétricas para suprir a demanda recorde por causa do calor. Com isso, todas as usinas a gás fóssil e a planta a carvão mineral da Eneva, que estavam desligadas desde 2021, foram acionadas pelo operador do sistema, relata o Valor. Obviamente o diretor Financeiro da empresa, Marcelo Habibe, disse que o acionamento das usinas “é uma boa notícia para a companhia”. Só não conta, claro, qual será o impacto no bolso do consumidor. Nem os efeitos dessas plantas a combustíveis fósseis nas emissões e no agravamento da mudança climática – a mesma que está causando o calor extremo no Brasil.

Via ClimaInfo

 

16 nov. 2023

Tempestade de poeira atinge Ribeirão Preto e outras quatro cidades

Uma tempestade de poeira atingiu Ribeirão Preto (SP) e pelo menos quatro cidades vizinhas na tarde desta quarta-feira (15). Os outros municípios atingidos foram Barrinha, Brodowski, Batatais e Jardinópolis.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, até o momento não há relatos de danos ou pessoas feridas provocados pela tempestade de poeira. Quando em grande escala, o fenômeno é conhecido pelo nome haboob, ou habub, e não é considerado tão incomum. Segundo meteorologistas, costuma ser registrado em áreas secas e com baixa umidade.

13 nov. 2023

Instituto Nacional de Meteorologia informa que onda de calor deve atingir 1.413 municípios brasileiros

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a onda de calor deve ser sentida até terça-feira, com temperaturas até cinco graus acima da média. A situação foi classificada como “de perigo” e apresenta riscos à saúde.

 

13 nov. 2023

Bolívia amanheceu com quase 4 mil focos de calor em seis departamentos; a metade está em Santa Cruz

Os incendiários não dormem. Às 6h30 da manhã deste domingo, 12 de novembro, a Autoridade de Fiscalização Florestal e Territorial e Controle Social (ABT) já registrava 3.916 focos de calor em seis departamentos da Bolívia.

Desse total, 1.944 estavam em Santa Cruz; 1.666 em Beni; 183 em La Paz; 98 em Cochabamba; 13 em Tarija; e 12 em Pando.

Em Santa Cruz, San Ignacio de Velasco teve o maior número, com 500 surtos; seguida por Concepción, com 459; Urubichá, com 295; San Matías, com 218; San José, onde os moradores não têm nem água por causa da seca, apresentou 118 focos; depois São Miguel com 67; São Rafael, com 63; El Puente, com 56; Ascensão dos Guarayos, com 54; Santa Rosa del Sara, com 29; Yapacani, com 13; e mais 21 municípios tinham 72 fontes de calor.

Os incendiários não dormem. Às 6h30 da manhã deste domingo, 12 de novembro, a Autoridade de Fiscalização Florestal e Territorial e Controle Social (ABT) já registrava 3.916 focos de calor em seis departamentos do país. Desse total, 1.944 estavam em Santa Cruz; 1.666 em Beni; 183 em La Paz; 98 em Cochabamba; 13 em Tarija; e 12 em Pando.

Em Beni, San Ignacio de Moxos teve 323 surtos; Loreto, 270; Baurés, 226; San Javier (Cercado), 157; São Borja, 151; Madalena, 129; Santa Ana, 128; Santa Rosa, na província de Ballivián, 84; Santo André, 66; Porto Menor de Rurrenabaque, 63; Reis; 30; e outros três municípios tiveram 39 surtos. O terceiro departamento com surtos é La Paz, embora muito distante de Beni e Santa Cruz, com 183 surtos. Ixiamas, 114 focos; São Boaventura, 46; Apolo, 10; Palos Blancas, 9; e La Asunta, 4. Todos os municípios com mineração ilegal. Cochabamba apresentou 98 surtos, quase todos nos Trópicos: Villa Tunari, 89 surtos; Chimoré, 8; e Capinota 1.

Em Tarija, das 13 fontes de calor, 6 estavam em Padcaya, 4 em Yacuiba e 3 em Carapari. Por último ficou Pando, com 12 surtos na comunidade de Porto Rico.

Tradução de texto originalmente publicado em El Deber

 

13 nov. 2023

Condições das lavouras de soja preocupam em MT

A situação diante da estiagem prolongada na safra 2023/24 é considerada preocupante no Mato Grosso. Em em algumas propriedades o atraso da semeadura chega a cerca de 30 dias em relação a temporada passada e em outras ainda nem começou. O cenário está levando alguns produtores a desistirem do milho safrinha.

safra 2023/24. Até o dia 3 de novembro 83,32% dos cerca de 12,2 milhões de hectares destinados ao ciclo estavam semeados, conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgado no dia 3 de novembro.

“É o maior atraso da última série histórica de cinco anos. Mas, o que mais preocupa no campo são as condições das lavouras já semeadas. Altas temperaturas, chegando a 20, 25 dias sem chuva, o que tem comprometido e muito o desenvolvimento das lavouras, causando prejuízos difíceis de mensurar e replantios para serem avaliados”, pontua o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Fernando Cadore.

 

09 nov. 2023

Argentina perdeu mais de 17 bilhões de dólares nas exportações agrícolas com a seca

– É a metade do alcançado em 2022.
– Menos dólares em caixa, mais crise econômica, o que repercute na politica.
A Argentina perdeu metade de seus rendimentos em exportações agrícolas devido a seca. Entre janeiro e outubro de 2023 o rendimento foi de US$ 17,5 bilhões, a metade do realizado no mesmo período de 2022. Os dados são da Cámara de la Industria Aceiteira de la Republica Argentina. A safra de 2023 fechou com cerca de 25 milhões de toneladas de grãos, 50% do obtido na safra anterior.

Em outubro o país faturou US$ 739 milhões com as exportações agrícolas, 39% menos que outubro de 2022.

07 nov. 2023

Fonte: GT Infraestrutura

07 nov. 2023

Destruição e mortes a 150 km/h

O caos no estado de São Paulo com a tempestade da última sexta-feira (3) com ventos de 150km/h, causou 7 mortes, deixou 3,7 milhões de domicílios sem energia (Aneel) e muitas regiões ficaram sem água, pois várias estações de tratamento e distribuição não tiveram energia para suas operações. 70 horas depois do evento extremo milhares de residências ainda estavam sem energia. Destruição por todos os lados. Os ventos de mais de 150 km/h impactaram fortemente a infraestrutura urbana.
Uma situação que colocou a mostra a falta de preparo das cidades para os inevitáveis danos trazidos pelos eventos climáticos extremos. É preciso mudar muita coisa no rumo da prevenção, mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Baixada Santista teve vento de até 150 km/h durante a passagem da linha de instabilidade. Vendaval causou muitos estragos em São Sebastião | PREFEITURA DE SÃO SEBASTIÃO

 

Município de Bauru registrou grande número de queda de árvores pela passagem da linha de instabilidade com tempestades severas e fortes vendavais na tarde de sexta-feira | REDES SOCIAIS

 

Vento virou cobertura de posto de combustíveis em Santos. Praticagem do porto chegou a anotar 151 km/h de vento em sua estação meteorológica | REDES SOCIAIS

Imagens: https://metsul.com/fotos-destruicao-e-mortes-por-vento-de-ate-150-km-h-em-sao-paulo/ .

 

06 nov. 2023

Chuvas no Paraná afetam 65 mil pessoas, e mais tempestades estão a caminho

Mais de 5.000 pessoas chegaram a ficar desalojadas, e quase 3.500 ainda estavam fora de suas casas, em abrigos ou residências de parentes e amigos.
As chuvas que atingiram sistematicamente o Paraná durante o mês de outubro ganharam mais força. Com cinco dias contínuos de estragos provocados pelas precipitações em excesso desde 5ª feira passada (26/10), 64.958 pessoas foram afetadas, segundo informações da Defesa Civil Estadual.
Mais de 5.000 pessoas chegaram a ficar desalojadas. Na 3ª feira (31/10), 3.429 delas ainda estavam fora de suas casas, em abrigos ou residências de parentes e amigos. Eram mais de 32 mil casas afetadas e 35 destruídas, detalha a CBN.
As fortes chuvas provocaram alagamentos em pelo menos 70 municípios. Regiões de produção agrícola, como os Campos Gerais, também reportaram volumes expressivos de chuvas. Representantes do setor ainda avaliam os prejuízos das enxurradas na produção, segundo a Globo Rural.
No domingo, os níveis dos rios Iguaçu e Negro voltaram a subir em União da Vitória e São Mateus do Sul, no sul do estado, e em Rio Negro, na Grande Curitiba. Nas últimas semanas, segundo o g1, as três cidades tiveram enchentes que afetaram mais de 20 mil moradores.
A elevação do rio Iguaçu não afeta apenas o Paraná. O aumento da vazão das Cataratas do Iguaçu em mais de 16 vezes tem causado inundações também no Paraguai. Segundo Itaipu Binacional, pelo menos 60 famílias precisaram ser removidas de casa, relata o g1.
As cataratas, aliás, registraram a maior vazão em nove anos devido a chuvas intensas: 24,2 milhões de litros por segundo. Segundo a Veja, é sua terceira maior vazão em quatro décadas, o que interditou parte do Parque do Iguaçu.
As tempestades também causaram problemas em rodovias, de acordo com a CBN. A PR-092, em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba, estava com dois pontos de alagamento e bloqueios. Já na PR-364, entre Irati e São Mateus do Sul, no centro-sul paranaense, havia bloqueio parcial por escorregamento de terra que atingiu mais da metade da pista.
g1, Canal Rural, Jovem Pan, IstoÉ, Jornal Nacional e CNN também repercutiram as chuvas no Paraná e seus efeitos.
Em tempo: O Paraná e os outros estados da Região Sul vão continuar sofrendo com mais chuvas no feriadão de 2 de novembro. Para 3ª feira (31/10), o INMET previa chuvas intensas e temperaturas mais baixas, entre 17°C e 24°C. E especificamente para o Paraná, o instituto emitiu um alerta de “Perigo” de tempestades, com precipitações e ventos intensos, detalha O Globo. Os temporais serão causados por uma frente fria resultante de mais um ciclone extratropical que vai se formar no litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, explica o Canal Rural. De acordo com a Folha, a previsão para o mês de novembro é de chuvas acima da média nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e abaixo da média no Norte e Nordeste. As previsões para o Sul também foram noticiadas por Canal Rural, Globo Rural e Meteored.
Via ClimaInfo

06 nov.2023

Ar de Manaus volta a ficar péssimo com nova onda de fumaça de queimadas

Capital amazonense volta a “desaparecer” sob nuvem de fumaça, com poluição atmosférica em níveis alarmantes cerca de 20 dias após registrar um ar quase irrespirável.
Com a seca extrema sem dar trégua, uma onda de fumaça oriunda de queimadas voltou a atacar Manaus no início da semana. O fenômeno começou no domingo (29/10) e se estendeu até 2ª feira (30/10), e a qualidade do ar na capital amazonense voltou a ficar péssima, segundo o sistema “Selva”, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Há cerca de 20 dias, a poluição da fumaça das queimadas fez Manaus ser a segunda pior cidade do mundo em qualidade do ar.
O bairro do Morro da Liberdade foi um dos mais afetados. A qualidade do ar, que segundo o sistema “Selva” é considerado péssima entre 125 e 160, chegou a 176. Na Vila Buriti, o índice alcançou 158,9, detalha o g1.
A prefeitura de Manaus afirmou que, conforme dados do programa Queimadas, do INPE, a fumaça teve origem nos municípios da região metropolitana. Na Grande Manaus, as cidades que mais tiveram registros de queimadas foram Presidente Figueiredo (17), Autazes (14), Careiro da Várzea (13), Careiro (12), Itacoatiara (10) e Rio Preto da Eva (2), informam CNN, BNC Amazonas e g1.
Ainda de acordo com a prefeitura manauara, havia 243 focos de queimadas ativos em todo o estado. Até domingo (29/10), o Amazonas somava 3.779 focos de queimadas em outubro. Uma explosão sobre igual período do ano passado, quando foram registrados 1.503 focos, explica A Crítica.
O ar poluidíssimo de Manaus e as queimadas no Amazonas também foram notícia no Metrópoles, BNC Amazonas, Amazonas Atual e Diário do Nordeste.
Em tempo: Após atingir seu nível mais baixo em 121 anos de medição, de 12,70 metros, o rio Negro voltou a subir em Manaus. Foram 131 dias seguidos de descida, desde 17 de junho, até o primeiro registro da elevação das águas, no sábado (30/10), que continuou no domingo e na 2ª feira, informam g1, CNN, Correio Braziliense, R7 e Revista Fórum. Em três dias, a cota do Negro se elevou em 17 centímetros, chegando a 12,87 metros anteontem. Os dados são do Porto de Manaus, responsável pela medição diária do rio Negro, no Centro de Manaus. No Metrópoles, Guilherme Amado destaca que os rios amazônicos registraram 21 mínimas históricas em dois meses, conforme dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Via ClimaInfo

06 nov. 2023

Todas as cidades do Amazonas entram em emergência pela seca extrema

Seca extrema e histórica afeta todos os 62 municípios amazonenses, e segundo a Defesa Civil estadual, já são quase 600 mil pessoas afetadas pela estiagem.
Todas as 62 cidades do Amazonas entraram em estado de emergência devido à seca extrema e histórica que atinge o estado neste ano. A informação é da Defesa Civil estadual e foi divulgada na 4a feira (1/11). Segundo o órgão, quase 600 mil pessoas estão sendo afetadas pela estiagem.
Na semana retrasada, 60 cidades do Amazonas estavam em emergência. No entanto, a situação se agravou, não apenas por causa da estiagem, mas também pelas queimadas. Segundo o novo relatório da Defesa Civil amazonense, os municípios de Presidente Figueiredo e Apuí, que até então estavam em alerta, decretaram situação de emergência, informam g1, TV Cultura, Metrópoles, O Tempo e AM1. E o sofrimento da população não para, mostra a Band.
Apesar disso, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), os rios da Bacia do Amazonas apresentavam tendência de estabilidade. A recuperação dos cursos d’água, porém, deve demorar mais do que o habitual por causa do El Niño, segundo o Estadão.
O rio Negro, em Manaus, manteve-se estável após subir 17 centímetros nos últimos dias e interromper uma série de baixas em seu nível. O Solimões, em Tabatinga, teve pequenas oscilações nos últimos dias e chegou a 1,18 metro, após atingir mínima histórica de 86 centímetros negativos em 11 de outubro.
A baixa dos rios tem impactado diretamente a chegada de insumos para o Polo Industrial de Manaus, lembra o g1. Em um píer flutuante de um terminal de cargas da capital amazonense – onde navios descarregam mercadorias diariamente –, um cargueiro não desembarca há quase 30 dias.
A situação também é delicada no Pará. No oeste do estado, 13 municípios tiveram situação de emergência decretada pelo governo federal, e a seca também levou à adoção de medidas emergenciais na hidrovia do Tapajós. A queda do nível do rio entre o município de Itaituba e o porto de Miritituba fez surgir um grande banco de areia que prejudica a navegação e o escoamento de grãos vindos do Centro-Oeste, destaca o Pará Terra Boa.
E com tantos estragos acumulados, nem mesmo o retorno da chuva é garantia de normalidade em curto e até mesmo médio prazo. Para especialistas ouvidos pelo Metrópoles, os efeitos da estiagem histórica devem ser sentidos por anos.
Em tempo: O governo federal vai pagar um auxílio de R$ 2.640 para pescadores que enfrentam a seca no Norte do Brasil. A medida provisória autorizando o pagamento foi assinada pelo presidente Lula na 4ª feira (1/11). O auxílio será pago em uma única parcela a pescadores artesanais beneficiários do Seguro Defeso e que estão cadastrados em municípios em situação de emergência. No total, 94 municípios de quatro estados – Amazonas, Amapá, Acre e Pará – serão beneficiados, informam O Globo, CNN, g1, Poder 360, Terra, Canal Rural, UOL e Rede Brasil Atual.
Via ClimaInfo

06 nov. 2023

Fumaça de queimadas continua castigando Manaus

Nuvem de fumaça que atinge Manaus completou uma semana e se tornou mais densa no sábado, fazendo a qualidade do ar na cidade ficar péssima.
Além da seca extrema, a fumaça de queimadas criminosas tem atordoado a vida das pessoas no Amazonas. A capital do estado, Manaus, sofre com uma nova nuvem de fuligem há uma semana, o que afeta o cotidiano e a saúde dos manauaras. É a segunda nuvem de fumaça a atingir a cidade em um mês.
A “onda” de fumaça que atinge Manaus se tornou mais densa durante a madrugada e a manhã de sábado (4/11), mostram imagens do g1. A qualidade do ar era considerada péssima, destacam Em Tempo e Metrópoles.
Segundo o AM1, no início da manhã de sábado Manaus registrou o maior pico de poluição do ar do ano. Por volta das 6h30, o índice ultrapassava 555 de concentração de Partículas Inaláveis Finas (MP2) segundo o “Selva”, sistema de monitoramento do ar da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O infectologista Nelson Barbosa alertou sobre os riscos de exposição à fumaça. Além de recomendar que as pessoas não saíssem de casa, o especialista destacou que é preciso ter atenção com os grupos de risco, principalmente crianças, idosos e gestantes, explica o g1.
Enquanto a população sofre, as autoridades seguem no “jogo de empurra” sobre a origem da fumaça. Segundo o g1, o governo do Amazonas disse que a fumaça que encobriu Manaus vem em grande parte do Pará. A informação também é destacada pelo Portal Marcos Santos, que menciona imagens de satélite do INPE.
Em setembro, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) do Amazonas disse que a fumaça em Manaus era proveniente de focos de calor e queimadas na capital e em outras cidades da Região Metropolitana. A Prefeitura de Manaus negou que as queimadas fossem na cidade e acusou os municípios do entorno. Em outubro, o IBAMA disse que a fumaça vinha dos municípios Careiro e Autazes, sendo causada por agropecuaristas, informa o g1.
O De Olho nos Ruralistas – Observatório do Agronegócio no Brasil identificou fazendeiros que estão promovendo queimadas e cobrindo Manaus de fumaça, destaca a Mídia Ninja. O observatório identificou a concentração dos primeiros focos de incêndio em um grupo de fazendas no entorno das Terras Indígenas Murutinga/Tracajá, Cuia, Iguapenu e Recreio/São Félix, que são habitadas pelo Povo Mura. E destaca uma propriedade de André Maia dos Santos, um dos principais criadores de búfalos da região de Autazes.
Além da fumaça sufocante, as queimadas também prolongam a estiagem extrema que atinge a Amazônia e intensificam o déficit de chuva, destaca o Brasil de Fato. “Muitas vezes vem uma massa de umidade, mas a fumaça não deixa que a nuvem evolua na sua dinâmica normal para que possa chover. Aí não tem previsão de chuva onde está queimado. Se as autoridades não conseguirem coibir, vai continuar queimando e emitindo fumaça. É uma manutenção do período de seca. É grave a situação”, explicou a pesquisadora Karla Longo, responsável pelo monitoramento de queimadas do INPE.
Participando do TEDxAmazônia, realizado em Manaus neste fim de semana, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, cobrou ações efetivas do governo do Amazonas contra as queimadas, relata o AM1. E destacou a necessidade de enfrentar a estrutura do problema. “Nós vamos mudar o problema se enfrentarmos a questão do desmatamento e do uso descontrolado do fogo, senão nós vamos ficar ‘apagando fogo'”, disse Marina.
Em tempo: O Pará teve o maior número de queimadas no Brasil entre janeiro e outubro, mostra o INPE. Foram 31.119 focos de incêndio no período. O estado teve o segundo pior mês de outubro em 25 anos, informa o g1. E assim como ocorre em Manaus, no Amazonas, regiões do Pará estão sendo tomadas pela fumaça. Uma das cidades atingidas é Santarém, mostra o Jornal Nacional. Até mesmo o balneário de Alter do Chão ficou completamente coberto. Segundo Lucas Vaz Peres, professor de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), uma avaliação inicial mostra que a fumaça vem do leste paraense, do Maranhão e de outras áreas do Nordeste, informa o g1. Por causa da fumaça, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou respostas imediatas dos órgãos de fiscalização ambiental a respeito da infraestrutura disponível para combater incêndios florestais, de acordo com O Liberal.

31 out. 2023

Os dados da seca na Bolívia

Nos últimos cinco anos, a quantidade de chuva que caiu na Bolívia diminuiu 28%, passando de 9.941 milímetros anuais em 2018 para 7.192 milímetros em 2022, segundo o último relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) . Entre janeiro e agosto deste ano, caíram 4.882 milímetros de precipitação, segundo o mesmo relatório.

El País/ Espanha

31 out. 2023

Bolívia
El País (Espanha) com tradução parcial. 18/10

30 out. 2023

Chile: secas, chuvas intensas e incêndios florestais levam a Arauco a suspender produção de celulose

Trazemos essa informação com um mês de atraso para termos como registro das graves consequências econômicas de eventos extremos na América do Sul.

A gigante chilena de celulose Arauco suspendeu no meio de setembro de 2023 a produção de celulose. Em nota divulgada no dia 13 de setembro passado a companhia suspenderia a produção de celulose na planta de Licancel a partir do final de setembro, devido a um conjunto de dificuldades, especialmente nos últimos tempos graças a extrema variabilidade climática, com cheias consecutivas do rio Mataquito durante o inverno, períodos extremos de seca que provocaram repetidas paradas no funcionamento da central em verões anteriores e incêndios florestais de alto impacto que, somados à ausência de uma política pública que promova o reflorestamento durante a última década, geraram uma baixa disponibilidade de madeira para uso industrial.

Foto: divulgação Arauco.

A Licancel tem capacidade instalada de produção anual de cerca de 160 mil toneladas de celulose de pinus

 

27 out. 2023

Com estiagem extrema, fogo na Amazônia ultrapassa áreas desmatadas e ataca floresta úmida

-Embora número de focos de queimadas tenha caído em relação a 2022, fogo deste ano apresenta uma peculiaridade: está ultrapassando os limites de áreas desmatadas.

Reflexo do fenômeno El Niño e do aquecimento incomum das águas do Atlântico Norte – este último, um efeito possível das mudanças climáticas –, o tempo quente e seco na região Norte este ano está criando condições propícias para a formação de incêndios florestais no bioma Amazônia. Até então, esse tipo de incidente costumava ser incomum na região.

Valor e Globo Rural destacam que o número de focos de queimadas registradas na Amazônia pelos sistemas de monitoramento caiu em relação a 2022. No entanto, a característica do fogo que atinge a região este ano apresenta uma peculiaridade: está ultrapassando os limites de áreas desmatadas.

“Antes o fogo na floresta amazônica estava sempre muito associado à degradação florestal e ao desmatamento. Esse contexto ainda existe, o fogo ainda é utilizado para abertura de novas áreas, mas o que nos chama atenção é a forma como que ele está se propagando também em áreas de florestas primárias”, alerta Lawrence Nóbrega de Oliveira, chefe da Divisão de Monitoramento e Combate ao Fogo do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do IBAMA.

O novo e preocupante cenário já havia sido destacado pelo presidente do órgão ambiental, Rodrigo Agostinho, em entrevista ao Amazônia Real. “A seca está tão intensa que a gente começou a ter fogo em floresta, sim, não apenas em áreas desmatadas”, alertou.

Oliveira explica que o fogo em áreas de floresta úmida e tropical é incomum, mas tem sido favorecido pelo contexto climático. Com a baixa umidade, a serrapilheira – camada vegetal de folhas que caem das árvores e se depositam sobre o solo – torna-se mais seca, favorecendo a propagação de incêndios, que podem começar com uma faísca vinda de queimadas próximas.

O “novo anormal” da seca extrema favorecendo a propagação de incêndios florestais na Amazônia poderá alterar a tradicional prática indígena de manejo do fogo para abrir roçados. Em setembro, o Povo Sateré-Mawé, com território no médio rio Amazonas, na divisa entre Amazonas e Pará, sofreu o maior incêndio já registrado na história da comunidade. Ao todo, 90 hectares foram destruídos pelas chamas após o fogo usado no manejo das roças sair de controle, relata o Valor.

“Temos mais de 2,1 mil brigadistas distribuídos em todo o país nas Terras Indígenas consideradas de maior risco, e nunca tínhamos sido acionados por problemas nesse território. E o que chegou para gente era um desespero completo”, conta Lawrence Nóbrega de Oliveira.

Com os incêndios florestais ganhando força na Amazônia, o especialista do IBAMA avalia que comunidades indígenas precisarão revisar suas práticas tradicionais de manejo do fogo, adaptando-as a eventos climáticos extremos como a seca que atinge a região neste momento. O mesmo deve ser feito também para quem maneja pasto com fogo.

Em tempo: Levantamento inédito da Agência Pública mostra que 50 empresas são “os donos da água” no Brasil. Esses grupos empresariais que têm direito a usar mais água de fontes federais no país concentram nada menos do que 5,2 trilhões de litros por ano. É água suficiente para abastecer, por um ano, 93,8 milhões de pessoas – mais de 46% da população brasileira, de acordo com o Censo 2022. A lista inclui gigantes do agronegócio, do setor sucroalcooleiro e do papel e celulose, entre outras companhias que pouco ou nada pagam para captar os trilhões de litros que são base para seus negócios. As empresas estão espalhadas por 139 municípios de 19 estados, nas cinco regiões do país, sendo que mais da metade da água autorizada está concentrada em Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

Via ClimaInfo

 

27 out. 2023

Quase todos os municípios do AM estão em situação de emergência por causa da seca

-Estiagem se intensifica no estado do Amazonas e número de municípios em situação de emergência sobe para 60, prejudicando mais de 600 mil pessoas.

A Defesa Civil do Amazonas atualizou na última 4ª feira (25/10) a lista de municípios em situação de emergência por conta da forte seca que atinge a região amazônica. Até a tarde de anteontem, o estado somava 60 cidades sob emergência hídrica e apenas dois municípios em situação de normalidade (Presidente Figueiredo e Apuí). O g1 deu mais detalhes.

Para quem sofre com os efeitos da seca na Amazônia, o cenário é surreal: em plena floresta tropical, cortada por uma das maiores bacias hidrográficas do planeta, muitas pessoas estão sem água há semanas. Os rios secos isolaram comunidades inteiras no interior da floresta, que contam as gotas do que sobrou de água potável para beber.

Entre as comunidades afetadas, os indígenas sofrem ainda mais, debilitados pela deficiência estrutural no atendimento de suas necessidades e direitos básicos pelo poder público. “A sensação é de que a água está fervendo”, relatou Rosivaldo Miranda, do Povo Piratapuya, morador de Açaí-Paraná, no Baixo Rio Uaupés, citado pela Mídia Ninja. “Estamos com diarreia e dor de cabeça. E está descendo mais sujeira dos igarapés”.

Para dificultar, como o InfoAmazonia abordou, as pessoas também convivem com a fumaça dos incêndios florestais, que ganharam força com o tempo seco. “Estamos sentindo muito as fumaças e fica mais difícil porque não temos água para lavar a garganta”, disse a artesã Terezinha Ferreira, do Povo Sateré-Mawé.

Se o cenário atual já é difícil, a expectativa é de que ainda demore algum tempo para que as chuvas voltem a cair na Amazônia. “A previsão para o próximo trimestre é semelhante ao quadro dos últimos meses: a seca continua na Amazônia e as chuvas persistem no Sul”, disse Gilvan Machado, coordenador-geral de Ciências da Terra do INPE, à Deutsche Welle.

Isso porque a Amazônia, bem como a maior parte do planeta, ainda estará sob a influência do fenômeno climático El Niño. Um dos efeitos do aquecimento das águas do Pacífico Central sobre o clima global é a redução das chuvas no Norte e Nordeste do Brasil, ao mesmo tempo em que o Sul recebe mais água. Para especialistas, a seca atual na Amazônia também tem relação com a crise climática.

“Neste ano, observamos ainda que os impactos do El Niño podem estar combinados com a situação do Oceano Atlântico Tropical Norte, que influencia no aumento das chuvas acima do Equador, mas diminui ainda mais as precipitações na Amazônia”, explicou Regina Alvalá, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), durante evento da FAPESP.

Em tempo: A seca histórica na região amazônica não impediu que prefeituras da região desembolsassem milhões de reais nas últimas semanas para pagar cachê de estrelas do piseiro e do forró. De acordo com o Estadão, municípios como Nova Aripuanã, Tabatinga, Nova Olinda do Norte e Apuí pagaram ao menos R$ 2,77 milhões para nomes como Zé Vaqueiro, Xand Avião e João Gomes. Essas mesmas prefeituras pediram mais de R$ 620 milhões em recursos da União para remediar os efeitos da seca.

Via ClimaInfo

 

26 out. 2023

Fogo na Bolívia. Debate sobre emergência nacional. Parte do Oeste do Brasil coberto de fumaça

 

Imagem: FIRMS/NASA

Na Bolívia vários focos de queimadas, como indicado na imagem capturada agora no FIRMS. Provavelmente a fumaça que se observa no Oeste do Brasil, em cidades como Campo Grande (MS) tem origem naquele país. A se ver também a contribuição do fogo observado na região amazônica do Brasil.

Em função desse fogo que cobre grande parte do país andino, está sendo discutido se o Governo deve declarar emergência nacional ou não. A oposição afirma que “não pode continuar com a improvisação, a tolerância e a propaganda enganosa”. Até o ex-presidente Evo Morales acusa o governo (de seu partido) de “falta de visão e solidariedade com as populações afetadas pelos incêndios, o governo nacional não pode não utilizar a experiência do plano de combate a incêndios ….. Deviam sair do cálculo político e começar a ajudar as famílias que sofrem as consequências destes desastres”. O governo central afirma que os que os incêndios florestais no país estão diminuindo. Com informações do El Deber.

Onda de calor “assa” o Centro-Oeste e Cuiabá registra maior temperatura em 112 anos

A temperatura passou dos 40°C em muitos pontos da região, com o pior do calor concentrado no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul.
O alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), emitido na 6ª feira (20/10), indicando uma onda de calor na Região Centro-Oeste se cumpriu. De acordo com o aviso, a temperatura poderia ficar até 5°C acima da média, uma situação de “grande perigo”, segundo o INMET. O fenômeno deveria durar até hoje.
Já na 5ª feira (19/10), com 44,2°C, Cuiabá, no Mato Grosso, entrou para a lista das 10 maiores temperaturas já registradas oficialmente no Brasil pelo Inmet, informam Globo Rural e Climatempo. Segundo o g1, a última vez que a capital mato-grossense teve recorde histórico de calor foi em 1911, há 112 anos.
Ainda no Mato Grosso, estações automáticas do instituto indicaram na tarde de sábado (21/10) máximas de 42,4°C em Rondonópolis e 41,0°C em São José do Xingu, relata o MetSul. Já no Mato Grosso do Sul, as máximas atingiram 41,3°C em Nhumirim; 41,0°C em Miranda; 40,7°C em Porto Murtinho; e 40,2°C em Corumbá. Goiás registrou 40,5°C em Porangatu e 40,4°C em Aragarças.
O INMET também alertou que o calor extremo poderia atingir áreas da região amazônica, segundo a Revista Cenarium Amazônia. Na Região Norte, altas temperaturas poderiam ser registradas em partes do Pará, Rondônia e Tocantins. Áreas amazônicas também poderiam registrar mais de 40°C.
No Centro-Oeste, é a segunda onda de calor extremo a atingir a região em 2023. Por isso, além dos eventos sazonais e do El Niño, especialistas creditam as altas temperaturas à crise climática, destaca a Folha. “Duas ondas de calor extremo em um mesmo ano realmente chamam a atenção. E pegando ainda áreas de repetição”, aponta Estael Sias, meteorologista e sócia-diretora da MetSul. Estadão e Globo Rural também noticiaram a “fervura” no Centro-Oeste.
Via Climainfo

25 out. 2023

Cota do rio Negro fica abaixo dos 13 metros pela primeira vez na História

Rio chega à cota dos 12 metros pela primeira vez em 121 anos de medição, e baixa dos cursos d’água continua prejudicando dia-a-dia dos ribeirinhos.
Desde o início da semana passada o rio Negro vem batendo sucessivos recordes de baixa, devido à seca extrema que atinge a região amazônica desde setembro e não dá sinais de reversão. No domingo (22/10), porém, pela primeira vez em 121 anos, o nível do curso d’água ficou abaixo dos 13 metros de profundidade – mais uma prova da gravidade da estiagem.
No Porto de Manaus, onde a medição é realizada diariamente, o rio Negro baixou para 12,99 metros no domingo. Na 2ª feira (23/10), caiu para 12,89 metros, informam g1, Terra, TV Cultura, BNC Amazonas, Em Tempo e Brasil 247. A título de comparação, quando está cheio e preenchendo a orla do porto, o Negro chega a atingir uma cota que varia entre 27 metros e 29 metros.
Ao que tudo indica, novos recordes deverão ocorrer nos próximos dias. De acordo com Jussara Cury, pesquisadora do Serviço Geológico Brasileiro (SGB), o nível do Negro deve continuar baixando na capital amazonense, embora, segundo ela, a estiagem tenha se estabilizado na calha do Rio Solimões, devido a chuvas nos Andes peruanos que alimenta esse curso d’água.
A bacia do Solimões represa 70% do nível de água para o rio Negro. “Mas, para sair desse cenário de estiagem [no Negro] e passar à estabilidade e à subida, que seria o início da cheia, precisamos também de chuvas distribuídas ao longo da bacia, e isso ainda não aconteceu”, explicou a pesquisadora.
Enquanto os rios amazônicos vão baixando, o cotidiano e a sobrevivência dos ribeirinhos permanecem profundamente afetados. Muitas comunidades, como as do Sacará e do Inglês, no Rio Negro, vivem do turismo ecológico e da venda de produtos de base florestal, atividades interrompidas porque os barcos não conseguem chegar, destaca o Jornal Hoje.
Muitas dessas comunidades perderam temporariamente a única fonte com que contavam. “O turismo de base comunitária, o manejo de pirarucu e o manejo florestal madeireiro foram severamente impactados”, diz o diretor técnico do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), André Vianna.
Relatos de mortes de pirarucus vêm da Reserva Extrativista Ituxí, no município de Lábrea, no sul do Amazonas, banhado pelo rio Purus. O manejo do peixe, que pode medir até 3 metros e pesar 200 quilos, é uma das principais atividades econômicas da região.
Em tempo: Rostos esculpidos em pedra há cerca de 2.000 anos apareceram em um afloramento rochoso ao longo do rio Amazonas desde que a água caiu para níveis recordes. Algumas gravuras rupestres já tinham sido avistadas antes, mas agora, com o rio ainda mais baixo, há uma variedade maior que ajudará os pesquisadores a estabelecer suas origens, disse o arqueólogo Jaime de Santana Oliveira. O ponto rochoso é chamado de Ponto das Lajes, na costa norte do Amazonas, próximo à confluência dos rios Negro e Solimões, informa a CNN.

Via ClimaInfo

 

25 out. 2023

Seca e fogo na Amazônia podem intensificar queimadas no Pantanal

Agravamento da crise climática – e, por consequência, dos eventos extremos – e El Niño podem ampliar fogo e seca no bioma, que já sofre com queimadas.
O Pantanal é uma região resultante do contato entre dois ou mais biomas fronteiriços. Sem as relações com Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, ele não existiria da forma como é hoje. Ou seja, o que acontece nos biomas vizinhos pode afetar profundamente seu estado.
Por isso, especialistas ouvidos pelo g1 alertam que a seca extrema que atinge a Amazônia e o aumento de focos de incêndio na região elevam o risco de uma temporada de queimada e seca mais severa para o Pantanal. Os eventos extremos nos dois biomas têm relação direta com o agravamento das mudanças climáticas, combinado com o El Niño, reforçam os cientistas.
Mais seca na Amazônia quer dizer menos chuva, menos águas nos rios e igarapés e, com isso, menor evaporação de água. Logo, Centro-Oeste, onde fica o Pantanal, poderá sofrer mais com a falta de precipitações, já que a umidade atmosférica estará menor.
“Com a diminuição do número de evaporação de água na Amazônia, que traz águas para o Centro-Oeste, com a diminuição das matas ciliares no Cerrado, que é onde nascem os rios que banham o Pantanal, o aumento da seca é inevitável. Vários fatores da ação humana somados estão diminuindo a capacidade do Pantanal, que depende da água que vem de fora”, explica o biólogo e um dos diretores da ONG SOS Pantanal, Gustavo Figueirôa.
As consequências já são sentidas. Levantamento do INPE mostra aumento de 20% nos focos de incêndio no Pantanal em outubro, antes mesmo do mês terminar, frente a outubro do ano passado, informa o Campo Grande News. Foram 1.436 registros de queimadas até o fim da semana passada. O fogo já tinha devastado quase 260.000 hectares – mais de duas vezes a área da cidade do Rio de Janeiro –, segundo o g1.
O fogo no Pantanal atingiu o Parque Estadual Encontro das Águas, que detém a maior concentração de onças-pintadas do mundo. O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso usa aviões para combater as chamas, que se espalham por áreas inacessíveis por terra, relatam Estadão, Terra e Folha. Segundo a corporação, o santuário das onças está sendo monitorado. Por enquanto, não houve registro de morte de felinos.

Via ClimaInfo

 

20 out. 2023

Governo libera quase R$ 650 milhões para conter efeitos da seca na Amazônia

Estiagem extrema castiga comunidades ribeirinhas e também impede chegada de matérias-primas à Zona Franca de Manaus, que deve antecipar férias coletivas para 15 mil trabalhadores.
Para tentar minimizar os efeitos da seca extrema que vem assolando a região amazônica, sobretudo o estado do Amazonas, o governo federal anunciou a liberação de R$ 647,8 milhões para ações em variadas frentes. O valor não inclui o pagamento do seguro defeso e do auxílio emergencial, que serão liberados para algumas famílias amazônidas.
Os recursos foram detalhados na 4ª feira (18/10) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, após reunião com ministros e parlamentares, informam CNN e Poder 360. Duas cifras já haviam sido divulgadas anteriormente: R$ 232 milhões via Ministério da Saúde e R$ 138 milhões para a dragagem de rios.
O governo ainda vai liberar R$ 100 milhões para emendas de parlamentares – o que permite a eles colocarem suas “digitais políticas” em ações e obras, destaca o Valor; R$ 61,8 milhões para os municípios; R$ 35 milhões do Fundo Amazônia; R$ 35 milhões do Ministério da Justiça; R$ 26 milhões do Ministério do Meio Ambiente; e R$ 20 milhões do Ministério da Defesa.
Os recursos aliviam o impacto da seca histórica, mas não resolvem tudo. “Antes era fácil prever quando o rio ia subir, agora só a natureza sabe”, disse ao Estadão o presidente da Associação de Pescadores de Tabatinga, Walmir Barboza. Em comunidades ribeirinhas do rio Solimões, assim como em outros pontos da região, falta água potável e produtos alimentícios, pela impossibilidade do transporte hidroviário.
Na Vila de Betânia, território do Povo Indígena Ticuna em Santo Antônio do Içá, o barco deixou de ser o veículo adequado para trafegar pelo rio Içá, afluente do Solimões. Os moradores da comunidade utilizam motocicletas para andar sobre o fundo do rio, que virou um imenso areal, conta o Brasil de Fato.
Na 3ª feira (17/10), o rio Solimões registrou uma cota de 3,70 metros, seu nível mais baixo em 55 anos, em Manacapuru. Foi a segunda cidade amazonense a registrar baixa recorde, lembra o g1, já que no dia anterior o rio Negro chegou ao pior nível em 121 anos, em Manaus. A capital do Amazonas ainda registrou a temperatura mais alta em 114 anos, informa o Climatempo.
No extremo oeste do Amazonas, a estiagem faz São Gabriel da Cachoeira sofrer com racionamento de energia. O município também enfrenta alta nos preços dos alimentos e a falta de itens da cesta básica, relata o g1. Com 51 mil habitantes, a cidade é a segunda com a maior população indígena no país e está em situação de emergência, assim como outros 58 municípios amazonenses.
Com os rios secando mais e mais a cada dia e o transporte hidroviário cada vez mais prejudicado, empresas da Zona Franca de Manaus já planejam antecipar férias coletivas, antes previstas para dezembro, por falta de matéria-prima, informam g1, CNN, Época Negócios e Exame. O número de trabalhadores afetados deve ser de 10 mil a 15 mil, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal).
Em tempo: A seca histórica na Amazônia pode ser um prenúncio do ponto de não retorno da floresta? O podcast Planeta Verde, do RFI, conversou com Luciana Gatti, do INPE, e Ane Alencar, do IPAM, sobre o tema. Há mais de 30 anos cientistas alertam que o avanço do desmatamento e as mudanças climáticas afetariam a tal ponto a dinâmica da vegetação que ela não conseguiria mais se regenerar. E o desmate acelerado tem levado menos vapor de água para a atmosfera – do lado oeste da Amazônia, o mais preservado, a perda de precipitações na estação seca já chega a 20%. Por isso, para evitar o colapso, ressalta Gatti, a promessa de fim do desmatamento da Amazônia até 2030 não é mais suficiente. “Uma vez que uma região chega no ponto de não retorno, ela vai contaminando as demais. A gente precisa de uma ação urgente, decretar calamidade na Amazônia, principalmente na região sudeste, que é a mais próxima do ponto de não retorno. O lado leste emite oito vezes mais carbono, porque a floresta já está numa condição de extremo estresse”, explica.

Via ClimaInfo

 

20 out. 2023

Enquanto Centro-Oeste sofre com forte calor, chuvas se intensificam no Sul

Enquanto Sul tem frio e chuva, com temporais no norte gaúcho, Centro-Oeste recebe a influência da onda de calor que atinge todo o centro-norte brasileiro.
A onda de calor que tomou conta de boa parte do Centro-Oeste na semana não somente deve continuar como pode atingir seu pico, segundo o Instituto de Meteorologia Nacional (INMET). Já para o Sul, o INMET previa tempestades para o interior da região, bem como chuvas intensas no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e Espírito Santo, além de pancadas isoladas em São Paulo.
Na 4ª feira (18/10), Cuiabá registrou sua temperatura mais alta, de 42°C, pela segunda vez no ano. A capital matogrossense pode ter máxima de 43°C a partir desta 6ª feira, de acordo com os dados do INMET. A temperatura em alguns pontos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul deve ficar entre 43°C e 45°C, mas podem ser observadas máximas isoladas superiores, extraordinariamente altas e que podem fazer história, reforça o MetSul.
Segundo O Globo, a onda de calor também deverá atingir o leste de Rondônia, o sudeste do Pará e o sul do Tocantins, na Região Norte.
No Sul, que há quase dois meses vem sendo castigado por tempestades, a concentração de chuvas estava prevista para o no norte do Rio Grande do Sul, mas de forma mais isolada, informa o g1. Santa Catarina e Paraná vêm de dias muito chuvosos, mas a previsão era de certo alívio nas precipitações.
Em Santa Catarina, seis pessoas morreram e mais de 150 cidades registraram estragos por conta das chuvas desde o início de outubro, lembra o g1. Xanxerê, no oeste catarinense, amanheceu na 5ª feira (19/10) com diversas ruas alagadas, após o rio que corta a cidade transbordar por conta da chuva volumosa. Estragos também foram registrados em São Carlos e Passos Maia.
A variabilidade climática no Brasil também foi repercutida por MetSul, CNN, Band, Rádio Itatiaia, MetSul, Correio do Povo e g1.

 

20 out. 2023

Seca na bacia amazônica e a luta das comunidades pela sobrevivência

Via BNC Amazonas

 

Ao menos 80 pessoas se reuniram no fim de semana que passou para “dragar”, no braço, um igarapé na margem esqurerda do rio Amazonas, em Parintins (AM).

O esforço é para tentar socorrer 8 mil pessoas que estão isoladas em 10 comunidades rurais:

Divino Espírito Santo do Aduacá;

Nossa Senhora das Graças do Aduacá;

Santo Antônio do Panauaru;

Aparecida do Panauaru;

Buiuçu;

Santa Terezinha do Caburi;

Palhal;

Vila Nogueira;

Lago da Esperança; e

Caburi

Os moradores desses lugares não conseguiram mais sair de suas comunidades porque os lagos e o paraná onde vivem secaram na estiagem extrema que atinge o Amazonas.

Entre essas localidades prejudicadas está a Vila de Caburi, chamada pelos moradores locais de cidade do Caburi. Isso porque ali vivem 4 mil pessoas e um forte comércio se ergue no local.

Mas a seca prejudicou todo mundo no Caburi. O único igarapé que interliga a cidade ao rio principal, o Amazonas, ficou com nível muito baixo.

Os barcos pequenos usados em vazantes regulares não conseguem passar por lá.

Há duas semanas, eles utilizavam canoas.

Mas, agora, nem canoas. E o problema não é apenas a baixa profundidade do canal, que eles tentam afundar. Âmagos e outros pedaços de paus se sedimentaram no canal. Eles são complicações, porque quebram hélices de rabetas e voadeiras.

Enquanto a água não chega de volta, a solução que encontraram foi escavar o igarapé e retirar, com força humana, imensas toras de madeira.

No sábado que vem, eles vão voltar ao trabalho comunitário. Dessa vez, limpando e olhando para o nível das águas do rio Amazonas esperançosos de que a vazante termine.

 

20 out. 2023

Amazonas está em combate direto aos incendiários

Imagem: divulgação IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas).

20 out. 2023

 

20 out. 2023

Rio Uruguai atinge telhados de casas no noroeste gaúcho

Via Metsul

Cheia de grandes proporções do Rio Uruguai provoca grave enchente em municípios do Noroeste do Rio Grande do Sul.

Foto: Amobal.

Uma cheia de grandes proporções do Rio Uruguai atinge cidades ribeirinhas do Noroeste do Rio Grande do Sul, como Doutor Maurício Cardoso e Porto Mauá. O nível do Uruguai começa a estabilizar no Noroeste gaúcho, mas em cota altíssima, dois metros acima do pico registrado na cheia semana passada. Toda esta água avança agora para cidades mais ao Sul da bacia. A MetSul Meteorologia alerta para uma cheia de grandes proporções do Rio Uruguai na Fronteira Oeste nos próximos dias. A enchente em cidades da fronteira como São Borja, Itaqui e Uruguaiana será a maior em anos, adverte. Há potencial para um grande número de desabrigados. Em Doutor Maurício Cardoso, as imagens divulgadas pela associação local Amobal mostram a grande proporção da enchente pela cheia do Rio Uruguai. No balneário Londero, as águas atingem o telhado das casas em alguns pontos.

20 out. 2023

Seca coloca 95% dos municípios do Amazonas em situação de emergência

Comunidades do interior amazonense nas margens do Solimões estão sem água, energia e comunicação: “A gente se arrasta em lama”, diz moradora isolada pela seca
A seca extrema não dá trégua à Amazônia. Após registrar a menor superfície de água dos últimos 5 anos, segundo levantamento do MapBiomas, o Amazonas conta 59 dos seus 62 municípios – 95% do total – em estado de emergência, informa o mais novo relatório do governo estadual. Há uma cidade em alerta, e apenas 2 cidades em normalidade, informam CBN e Band.
Mais grave que os números é o drama dos amazônidas, que vivem uma tragédia humanitária. Em vilas do Médio Solimões, a mais de 700 km de distância por rio de Manaus, não há água, comida, eletricidade, combustível e, para muitos, nem meios de pedir socorro, detalha O Globo.
“É desumano. Essas pessoas aprenderam a viver com a água, dentro dela, mas não sem ela”, conta Marjorie Lima, do recém-criado coletivo Unidos pelo Médio Solimões, que reúne líderes comunitários, ONGs e cientistas da região.
A ribeirinha Edna Rocha Lopes teme pela comunidade de São Francisco do Bauãna, no entorno da Floresta Nacional (FLONA) de Tefé, que está completamente isolada. “Minha família é de lá, uma comunidade quilombola. A gente até tinha poço, mas não tem mais luz e se não tem luz não tem bomba para puxar a água do poço, muito fundo. Quem está de fora não faz ideia do que é a realidade hoje. Ninguém anda. Na lama, só se arrasta”, desabafa.
No Rio Negro – que atingiu o menor nível de água em 120 anos –, o arquipélago de Anavilhanas, entre Manaus e Novo Airão, tem mais de 400 ilhas e 60 lagos. Com a seca, famílias inteiras se mudaram para barcos e assim ficar mais perto de água, relata a Folha. Grandes canoas ancoradas em bancos de areia viraram lares, um modo de vida que já dura meses para algumas famílias e que deve durar até dezembro, segundo a previsão dos próprios ribeirinhos.
É um efeito dominó, explica o Estadão. A seca forte vem, encontra a floresta já desmatada, a deixa mais suscetível ao fogo, diminui a evapotranspiração responsável por quase 50% da água sobre a Amazônia, reduz as chuvas que se deslocariam para outros pontos e fragiliza ainda mais o bioma.
Em um processo cada vez mais frequente – é a quarta estiagem intensa na região desde 2000 –, as mudanças climáticas trazem um novo período de seca. Novos incêndios surgem, a pluviosidade se altera, a recomposição da vegetação é afetada, e a resistência da Floresta Amazônica vai sendo minada.
A fauna também padece. A quantidade de botos e tucuxis mortos no Lago Tefé, no médio Solimões, continua a crescer, segundo a Agência Brasil. Já são 153 carcaças de animais encontradas em menos de um mês, informa o ICMBIO. Os primeiros exames sugerem que os animais sucumbiram ao calor. Mas não foram os únicos. As águas excepcionalmente quentes dos rios assolados pela seca cozinham tudo o que nelas vive, reforça O Globo.
Pesquisadores e voluntários da força tarefa montada no lago para salvar botos vêm deslocando os animais dos trechos mais críticos, conta ((o))eco. No fim de semana, um grupo que estava na enseada de Pacucu, trecho do lago onde o nível da água chegou a 50 cm, foi deslocado para partes mais fundas e frias.
No meio de tanta dor, ao menos uma boa notícia: após o reforço pelo IBAMA do combate a incêndios na região metropolitana de Manaus, os focos de fogo diminuíram, segundo o governador do Amazonas, Wilson Lima. Enquanto foram registrados 415 focos de calor na área entre 8 e 10 de outubro, no período de 11 a 15 deste mês as ocorrências caíram para 28, enumera a Agência Brasil.
A seca no Amazonas foi destaque também no Guardian e no Financial Times.
Em tempo: Políticos ávidos por asfaltar o trecho do meio da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), vêm aproveitando a tragédia não apenas para aumentar a pressão pelas obras como para tentar “fritar” a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Em reunião para tratar da estiagem com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, deputados, senadores e até o governador do Amazonas, Wilson Lima, fizeram críticas ao IBAMA pela falta da licença para a obra. O Valor apurou que, no encontro, parlamentares criticaram diretamente Marina Silva pela letargia na busca de uma solução para o impasse. Em resposta, Marina teria dobrado a aposta: lembrou que alguns dos parlamentares já foram governadores do Amazonas no passado e, mesmo assim, não tiraram a BR-319 do papel.
Via Climainfo

17 out. 2023

A conta chegando: perdas globais por eventos climáticos extremos somam US$ 16 milhões por hora, conclui estudo

Gasto climático de 2000 a 2019 foi de US$ 143 bilhões anuais, sendo US$ 90 bilhões de custos humanos monetários, além da perda das vidas.
Os danos causados por eventos climáticos extremos custaram cerca de US$ 16 milhões por hora entre 2000 e 2019. O cálculo é de um estudo publicado na Nature Communications, que considera perdas materiais – danos monetários diretos –, e as mortes geradas por esses desastres naturais, associadas ao conceito de Valor Estatístico de uma Vida (Value of a Statistical Life, VSL).
Assim, os pesquisadores descobriram que a maior parte dos custos de eventos extremos atribuíveis à crise climática é relacionada a perdas humanas. O gasto climático total no período analisado foi de US$ 143 bilhões por ano. E o equivalente a US$ 90 bilhões anuais, ou 63% do total, são custos humanos monetários estimados – além do custo humanitário que é a perda de vidas, destaca a Folha.
Para chegar ao resultado, os especialistas se debruçaram sobre dados de 185 eventos climáticos disponibilizados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Primeiro, analisaram como as alterações climáticas contribuíram para os eventos meteorológicos ocorrerem. Depois, cruzaram as informações com dados econômicos divulgados pelo Conselho Internacional de Ciência e o Banco Mundial, detalham World Economic Forum, Globo Rural e Fox.
Os pesquisadores disseram que seus métodos poderiam ser usados ​​para calcular quanto financiamento seria necessário para o fundo de perdas e danos proposto na COP27, em 2022, cujo objetivo é bancar a recuperação de desastres climáticos extremos em países mais pobres. Poderia também determinar rapidamente o custo climático específico de catástrofes individuais, permitindo uma entrega mais rápida de fundos, explica o Guardian.
“O número principal é de 140 bilhões de dólares por ano. Em primeiro lugar, já é um grande número. Em segundo lugar, quando o comparamos com a quantificação padrão do custo das alterações climáticas (utilizando modelos informáticos), parece que essas quantificações estão subestimando o impacto das alterações climáticas”, disse o professor Ilan Noy, da Universidade Victoria, na Nova Zelândia, que realizou o estudo com a colega Rebecca Newman.

17 out. 2023

Fechamento de barragem alaga aldeias e faz indígenas abandonarem suas casas em SC

Moradores da TI Ibirama La Klanõ fogem para abrigo improvisado e temem pior alagamento da história. Com barragem próxima da cota, Defesa Civil reabre comporta.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) anunciou novas medidas de apoio aos povos da Terra Indígena Ibirama-LaKlanõ em decorrência das fortes chuvas que atingiram a Região Sul e particularmente o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde habitam os Povos Xokleng, Guarani e Kaingang. O MPI decidiu ampliar o efetivo da Defesa Civil para levantar quantos indígenas foram resgatados para local seguro e quantos ainda se encontravam ilhados ou em situação de risco.
De acordo com a Carta Capital, o ministério também solicitou um levantamento das quantidades de alimento e água potável já disponibilizadas à população indígena resgatada. E também a apresentação de um plano de continuidade dessas medidas até o fim da situação de calamidade.
Como mostra o DW em matéria replicada por IstoÉ e TV Cultura, não havia mais lugar seguro nas aldeias da TI, em José Boiteux. Muitos moradores deixaram suas casas e corriam para salvar móveis e objetos que deixaram para trás. “Nós estamos usando a igreja e o posto de saúde como abrigo. Mas há muitos que não querem sair de casa e estão em área de risco”, disse o cacique Voia de Lima, liderança do Povo Xokleng.
Os indígenas relataram falta de apoio de autoridades públicas e insegurança com a cheia da barragem Norte, que represa o rio Hercílio dentro do território. A estrutura foi fechada pelo governo catarinense para reduzir as cheias no Vale do Itajaí. A decisão gerou um confronto com a Polícia Militar do estado que deixou três indígenas feridos.
Barragem acima, onde moram os habitantes da TI, a água represada acelera o alagamento nas comunidades. O acesso por terra a muitas das nove aldeias já não existe mais e uma delas está sem comunicação, devido ao alagamento de pontes. “É a pior situação que já vivemos. E a Defesa Civil abandonou a gente”, lamenta o cacique, que percorre as casas isoladas, levando mantimentos e fraldas que a comunidade recebe de doadores.
Na noite de 6ª feira (13/10) a barragem passou a verter água pela primeira vez na história, informa o NSC. No domingo (15/10), a Defesa Civil decidiu abrir a comporta da barragem, que atingiu a cota de 96,5%, faltando apenas 1 metro para atingir o vertedouro, detalha o GGN.
Por causa da situação, o MPI também determinou a apresentação imediata de laudo que comprove a segurança do comportamento das águas após o fechamento das comportas, informa o Poder 360.

 

17 out. 2023

Rio Solimões vira deserto e indígenas adoecem bebendo água contaminada

Com estiagem histórica, enormes bancos de areia se formaram no rio, e indígenas sofrem com diarreia e vômito por consumirem a pouca água que resta.
O trecho do rio Solimões que banha a Terra Indígena Porto Praia de Baixo, na região de Tefé, no Amazonas, virou um deserto. O curso d’água caudaloso que ditava o ritmo da comunidade deu lugar a enormes bancos de areia a perder de vista. Kokamas, Tikunas e Mayorunas cruzam esses bancos de areia de margem a margem, de ponta a ponta do território. Por isso, são unânimes em apontar esta seca como a pior que já viveram, superando a estiagem de 2010.
A Folha esteve na TI em 23 de agosto de 2022. Era o início do período de estiagem, que foi severa no ano passado, mas havia um rio no lugar. Bancos de areia só se formaram em outubro. Agora o cenário é outro. O rio secou em setembro, e os níveis de água diminuem a cada dia, sem previsão de fim. Um poço artesiano garante o líquido para consumo das pessoas.
“É tudo muito triste. Não tem como sair para pescar, ou levar nossos produtos para vender na cidade”, afirma o cacique Amilton Braz da Silva Kokama. As mais de 100 famílias da TI produzem principalmente farinha e banana. Os indígenas improvisam pequenas dragagens, tentando abrir caminho para a água e para os barcos. Funciona muito pouco. A cada dia, há menos água.
Na aldeia Nova Esperança do Arauiri, da Terra Indígena Boará/Boarazinho, o igarapé Paranã do Arauiri virou um estreito curso d’água, com água parada, aquecida, enlameada e fétida. As embarcações não alcançam mais o Solimões. Para chegar à aldeia é preciso percorrer 2 km por uma trilha improvisada.
Nova Esperança vive um crônico problema de falta d’água. Até um mês atrás, a comunidade não tinha alternativa senão usar a água barrenta do igarapé. O resultado foi uma “pandemia” – palavra usada pelo cacique Cláudio Cavalcante – de diarreia, vômito, febre e dor de estômago, especialmente entre as crianças.
A instalação de placas solares no mês passado permitiu o bombeamento de água de um lago próximo, mas a qualidade segue ruim. Segundo o cacique, não houve capacitação para que as famílias pudessem tratar e filtrar a água. Por isso, os problemas de saúde decorrentes do consumo dessa água prosseguem.
Em alguns locais, ribeirinhos cavam o chão rachado em busca de água, relata O Globo. É o que acontece no Lago do Puraquequara, na zona rural de Manaus. Agora sem acesso à água encanada, a comunidade improvisou e começou a cavar o solo rachado em busca de nascentes. O aposentado Raimundo Silva do Carmo, de 67 anos, pagou R$ 250 para um conhecido abrir seu poço. Ali lava roupa, louça, toma banho e retira a água para beber.
Além de afetar o abastecimento de água das comunidades, a seca extrema também vem matando animais. Há alguns dias, mais de 140 botos morreram num lago próximo a Tefé. Para evitar nova mortandade, cientistas tiraram os botos do local, onde a água superaqueceu e bateu quase 40°C, informa a Folha.
Uma esperança surgiu no fim de semana, quando a nascente do Solimões em Iquitos, no Peru, voltou a registrar subida no nível das águas, segundo A Crítica. O rio alcançou a cota de 76,77 metros, 11 cm a mais que no dia anterior, mostram dados da Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia (PROA). Entretanto, em Tabatinga, o primeiro município amazonense banhado pelo Solimões, a água, que chegou a subir em 11 de outubro, já voltou a cair.
“O fenômeno de subida e descida do nível do rio está relacionado a chuvas pontuais naquela região, mas não necessariamente indica o encerramento da estiagem”, explicou o geógrafo e doutor em Clima e Ambiente do INPA, Rogério Marinho.
Valor, BNC Amazonas e MSN repercutiram a matéria da Folha sobre as Terras Indígenas afetadas pela seca extrema do Rio Solimões.

Via ClimaInfo

 

10 out. 2023

Níveis dos rios Ucayali, Amazonas e Huallaga caíram 2,40 metros

Níveis dos rios Ucayali, Amazonas e Huallaga caíram 2,40 metros Segundo Senamhi , os níveis dos rios Ucayali, Amazonas e Huallaga caíram 2,40 metros . Normalmente, caem entre 5 e 8 centímetros por dia; No entanto, regista-se agora uma taxa de redução de 15 a 25 cm por dia. O rio Tapiche, por exemplo, que nesta temporada tinha 3 metros de profundidade, hoje em dia não chega nem a um metro. “Esse rio está praticamente seco. As pessoas estão andando de um lado para o outro; Ou seja, não tem nem um metro de profundidade, os barcos não entram, ficam do lado de fora e têm que fazer baldeação para chegar ao povoado”, disse Marco Paredes, chefe do Senamhi Loreto.

Via La Republica

 

Imagem: Senamhi

03 out. 2023

Bolívia: Seca atinge quase meio milhão de famílias em 7 regiões do país

Segundo a Defesa Civil da Bolívia, a seca atingiu até agora 487.014 famílias. O departamento de Oruro foi declarado em “desastre” nos últimos dias e Cochabamba e Chuquisaca, em situação de emergência. Para identificar a situação atual, os lagos Uru Uru e Poopó, terão sobrevoos de helicóptero com o objetivo de planejar a canalização e melhorar os fluxos de água, informou o secretário departamental de Meio Ambiente de Oruro, Olson Paravicini.
Com base em La Opinión

 

02 out. 2023

A seca histórica no rio Madeira, na bacia Amazônica

A Usina Hidrelétrica de Santo Antônio suspendeu as operações no domingo, dia 1/10/2023, por causa dos baixos níveis da vazão do rio Madeira, o qual é parte da bacia do rio Amazonas. A usina tem 3,5 mil MW de potência instalada.
O Madeira está com níveis muito baixos já há algum tempo. Matéria do G1 informa que ribeirinhos percorrem até 30km para comprar água na cidade de Porto Velho, pois poços estão secos. De acordo com a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), pelo menos 15 mil pessoas são afetadas pela falta de água na região às margens do rio. Os moradores usam poços tubulares, mas com a baixa do lençol freáticos, não têm mais água.
Morados dizem que está tudo seco, como nunca visto antes.
80% da bacia do Madeira está na Bolívia.
Sobre a bacia do Madeira.
“Sua área de influência ocupa 1,3 milhão de km2 em três países e compreende um quinto da área da Bacia Hidrográfica Amazônica, a maior do planeta. Depois de nascer na Bolívia (onde é chamado de Beni), no sopé dos Andes, o Madeira passa por grandes variações de altitude ao longo de 3.315 km até desembocar no Amazonas. Nesse longo e heterogêneo percurso despontam variados ecossistemas nos quais prospera uma rara diversidade – já foram identificadas no Madeira quase 60% das espécies de peixes descritas na Bacia Amazônica.”
“O Madeira é um rio subestimado a nível global, mas é tão grande como o Yangtzé, na China, em vazão líquida. Os rios que vêm dos Andes se juntam perto da fronteira brasileira e terminam em um funil”, diz Edgardo Latrubesse, geólogo e professor afiliado de sistemas fluviais e ecossistemas sul-americanos na Universidade Federal de Goiás.

 

29 set. 2023

Soma de eventos levam a uma crise da água sem precedentes para a bacia do rio Amazonas

– El Niño, distribuição de temperatura no Atlântico Norte e menos neve nos Andes são os principais fatores.

Análises de climatologistas apontam que a combinação de dois fatores levam a uma seca extrema na bacia amazônica: o El Niño, caracterizado como o aquecimento do oceano Pacífico, e a distribuição de calor do oceano Atlântico Norte.
“A seca está fora do normal e deve piorar nos próximos meses. O El Niño tem uma grande contribuição nisso, assim como a distribuição da temperatura das águas do Atlântico Tropical”, afirma Giovanni Dolif, meteorologista do Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden).
Outro fator já identificado é a menor quantidade de água proporcionada pelo degelo dos Andes, onde a quantidade de neve acumulada durante o inverno foi menor do que anteriormente.
O G1 informa que no estado do Amazonas a Defesa Civil prevê uma seca recorde neste ano. Dos 62 municípios, 17 já estão em situação de emergência e 38, em alerta.

(National Geographic)

29 set. 2023

Calor extremo deve servir de aviso para medidas preventivas e de redução de impacto dos eventos climáticos extremos

As temperaturas extremas vividas esta semana pela maior parte da população brasileira; a seca na bacia do rio Amazonas afetando o transporte e o abastecimento de cidades, mais as chuvas no Rio Grande do Sul com pelo menos 50 mortos, são indicações recentes de que o trato das questões climáticas no Brasil deve ter novas abordagens.
Todo o visto recentemente mostra que preciso trabalhar prioritariamente na construção de políticas públicas que tratem da prevenção e da adaptação a situações climáticas extremas, pois novas situações com possibilidade grandes danos sociais estão no horizonte, como amplamente previsto por climatologistas.
Em que devem diferir as políticas públicas climáticas tendo em conta os eventos extremos com os quais passamos a conviver?
Um dos pontos centrais é construí-las tendo como um dos eixos a água – superficiais e subterrâneas – e seus territórios concretos, como bacias hidrográficas, em conexão direta, estratégica, com a preparação das cidades, pois é onde concentra-se a maior parte da população brasileira. Essas políticas para o clima e eventos extremos devem ultrapassar temas com mais visibilidade na área do clima, como a transição energética, de modo a prevenir ou mesmo mitigar danos sociais, econômicos e ambientais.
– Cidades com plano de rearborização e mais áreas verdes;
– Planos de eficiência energética, incluindo economia de energia;
– Redução de perdas de águas e garantia de proteção para zonas produtoras;
– Transportes mais eficientes.
– Campanha de comunicação nacional e local ampla, alcançando diferentes setores.

29 set. 2023

Crise da água na Bolívia mais aguda

O governo boliviano informou que 50.000 cabeças de gado são afetadas pela seca nos departamentos Oruro, ao norte de Potosí e ao sul de La Paz.
As medidas governamentais para aliviar a situação, pois está faltando água para abastecimento humano, são a perfuração de poços e o envio de água em caminhões pipa. Mais de 866 poços foram perfurados informa o La Razon.
Dezenas de municípios vivem situação de emergência hídrica. As razões são as poucas chuvas e a queda de neve menor que o normal durante o último inverno, pois um dos principais meios de abastecimento de água no País advém do derretimento da neve

29 set. 2023

No Sul, Guaíba atinge maior nível desde enchente histórica de 1941

Nível do lago chegou a 3,18 metros, o maior em 82 anos. Em Rio Grande, com cheia da Lagoa dos Patos, leões marinhos ocuparam calçada.

Além de registrar o mês mais chuvoso em mais de 100 anos, a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, viveu outro recorde devido às tempestades que novamente atingiram o estado nos últimos dias. O nível do Lago Guaíba atingiu 3,18 metros na 4ª feira (27/9), o nível mais alto desde 1941, quando a cidade viveu uma enchente histórica, que levou a água a 4,75 metros. A cota de inundação do Guaíba na região do cais é de 3 metros.

Diante da previsão de fortes chuvas, a prefeitura de Porto Alegre fechou as comportas do sistema de proteção contra enchentes na 2ª feira (25/9). Apesar disso, a água começou a vazar por volta do meio-dia de quarta, e a prefeitura colocou sacos de areia no local para evitar a passagem da água. Mesmo assim, alguns trechos da Orla do Guaíba foram invadidos, relata o g1.

Porto Alegre enfrentou duas grandes enchentes, em 1941 e 1967, antes de implementar integralmente o atual sistema de contenção de cheias. A marca de quarta bate outros dois picos alcançados pelo Guaíba na última década, em 2015 e 2016, segundo dados analisados pela Folha. Os dados de setembro indicam que a água está acima da cota de transbordamento para as ilhas (de 2 metros) do Guaíba desde 6 de setembro.

As fortes chuvas e o novo ciclone extratropical que se formou no litoral gaúcho fez com que a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitisse uma série de alertas para o risco de inundação em diversas regiões do estado. O alerta permanece até esta 6ª feira (29/9) em Porto Alegre, segundo a CNN.

Em Rio Grande, cidade do sul do estado, região que enfrenta a cheia da Lagoa dos Patos, ocorreu uma cena inusitada na tarde de 3ª feira (26/9). Dois leões-marinhos apareceram na calçada próxima ao Mercado Público da cidade, assustando cachorros.

Com a passagem sucessiva de ciclones, o Rio Grande do Sul enfrenta o setembro mais chuvoso de sua história. Um dos eventos mais traumáticos ocorreu no começo deste mês, no Vale do Taquari; a região contabilizou até o momento 50 mortes e oito desaparecidos.

Na 5ª feira (28/9), uma comitiva do governo federal foi a Lajeado, no Vale do Taquari, para uma série de reuniões, relata o g1. O encontro com o governo gaúcho discutiu medidas de crédito, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e fomento rural, bem como medidas voltadas para as áreas de educação, saúde e assistência social, e sobre o Minha Casa Minha Vida.

Em outra frente, o Congresso Nacional publicou decreto legislativo que reconhece estado de calamidade pública no Rio Grande do Sul por causa das chuvas intensas. Com isso, o estado e cidades atingidas estão isentas de restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, para que mais recursos sejam direcionados aos locais afetados, explica o Poder 360.

MetSul, CBN, Veja, TV Brasil, Poder 360, Sul 21, GZH, Terra e g1 noticiaram os efeitos das chuvas no Rio Grande do Sul.

Em tempo: O Rio Grande do Sul vem sofrendo nos últimos anos com eventos extremos que se alternam – de chuvas intensas a secas severas –, mas o governo de Eduardo Leite não tem oferecido uma resposta à altura das ameaças e ainda não foi capaz de colocar em prática medidas de prevenção e ordenamento territorial que poderiam ter minimizado os danos humanos, físicos e econômicos dos desastres. É o que apontam especialistas em políticas públicas e em clima ouvidos pela Agência Pública. A avaliação deles é que o governo do estado vem investindo pouco em prevenção e monitoramento ambiental para redução de impactos de eventos extremos piorados pelo aquecimento global. O estado chegou a encomendar um Plano de Prevenção de Desastres, finalizado em 2017, mas que nunca saiu do papel.

 

29 set. 2023

Com seca, Rio Amazonas deve baixar históricos 8 metros

Média de vazão para setembro nos últimos 20 anos foi de 4,38 metros; ribeirinhos sofrem com insegurança alimentar e fauna local padece nas águas quentes.
A estiagem severa que vem reduzindo drasticamente os níveis de água na bacia amazônica pode fazer um dos maiores rios do mundo registrar uma baixa histórica. Até 4ª feira (27), o rio Amazonas já havia baixado 7,35 metros – nos últimos 20 anos, a média de vazão em épocas de seca foi de 4,38 metros. Em alguns tributários do Amazonas, como o lago e o rio Tefé, a água praticamente secou. Em outros pontos, o que resta está tão quente que peixes e mamíferos estão morrendo.
A medição do nível do rio Amazonas é realizada há décadas pelo Porto de Manaus, na região de confluência dos rios Negro e Solimões. Nos últimos 15 dias, o rio tem baixado cerca de 30 cm diariamente, explica ((o))eco. “A gente tem alguns dias até o final do mês. Com mais alguns dias a 30 cm por dia, a gente vai bater 8 metros de descida do rio no mesmo mês, o que é absurdamente alto”, diz o professor do Programa de Pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior do Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), Jansen Zuanon.
E a tendência é de mais estiagem. Pelo menos até dezembro, a situação em 38 dos mais importantes rios da Amazônia – e também em quatro do Pantanal – deve permanecer crítica, com vazões abaixo da média histórica, informam O Globo e Brasil 247. A seca está sendo agravada pelas mudanças climáticas e pelo fenômeno El Niño.
Estão na lista os dois grandes formadores do rio Amazonas – o Negro e o Solimões –, além de outros cursos d’água gigantes da região amazônica, como Tapajós, Madeira, Juruá, Tocantins, Xingu e Purus. Até dezembro, toda a Região Norte deve estar sob estado de seca, que será severa principalmente no estado do Amazonas.
Em Manaus, capital amazonense, a estiagem extrema secou totalmente o Lago do Aleixo, na zona leste da cidade, relata o g1. A água deu lugar à lama, que a cada dia fica mais seca e causa rachaduras no solo. A situação já afeta a economia de quem tirava dos flutuantes do lago o “ganha-pão” da família .
Se alguns estão perdendo até mesmo seu sustento, outros estão se aproveitando da seca extrema para ganhar muito mais. Empresas de práticos começaram a cobrar uma “taxa de seca” para atracar navios cargueiros em rios do Amazonas. Segundo o especialista em comércio Mário Pierre, ouvido pelo g1, quando os rios estão em condições normais, as empresas de práticos – homens que ancoram os navios em determinado porto – cobram, em média, R$ 70 mil por embarcação. Com a estiagem, o valor passou para R$ 800 mil.
Além de prejudicar a população, a seca ainda facilita a propagação do fogo na região. É o que acontece em Iranduba, cidade a 27 km de Manaus, onde um grande incêndio está atingindo uma área de floresta. De acordo com o g1 e o Imediato, o fogo se espalhou por cerca de 3 quilômetro em uma região de mata. O combate ao fogo é dificultado pelo fato da área ser de difícil acesso.
Diante do agravamento da situação, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, confirmou ações emergenciais do governo federal para atender as populações amazônicas atingidas pela estiagem, relata a Folha. As medidas incluem o envio de medicamentos, água e cestas básicas, a antecipação do período de defeso da pesca e a liberação de recursos do FGTS.

28 set. 2023

Clima extremo: Porto Alegre tem o mês mais chuvoso em mais de 100 anos

Com mais chuvas na capital gaúcha, a água do Lago Guaíba transbordou pelas comportas que haviam sido fechadas pela prefeitura para evitar alagamento da cidade.
Setembro de 2023 já é o mês mais chuvoso de Porto Alegre desde 1916, quando começaram as medições regulares. Os cálculos foram feitos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). E com mais chuvas atingindo várias regiões do estado e também da cidade na 4ª feira (27/9), o recorde certamente será superado até o final deste mês no próximo sábado.
Até a 3ª feira (26/9), o INMET havia registrado o acumulado de 413,8 mm de chuva em Porto Alegre. O número representa quase o triplo da média normal de precipitação na cidade para o mês de setembro, que é de aproximadamente 148 mm. O recorde foi destacado por diversos veículos, como CNN, G1, Climatempo, Metrópoles, Sul21 e GZH.
Na manhã de terça, o INMET emitiu um alerta vermelho para a região da capital gaúcha, indicando um “grande perigo”. De acordo com o Instituto, o risco principal era colocado por chuvas em grande volume que poderiam fazer com que rios da região transbordassem e alagassem áreas urbanas, detalha o G1.
Na manhã de quarta, a água do Lago Guaíba, em Porto Alegre, começou a transbordar em alguns pontos. A água vazou pelas comportas que haviam sido fechadas pela prefeitura para evitar o alagamento da cidade, e funcionários da prefeitura colocaram sacos de areia para diminuir o fluxo de água, informa o G1.
A água atingiu a calçada em regiões como a praia de Ipanema e o Cais Mauá, um dos principais pontos turísticos de Porto Alegre. De acordo com a Defesa Civil, por volta das 11h30 de ontem o nível do Guaíba estava em 3,17 metros – 17 centímetros acima da cota de inundação.
Já na 2ª feira (26/9), a formação de um novo ciclone extratropical provocou fortes chuvas, inundações e queda de granizo em várias áreas do Rio Grande do Sul, informam O Globo, Folha, Estadão, Carta Capital e R7. Uma pessoa morreu.
Ontem, os efeitos do fenômeno afetaram ao menos cinco municípios – Santa Maria, Dona Francisca, Canoas, Faxinal do Soturno e Estância Velha –, segundo balanço divulgado pela Defesa Civil estadual.
Em tempo: Chegou a 50 o número oficial de mortos pelas tempestades provocadas por um ciclone extratropical que atingiu o norte do Rio Grande do Sul no início deste mês. Segundo o G1, a Defesa Civil gaúcha divulgou que o corpo encontrado no último domingo (24/9) em Roca Sales, no Vale do Taquari, é de um homem que desapareceu na enchente que atingiu a cidade. Com isso, o número de desaparecidos na lista da Polícia Civil caiu para oito, enquanto o total de óbitos aumentou de 49 para 50.

27 set. 2023

Defesa civil do Amazonas aponta que mais de 80 mil pessoas são afetadas pela seca dos rios

Dos 62 municípios do estado, 59 estão sofrendo os efeitos da estiagem.

Município de Envira está em situação de emergência. (Foto: Defesa Civil)

A Defesa Civil do Amazonas divulgou na última sexta-feira (22), um levantamento que indica que mais de 80 mil pessoas são afetadas pela estiagem. O município mais afetado é o de São Paulo de Olivença, na região do Alto Solimões. Somente na cidade, quase 6 mil famílias foram atingidas pela seca, número que representa 23.932 pessoas.

A segunda cidade mais atingida é Benjamin Constant, que concentra 18.172 pessoas afetadas pelo fenômeno. A lista ainda traz Tefé (13.467 pessoas atingidas), Uarini (8.852 pessoas), Envira (8.396), Itamarati (5.451 pessoas) e Jutaí (2.2496).

Em Atalaia do Norte, mais de 5 mil pessoas estão sem acesso à água potável. A prefeitura informou que está usando caminhões para abastecer as casas.

Envira, Itamarati, Eirunepé, Envira, Tefé, Coari, Jutaí e Uarini também vivem a emergência da seca dos rios. Outras 15 cidades estão em alerta, 30 em atenção e apenas três estão com os níveis das águas normais.

Segundo a Defesa Civil, a previsão é de que, devido a influência do fenômeno climático El Niño, que inibe a formação de nuvens de chuva, a estiagem deste ano seja prolongada e mais intensa, se comparada a anos anteriores.

 

Via G1

27 set. 2023

Amazonas enfrenta seca histórica, com risco de falta de água e alimentos

Até o momento, 13 municípios decretaram emergência ambiental. A estimativa é de que o Amazonas vai precisar de aproximadamente R$ 100 milhões para colocar as ações emergenciais em prática. 

“A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas irá distribuir, de forma preventiva, hipoclorito de sódio para tratamento de água para consumo nos municípios do Amazonas, bem como antecipar envio de insumos para prevenir e detectar a malária, incluindo inseticidas e mosquiteiros impregnados, além de monitorar doenças que podem ser impactadas pela estiagem, como as doenças diarreicas agudas, Hepatite A e febre tifoide”, informou a Defesa Civil.

Além disso, a entidade tomou algumas medidas como a capacitação de agentes municipais e estaduais, entrega de purificadores coletivos de água, emissão de alertas e orientações para a população e demais entes públicos e aquisição de cestas básicas e caixas d’água para a população afetada. O governo também deve distribuir de kits de higiene pessoal, hipoclorito de sódio, além de renegociar dívidas e fomentar os produtores rurais que serão afetados pela estiagem.

Outras ações estão previstas para o estado. Na área ambiental, por exemplo, o governo anunciou R$ 1,1 milhão para a atuação de 153 brigadistas em nove municípios, com o intuito de combater focos de queimadas dentro do chamado “arco do desmatamento”, localizado no sul do Amazonas, onde estão os municípios que concentram o maior número de focos de calor. Na saúde, as ações emergências envolvem o resgate de pacientes em estado grave nos municípios atingidos pela estiagem.

Via Correio Braziliense

 

27 set. 2023

Seca extrema no Amazonas, com alta da temperatura da água, está causando a mortandade de animais

Moradores encontraram diversos peixes mortos no Lago do Piranha, em Manacapuru/AM. Os ribeirinhos, além do impacto na sua principal fonte de alimentos e renda, acabaRAm ficando sem água para consumo, devido à putrefação dos animais no local.

A explicação para a morte nos animais está nas altas temperaturas na região. Em entrevista ao G1, o mestre em em engenharia de pesca, César Augusto, explicou que com a diminuição da coluna d’água (quantidade de água que um determinado tecido pode “suportar”), uma série de processos, que alteram a química da água, contribuem para a morte dos animais.

 

Imagens: via @altourinho

Segundo o engenheiro, para resolver o problema existem duas alternativas: um aerador ou a renovação do fluxo da água.

 

27 set. 2023

La Niña e El Niño: o que é, causas e efeitos

A dinâmica da temperatura do Oceano Pacífico pode afetar diversas regiões do planeta, inclusive o Pantanal. Os fenômenos climáticos responsáveis pelo aumento e diminuição da temperatura do oceano são classificados como El Niño e La Niña. Confira o que é e como funcionam esses fenômenos climáticos na matéria. 

O que é El Niño e La Niña? 

El Niño é um fenômeno atmosférico que implica nas condições climáticas por ocasionar o aumento atípico da temperatura do Oceano Pacífico, em especial na região equatorial, que é o maior e mais profundo do planeta, dessa forma um grande influenciador da dinâmica climática do planeta.  

La Niña, por sua vez, é responsável pela redução da temperatura do Oceano Pacífico Equatorial. 

Ambos os fenômenos causam alteração nas temperaturas e precipitações em níveis globais. Em alguns territórios do planeta ocorre o aumento de chuvas enquanto em outros acontecem secas rigorosas. Os fenômenos se intercalam, normalmente, em um intervalo de 3 a 7 anos. 

Efeitos no Brasil

No Brasil, os fenômenos provocam efeitos diferentes em cada região. Na região Norte e Nordeste, a La Niña favorece a formação de chuvas intensas enquanto o El Niño causa secas preocupantes. Em contrapartida, no Sul o El Niño contribui para formação das chuvas e La Niña proporciona seca. 

No Centro-Oeste, a La Niña é responsável por climas mais secos e pode ocasionar, no Pantanal, períodos de estiagem. Enquanto o El Niño provoca precipitações pluviais. 

Esses fenômenos têm grande importância na dinâmica das águas no Pantanal. Em anos com predominância do El Niño há a ocorrência de mais chuvas e, consequentemente, de inundação. Em anos de predominância da La Niña, ocorre o inverso. Alterações nos ciclos de chuva e seca no Pantanal podem influenciar nos incêndios, por isso a atenção é necessária. 

Neste ano, o período é de transição de La Niña para neutro durante os meses de março a maio, mas a probabilidade da ocorrência de El Niño sobe para 47% de maio para junhos. 

La Niña e El Niño
Gráfico do Plano de Ação para o manejo integrado do Fogo

 

27 set. 2023

Climatologista afirma que municípios devem preparar-se para eventos climáticos extremos e que 2023 rompeu todas as barreiras

Os municípios brasileiros precisam estruturar os departamentos de Defesa Civil para responder a possíveis desastres, considerando a ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos que romperam, neste ano, “todas as barreiras”, afirmou o climatologista da UFRGS Francisco Aquino ao UOL News da tarde desta segunda-feira (25).

Os eventos extremos aceleraram na última década e este ano, em específico, romperam todas as barreiras, seja de temperatura, de incêndio, ondas de calor ou de precipitação extrema do hemisfério norte, sul, leste ou oeste.

Via UOL

26 set. 2023

Atingidos por desastres ligados a chuvas em 2022 é o maior em dez anos

Dados da Defesa Civil mostram que quase 900.000 pessoas foram afetadas por registros de chuvas intensas, enxurradas, alagamentos, inundações e deslizamentos de terra em 2022.
O total de pessoas atingidas por desastres ligados a chuvas no Brasil e o número de ocorrências alcançaram em 2022 seu ápice em dez anos. É o que mostram dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), da Defesa Civil Nacional, alimentado por governos estaduais e municipais.
Foram 890.188 pessoas – considerando mortos, feridos, enfermos, desabrigados, desalojados e desaparecidos – número 150% maior que o registrado em 2012. Essas pessoas foram afetadas por 2.576 registros de chuvas intensas, enxurradas, alagamentos, inundações e movimentos de massa, como deslizamentos de terra – aumento de 402% sobre 2012, detalha a Folha.
A série histórica de ocorrências do S2iD começa em 1991, mas uma parte considerável dos dados é retroativa, considerando que o sistema só foi instituído em setembro de 2012. No ano seguinte, para reconhecimento em nível federal de uma situação de emergência ou estado de calamidade, o uso do S2iD se tornou obrigatório.
O próprio Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) só surgiu em julho de 2011, após a destruição e o enorme número de mortos por tempestades e deslizamentos na região Serrana do Rio de Janeiro.
De acordo com o cientista e professor da USP, Paulo Artaxo, o aumento na frequência de eventos extremos é a prova de que os efeitos do aquecimento do planeta já chegaram. “O que está previsto nos relatórios do IPCC (Painel Internacional para Mudanças Climáticas da ONU) é exatamente o que está acontecendo agora. Vemos na Líbia, no Rio Grande do Sul e na China, é um forte aumento da concentração das chuvas.”
Ainda não há informações consolidadas para 2023, mais um ano em que chuvas intensas destruíram cidades de vários estados, como o Rio Grande do Sul. Com 49 mortos, nove desaparecidos e milhares de desabrigados após as tempestades do início deste mês, o Rio Grande do Sul voltou a ser castigado por fortes chuvas nos últimos dias, enquanto uma onda de calor extremo incomum tomava conta da maior parte do Brasil.
Para piorar a situação, mais chuvas estão a caminho do território gaúcho, informam O Globo, Sul21 e Metrópoles. Além disso, um novo ciclone extratropical vai se formar no litoral do estado nesta 3ª feira (26/9), reforçando a instabilidade, relata o g1. Segundo a MetSul Meteorologia, a chuva deve afetar principalmente o leste e o norte gaúchos.

Via ClimaInfo

26 set. 2023

Brasil: tamanho do país mascara efeitos da crise climática

O jornalista Mauro Zafalon mostra em artigo na Folha de São Paulo, com dados, o que ocorreu no ano passado no Rio Grande do Sul com relação a produção de grãos.
“No ano passado, enquanto o país comemorou recorde de produção e de renda em grãos, devido aos acelerados preços externos, os produtores de Ubiretama (RS) obtiveram média de apenas 130 quilos de soja por hectare, o que corresponde a 2,2 sacas. O normal seria 55.
A média de toda a região Sul, a mais afetada pela seca, foi de apenas 2.006 kg, 57% do volume obtido pelos agricultores do Nordeste.
Dos 497 municípios do Rio Grande do Sul, apenas 3 deles obtiveram produtividade superior à média da região Sudeste, que foi de 3.700 kg, segundo a PAM, que acompanha os principais produtos da agricultura nacional, com detalhamento municipal. A PAM mensura as variáveis fundamentais que caracterizam informações sobre 64 produtos em todo o país.”
Vale lembrar que a Argentina, vizinha do RS, teve quebra de quase 50% em sua produção de grãos no mesmo período.

26 set. 2023

El Niño e chuvas no Chile: quando o fenômeno mudar provavelmente a seca extrema volte

Raúl Cordero, climatologista da Universidade de Santiago, destaca em La Tercera que o fenômeno El Niño teve muita influência no atual quadro de chuvas intensas no Chile: “Provavelmente sem o El Niño este teria sido mais um ano seco. A influência do fenômeno é tal que, quando diminuir, a seca provavelmente retornará à zona central do Chile”.

22 set. 2023

Argentina:  governo faz campanha intensa contra os incêndios.

22 set. 2023

Hidrovia do rio Amazonas sofre com seca

A grave seca que atinge o estado e o rio Amazonas já começa a impactar o transporte de cargas por hidrovia e poderá afetar o escoamento da Zona Franca de Manaus, segundo empresas de logística que atuam na região.

A temporada de secas, em geral de outubro a dezembro, sempre reduz o nível dos rios, porém, neste ano, a estiagem começou antes e dá indícios de que será mais grave e duradoura. Hoje, o tráfego no rio Amazonas já está com restrições na região da foz do rio Madeira: os navios regulares, com 11,5 metros de calado, já não conseguem navegar com capacidade total, e o tráfego noturno foi bloqueado.

Via Valor Econômico

22 set. 2023

Amazônia perdeu 1 milhão de hectares de superfície hídrica

Brasil está entre nove países amazônicos cujas reservas de água minguaram consideravelmente na última década. Derretimento de glaciares andinos também preocupa. Consequências vão de saúde a segurança alimentar.
Os nove países com floresta amazônica em seu território perderam 1 milhão de hectares de superfície de água na última década, segundo uma pesquisa científica inédita divulgada nesta quarta-feira (20) pela plataforma MapBiomas. A conclusão é de que Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela estão à beira de uma mudança drástica em sua superfície hídrica.
“A média histórica de superfície de água nessa vasta região no período entre 2000 e 2022 é de 25,4 milhões de hectares. Mas na última década, todos os países amazônicos tiveram redução da superfície hídrica”, informou o relatório Água Países Amazônicos. “Ao comparar a média da última década com a média histórica do período, foram perdidos 1 milhão de hectares nos nove países amazônicos.”
A MapBiomas chamou atenção para o fato de que a perda se deu apesar do acréscimo de 747 mil hectares de superfície hídrica em 2022, em relação à média histórica. O Brasil, que representa 72% do total da superfície dos países amazônicos, foi o maior responsável por esse ganho, apresentando 910 mil hectares em 2022 acima da média histórica de 17,9 milhões de hectares. Em contrapartida, quem mais perdeu superfície aquática na década foi o Peru.
“De forma geral, no entanto, os nove países amazônicos passaram por uma série de transformações nos seus recursos hídricos nas últimas duas décadas, que resultaram numa tendência generalizada de retração da superfície hídrica”, consta da MapBiomas. Para Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela, os anos 2013 a 2021 foram o período com menor superfície aquática na série histórica analisada.
“Há três países que apresentaram uma redução da sua superfície hídrica durante todo o intervalo entre 2000 e 2022, que são Equador, Peru e Bolívia. Os outros seis países apresentaram um período de aumento e outro de redução em relação à média histórica, que ocorreu entre 2013 e 2021”, informou Eva Mollinedo, da Fundação Amigos da Natureza (FAN-Bolivia) e integrante da equipe da MapBiomas Água Países Amazônicos.
Consequências da mudança climática
O relatório indicou que a redução da superfície aquática também fica evidente numa tendência sustentada de derretimento dos glaciares entre 1985 e 2022, quando todos os países andinos sofreram perda de águas glaciares. A maior extensão foi no Peru, mas a Venezuela, o país com menor cobertura glacial, sofreu a maior perda relativa.
“Essa diminuição pode ter impacto econômico nas populações dos Andes tropicais, com efeitos na agricultura, no abastecimento de água potável e na integridade dos ecossistemas”, alertou Juliano Schirmbeck da Geokarten, também integrante da Água Países Amazônicos.
Ele acrescenta que os glaciares são “uma espécie de termômetro da Terra, já que sua expansão ou redução está intimamente relacionada ao clima global”. E as perdas devem-se ao “aumento da temperatura causado pela aceleração das mudanças climáticas globais”.
Carlos Souza Júnior, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e que também integra a equipe, lembrou que isso agrava problemas de saúde e dificuldades de acesso a alimentos, prejudicando sobretudo as populações com menos recursos econômicos. Além disso, “a diminuição da superfície aquática contribui para a proliferação de incêndios florestais e emissões de gases com efeito de estufa, o que afeta tanto a biodiversidade como as comunidades locais”.

Via DW

22 set. 2023

Bolívia em alarmante falta de água

Editorial do El Deber de Santa Cruz de la Sierra apresenta um quadro de “alarmante falta de água” no país.

O futuro que tanto se temia é agora um presente perturbador. Cerca de 42 municípios do país estão em situação de emergência devido à escassez de água e o assunto preocupa os cidadãos e também o Presidente Luis Arce, que o levou à sede da Organização das Nações Unidas durante o 78.º período de sessões ordinárias.

Existem problemas com o abastecimento de água em El Alto, que é a segunda cidade mais populosa do país. As cidades de Potosí e Sucre enfrentam situação semelhante, assim como municípios menores. Faltam líquidos vitais para o consumo humano, o que não é pouca coisa, tendo em conta os níveis de pobreza.

Em Potosí correm para encontrar soluções, porque a barragem de Kari Kari está drenando seu líquido vital devido à seca. O governador interino anunciou em 5 de setembro que haveria um forte racionamento de água; Ou seja, um dia sim e um dia não. Enquanto isso, está sendo avaliada a disponibilização do elemento por meio de caminhões-tanque. As causas têm a ver com o aquecimento global, a seca, a diminuição das fontes de água subterrânea e o desperdício.

No departamento de La Paz também existem problemas de abastecimento de água. As barragens que são reservatórios do líquido estão com metade da capacidade, enquanto as chuvas aguardam. Foi por isso que o prefeito Iván Arias convocou uma cúpula pela água da qual participaram representantes do município de El Alto e outras instituições. São 40 conclusões entre as quais se mencionam, por exemplo, a captação de água e a utilização de águas cinzentas ou residuais para fins que não necessitam de uma substância potável.

Estes são apenas alguns exemplos do que está acontecendo no país. Neste momento, pequenos investimentos para perfurar poços subterrâneos não são suficientes, porque o problema é maior. Somada à falta de chuvas está a contaminação de rios e aquíferos. No norte de La Paz e em diversas áreas de Potosí e Chuquisaca foi detectado mercúrio na água, o que significa que seu uso se torna perigoso, um veneno para a saúde humana.

E se não bastasse a seca e a poluição, um fator gravíssimo é a destruição das florestas, pois é aí que são geradas as chuvas e a umidade do meio ambiente. No entanto, especialmente no leste da Bolívia, há derrubada indiscriminada de florestas, expansão da fronteira agrícola, perda de superfície vegetal e muito mais que deixa apenas os restos do que antes era uma vegetação rica que ajudou no equilíbrio ecológico.

Tudo isto significa que políticas unidirecionais não são suficientes para resolver os problemas do Chaco, do Altiplano ou dos vales. A questão exige uma solução abrangente, coordenada e emergencial. Acima de tudo, exige coerência nas políticas públicas. Não pode ser que, enquanto o presidente fala da falta de água no mundo, membros do seu gabinete instiguem a violência para construir uma estrada sobre uma área de aquíferos. Não é lógico nem racional que, enquanto o presidente diz que a seca é um problema, as terras continuam a ser subjugadas e as árvores cortadas sob o olhar e a paciência das autoridades do INRA.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse na ONU que as portas do inferno foram abertas devido aos efeitos do clima. “O fogo tem efeitos terríveis. Os agricultores assistem horrorizados às inundações que arrastam as suas colheitas. As temperaturas sufocantes dão origem a doenças. E milhares de pessoas fogem com medo à medida que incêndios históricos se espalham”, disse ele no seu discurso.

O clima está uma loucura e está enlouquecendo a humanidade. É urgente fazer algo agora e temos que começar em casa, na nossa cidade e no nosso país.

*Tradução do Editorial do El Deber de Santa Cruz de la Sierra.

21 set. 2023

Bolívia em emergência hídrica

Municípios bolivianos estão em situação de emergência devido à seca, incluindo El Alto, o segundo mais populoso do país, com 848.840 habitantes, número maior do que a da capital La Paz, que possui aproximadamente 764 mil.
A Bloomberg informa que 85% dos municípios estão com problemas causados pela seca. Duas represas que abastecem El Alto, Tuni Condoriri e Milluni, estão com 50% e 23% de suas capacidades, respectivamente. As razões para os problemas são a falta de chuva e o fato de que a queda de neve é muito menor.
Leia em espanhol a declaração do vice-ministro de Desenvolvimneto Rural e Agropecuário, Álvaro Mollinedo:
“Teníamos 51 municipios oficialmente declarados en estado de desastre a nivel nacional y hasta el día de hoy ya tenemos más de 71 municipios. Quiere decir que día a día están llegando las declaratorias de desastre, de emergencia, de diferentes municipios, de diferentes departamentos del país.”

Via Opinión, Bloomberg e Eju

19 set. 2023

Chile nos extremos

Após anos de secas, o país sofreu as consequências de chuvas intensas em agosto que causaram inundações e deslizamentos de terra.

Relevo erosivo em Viña del Mar, no Chile. Imagem retirada de um vídeo de helicóptero postado no Twitter.

Um evento particularmente grave ocorreu na área de Socavón Cochoa, na cidade costeira de Viña del Mar, onde moradores não conseguem dormir e 200 deles tiveram que sair de suas casas devido a enormes buracos surgidos com a erosão causada por chuvas intensas.

 

19 set. 2023

Argentina e as consequências econômicas da seca/crise hídrica que vem desde 2021

O País perdeu 54% em receitas nos embarques de soja de janeiro a agosto de 2023, comparado com o ano de 2022, por causa da grande seca.
Vale lembrar que o Brasil comparte com a Argentina a bacia do rio da Prata, que em território brasileiro tem na sua parte alta as sub-bacias dos rios Paraná e Paraguai.

18 set. 2023

Rio Grande do Sul entre extremos: após seca durante 3 anos, estado sofre com ciclone e chuvas, trazendo mortes e prejuízos aproximados de 1,2 bilhão de reais

Entre 2020 e 2022 o Rio Grande do Sul viveu uma situação de seca com grandes impactos na produção agrícola, na geração de energia e problemas para o abastecimento de água em algumas cidades. Meteorologistas indicam que o quadro foi em decorrência de uma sucessão de eventos climáticos anormais, tendo por base o fenômeno La Niña – o resfriamento das águas do oceano Pacífico.

Agora o quadro se inverteu com o estado sofrendo com um ciclone e chuvas que levaram a cheias arrasadoras, causando a morte de 48 pessoas e prejuízos econômicos estimados em aproximadamente 1,2 bilhão de reais, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).  Na pecuária, o prejuízo chegou a 81,6 milhões de reais – 29 mil animais foram mortos.

As águas do Pacifico estão mais quentes, trazendo o novo fenômeno, denominado de El Niño. Meteorologistas seguem com alertas para outras situações extremas no país.

18 set. 2023

Tragédia no Rio Grande do Sul

Estael Sias, meteorologista, mostra em artigo no Metsul que os alertas sobre eventos extremos foram feitos já no final de 2022. Durante o primeiro semestre de 23 foram inúmeros os avisos. – Modelos climáticos indicavam que El Niño estaria se configurando no oceano Pacifico trazendo grandes alterações climáticas.

– Modelos climáticos indicavam que El Niño estaria se configurando no oceano Pacifico trazendo grandes alterações climáticas.

– As grandes enchentes vão se repetir como as ocorridas no Rio Grande do Sul.

– Quantas mortes poderiam ser evitadas no Rio Grande do Sul com medidas preventivas corretas? É a pergunta que os governantes devem responder em seus diagnósticos.

Parte do texto de Estael Sias, o qual pode ser encontrado na integra no Metsul. “A dimensão do desastre [no RS] choca pela destruição arrebatadora e a violência assustadora com que as águas varreram cidades. Infelizmente, as grandes enchentes estão longe de ser uma surpresa e, pior, vão se repetir. Já no final de 2022 se acendeu o primeiro alerta quando modelos de clima passaram a indicar um evento de El Niño neste ano. Durante todo o primeiro semestre foram inúmeros avisos de que a segunda metade de 2023 seria crítica….

A tendência é que o El Niño siga se intensificando até o fim deste ano, quando deve atingir o seu máximo de intensidade, mas o fenômeno permanecerá atuando e influenciando o clima ainda nos primeiros meses de 2024. Os grandes extremos de chuva sob El Niño tendem a se dar principalmente nos meses da primavera climática (setembro a novembro) e, às vezes, no outono (março a maio) do ano seguinte ao seu começo, caso da enchente de 1941. Assim, lamentavelmente, é possível se afirmar com elevada margem de confiança de que o Rio Grande do Sul deve se preparar para outros eventos extremos de chuva e possíveis novas situações de desastre por chuva ou tempestades severas.

A pergunta não é se teremos novas enchentes ou estragos nas próximas semanas e meses, mas quantos serão estes eventos. A história climática do estado sob El Niño e as projeções por supercomputadores de modelos de clima nos fazem alertar que ainda tem muito mais por vir.”

18 set. 2023

Brasil terá onda de calor excepcional com 40º C a 45º C e risco à vida

Onda de calor que foge ao normal atingirá grande parte do país com marcas extremas e possivelmente recordes em alguns estados.

A MetSul Meteorologia adverte para um episódio excepcional de calor em grande parte do Brasil nos próximos dias. As marcas esperadas entre esta semana e a próxima vão superar em muitos os valores médios históricos de temperatura máxima em todas as cinco regiões do país com alto potencial de quebras de recordes para o mês de setembro e talvez até absolutos.

Uma massa de ar extremamente quente vai cobrir o Brasil nos próximos dias. Já faz muito calor neste começo de semana no Centro-Oeste e no Sudeste, mas na segunda metade da semana a massa de ar se reforça ainda mais com temperatura atipicamente elevadas, mesmo calor intenso não sendo incomum nestas áreas do território nacional no mês de setembro. Trata-se de uma situação de elevado perigo pela severidade do calor esperado e que demandará atenção das autoridades.  Serão vários estados em que o calor será muito intenso a extremo. A massa de ar quente vai afetar com força e marcas perto ou acima de 40ºC, por exemplo, o Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão.

O pior do calor deve ocorrer no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul com marcas acima dos 40ºC na maioria das cidades dos dois estados, mas que podem atingir temperaturas máximas mais extremas em particular na região do Pantanal e proximidades. Esta região do Centro-Oeste vai estar junto ao centro da grande cúpula de calor que estará concentrada entre o Paraguai e os estados do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso. Pontos destas áreas podem atingir marcas tão extremas como 43ºC a 45ºC nesta região do centro do domo de calor.

Marcas perto ou acima dos 40ºC devem se dar ainda em muitas cidades do Norte, de Goiás, do Sudeste do Brasil e de alguns estados do Nordeste, como no Oeste da Bahia, no Maranhão e no Piauí. No Rio de Janeiro, algumas estações também podem superar os 40ºC no próximo fim de semana. Em Minas Gerais, o Triângulo Mineiro e o Noroeste do estado devem ser as áreas mais afetadas pelo calor extremo com máximas superiores aos 40ºC. O pico do calor em intensidade deve se dar entre o final desta semana e o começo da semana que vem. Modelos numéricos chegam a indicar temperatura no nível de pressão de 850 hPa (equivalente a 1.500 metros de altitude) perto de 30ºC no Centro-Oeste do Brasil, o que apenas se verifica em massas de ar extremamente quentes, como a que atingiu o Sudoeste dos Estados Unidos no mês de julho deste ano. RECORDES HISTÓRICOS PODEM CAIR A maior temperatura registrada oficialmente até hoje no Brasil foi de 44,8°C em Nova Maringá, Mato Grosso, em 4 e 5 de novembro de 2020, superando o recorde também oficial de Bom Jesus, Piauí, de 2005, de 44,7°C. Recordes mensais, e em algumas cidades até absolutos, podem cair neste evento de calor extremo. A cidade de São Paulo é um dos locais em que a temperatura pode testar ou bater recordes de temperatura. Serão muitos dias de calor intenso a extremo no estado de São Paulo. Em alguns, a temperatura ficará perto ou acima de 40ºC no interior e na capital há chance de marcas tão altas quanto 37ºC a 39ºC. Assim, não se pode descartar que a cidade de São Paulo e outras cidades paulistas tenham recordes históricos de máximas não apenas para setembro como absolutos para toda a série histórica.


O dia mais quente já registrado na cidade de São Paulo em setembro desde o começo dos dados em 1943 na estação do Mirante de Santana foi de 37,1ºC, em 30 de setembro de 2020. Trata-se da segunda maior máxima da série histórica, só atrás dos 37,8 ºC de 17 de outubro de 2014.

Outros dias de calor muito intenso na série da estação do Mirante de Santana, estação na zona Norte da cidade do Instituto Nacional de Meteorologia, incluem os registros de 37,0ºC em 20 de janeiro de 1999, 36,7ºC em 19 de janeiro de 1999 e também 36,7ºC em 21 de janeiro de 1999.

O que se avizinha no estado de São Paulo em termos de temperatura é parecido em padrão com o que ocorreu entre setembro e outubro de 2020, quando uma bolha de calor se instalou na região sob um padrão de bloqueio atmosférico com vários dias de calor extremo. Na ocasião, a máxima chegou a 43,5ºC em Lins, embora não se creia que valor tão extremo seja atingido neste evento.

CENTRO DO BRASIL COSTUMA TER MAIS CALOR NESTA ÉPOCA QUE NO VERÃO O período de junho a setembro marca o que se denomina da estação seca no Centro do Brasil, afetando o Centro-Oeste e o Sudeste, o que contribui para extremos de temperatura alta que não ocorrem no verão porque a chuva é quase diária. Cuiabá, por exemplo, que é uma cidade conhecida pelo calor, tem na climatologia histórica os seus dias mais quentes em valores extremos justamente no período seco.

Goiânia tem temperatura máxima média mensal de 32,7ºC em agosto, 34,0ºC em setembro e 33,2ºC em outubro, mas no verão as média máximas mensais são inferiores com 30,6ºC em dezembro, igual valor em janeiro e 31,0ºC em fevereiro.

Ainda sobre a capital goiana como um exemplo de que o pior do calor não ocorre no verão, mas no fim do inverno e na primavera. De acordo com a estatística 1991-2020, a cidade teve, em média, por ano, 4 dias acima de 35ºC em agosto, 13 em setembro e 9 em outubro, entretanto somente um em média em dezembro, janeiro e fevereiro.

De uma média de 31 dias por ano com mais de 35ºC em Goiânia, 26 ocorrem apenas no trimestre agosto a outubro. O mesmo ocorre em Brasília com médias máximas superiores no final do inverno e no começo da primavera do que não verão. E também no interior de São Paulo. Em Franca, o número média de dias acima de 30ºC é de 12 em setembro e também 12 em outubro. Dezembro tem quatro e janeiro e fevereiro cinco cada um.

É o que se vê também em áreas de Minas Gerais mais próximas do Brasil Central, onde a curva de temperatura tem forte influência da estação seca. Caso do Triângulo Mineiro. Uberaba tem as suas maiores médias máximas anuais em setembro e outubro, o que se repete em Uberlândia.

A cidade de São Paulo é um caso em particular. Os meses mais quentes do ano, na média mensal, são os do verão, de dezembro a março, embora seja o período mais chuvoso do ano. Por outro lado, os extremos de calor com dias de marcas muito altas costumam ocorrer no final da temporada seca, em setembro e outubro.

BOLHA DE CALOR TRARÁ CALOR EXCEPCIONAL Uma bolha de calor, que se denomina também de domo ou cúpula de calor (em Inglês é chamada de heat dome) ocorre com áreas de alta pressão que atuam como cúpulas de calor, e têm ar descendente (subsidência). Isso comprime o ar no solo e através da compressão aquece a coluna de ar.

Em suma, uma cúpula de calor é criada quando uma área de alta pressão permanece sobre a mesma área por dias ou até semanas, prendendo ar muito quente por baixo assim como uma tampa em uma panela. Esta bolha de calor de agora vai estar com seu centro entre o Paraguai e o Centro-Oeste do Brasil.

É, assim, um processo físico na atmosfera. As massas de ar quente se expandem verticalmente na atmosfera, criando uma cúpula de alta pressão que desvia os sistemas meteorológicos – como frentes frias – ao seu redor. À medida que o sistema de alta pressão se instala em determinada região, o ar abaixo aquece a atmosfera e dissipa a cobertura de nuvens. O alto ângulo do sol de verão combinado com o céu claro ou de poucas nuvens aquece ainda mais o solo.

Evidências de estudos sugerem que a mudança climática está aumentando a frequência de cúpulas de calor intensas, bombeando-as para mais alto na atmosfera, algo não muito diferente de adicionar mais ar quente a um balão de ar já aquecido. Por isso, vários estudos apontam aumento da intensidade, duração e frequência de ondas de calor no Brasil e ao redor do mundo.

Nunca na história de mais de um século da observação do clima mundial tantos recordes de calor de todos os tempos caíram por uma margem tão grande quanto na histórica onda de calor do final de junho de 2021 no Oeste da América do Norte, efeito de uma maciça cúpula de calor. Foi o segundo desastre climático mais mortal do ano com 1.037 mortes: 808 no Oeste do Canadá e 229 no noroeste dos EUA. O Canadá quebrou seu recorde nacional de temperatura de todos os tempos em três dias consecutivos em Lytton, British Columbia, que atingiu impressionantes 49,6°Cem 29 de junho, um dia antes da cidade ser incendiada em um feroz incêndio florestal alimentado pelo calor extremo. O antigo recorde de calor canadense era 45,0°C em 5 de julho de 1937.

“Este foi o evento regional de calor extremo mais anômalo a ocorrer em qualquer lugar da Terra desde o início dos registros de temperatura. Nada se compara”, disse o historiador do clima Christopher Burt, autor do livro Extreme Weather. Apontando para Lytton, Canadá, ele acrescentou: “Nunca houve um recorde nacional de calor em um país com um extenso período de registro e uma infinidade de locais de observação que foi superado por 4ºC”, afirmou O pesquisador internacional de registros meteorológicos Maximiliano Herrera concordou. “O que vimos é totalmente sem precedentes em todo o mundo”, disse. “É uma cascata interminável de recordes sendo quebrados”, resumiu.

Um estudo de resposta rápida do programa World Weather Attribution descobriu que as altas temperaturas diárias observadas em uma área de estudo que abrange grande parte do Oeste de Oregon, Washington e Colúmbia Britânica em junho de 2021 teriam sido “praticamente impossíveis sem as mudanças climáticas causadas pelo homem”. O estudo estimou que foi aproximadamente um evento de 1 em 1000 anos no clima de hoje, mas em um mundo com 2ºC de aquecimento global, que se projeta para daqui a duas décadas, evento semelhante poderia ocorrer aproximadamente a cada cinco a dez anos.

CALOR ATINGIRÁ NÍVEIS MUITO PERIGOSOS À SAÚDE E À VIDA

A MetSul Meteorologia adverte que o nível de calor esperado para os próximos dias em muitas áreas do território brasileiro atingirá patamar extremamente perigoso à saúde e à vida com elevado risco para população vulnerável, como enfermos e idosos.

Normalmente, o calor no Brasil é percebido com um evento normal no clima e até celebrado, mas o país não mantém estatísticas sobre mortalidade relacionada à alta temperatura. O calor é um causador “silencioso” de mortes, diferentemente do que ocorre com desastres pela chuva. Os poucos levantamentos sobre mortes associadas ao calor no Brasil estão em alguns estudos epidemiológicos em pesquisas da Medicina e não da Meteorologia.

O calor extremo é muito mais mortal do que outros desastres naturais, matando em média mais que o dobro de pessoas por ano do que furacões e tornados combinados, de acordo com dados monitorados pelo Serviço Meteorológico Nacional nos Estados Unidos.

As mudanças climáticas e crescente urbanização estão aumentando rapidamente a exposição humana a temperaturas ambientes extremas, mas poucos estudos examinaram a temperatura e a mortalidade na América Latina. Trabalho publicado em revista científica das temperaturas ambientes diárias e da mortalidade entre 326 cidades latino-americanas entre 2002 e 2015 mostrou alto índice de letalidade por calor extremo.

Em cidades latino-americanas, uma proporção substancial de mortes é atribuída a temperaturas ambientes não ideais. Aumentos marginais em temperaturas altas observadas estão associados a aumentos acentuados no risco de mortalidade. Os riscos identificados foram maiores entre os idosos e para mortes cardiovasculares e respiratórias.

Estudo publicado em 24 de agosto de 2023 na revisrta Nature, intitulado “Rápido aumento no risco de mortalidade relacionada ao calor” destaca que os estudos em sua maioria avaliam como a mortalidade causada pelo calor aumenta com o aumento médio da temperatura global, mas não é claro até que ponto as mudanças climáticas aumentarão a frequência e a gravidade dos extremos com elevado impacto na saúde humana.

No estudo de análise probabilística, os autores combinaram relações empíricas de mortalidade por calor para 748 locais de 47 países com dados de grandes conjuntos de modelos climáticos. Na maioria dos locais, um evento de mortalidade por calor com recorrência estimada de 1 em 100 anos no clima de 2000 passaria a ser de uma vez a cada dez a vinte anos no clima de 2020.

O estudo projeta que esses períodos de retorno diminuam ainda mais sob níveis de aquecimento global de 1,5° C e 2°C, em que  extremos de mortalidade por calor do clima acabarão por se tornar comuns se não ocorrer adaptação. “As nossas conclusões destacam a necessidade urgente de uma forte mitigação e adaptação para reduzir os impactos nas vidas humanas”, enfatizam os cientistas.

ESTUDO MOSTRA MAIS DE MIL MORTES EM SÃO PAULO EM ONDA DE CALOR DE 2014

O trabalho publicado na Nature referencia uma pesquisa de 2015 sobre um evento de calor extremo na cidade de São Paulo. Em 2014, São Paulo apresentou mortalidade relacionada ao calor de 1,7% (intervalo de confiança de 0,7–2,8%) da mortalidade total, ou 1.296 mortes (556–2.095), número que seria esperado com um tempo de recorrência de a cada 134 anos pela média do clima do ano 2000. O período de retorno na cidade de São Paulo diminui para 18 anos (17,0–19,6) no clima de 2020, 11 anos (8,0–13,1) com aquecimento planetário de 1,5 °C e 5 anos (2,7–5,5) a 2,0 °C  de aquecimento global.

O estudo “Efeitos na saúde de uma onda de calor em fevereiro de 2014 na cidade de São Paulo, Brasil” examinou a mortalidade no período de 2 a 15 de fevereiro de 2014 com 12 dias seguidos com temperatura máxima acima de 33°C, incluindo cinco dias com umidade relativa abaixo de 20% e altos níveis de ozônio.

No período, ocorreram 3.228 óbitos, ou mais 743 óbitos que o esperado, predominantemente na faixa etária dos 60 anos ou mais, com destaque para óbitos por doenças do sistema nervoso, do aparelho geniturinário, de perturbações mentais e do aparelho circulatório. Foi possível identificar uma relação temporal entre condições climáticas atípicas e a ocorrência de excesso de mortes, destacam os autores.

Via Estael Sias, Metsul Meteorologia

15 set. 2023

Ciclone no Rio Grande do Sul

O ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul provocou vendavais que atingiram outros estados brasileiros como o Paraná. Parte do milho que ainda está para ser colhido na região norte do estado foi derrubado.

14 set. 2023

Cáceres, no Pantanal, em emergência hídrica

A prefeita Eliene Liberato Dias, do município de Cáceres (MT), localizado na parte norte do Pantanal e onde estão muitas nascentes do rio Paraguai, publicou o Decreto Municipal número 549 como meio de enfrentar a emergência hídrica na cidade.

A temporada de chuvas 2022/2023 foi mais intensa que anos anteriores em Cáceres e toda a bacia do rio Paraguai. Uma medida desse quadro é o fato de que o rio Paraguai na cidade alcançou 5,47 metros no dia 29 de janeiro, a segunda maior marca em 9 anos, abaixo apenas dos 5,92 metros de 9 anos atrás. No último dia 12, a medida do rio era de 0,76 centímetros, segundo a Marinha do Brasil.

Gráfico da Marinha do Brasil. A linha amarela mostra a altura do rio Paraguai dia a dia em 2022; a pontilhada indica a média dos últimos 5 anos e a verde a de 2023.

O Decreto 540 determina que a água fornecida pelo município não seja desperdiçada, proibindo seu uso em abastecimento e substituição de água de piscinas, lavagem de fachadas, calçadas, pisos , muros e veículos.

24 ago. 2023

Chile e El Niño: depois de anos de seca extrema, o país enfrenta as maiores tempestades em 30 anos

Depois de anos de seca extrema, o Chile enfrenta as maiores tempestades em 30 anos. Após vários dias de chuvas e ventos intensos, inundações no centro-sul do país deixaram duas mortes e mais de mil desabrigados.

O presidente Gabriel Boric decretou um “estado de catástrofe” desde a região de O’Higgins, perto de Santiago, até à região de Biobío, cerca de 500 quilômetros a sul da capital.

Desde junho, esta área enfrenta as chuvas mais fortes em 30 anos, agravadas pelo fenômeno El Niño.

Fonte: BBC World

21 jun. 2023

Uruguai declara emergência hídrica e estabelece isenção de impostos para água engarrafada

O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, declarou estado de emergência na capital Montevidéu devido à escassez de água, adotando medidas como isenção de impostos para água engarrafada e a construção de um reservatório.

O país vive sua pior seca em 74 anos, que esgotou o principal reservatório de Montevidéu. Relatos de escassez começaram no início de maio.

A construção do sistema de água começará nesta terça-feira e levará no máximo 30 dias, disse o presidente em coletiva de imprensa na noite de segunda-feira.

O abastecimento de água está garantido em hospitais, lares residenciais, centros de cuidados infantis e familiares, segundo o presidente.

O governo também disse que entregará dois litros de água gratuita por dia para cerca de 21.000 beneficiários de um programa.

Via Reuters

    26 out. 2022

    Seca dos rios no AM prejudica navegação e abastecimento na maioria dos municípios

    Reportagem exibida no Jornal Nacional deste sábado (22) mostrou a preocupação com a vazante deste ano no Amazonas, que vem se tornando um obstáculo, principalmente, para a população ribeirinha, comerciantes e comunidades do interior do estado.
    De acordo com a pesquisadora Luna Gripp, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), esta seca já é considerada uma das maiores dos últimos anos. O CPRM declarou que ainda não há previsão de quando os rios devem parar de baixar.
    Segundo a Defesa Civil, 59 dos 62 municípios amazonenses já sentem as consequências da estiagem. Tefé e Manacapuru, na calha do rio Solimões, declararam situação de emergência.
    Em Manaus, o Rio Negro está baixando, em média, 23 centímetros por dia, o que tem afetado diretamente a navegação, o transporte de passageiros e até o abastecimento das comunidades ribeirinhas, que dependem dos rios.
    Via GT Infraestrutura
    01 ago. 2022

    Seca no rio Paraná 

    A seca do rio Paraná registrada desde o fim de 2019 não possui um panorama de melhora para os próximos meses e é esperada uma primavera com águas baixas. Isto impacta o comércio exterior, por sobrecustos para exportação de grãos, e também em pequenas produções locais e na geração hidroelétrica.
    Em uma nova atualização trimestral do cenário hidrológico da bacia, o Instituto Nacional da Água não detectou melhoras no nível do rio Paraná. “Apesar das condições serem melhores do que as observadas em 2020 e 2021, a perspectiva climática ainda não permite estabelecer um limite temporal do cenário de seca predominante iniciado em março de 2020”, determina o informa do INA.
    O rio apresenta níveis muito menores do que a média e estão no limite de seca em todos os pontos de medição. As cidades de Rosário e Paraná são os pontos de nível mais baixo, 0,88 metros em 12 de agosto quando a altura média entre 1995 e 2021 foi de 2,92 e 2,67 metros para agosto, respectivamente.
    Via Página 12

    23 jul. 2022

    Altura do rio Paraná cai e é a mais baixa desde março

    Em frente ao Novo Porto do Paraná, o rio marcou ontem seu nível mais baixo desde março: em recuo, mediu exatamente 1 metro, embora em questão de horas cairá abaixo desse dígito, pois a montante continua a tendência de queda.

    Este é o recorde mais baixo desde o final de março. No início do ano e até ao terceiro mês, inclusive, registaram-se alturas mesmo inferiores a 0, mas a partir de abril, as chuvas permitiram uma recuperação de caudais que deram algum alívio à navegabilidade das barcaças ao longo da bacia e também à depuração de água nas cidades ribeirinhas.

    No entanto, as previsões alertavam para um novo recuo do rio, para a segunda quinzena de julho. Na terça-feira, 30 de março, foi registrada uma altura de 90 centímetros na costa da capital provincial.

    Para os próximos dias, e meses, as perspectivas não parecem muito diferentes das atuais; em todo caso, alguns cenários mais prováveis ​​falam da continuidade da calha.

    Há exatamente três anos começou esse fenômeno inusitado de calha extrema, tanto por sua extensa permanência quanto pelas marcas alcançadas, que não eram vistas desde a década de 1940.

    Via Analisis Digital 

    11 jul. 2022

    Rio Tietê fica coberto de espuma branca e tóxica em Salto (SP)

    O rio Tietê, no trecho que corta a cidade de Salto, no interior de São Paulo, voltou a ficar prejudicado neste domingo (10) com o surgimento de uma espuma branca, que cobriu totalmente a água em alguns pontos.
    Foi, pelo menos, a quarta vez que o problema foi registrado nos últimos dez meses. Em outras oportunidades, em menor frequência, a água chegou a ficar preta na parte do Tietê que corta o município turístico.
    A espuma se forma a partir de resíduos de materiais que são jogados no Tietê em São Paulo, de acordo com ambientalistas, e que aparece normalmente depois de uma estiagem prolongada.
    Quando registrada anteriormente, a Cetesb (companhia ambiental paulista) disse que o fenômeno é frequente na região de Salto e está associado à baixa vazão da água e a presença de esgoto doméstico não tratado.
    Via Folha de São Paulo

    07 jul. 2022

    Sistema Cantareira entra na faixa de alerta, com 39,5% da capacidade

    O Sistema Cantareira, que abastece cerca de 7 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo, passou a operar oficialmente na faixa de alerta. Neste sábado (2), o nível do reservatório está em 39,5% da capacidade. A situação não prevê alteração na operação.
    São, ao todo, cinco faixas definidas pela ANA (Agência Nacional de Águas), as quais orientam os limites de retirada de água do sistema. A faixa de alerta é definida quando o sistema tem volume útil acumulado igual ou maior que 30% e menor que 40%.
    Em nota, a Sabesp informou que não há risco de desabastecimento neste momento na Região Metropolitana de São Paulo, mas “orienta o uso consciente da água, em qualquer época e em todos os municípios em que opera”.
    Via UOL

    30 mai. 2022

    Crise da água veio para ficar? Sistema Cantareira, em São Paulo tem menor volume desde 2026

    “O Sistema Cantareira, principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo, operava na sexta-feira (27) com 41,8% de sua capacidade, nível mais baixo no fechamento desde maio desde 2016, quando marcou 36,9%, segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). O ano de 2016 foi o primeiro de recuperação após a crise hídrica. Para se ter uma ideia, o volume em 2015, nesta mesma data, era negativo:-9,8% —ainda mais baixo do registrado em 2014, de 6,8%”.
    Até o dia 27 de maio só havia chovido 42,24% da média histórica — 31,6 mm, enquanto a média para maio é de 74,8 mm. Também choveu menos da metade do esperado em todos os outros sistemas de abastecimento de água.
    Outros sistemas importantes também apresentaram chuvas bem abaixo da média. No Alto Tietê o volume de chuvas, até o momento, corresponde a 46% da média. No Guarapiranga, choveu apenas 15% do esperado. Tudo isso mostra, mais uma vez, o acerto dos prognósticos climáticos e essa situação não apresenta perspectivas de mudança nos próximos meses”, afirma Pedro Luiz Côrtes, professor de pós-graduação em ciência ambiental do IEE (Instituto de Energia e Ambiente) da USP (Universidade de São Paulo)
    Via UOL 
    05 mai. 2022

    Hidrovia Tietê -Paraná volta a funcionar após 8 meses parada devido crise hídrica

    A Hidrovia Tietê-Paraná voltou a funcionar no dia 15 de março, depois de 8 meses de paralisação devido à Crise Hídrica que assolou a bacia do rio Paraná em 2021. Uma das causas para a suspensão foi a priorização, na época, para a geração de energia. A retenção de água nas represas reduziu a possibilidade de navegação.
    O último conjunto de barcaças deixou o porto de Pederneiras, em São Paulo, no dia 27 de agosto de 2021. A hidrovia esteve paralisada entre 2014 e 2016, também devido à prolongada seca em regiões da bacia do rio Paraná.
    Leia a matéria completa aqui.

    Leia também: O futuro das hidrelétricas frente à crise climática na América Latina

    20 abr. 2022

    Instabilidade climática no campo deixa seguradoras no vermelho

    O vai-e-vem imprevisível do clima nas lavouras brasileiras está cobrando seu custo para as seguradoras. Números destacados pelo Valor apontam que a sinistralidade do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural passou de 84% em 2020 para 125% em 2021, o maior índice desde 2015. Os desembolsos com sinistros somaram R$ 5,4 bilhões, acima dos R$ 4,2 bi que entraram no caixa das seguradoras, deixando-os no vermelho.
    No ano passado, 121,2 mil produtores rurais buscaram o seguro rural, um aumento de 15% em relação ao ano anterior, sendo que mais de ¼ desse total foi atendido pelo programa pela primeira vez. O governo gastou quase R$ 1,2 bilhão em subsídios para mais de 60 culturas e atividades, com destaque para a soja, o milho de segunda safra e o trigo.
    Leia a matéria completa aqui.
    20 abr. 2022

    Especialista critica leilão emergencial de termelétricas durante crise hídrica

    A suspensão da cobrança extra na tarifa elétrica e a volta da bandeira verde nas contas de luz dos brasileiros levantaram dúvidas sobre a estratégia do governo federal para enfrentar os reflexos da crise hídrica no setor em 2021. Uma das medidas tomadas pelo governo no ano passado, na esteira da crise, foi a contratação emergencial de usinas termelétricas por meio de leilão simplificado, com operação prevista para seguir até a segunda metade do próximo governo, em 2025, a despeito da energia mais cara.
    Para Rui Altieri, presidente do conselho de administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), faltou ao governo paciência para esperar por mais certeza quanto às chuvas do verão antes de contratar uma energia mais cara que a hidrelétrica por um período prolongado de tempo. “Quando contratamos essa energia, estávamos na fronteira do período úmido. Acho que deveríamos ter esperado um pouco mais. Talvez se a contratação tivesse sido 30 ou 40 dias depois, a situação seria diferente tanto em preço quanto em volume”, disse Altieri, citado pelo Valor.
    Essa percepção fica mais evidente quando consideramos que nem todos os projetos termelétricos contratados pela União no ano passado conseguiram iniciar a operação no prazo previsto inicialmente. “A crise hídrica já passou, a geração está tranquila, mas o custo vai perdurar”, concluiu o executivo.
    Via ClimaInfo
    14 abr. 2022

    Depois de extinguir cobrança extra, ANEEL propõe reajuste na tarifa elétrica

    Menos de uma semana após anunciar a antecipação do fim da bandeira de emergência hídrica, a cobrança extra na conta de luz dos brasileiros, o governo federal prepara um novo reajuste nas tarifas elétricas em 2022. De acordo com o Valor, a direção da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu consulta pública para avaliar a possibilidade de um reajuste das bandeiras amarela (de R$ 1,875 a cada 100 kWh para R$ 2,927) e vermelha patamar 1 (de R$ 3,971 para R$ 6,237 cada 100 kWh). No caso da bandeira vermelha 2, a mais cara do sistema tarifário nacional, a ANEEL propõe uma ligeira redução de R$ 9,492 para R$ 9,330 a cada 100 kWh consumidos no mês.
    Segundo a ANEEL, o reajuste é necessário para incorporar os impactos da inflação sobre as despesas relacionadas a produção e distribuição elétrica no ano passado, além do aumento dos custos em si. Neste último ponto, o encarecimento trazido pelo aumento da geração termelétrica de energia é o principal fator: o custo dessa geração passou de R$ 500 milhões para R$ 1 bi anual para o setor, puxado pelas contratações emergenciais de energia termelétrica no 2º semestre de 2021 para compensar as perdas na geração hidrelétrica, afetada pela crise hídrica.
    Por ora, a expectativa do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é de que a recuperação dos reservatórios hidrelétricos no último verão permita ao sistema operar sob bandeira verde, a mais barata, até o final do ano. O Globo também repercutiu essa notícia.
    Por falar em energia termelétrica, o deputado Danilo Forte (CE) escreveu no Poder360 sobre a estratégia caolha do governo federal para a “modernização” do setor elétrico. A Lei 14.120/2021, aprovada e sancionada no ano passado, mexeu com os subsídios à geração eólica e solar, sob a justificativa de que esses setores ganharam competitividade e não precisam mais de apoio governamental. O problema é que, ao mesmo tempo, o Congresso Nacional e o governo Bolsonaro deram sinal verde para manter uma série de subsídios e benefícios fiscais para a geração termelétrica, uma energia suja, com um custo altíssimo para o país. “Enquanto o mundo corre para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis o mais rápido possível”, observou Forte, “o Brasil corre no sentido oposto, aumentando sua dependência desses combustíveis fósseis enquanto desincentiva o uso das fontes renováveis de energia”.
    Via ClimaInfo
    12 abr. 2022

    Chile anuncia plano inédito de racionamento de água com seca entrando no 13º ano

    O Chile anunciou nesta segunda-feira (11) um plano inédito para racionar água para a capital Santiago, uma cidade de quase 6 milhões de habitantes. O país registra secas há 13 anos consecutivos. Segundo o jornal “La Tercera”, o ano de 2021 foi o quarto mais seco em toda a história do país, superado pelos anos de 1968, 1998 e 2019.

    “Uma cidade não pode viver sem água, e estamos em uma situação sem precedentes na história de 491 anos da cidade de Santiago. Temos que nos preparar para o caso de não haver água para todos que vivem aqui”, afirmou Cláudio Orrego, governador da região metropolitana de Santiago, em uma coletiva de imprensa.

    O plano apresenta um sistema de alerta de quatro níveis, que vai do verde ao vermelho e começa com anúncios do serviço público, segue para a restrição de pressão no fornecimento de água, e acaba com cortes rotativos de água de até 24 horas para cerca de 1,7 milhão de consumidores. O sistema de alertas é fundamentado nas capacidades dos rios Maipo e Mapocho, que abastecem a capital com a maior parte de sua água, e têm visto seus níveis oscilarem com a continuidade da seca.

    Leia a matéria completa aqui.

    06 abr. 2022

    A seca no rio Paraná seguirá durante o outono

    A seca do rio Paraná, registrada desde o fim de 2019, não deve apresentar melhora pelos próximos dois meses. A previsão é de um outono de águas baixas. A crise impacta no comércio exterior, gera sobrecustos logísticos na exportação de grãos, além de impactar as pequenas produções locais e a geração de energia hidrelétrica.
    “A perpectiva atual não permite esperar um rápido retorno à normalidade, com probabilidade de duração por todo o outono. Os níveis do rio Paraná em território argentino, incluindo o Delta, irão se manter baixos durante março, abril e maio, com eventuais recuperações de curto prazo, mas em continuação com o cenário iniciado em março de 2020”, assinala um informe do Instituto Nacional de Águas da Argentina.
    O rio apresenta níveis muito abaixo da média, incluindo abaixo do “limite de águas baixas” em todos os pontos de medição. Em Rosario, ponto mais baixo, o nível chegou a 0,65 metros em 1 de abril, cuando a altura média entre 1995 e 2021 foi de 3,61 metros para o mês.
    Via Página 12
    28 mar. 2022

    Produtores do Sul buscam soluções para reduzir impacto da seca

    Construção de cisternas, recuperação de nascentes, distribuição de água em caminhões…produtores estão adotando medidas simples e eficientes para minimizar os impactos da seca severa que atinge o Sul do país.

    Ao longo dos últimos três anos, a região vem passando por uma forte estiagem, resultado do aquecimento global e do fenômeno La Niña, que provoca uma redução das chuvas em todo o sudeste da América do Sul, explica o pesquisador da Embrapa Gilberto Cunha.

    Para driblar essa situação, o criador Roque Gasparetto, por exemplo, construiu, há 10 anos, uma cisterna com capacidade para 800 mil litros de água em sua propriedade, em Santa Catarina. Naquela época, esse tipo de reservatório ainda era novidade no estado.

    A cisterna funciona assim: a chuva que cai no telhado dos galpões das granjas de aves e porcos é captada por calhas e segue por canos de PVC até os reservatórios.
    Via Globo Rural 
    23 mar. 2022

    Investidores e empresas buscam soluções para gestão hídrica e redução de risco de escassez

    A intensificação da escassez de água, junto com a crise climática, está motivando investidores e empresas a olhar com mais atenção às vulnerabilidades de seus negócios devido ao risco de insegurança hídrica, bem como o desenvolvimento de soluções.
    Jiane Carvalho escreveu no Valor sobre duas iniciativas nesse sentido: o fundo Vitreo Água, lançado no ano passado, e o Itaú Index ESG Água, criado em 2019. Nos dois casos, eles reúnem ações de empresas do setor de água e saneamento básico que estejam engajadas na busca por soluções para reduzir o consumo de água e garantir o abastecimento no longo prazo.
    Também no Valor, Paulo Vasconcelos destacou iniciativas de empresas como L’Oreal, HP, JBS e Klabin para mensurar o impacto de suas operações e produtos sobre a água, além da exposição de seus negócios aos riscos de escassez e desabastecimento hídrico. Outros exemplos foram destacados por Juliana Elias na CNN Brasil e Camilla Freitas no UOL Ecoa.
    A questão hídrica também preocupa o agronegócio, altamente dependente da água para sustentar sua lavoura e manter seu gado. De 2005 a 2019, a área de lavoura e pasto coberta por sistemas de irrigação aumentou 82%, indo de 4,5 milhões de hectares para 8,2 milhões. Lauro Veiga Filho abordou no Valor como alguns produtores estão conseguindo avançar com medidas de eficiência hídrica para diminuir o volume de água consumido e garantir resiliência para situações mais críticas.
    Via ClimaInfo
    03 mar. 2022

    Por falta de água, Itaipu suspendeu operação para ajudar o Paraguai a escoar a safra

    A vazão média do Rio Paraná, em fevereiro deste ano, chegou a apenas 6.600 metros cúbicos por segundo (m³/s), a mais baixa dos últimos 120 anos, segundo registro da hidrelétrica argentino-paraguaia de Yacyretá, que fica 480 km abaixo da usina de Itaipu.
    A baixa vazão obrigou a usina de Itaipu a suspender a operação “janela de água”, que teria início neste domingo, 6, e prosseguiria até o dia 12, permitindo ao Paraguai exportar por hidrovia 200 mil toneladas de grãos. Esse total corresponde à primeira colheita de 2022.
    Com a “janela de água”, 12 comboios de barcaças carregadas, que estão esperando para atravessar a eclusa da usina de Yacyretá, poderiam navegar até os portos do Uruguai e da Argentina. Depois da eclusa, é preciso que o nível do Paraná permita a navegabilidade, o que não ocorre hoje.
    Via H2Foz

    Leia também: Como a energia solar pode ajudar a combater a pobreza energética na Argentina

    02 mar. 2022

    Água e energia

    Os reservatórios das hidrelétricas não continham tanta água desde os anos em que o país passou a enfrentar secas graves recorrentes, em 2013-14. Na semana passada, as represas do Sudeste e do Centro-Oeste estavam com 56,4% de sua capacidade de armazenamento, ante 29,6% em fevereiro de 2021.
    Assim, são remotos, no momento, o risco de crise e medidas drásticas de poupança de água, como se temia no ano passado.
    Graças às chuvas, ao uso de energia caríssima de termelétricas e à importação de eletricidade, o Brasil conseguiu evitar, por pouco, o racionamento. Os custos desse programa de emergência, no entanto, permanecerão, assim como alguns dos problemas que estão na raiz da escassez enfrentada.
    Leia a matéria completa aqui.
    Via Folha de São Paulo
    22 fev. 2022

    Incêndios na Argentina consomem mais de 800 mil hectares e fuligem cobre cidade brasileira na fronteira

    As chamas que atingem a província de Corrientes, no norte da Argentina, já consumiram uma área equivalente a duas vezes o tamanho da província de Rhode Island, nos Estados Unidos, segundo informa a Reuters.
    O fogo, que teve início há mais de um mês, aumentou ainda mais com a fórmula perfeita da catástrofe: ventos fortes, baixa umidade e solo e vegetação ressecados pela estiagem severa que atinge o país. São oito focos diferentes que, somados, representam a perda de 30 mil hectares de vegetação por dia, revelou a Associated Press.
    Uma chuva fraca, ontem, trouxe um pouco de esperança. As autoridades estimam uma perda, até agora, de US$ 240 milhões (R$ 1,3 bilhão). De acordo com o Metsul, a associação de produtores Coninagro contabiliza prejuízos nos cultivos de erva-mate e arroz, além da perda de 70 mil cabeças de gado.
    A fuligem e as cinzas dos incêndios na Argentina já atingiram o município de São Borja, na divisa com o Rio Grande do Sul, e a fumaça é avistada no horizonte pelos moradores de Uruguaiana, como noticiaram O Globo e g1. Bombeiros gaúchos ajudam no combate às chamas na Argentina.
    Já para o cinturão agrícola argentino, cujas plantações de soja e milho são as que mais sofrem com a seca, está prevista uma chuva leve nos próximos dias, informa a Reuters. A estimativa é de que chuvas mais intensas devam ocorrer no final de fevereiro. O Clarin e a CNN também noticiaram sobre os incêndios e sobre a esperança com as chuvas.
    Via ClimaInfo
    21 fev. 2022

    Argentina: Corrientes necessita do milagre da chuva

    Na província argentina de Corrientes, as jornadas para deter o fogo são intensas. Brigadistas, bombeiros e vizinhos tentam conter as chamas mas, sem chuvas nas próximas semanas, o panorama é cada vez mais grave. A província, que foi declarada como “zona de catástrofe ecológica e ambiental” pelo governador Gustavo Valdés, já teve mais de 785 mil hectares afetados. Neste sábado, Valdés estimou que as perdas vão superar os 400 milhões de pesos.
    O governador assegurou que a “situação é desesperante” na província que já possui focos ativos há mais de um mês. “É necessária uma mudança no clima para que a situação volte a se equilibrar. É preciso que seja a própria natureza, nós não conseguimos controla”.
    Via Página 12
    8 fev. 2022

    Pescadores resistem a baixa do rio Paraná na Argentina

    “É o que tem”, diz Maria Barrios, encolhendo os ombros. As quatro palavras são cada vez mais ouvidas no galpão da cooperativa Fisherton – PuebloEsther, estrategicamente localizada em frente ao rio Paraná, na Baixada de Balbi, numa área a cerca de 30 minutos de carro de Rosário, na Argentina.
    Enquanto conversa, Maria — que também lidera a cooperativa — olha para os cinco peixes que ela tirou do rio depois de um longo dia de trabalho. Um a um, ela os coloca em uma tábua, mede-os com as mãos e mergulha a faca na barriga branca e macia de um deles. Em questão de minutos, ela limpa a magra captura do dia.
    Em outros tempos, Maria teria voltado com sua canoa cheia de peixes. Mas, nos últimos dois anos, o infortúnio atingiu esta pequena vila de pescadores como uma praga. Em meados de 2019, antes do início da pandemia de Covid-19, o rio Paraná sofreu com uma intensa estiagem, levando-o, em 2021, ao seu mais baixo nível em mais de 70 anos.
    A redução do nível do rio, um dos de maior fluxo das Américas, não só é abrupta como prolongada. Entre as causas determinantes para a queda histórica está a falta de chuvas nas bacias brasileiras dos rios Paraná, Uruguai e Iguaçu.
    A estiagem ocorre em um cenário de instabilidade como resultado do aquecimento global, além de profundas mudanças no uso do solo devido à expansão da fronteira agrícola ao longo de toda a bacia.
    Leia a matéria completa aqui
    Via Diálogo Chino
    04 fev. 2022

    Empréstimo ao setor elétrico para bancar térmicas pode chegar a R$ 10,8 bilhões

    Valor, que será cobrado na conta de luz a partir de 2023, foi estimado pela Aneel nesta quinta. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) fixou em R$ 10,8 bilhões o valor máximo para o empréstimo negociado com as distribuidoras de eletricidade para cobrir o custo extra das térmicas acionadas para enfrentar a crise hídrica em 2021.
    Segundo a agência, uma primeira etapa da operação terá o teto de R$ 5,6 bilhões. A minuta de resolução colocada em consulta pública nesta quinta-feira (3) prevê, porém, a possibilidade de uma segunda parcela de até R$ 5,2 bilhões. O empréstimo tem o objetivo de cobrir o rombo da conta das bandeiras tarifárias, que ficou em R$ 10,5 bilhões em 2021, mesmo com a adoção da bandeira de escassez hídrica, que subiu a taxa extra da conta de luz para R$ 14,20 por cada 100 kWh (quilowatts-hora).
    Via Folha de São Paulo
    03 fev. 2022

    Mesmo com chuvas, tarifa elétrica seguirá mais cara em fevereiro

    A pior estiagem em mais de 90 anos secou as hidrelétricas em 2021 e obrigou o país a contratar termelétricas, encarecendo a conta de luz.
    Quem esperava a recuperação dos reservatórios para pagar menos pela energia, pode tirar o cavalinho da chuva. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) manterá a bandeira tarifária de Escassez Hídrica que adiciona R$ 14,20 na conta a cada 100 kWh consumidos, informam UOL, Correio Braziliense e Poder 360.
    O motivo é que as linhas de transmissão já estão ocupadas pela energia contratada das usinas termelétricas. O Globo já tinha informado que a ANEEL pediu ao ONS a redução da geração térmica, para que a água agora disponível seja aproveitada, já que as barragens hidrelétricas estão jogando água fora. Outra vitória do lobby dos combustíveis fósseis é o aumento de 21% do valor gasto pela ANEEL com usinas termelétricas a carvão, informa a CNN.
    03 fev. 2022

    Produção de soja afetada pela seca

    As poucas chuvas em algumas regiões produtoras de soja provocam perdas na produção, como é o caso do estado do Paraná. O Departamento de Economia Rural (Deral) do estado informa que deve ser reduzida em até 35%, o que indica que o estado deve colher oito milhões de toneladas a menos do que o previsto.
    Via Canal Rural
    02 fev. 2022

    As imagens a seguir mostram a altura do rio Paraguai em Ladário, MS:

    Imagem: Serviço de Meteorologia do Paraguay
    Imagem: Marinha do Brasil

    A primeira imagem foi retirada de um gráfico do Serviço de Meteorologia do Paraguay mostrando o nível do rio nos últimos 60 dias – pode-se notar sua lenta recuperação. A outra imagem é da Marinha do Brasil mostrando o comportamento do rio em 2021,  nesse inicio de 2022, sendo traçada uma linha (pontilhada) que mostra a altura média entre 2017 e 2021.

    Consideramos que os números ainda são preocupantes para o Pantanal e a recuperação de suas águas. Chuvas fortes são noticiadas em Cáceres (MT), ao norte, município onde estão as nascentes do rio Paraguai, e na bacia do rio Taquari – partes do rio Coxim transbordou. As águas das chuvas serão suficientes para ‘encher’ o Pantanal  e servirem de barreira para o fogo no período seco?

    Registro: Ladário está às margens do rio Paraguai, no ‘centro-oeste’ do Pantanal, na fronteira com a Bolivia. Uma referencia para informações sobre o rio.

    01 fev. 2022

    Bacia do rio da Prata, um universo de extremos

    Enquanto em algumas regiões faltam chuvas para agricultura, em outras chuvas torrenciais causam destruição.
    O Pilcomayo é tributário do rio Paraná e parte de seu curso é compartido por Bolivia, Paraguay e Argentina.
    Pagina 12, Argentina.
    “Preocupación, es quizás la palabra que más se escucha de las personas que habitan en las cercanías del río Pilcomayo, en el extremo noreste de la provincia de Salta, zona de triple frontera, con Bolivia y Paraguay. En estos días de lluvias y crecidas, la gente vive atenta al caudal del río en la cuenca alta, en la ciudad de Villamontes, en Bolivia.
    La última crecida, el fin de semana, ya inundó las cañadas y zonas bajas, y provocó la rotura de anillos de contención de la comunidad indígena Monte Carmelo, que quedó aislada, aunque ayer el río se mantenía en bajante y en Misión La Paz, más arriba, estaba en 6,41 metros. Recostada sobre el Pilcomayo de un lado y la ruta provincial 54 del otro, Monte Carmelo está a casi 27 kilómetros del municipio cabecera, Santa Victoria Este, en el departamento Rivadavia.”
    01 fev. 2022

    Falta de chuva e perdas agrícolas: mais de 81 mil acionamentos de seguro

    – 42.541 apólices de seguro rural foram acionadas e 38.906 comunicados de perdas
    “Um levantamento da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostra a dimensão dos comunicados de perdas e avisos de sinistros pelos produtores afetados pela seca. No total, 42.541 apólices de seguro rural foram acionadas e 38.906 comunicados de perdas (COPs) realizados no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) na atual safra de verão até o dia 20 de janeiro, totalizando mais de 81 mil acionamentos pelos produtores. Os dados são das Companhias Seguradoras habilitadas no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do Mapa e do Banco Central do Brasil, autarquia responsável pelo Proagro.
    Os destaques do levantamento realizado pela SPA são os prejuízos nas lavouras de milho e de soja, devido à estiagem que afeta parte de algumas regiões dos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Outras atividades agropecuárias também têm sido afetadas pelo déficit hídrico e pelos efeitos dos dias secos com altas temperaturas, como o feijão, arroz, cana, frutas, verduras, pecuária(leite), apicultura, dentre outras.”
    Via Agrolink
    24 jan. 2022

    Seca leva Bolívia a perder saída comercial pelo rio Paraguai

    O comércio internacional entre Brasil e Bolívia está ameaçado pela seca que afeta uma importante conexão entre os dois países. O Canal Tamengo, que é afluente da Laguna Cáceres, localizada em Puerto Suárez, enfrenta drástica redução do nível de água, o que inviabiliza a navegação via Hidrovia Paraguai-Paraná.
    Há cerca de um ano, a Laguna Cáceres sofre com a seca que também reduziu o nível do rio Paraguai. Atualmente, o nível do rio Paraguai apresenta um lenta recuperação. Apesar disso, a situação ainda não viabiliza a navegação e gera preocupação diante do risco de incêndios em 2022.
    A condição se agravou por volta de setembro de 2021 e atingiu níveis críticos em novembro do ano passado. Foi no período que as embarcações bolivianas também pararam a navegação já que não havia mais altura na lagoa e no canal. Além do período de seca, o problema é agravado por sedimentação e falta de manutenção.
    Porto Jennefer, considerado o mais importante da Bolívia, depende da Laguna Cáceres para poder operar. O porto, que fica a 6 km da fronteira com o Brasil, é responsável por captar até 70% do comércio boliviano e despachar a produção tanto para o território brasileiro como encaminhar cargas para o Oceano Atlântico por meio da Hidrovia Paraguai-Paraná.
    Segundo dados do Observatório Nacional de Transporte e Logística da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), entre janeiro e outubro de 2021, foram transportados 1,889 milhão de toneladas de produtos avaliados em R$ 647 milhões. Em anos anteriores, sem influência da pandemia e da seca, o transporte pela via atingia números relativamente maiores. Em 2018, foram escoados 3,602 milhões de toneladas de produtos avaliados em R$1,554 bilhão.
    Com informações do Correio do Estado
    21 jan. 2022

    Fogo no Sul 

    O site Mesul informa que “o Rio Grande do Sul vive um janeiro de fogo como não se registrava há quase 20 anos. De acordo com dados Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o número de focos de incêndios captados por satélites entre os dias 1º e 19 de janeiro no Estado foi de 133, quase o dobro da média histórica de janeiro inteiro de 1998-2021 de 71. A última vez que o mês registrou tantos focos de calor observados por satélite foi em 2005 com 186, ano em que o território gaúcho também passava por uma severa estiagem. O recorde pertence ao ano de 2002 com 263 focos captados por satélites.”
    Tempos de eventos climáticos extremos em ampla área da América do Sul.
    20 jan. 2022

    O custo dos eventos climáticos extremos

    O governo de Minas Gerais vai aplicar R$ 603 milhões na recuperação dos estragos causados pelas chuvas em janeiro de 2022 no Estado. O plano, batizado de Recupera Minas, prevê ainda pagamento de auxílio em dinheiro aos atingidos pelos temporais.
    A Defesa Civil informa que do início de outubro de 2021 e o dia 14 de janeiro 376 das 853 cidades mineiras decretaram situação de emergência
    19 jan. 2022

    Laguna Cáceres seca no Pantanal boliviano

    A Laguna Cáceres, também chamada de baía, já foi marcada por um vasto volume de água. Até alguns anos atrás, era uma magnífica amostra do Pantanal boliviano, com uma profundidade média de 5 metros e um espelho d’água de cerca de 30 km² que não passava despercebido por nenhum visitante. A última vez que foi vista com água foi em julho de 2019, depois vieram os grandes incêndios e uma seca como não se via em décadas.
    Hoje, só existe vegetação e algumas áreas isoladas de água. Jacarés e capivaras dividem o espaço seco. Esse cenário de drástica mudança ambiental pode ser visto por qualquer pessoa que visite Puerto Suárez, onde há um mirante que adentrava na água da lagoa.
    Em dezembro, a ong Nativa Bolívia, organização-membro do Observatorio Pantanal, alertou sobre a situação. Além das mudanças climáticas que contribuíram para a Laguna Cáceres ficar praticamente seca, outros fatores também favoreceram essa situação como, por exemplo, intervenções de infraestrutura pouco planejadas.
    Os prejuízos ambientais e econômicos são imensos, pois a lagoa, além de ter grande valor de conservação da biodiversidade, faz parte do Parque Nacional e Área Natural de Gestão Integrada de Otuquis. Além disso, tem um papel estratégico para a economia boliviana, pela conexão com o rio Paraguai através do canal Tamengo.
    Via Observatorio Pantanal 
    18 jan. 2022

    Inundaciones, autos flotando y cortes de luz: crónica del histórico temporal en Uruguay

    O periódico Pagina 12, da Argentina, publicou matéria sobre as intensas chuvas no Uruguai: “Llovió, en unas horas, el doble de lo que llueve en un mes”, explicó la intendenta de Montevideo, Carolina Cosse, sobre la inundación que padeció la capital uruguaya. ….Uruguay, bajo agua. Las intensas lluvias que azotaron a la región provocaron en el país sudamericano una inundación “sin precedentes”, tal cual lo definició la intendencia de Montevideo: casi 20.000 personas quedaron sin suministro eléctrico, mientras cientos de autos flotaron en plena calle.”
    De um extremo a outro. Há poucos dias as manchetes eram sobre falta de chuvas e prejuízos para a agricultura e pecuária e mais recentemente a onda de calor centrada no sul do Brasil e parte da Argentina – unidade ambiental bacia do rio da Prata.
    18 jan. 2022

    Desastres reforçam importância de adaptação climática no Brasil

    As cidades brasileiras precisam se preparar e adaptar suas infraestruturas urbanas para prevenir desastres oriundos das mudanças climáticas, como enchentes e secas. Dados para isto existem, como comentam especialistas no Estadão, mencionando os do CEMADEN (Centro Nacional de Alerta de Desastres Naturais). Entretanto estas informações ainda são pouco usadas.
    Além disto, atrapalham aqueles que ainda negam o que está diante dos seus olhos, como no filme “Não olhe para cima”. O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Nabil Bonduk, em artigo para a Folha de S. Paulo, faz uma analogia entre os personagens do filme e aqueles que ainda não correlacionam as mudanças climáticas como os desastres das enchentes e deslizamentos na Bahia e em Minas Gerais, ou com o calor e seca do sul do Brasil e na Argentina: “Está claro que sem alterar o atual modelo de desenvolvimento econômico, particularmente os relacionados com o agronegócio e a mineração, onde o lucro imediato está em primeiro lugar, assim como o padrão insustentável de ocupação do solo urbano, eventos e tragédias como estão ocorrendo no Brasil e na Argentina serão cada vez mais frequentes”.
    Ainda sobre a vulnerabilidade da infraestrutura às mudanças climáticas, o Valor Econômico registra que os portos brasileiros que são os mais ameaçados também são os que menos fizeram ações de adaptação. Segundo dados do diagnóstico “Impactos e Riscos da Mudança do Clima nos Portos Públicos Costeiros Brasileiros” existe uma lacuna na gestão de risco de 21 portos por não incluir a variabilidade climática em suas ações e planejamentos. Santos (SP), Aratu-Candeias (BA) e Rio Grande (RS) são os três portos que correm riscos de vendavais, tempestades, aumento do nível do mar, entre outras consequências.
    Via Climainfo
    17 jan. 2022

    Prejuízo diário de mais de 90 milhões com as chuvas em Minas Gerais

    A Federação das Indústrias do Estado (Fiemg) calcula um prejuízo diário de mais R$ 90 milhões para a economia com a paralisação das atividades e a interdição de estradas em todo o território mineiro, sendo um impacto de R$ 41 milhões apenas para o setor industrial. Somente nos dez primeiros dias de 2022, a estimativa é a de que as perdas possam ultrapassar R$ 1,1 bilhão – equivalentes a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
    Via O Estado de São Paulo
    17 jan. 2022

    Argentina – calor e fogo

    Na província de Buenos Aires, na Argentina, bombeiros lutaram para conter um incêndio durante cinco dias, em pleno período de chuvas. A semana passada foi a semana mais quente no País de 1906. Em Córdoba também ocorreram em uma ampla região e em Mar del Plata, na costa argentina, 27 focos de incêndio “ocasionaram internações de pacientes com problemas respiratórios por conta da ingestão de fumaça”, informa a Folha de São Paulo. De norte a sul do País ocorrem incêndios de Entre Ríos e Corrientes a Bariloche.
    A grande Buenos Aires teve colapso no abastecimento de água e energia por algumas horas.

    incêndios na argentina e paraguai
    O norte da Argentina e o Paraguai enfrentam uma temporada de incêndios (Imagem: FIRMS/NASA)

    17 jan. 2022

    Eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e intensos, possuem conexões globais?

    Pouca neve nos Andes, seca prolongada no Chile, falta de chuvas na bacia do rio da Prata – sub-bacias dos rios Paraguai, Paraná e Uruguai, principalmente -, cidades com pouca de água para abastecimento urbano; chuvas destrutivas em duas regiões do Brasil (Minas Gerais e Bahia); ondas de calor excepcionais. Esses são alguns dos eventos climáticos extremos que têm ocorrido há alguns de maneira frequente nos territórios da parte centro-sul da América do Sul. Uma das questões que surge: estes eventos extremos têm conexões globais? É preciso uma busca maior para preparar ações mitigatórias e preventivas para os próximos anos.
    17 jan. 2022

    Prejuízos da seca na América do Sul

    O site Metsul, que produz informações meteorológicas cuidadosas, publicou sobre os bilhões de prejuízos causados pela seca Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai: “É um desastre de bilhões de dólares e será um dos maiores no mundo no ano de 2022” Os prejuízos na são bilionários e “crescentes com tendência de agravamento da situação pela continuidade da seca até o final do verão em algumas áreas destas regiões.”
    13 jan. 2022

    A caminho do Sul do Brasil, onda “monstro” de calor causa incêndios e apagão elétrico na Argentina

    Um continente fustigado por eventos climáticos extremos. Este é o retrato da América do Sul neste começo de 2022. Se no centro do Brasil as tragédias são provocadas por chuvas intensas, a parte meridional do continente, incluindo Argentina, Uruguai e Paraguai, sofre com secas e, agora, uma onda de calor intenso que pode trazer máximas próximas aos 50oC.Na terça (11/1), Buenos Aires enfrentou seu quarto dia mais quente em 115 anos, ou desde que os registros passaram a ser arquivados pelo Serviço Meteorológico Nacional (SMN) argentino em 1906, e de acordo com o MetSul várias províncias entraram em alerta vermelho. Neste mesmo dia, a demanda por energia para refrigerar casas e empresas provocou um blecaute em Buenos Aires, prejudicando quase 750 mil pessoas. A notícia foi repercutida por g1, O Globo, Valor, Veja e Folha.
    O MetSul informou também que o governo argentino decretou emergência ígnea em todo o território por um ano, devido ao número crescente de incêndios, com o objetivo de adotar medidas para prevenir novos focos e reparar áreas afetadas. A onda de calor tem força suficiente para elevar os termômetros até os 40oC tanto no Rio Grande do Sul quanto em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, 159 municípios já estão em situação de emergência devido à estiagem que começou em novembro e que deve causar perdas financeiras nas lavouras de soja e milho da ordem de R$ 19,8 bilhões, segundo cálculo da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul noticiado pelo Valor.
    Analistas comentaram na Reuters sobre como as perdas das lavouras usadas como alimentação do gado terão impacto sobre o custo da carne este ano.
    O calor extremo deve prejudicar também o sistema de abastecimento de água e energia: segundo o g1, ao menos 17 estações hidrológicas de Santa Catarina estão em situação de alerta ou emergência, segundo os dados do boletim da Epagri/Ciram, que faz o acompanhamento nas bacias e complexos do estado, divulgados na manhã de ontem (12).
    A BBC observa que cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) atribuem esta e outras mudanças do comportamento natural do planeta às mudanças climáticas, que estão aumentando as ondas de calor, secas, alagamentos e outros eventos climáticos extremos.
    Já o MetSul explica que esta onda “monstro” é um exemplo de extremo climático composto, ou seja, várias situações extremas que ocorrem simultaneamente, agravando umas às outras. Assim como os eventos climáticos extremos, os compostos estão também cada vez mais comuns. A Reuters menciona como a onda de calor tem levado os argentinos a questionarem sobre a mudança do clima.
    13 jan. 2022

    Chuvas aumentam o nível de reservatórios hidrelétricos, mas não aliviam bolso do consumidor

    As chuvas que causaram tanto estrago na Bahia e em Minas Gerais não serão suficientes para reduzir a conta de luz dos brasileiros. Sim, aumentaram o nível dos reservatórios das hidrelétricas mais importantes do sistema Sudeste/Centro-Oeste, mas a situação atual ainda é bem ruim.
    Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), o nível no sistema no final do ano estava em 26%, acima da média dos últimos dezembros (22%), mas significativamente menor do que a média entre 2010 e 2013 (44%). A ONS projeta o nível do sistema chegando a 40% até o final do mês, valor não atingido desde 2016. O Estadão e o Valor deram a notícia, lembrando que a bandeira tarifária atual é a da Emergência Hídrica que, além de ser a mais alta, dura até abril. A ver se alguém checa se as térmicas seguem ligadas. O histórico da armazenagem nos subsistemas pode ser visto aqui e a situação atual dos principais reservatórios pode ser vista aqui.
    Enquanto isso, as fontes limpas seguem atraindo investimentos. Mônica Scaramuzzo e Robson Rodrigues escrevem no Valor: “Em 2021, foram fechadas 22 transações do setor, com valor de negócio de R$ 16 bilhões. Para este ano, a estimativa é chegar a R$ 20 bilhões.” As eólicas e solares puxam a fila. Celso Ming, no Estadão, destaca o avanço da solar. Contando as grandes plantas e os painéis residenciais, a capacidade instalada fechou 2021 em espantosos 13 GW ou 7% do total do país e um salto de 65% em relação aos quase 8 GW do final de 2020. Ming faz a comparação com a capacidade da geração a carvão mineral e derivados de petróleo (13 GW). Interessante notar que, somada às eólicas, a capacidade das fontes limpas é da mesma ordem que a capacidade fóssil, incluindo o gás natural.
    12 jan. 2022

    Extremos de calor na parte sul da América do Sul – uma das faces da crise climática

    Uruguai, Argentina e parte do Brasil terão extremos de calor durante essa semana, atingindo marca de temperaturas extremas, não registradas anteriormente. Este evento extremo soma-se à falta de chuvas (e neve) em 2021 na sua parte centro-sul, a denominada “crise hídrica”, e agora ao excesso de chuvas em algumas regiões do Brasil, mais recentemente causando grandes danos em vários municípios, incluindo alguns da parte alta da bacia do rio Paraná, no estado de Minas Gerais. Vale lembrar que o rio Paraná alcança a Argentina e Paraguai, formando com o Uruguai e o Paraguai a bacia do rio da Prata.

    12 jan. 2022

    O rio Paraná seca e Paraje La Jaula agoniza

    O emblemático lugar de pesca e camping no rio Paraná, no departamento Diamante, exibe uma paisagem desoladora. Os braços e riachos que albergam uma grande variedade de peixes e uma vegetação frondosa hoje estão secos devido à longa e severa seca. Há décadas não se via o lugar assim, afirma Gabriel Ducasse, representante da Associação de Pescadores Deportivos del Litoral (APDL). A biodiversidade e os pescadores artesanais são os mais afetados.

    “Conheço esse lugar desde a infância e adolescência, visito frequentemente. Costumo ir por água e por terra, tenho amigos com casas aqui. De Cabaña El Gringo para o Norte está tudo seco. Mas não é só na costa, porque dentro de La Jaula existe comunicação quando está cheio que chega até as lagoas de Timbó e Las Piedras”, comenta Ducasse quando consultado sobre a situação de Paraje La Jaula.
    “É um lugar fantástico para pesca recreativa e desportiva. É um lugar característico porque possui peixes de grande valor. Sempre teve bons surubins e dourados, sempre rendeu boas pescas. Por isso a fama de ser um bom pesqueiro, também pela altura do rio que influencia o ecossistema local”. Ducasse evidencia a topografia do lugar. Quando a água transborda, canais, córregos e lagoas se formam, o que torna a paisagem altamente atrativa para a pesca e reprodução ictícola.

    Desolação
    Hoje La Jaula está desolada ambiental e socialmente, já que muitas famílias que vivem no lugar padecem com a seca e baixa do rio Paraná. “Há casas de veraneio que foram afetadas porque não possuem acesso à água. Onde tinha água, hoje só tem areia. As comunidades daqui estão sendo super afetadas porque sobrevivem da pesca artesanal”, comentou o representante dos pescadores, que explica que agora é necessário ir cada vez mais longe para conseguir algum pescado. Os moradores também são afetados pela movimentação de turistas nos bancos de areia no leito do rio, afirmou Ducasse. “É gente que usa os barrancos para entrar com caminhonetes e motos, o que afeta a paz do lugar”.
    “É desoladora a distância que o rio está. É uma loucura, é muito triste ver o rio seco, sem vida, sem correr. É impactante para a gente que cresceu aqui vendo as cheias, quando víamos a água chegar até o caminho de acesso. É muito triste vê-lo assim”.
    Fora de programação
    Mesmo para quem tem uma relação mais distante com o rio, vê-lo assim também causa grande impacto. “Como a devastação do rio Paraná não ocupa o primeiro lugar do indignômetro nacional?”, perguntou recentemente em uma publicação o jornalista Diego Pintos, da Revista Cítrica.
    Na publicação, é reforçado como nas imagens compartilhadas é possível ver o ecossistema do rio agonizando. E questiona-se: “Culpados? Vários. Além das mudanças climáticas, aparecem os agrotóxicos, a soja, o presidente brasileiro Bolsonaro fechando a torneira, além de outras calamidades ambientais. Esta imagem é de Paraje La Jaula, em Entre Ríos. Está cheio de braços do rio secos. É um lugar lindo quando tem água. Agora está horrível. Não existe uma consciência nacional real do drama que se vive no Paraná e de quão grave é essa seca. Claro, o Paraná é imenso, em algumas partes ainda existe água, mas em outros lugares as imagens de satélite são comoventes”.
    Agora, “as zonas balneares, de La Jaula até Paraná, estão todas secas. Onde antes tinha canoas, agora tem 4×4 atravessando bancos de areia. Era uma ilha que havia na frente do lugar. Agora está tudo unido. Os moradores não se lembram de algo assim acontecer em 70 anos. Porém, Cabandié [Ministro do Meio Ambiente da Argentina] segue feliz na sua conta do Twitter, celebrando menos incêndios. Mas isso não acabou”, conclui Cítrica.
    Fonte: Era Verde
    10 jan. 2022

    Especialistas alertam que a seca no rio Paraná deve piorar em 2022

    Nos últimos dois anos, o cenário de baixa do rio Paraná se repetiu. Agora, os especialistas reafirmam que as perspectivas para o ano que vem não são animadoras. A situação foi analisada em conjunto com o Servicio Meteorológico Nacional (SMN) e o Instituto Nacional del Agua (INA) que indicaram que “é possível dizer que o rio irá baixar um pouco mais” em 2022.
    A afirmação foi feita pelo subgerente de alerta hidrológica do INA, Juan Bórus, que afirmou que a situação “não tem perspectiva de mudança do que vimos desde março do ano passado. Foram realizadas reuniões mensais no Servicio Meteorológico Nacional onde se analisaram as tendências climáticas e não há motivos para ser otimista”.
    “O nível na régua de Corrientes, que é onde o rio Paraná entra em território argentino, é o menor desde que se iniciou o período de seca. Inclusive deveríamos pensar que o nível vai baixar um pouco mais do que está agora em todas as réguas ao longo do rio”, afirmou o especialista em diálogo com Radio Nacional.
    De acordo com o especialista do INA, a possibilidade de que o Paraná possa começar a se recuperar a médio prazo “dependerá de onde serão as chuvas e sua frequência, de forma que se normalize o padrão de precipitações sobre as altas bacias do Paraná, do Paraguai e do Iguaçu”.
    “Uma vez que isso aconteça, é necessário esperar que a condição de umidade dos solos em geral também vá se normalizando. A partir desse momento, se poderia pensar que os afluentes menores do Paraná receberiam um fluxo maior e iriam aumentando seus níveis”, conclui Borús.
    Desde que começou a seca, o INA se mantém em contato permanente com Cancillería e países vizinhos que compartilham a bacia do rio Paraná. Durante 2020 e 2021, os reservatórios da alta bacia do Paraná atenuaram os efeitos da baixa em três momentos. Mas Borús afirma que “a persistência da seca afetou as reservas, os níveis estão muito baixo. Isto significa que não poderemos contar com essa ajuda no futuro”.
    Fonte: Análisis digital
    9 dez. 2021

    Condições climáticas derrubam previsão de produção de cana

    A previsão de produção de cana na região que chamam de Centro-Sul – na verdade engloba principalmente a unidade ambiental bacia do Paraná – caíram de 605 milhões de toneladas para 520 milhões – 14% a menos. Tal resultado é apontado tendo como causas a menor quantidade de chuvas, as geadas do inverno passado e o fogo nos canaviais. A informação é da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
    Das 85 milhões de toneladas de cana a menos, 55 milhões são de São Paulo.
    As adversidades climáticas fizeram a previsão inicial de safra para o centro-sul do país cair de 605 milhões de toneladas para 520 milhões, ou 14%, com predominância do recuo em São Paulo, conforme a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
    A Folha de São Paulo informa que no total, 150 usinas já terminaram a produção até outubro, “muitas com reduções superiores a 20% na moagem de cana. Sete em cada dez delas são de São Paulo”.
    No acumulado da safra, a produção de açúcar alcançou, também até a primeira quinzena do mês, 30,35 milhões de toneladas, ante 34,68 milhões de toneladas no mesmo período da safra passada, o que representa queda de 12,49%.
    A produção de etanol, por sua vez, totalizou 24,03 bilhões de litros, com cenários diferentes. Enquanto do hidratado (vendido nos postos) foram produzidos 14,55 bilhões de litros (queda de 17,93%), do anidro (misturado à gasolina antes da comercialização) a produção chegou a 9,48 bilhões, com alta de 19,86%.
    Com o cenário climático, houve redução de oferta de ATR (Açúcar Total Recuperável), que é a soma dos açúcares da planta, de 15%.
    9 dez. 2021

    Governo define MP de socorro ao setor elétrico com bilhões para pagar térmicas (Climainfo)

    O governo publicará uma MP para negociar um empréstimo de R$ 13 bilhões junto a bancos para atenuar o impacto da crise hídrica nas contas das distribuidoras. Os recursos servirão para pagar a geração fóssil e os programas de redução da demanda lançados pelo governo em agosto.
    Além dessas despesas que devem terminar no ano que vem, há uma conta de R$ 10 bilhões por ano até 2025 para cobrir o recente leilão de emergência, quando foram contratadas mais térmicas.
    Esses bilhões todos serão pagos pelos consumidores e se somam ao financiamento de mais de R$ 14 bilhões que o governo tomou no ano passado para socorrer o setor durante a pandemia. O empréstimo do ano passado somado ao de agora, segundo um analista ouvido pelo Valor, coloca o setor “no crédito rotativo do cheque especial” porque não haveria espaço para outras operações de menor custo.
    Já os aspectos físico-climáticos da atual crise hídrica foram analisados em um artigo que acabou de sair na Nature. “Para evitar quebras de safras e o aumento dos custos de energia, o Brasil precisa diversificar as fontes, monitorar a umidade do solo, modelar a dinâmica hidroclimática local e tratar a água como uma prioridade de segurança nacional”, avisam pesquisadores brasileiros logo depois do título.
    A mudança climática global e o desmatamento da Amazônia são as principais causas, já que reduzem a quantidade de água transportada pelos rios voadores que nascem na Amazônia e irrigam boa parte do Centro-Oeste e do Sudeste.
    Tão ou mais importante do que essas causas naturais, eles dizem que “o fracasso em tratar a água como um recurso nacional essencial levou o Brasil a uma longa história de má gestão”.
    8 nov. 2021

    Chuvas menores que o esperado para essa época afeta plantações. Indicativo de crise mais grave em 2022?

    O impacto climático nas rotas do milho nacional
    Climainfo.
    Uma matéria do Valor comenta uma pesquisa recente mostrando que o fluxo de comercialização do milho no país mudou nos últimos anos. Por uma sucessão de colheitas fracas em alguns estados produtores importantes, o mercado interno está absorvendo parte do que antes era exportado. Criadores de São Paulo, Paraná e Santa Catarina estão sendo abastecidos pelos Mato Grossos, antes grandes exportadores. Uma safra fraca no Maranhão fez a produção da Bahia ir para Pernambuco, ao invés de ir para o Triângulo Mineiro. Tais mudanças deveriam fazer parte de um programa de adaptação, se houvesse um realmente debruçado sobre os impactos da mudança climática.
    Por falar em milho, o La Niña que voltou neste ano já está afetando a cultura no Rio Grande do Sul. Choveu em setembro e, de lá para cá, houve precipitação pouca e dispersa, e a previsão é que continuará assim. A colheita de milho corre o risco de ser afetada. Celso Oliveira, da Climatempo, conversou com o Valor e disse que “o que preocupa é que o milho vai entrar em florada, período em que ele mais necessita de água, e não enxergamos um cenário com chuvas regulares nos próximos 15 dias.” A lavoura da soja no estado não foi afetada.
    Em tempo: O país vem se desindustrializando neste século por obra e graça da sobrecapacidade da indústria chinesa na indústria de base e outros setores e pelas gestões capengas da economia nacional. Ontem, a CNI entregou ao presidente 44 propostas para recuperar o setor e gerar empregos. Dentre elas, segundo contam o Valor e a CNN, a implantação de um mercado regulado de carbono. Ricardo Salles foi contra e, até durante a COP, Joaquim Leite também. Talvez, agora, o governo pare de atrapalhar. O presidente da CNI, Robson Andrade, cita os exemplos de China e Coreia do Sul ao dizer que o país “não pode abrir mão do papel do governo como indutor do investimento privado”.
    7 dez. 2021

    A crise da água e a produção agrícola no Valor Econômico.

    – “É preciso considerar que o agro sofreu um choque climático sem paralelo nos últimos tempos”
    Em certa medida mascarados, de janeiro a junho, pelo bom desempenho da soja, os problemas climáticos prejudicaram sobretudo milho, algodão, cana, café e laranja, culturas cujas colheitas têm forte peso no PIB entre julho e setembro. E os reflexos negativos certamente serão notados também no resultado deste quarto trimestre, período em que cana, café (22,4%), seguida por algodão (17,5%), milho (16%), laranja (13,8%) e cana (7,6%).
    “É preciso considerar que o agro sofreu um choque climático sem paralelo nos últimos tempos. É efeito da natureza. Se o agro tivesse ficado em zero, o crescimento do PIB teria sido de 0,3% no trimestre”, avaliou Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica. E o buraco na agricultura poderia até ter sido até mais profundo no período.
    7 dez. 2021

    A crise da água na cidade de São Paulo – alguns trechos de texto do UOL.

    Enquanto a falta de água incomoda nos bairros de classe média, na periferia o problema é mais grave: o banho é de caneca, os banheiros cheiram mal e a louça acumula sobre a pia.
    Enquanto a falta de água incomoda nos bairros de classe média, na periferia o problema é mais grave: o banho é de caneca, os banheiros cheiram mal e a louça acumula sobre a pia.
    Moradora o Jardim Promissão, em Santo Amaro, zona sul, a analista de cuidados em saúde, Elaine Andressa Veiga, 41, conta que desde o dia 23 de setembro a água é cortada ou tem seu volume diminuído a partir das 20h, uma hora antes do prometido. Como seu chuveiro não está ligado à caixa d’água, Elaine precisa improvisar o banho quando chega do trabalho.
    “Simplesmente tenho que tomar banho no tanque com uma toalha úmida e rezar para no outro dia, a partir das 6 da manhã, quando o serviço é normalizado, eu consiga tomar um banho decente”
    Sobre a empresa da água, a Sabesp: “Todos os canais de relacionamento estão só com atendimento eletrônico; não consegui falar com nenhum representante.” Elaine Andressa Veiga, analista de cuidados em saúde
    6 dez. 2021
    O Cantareira é o maior reservatório da rede paulista e abastece cerca de 7,5 milhões de pessoas todos os dias — 46% da população da Grande São Paulo —, segundo a Ana (Agência Nacional de Águas), o órgão que regula o setor. O sistema leva água para as zonas Norte e Central e parte das zonas Leste e Oeste da capital, além das cidades de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul. O reservatório engloba, também, parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André. Fora o Cantareira, o sistema de abastecimento de água no estado conta com os sistemas Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço – veja mais aqui.
    6 dez. 2021

    Chuvas poucas em São Paulo. Grande São Paulo sob risco em 2022?

    Com chuva abaixo da média histórica para o mês de novembro, o sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, começa dezembro ainda em estado de restrição. A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) nega risco de desabastecimento.
    O Cantareira também está com a capacidade abaixo do ideal, de 40%. Os dados da Sabesp no dia 6/12 mostravam que o reservatório está com 25,8% de sua capacidade. O normal é um nível igual ou maior que 60%.
    O Cantareira é o maior reservatório da rede paulista e abastece cerca de 7,5 milhões de pessoas todos os dias — 46% da população da Grande São Paulo —, segundo a Ana (Agência Nacional de Águas), o órgão que regula o setor. O sistema leva água para as zonas Norte e Central e parte das zonas Leste e Oeste da capital, além das cidades de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul.
    O reservatório engloba, também, parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.
    Fora o Cantareira, o sistema de abastecimento de água no estado conta com os sistemas Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço.
    (Fonte de informações UOL)
    2 dez. 2021
    “A falta de chuvas que afetou o campo do segundo semestre de 2020 até o início desta Primavera derrubou o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária brasileira no terceiro trimestre. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda em relação ao segundo trimestre foi de 8%, e na comparação com o terceiro trimestre do ano hove uma retração de 9%.” (Valor)
    29 nov. 2021

    Integração Sul Americana de Fontes Renováveis de Energia Elétrica

    Para o lançamento da investigação desenvolvida pelo Instituto ClimaInfo para apoiar a defesa política no campo das fontes renováveis de energia na América do Sul e contemplar as potencialidades de uma rede integrada de energias renováveis e as oportunidades de integração entre Brasil, Argentina e Chile, será realizado o webinar Integração Sul Americana de Fontes Renováveis de Energia Elétrica. “A geração de eletricidade na América do Sul emite menos gases de efeito estufa do que a média mundial”, explica Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo. “Assim, a visão de uma rede integrada de renováveis pode ser o suficiente para esses países dispensarem a geração a combustíveis fósseis”, afirma Shigueo que coordenou o projeto e será mediador do webinar que contará com Dr. Victorio Oxilia (IEA/USP), Thauan Santos (PPGEM/EGN) e Rodolfo Gomes (IEI Brasil). Para mais informações clique aqui.
    Amanhã, dia 30/11 (terça-feira), às 11 horas, no canal de YouTube do Climainfo.
    29 nov. 2021

    Rio Paraguai lentamente recupera seus níveis após as chuvas

    A Dirección de Meterologia e Hidrologia (DMH) do Paraguai publicou cálculo do nível do rio Paraguai nos últimos 60 dias e mostra que, em Ladário (Mato Grosso do Sul), cidade situada no Pantanal, a 5Km de Corumbá, o nível do rio começa a subir a partir do dia 19 de outubro, ganhando considerável ascendência a partir do dia 14 de novembro.

    A tabela abaixo mostra que está havendo uma variação diária de 2 centímetros para cima do nível do rio.

    26 nov. 2021

    Para Abeeólica, Brasil precisa melhorar gestão de seu sistema elétrico (Via GT Infra)

    “Precisamos enxergar as hidrelétricas com os demais recursos que elas oferecem para o sistema, que não são somente a energia elétrica. Precisamos mudar a forma de operar o sistema, é o que trará a mudança para o próprio planejamento do sistema, para que se possa aproveitar melhor os recursos”, afirmou a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, em evento online promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta-feira (24/11). O Valor repercutiu a fala.
    25 nov. 2021

    Climainfo – A crise hídrica pode custar R$ 140 bilhões ao consumidor

    “O setor se diversificou barbaramente, com novos players tomando decisões, e só o consumidor, quem paga a conta, é que não participa delas”. A frase é de Luiz Barata, ex-diretor do Operador Nacional do Sistema (ONS), ao comentar para o Valor uma estimativa feita pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Na conta entraram empréstimos às distribuidoras, a contratação de mais energia de termelétricas fósseis e pouco menos de R$ 80 bilhões para construir os gasodutos e as térmicas que entraram no pacote da privatização da Eletrobras.
    O Canal Energia explicou as novas regras da ANEEL para manter as distribuidoras equilibradas.
    O pacote da privatização diz que essas térmicas serão inflexíveis, o que significa que operam sempre, quer faça sol, quer faça vento. Assim, a pesquisa estima que elas emitirão cerca de 20 milhões tCO2e por ano, aumentando em quase 40% as emissões de um setor elétrico que tem se esforçado para perder a antiga aura de limpeza e renovabilidade. O Canal Energia também falou destas emissões.
    Barata também defende um investimento maior em eficiência energética pois não existe energia mais barata do que aquela que não precisa ser gerada. O Canal Energia entrou em mais detalhes sobre a baixa eficiência no uso da eletricidade no Brasil.
    Por seu lado, Elbia Gannoum, da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), defende uma mudança estrutural no setor elétrico. Desde dos anos 70, o sistema elétrico enxerga as hidrelétricas como fonte de energia mais barata e as térmicas como complementação para estiagens localizadas. No Valor, ela defende que as hidrelétricas sejam operadas em função do uso múltiplo da água e que a capacidade de reservação existente seja usada como se fosse uma bateria, deixando o grosso da geração para as eólicas e fotovoltaicas.
    25 nov. 2021
    R$ 150 o MWh X R$ 2.000 o MWh.
    Assim é a equação das chuvas em menor quantidade.
    Técnicos da Agência Nacional de Energia Elétrica defendem um aumento de 21% na conta de energia em 2022, tendo como base o cenário para o déficit de R$15 bilhões do setor elétrico até o final do primeiro semestre em 2022.
    O déficit tem por base as de chuvas abaixo das médias, levando ao quadro de reservatórios das hidrelétricas com pouca água. Este fator fez com que o governo importasse energia da Argentina e Uruguai e a acionar as termelétricas – mais de R$ 2.000 o MWh (megawagtt-hora). As distribuidoras arcaram com a compra dessa energia para suprir a demanda antes atendida pelas hidrelétricas, que geram por cerca de R$ 150 o MWh.
    23 nov. 2021

    Falta chuva, sobem os preços

    – Laranja, tomate e batata em alta.
    Em São Paulo (SP) a laranja subiu na Central de Abastecimento (Ceagesp) 11,83%. A causa principal indicada foi a redução das colheitas devido à escassez de chuvas. Nos preços ao consumidor deve-se contabilizar estratosférico aumento no preço dos combustíveis afetando a rede de distribuição. O tomate e a batata também aumentaram de preço devido ás condições climáticas em grande parte do país.
    23 nov. 2021

    Confederação Nacional da Indústria apresenta danos econômicos da falta de água

    – A perda seria de R$ 14,2 bi no PIB 2022.
    – Empregos perdidos será de 290.000 postos.
    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou estudo apontando que a alta no preço da energia provocará perdas aproximadas de R$ 14,2 bilhões (base 2020) no Produto Interno Bruto (PIB) em 2022. Tal conclusão vem em comparação com o cenário sem a crise energética no País. O efeito será uma queda de -0,19%. O projetado para 2021 é uma “quebra” de R$ 8,2 bilhões.
    O estudo estima que serão perdidos em 2022 cerca de 290 mil empregos, em relação à quantidade de pessoas ocupadas entre abril e junho de 2021. As famílias terão sua capacidade de consumo diminuída em R$12,1 bilhões – a preços de 2020.
    22 nov. 2021
    O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulga previsão de chuvas para os próximo seis meses; trabalho fundamental para analisar de sequência da crise hídrica em 2022.
    – Primeira análise indica que crise pode ter sequência, pois grandes hidrelétricas estão na bacia do rio Paraná e Inmet não aponta chuvas acima da média na região.
    Foram apresentadas as projeções climáticas entre novembro e abril. As estimativas serão atualizadas mensalmente e seguirão uma média móvel semestral. No próximo mês, serão divulgadas as previsões entre dezembro e maio. Em janeiro, as estimativas irão até junho.
    Seguir as previsões para regiões que abarcam a bacia do rio Paraná, onde estão 54 grandes hidrelétricas:
    – Em dezembro, a previsão indica que as chuvas deverão ficar próximas ou ligeiramente acima da média.
    – Em janeiro, o Inmet prevê chuvas abaixo da média em Goiás, em Minas Gerais, no Distrito Federal e no centro do Mato Grosso do Sul.
    – Chuvas ligeiramente acima da média no estado de São Paulo
    – Para fevereiro chuvas irregulares em praticamente toda a faixa central do País.
    – Em março e abril deve chover menos que o esperado no Mato Grosso do Sul e no sul do Mato Grosso. Há tendência de chuva maior que o normal no sul de Minas Gerais e norte de São Paulo, onde se concentram reservatórios importantes para o setor elétrico.
    Fonte: Agencia Brasil; MoneyTimes e Inmet
    19 nov. 2021

    O tamanho do prejuízo da escassez de chuvas no PIB brasileiro (Climainfo)

    Uma análise do IBRE/FGV estimou o impacto da sequência de temporadas chuvosas abaixo da média histórica na última década sobre o PIB do Brasil. De acordo com as projeções, se o país tivesse experimentado entre 2012 e 2021 chuvas dentro da média histórica dos últimos 40 anos, a economia poderia ter tido um desempenho significativamente melhor, com o PIB médio anual na casa dos 2%, percentual cinco vezes maior do que o 0,4% efetivamente registrado no período.
    “O Brasil depende muito da água como insumo produtivo, muito mais do que outras economias”, explicou Bráulio Borges, responsável pelo estudo, à CNN Brasil. “Nos últimos dez anos, 70% da energia fornecida veio das hidrelétricas. O setor agropecuário também tem impacto muito grande na economia brasileira. E ambos dependem de recurso hídrico”.
    Enquanto isso, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, suspirou com alívio ao comentar sobre a chegada das chuvas ao Centro-Sul do Brasil neste final de ano. Em entrevista ao Estadão, Ciocchi afastou a possibilidade de racionamento de energia e disse que, com os reservatórios deixando a trajetória de queda dos últimos meses, o ONS será mais seletivo no acionamento de usinas termelétricas. Por outro lado, ele confirmou que a tarifa elétrica vai continuar salgada para os consumidores brasileiros, pelo menos até abril. Poder360 e UOL também destacaram o alívio de Ciocchi com a volta das chuvas.
    E com a conta de luz ainda bem cara, o mercado de aquecedores solares seguirá bombando no Brasil no próximo ano. De acordo com estimativas da ABRASOL, citadas pelo Valor, o setor espera por um crescimento de mais de 30% no ano que vem, impulsionado pela procura crescente por consumidores preocupados com os custos da tarifa elétrica. Só nos primeiros oito meses de 2021, as vendas desse equipamento cresceram 28% no país.
    18 nov. 2021

    Falta de água para operação da hidrovia Tietê Paraná provoca o de sempre: explosão de rochas.

    A Hidrovia transporta grãos dos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais e disputa água com a geração de energia pelas represas existentes no rio Tietê.

    hidrovia

    No caso da Tietê Paraná tratam de derrocar o “pedral” de Nova Avanhandava, em Buritama (SP), para se ter profundidade para continuar navegando. Até agora não se ouviu falar em um programa consistente de recuperação de microbacias do rio Tietê e seus afluentes para garantir a retenção de sedimentos e o abastecimento dos lençóis que abastecerão os rios ao longo do ano, mesmo nos períodos com menor quantidade de chuvas.

    Iniciativas do tipo também são propostas para o rio Paraguai, na tentativa de viabilizar a Hidrovia Paraná Paraguai no seu trecho no Pantanal.

    Com a diminuição das águas do rio no Paraguai o governo tem proposto a retirada de rochas. O ex-ministro de Meio Ambiente do país, Oscar Rivas condena tal proposta por impactos sobre as áreas úmidas. A Hidrovia percorre 3.442 quilômetros dos rios Paraguai e Paraná.

    16 nov. 2021

    Prioridade é gerar energia

    – Em 2014 e 2015 a Hidrovia também esteve paralisada por falta de água.

    Dos 1500 trabalhadores da hidrovia Tietê-Paraná mais de 400 pessoas foram demitidas em 2021 devido a falta de água para a navegação. É o que informa Luiz Rizzo Rocha do Sindasp (Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo) em matéria do UOL. “Vai depender muito do nível do rio, se vai subir ou não. Se não houver perspectiva de volta das operações em janeiro e fevereiro, certamente as empresas vão demitir todo mundo”

    A hidrovia transporta grãos dos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais e disputa água com a geração de energia pelas represas existentes no rio Tietê.  Caso não venham chuvas em abundância no próximo verão pode se repetir 2014/15, quando a hidrovia ficou paralisada durante dois anos.

    6 nov. 2021
    O engenheiro ambiental Michael Becker da equipe de implementação do CEPF (Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos, sigla em inglês), afirma que o problema da falta de chuvas e redução de vazão de rios em todo o país passou a ser acompanhado mais de perto pelo Monitor das Secas, da ANA (Agência Nacional de Águas), o que demonstra claramente a situação preocupante a que se chegou. Áreas que antes não tinham necessidade de serem monitoradas agora passam por observação constante. Como a Ecoa tem mostrado, é a configuração de uma crise construída pela devastação ambiental somada a mudanças climáticas.
    Becker defende que defende a realização de ações de recuperação e de manutenção de nascentes e áreas de preservação ambiental para que seja possível a continuidade da produção agrícola.
    O fundo CEPF apoiou a Ecoa na reconstituição de nascentes e na recomposição florestal em áreas de Cerrado. Veja matéria sobre isso aqui.
    As declarações de Becker estão em matéria do UOL sobre redução na produção agrícola em áreas onde normalmente se tem duas safras, mas que com a crise hídrica não ocorreu.
    6 nov. 2021

    Estudo de Alcides Faria

    Quais são os processos causadores da crise hídrica que vem assolando a bacia hidrográfica do rio Paraná, região mais rica do Brasil, Argentina e Paraguai?
    O estudo “Crise hídrica. Mudanças climáticas, devastação ambiental, ineficiência energética, desperdício – muito além da ´falta´ de chuvas”, que reúne e revisa escritos do biólogo e diretor executivo da Ecoa, Alcides Faria, ao longo de 2021, responde a essa pergunta com o objetivo de mostrar que a menor quantidade de chuvas, nos últimos anos, conduziu a uma condição de crise aguda em decorrência de diversos processos fundados na percepção equivocada de que o Brasil é um “gigante pela própria natureza”, como diz o hino nacional, como se a natureza fosse um recurso interminável.
    Será que, no futuro, questões como mudanças climáticas, eficiência energética, desperdício, atraso tecnológico, degradação ambiental e expansão de energias renováveis serão pautadas pelas políticas públicas nacionais? É o que pergunta o autor, movendo-nos não apenas para uma reflexão crítica, mas também para a ação política.
    O estudo está subdividido em oito capítulos: 1. A caminho do colapso; 2. Escrito nas árvores – os anéis contam a história climática; 3. O centro da crise: a bacia do rio Paraná e o excesso de represas; 4. Hidrelétricas velhas; 5. O desmatamento das florestas e do cerrado na bacia do rio Paraná; 6. A degradação dos solos; 7. Perdas de água tratada contribui para a crise hídrica duplamente; 8. Indeficiência energética, perdas e desperdício.
    Baixe o documento aqui.
    5 nov. 2021

    A falta de planejamento na base dos problemas, é o que mostra texto de Amalia Safatle no Valor (5/11)

    A seguir uma parte do texto.
    Durante um debate sobre os impactos da crise, realizado pela Fecomercio em outubro, o físico José Goldemberg afirmou que as térmicas custam cinco a dez vezes mais que as hidrelétricas e que, se o governo tivesse lançado leilões de renováveis a tempo, os reservatórios não teriam chegado a outubro com 17% da capacidade nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Para Kishinami, [Coordenador sênior do Instituto Clima e Sociedade] a atitude mais econômica teria sido a contratação maciça de eólicas e solares nos últimos anos, reforçando a transmissão do Nordeste para o Sudeste. “O país ainda terá de fazer isso”, diz.
    5 nov. 2021

    Os dados da Marinha para o rio Paraguai, indicativo da dinâmica das águas no Pantanal, mostram uma recuperação muito pequena apesar das chuvas dos últimos dias. A esperança é que este quadro mude nos próximos meses.
    4 nov. 2021

    Produto Interno Bruto perde 8,2 bilhões com a falta de água.

    Publicação do site Metropoles: “O aumento no preço da energia elétrica resultará em uma queda de R$ 8,2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, neste ano, em comparação com o que ocorreria sem a crise hídrica. Para 2022, a previsão é de perda de R$ 14,2 bilhões. A informação é apontada pelo estudo “Impacto econômico do aumento no preço da energia elétrica”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI)”
    4 nov. 2021

    Crise da água, a economia e a sociedade.

    Os reservatórios das hidrelétricas da bacia do rio Paraná estão hoje praticamente nos níveis de 2015, outro momento agudo da crise hídrica brasileira. Este fato impacta fortemente a economia, a começar pelo aumento na conta de energia, o que eleva o (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a inflação. O Banco Central aumentou os juros para controlar a inflação e uma das causas está na crise hídrica. Aos problemas econômicos acompanham os problemas sociais ao diminuir a capacidade de consumo das famílias já impactadas pela crise econômica e em muitos municípios sofrendo com racionamento de água.

    3 nov. 2021

    Chuvas abasteceram reservatórios a contento?

    O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o nível dos reservatórios de regiões consideradas a “caixa d’água do setor elétrico brasileiro”, fechou outubro em 18,2%, 1,5 ponto percentual acima do registrado no fim de setembro, informa a Folha de São Paulo.
    O alerta deve continuar, pois recuperação dos reservatórios é esperado para esse período de inicio do período chuvoso, mas a grande questão é se essa recuperação, se as chuvas virão em volume suficiente para abastecer os reservatórios na bacia do rio Paraná, onde estão 54 grandes represas, para atravessar o período mais seco de 2022. – desde de 2019 isso não tem ocorrido a contento.
    A afluência em Ilha Solteira, a primeira das represas do rio Paraná, não se alterou nos últimos 3 dias. O reservatório segue com 0% de volume útil. Também Itaipu, a última represa no rio Paraná em território brasileiro não teve sua afluência alterada significativamente. Itaipu verteu água sem gerar energia no dia 23 de outubro devido a uma tempestade na região Oeste do Paraná, a qual provocou o desligamento de linhas de transmissão de 750 quilovolts que conectam a usina ao Sistema Interligado Nacional (SIN)– foram 466 metros cúbicos/segundo sem geração.
    Já o reservatório de Manso, a maior represa da bacia do rio Paraguai, teve um aumento significativo da afluência a partir de 13/10, com pico de 166 m3/segundo no dia 15/10, mas nos últimos dias a chegada de água foi reduzida para 47,5 m3/segundo.
    3 nov. 2021

    Um outro tipo de crise da água: a contaminação mortal por chumbo nos Estados Unidos

    Autoridades emitiram declaração de emergência para pedir aos moradores de Benton Harbor, cidade a poucas horas de Chicago, nos Estados Unidos, que não consumam água da torneira, seja para cozinhar, lavar alimentos ou escovar os dentes.
    Segundo dados divulgados, em 2018, a contaminação das águas com chumbo era de 22 ppb (partes por bilhão), enquanto que, entre janeiro e junho de 2021, subiu para 24 ppb. O limite considerado saudável nos EUA é de 15 ppb, mas o nível de contaminação deveria ser zero. Em várias casas foram encontrados registros variando de 400 a 889 ppb!
    1 nov. 2021

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    29 out. 2021

    COBEE discute consequências da crise hídrica e aumento do custo de energia elétrica no Brasil

    Fonte: Focus.jor – 26.10.2021
    São Paulo – Entre 16 e 19 de novembro a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) promove a 18ª edição do Congresso Brasileiro de Eficiência Energética – COBEE 2021 – “A Eficiência Energética e a Economia Verde”.
    O evento será 100% digital e gratuito, o que permite democratizar os debates que compõem a programação.
    “Teremos palestras voltadas à discussão dos principais pontos de interesse e as políticas públicas que irão impactar o mercado de energia elétrica, tais como: a crise hídrica que assola o Brasil, novas tecnologias e soluções inovadoras focadas em eficiência energética, leilões de capacidade, inteligência artificial (AI), Big Data e indústria de energia”, afirma Frederico Araújo, presidente da Abesco.
    Além da oportunidade de trocar experiências, o público presente poderá obter certificado de participação e utilizá-lo na renovação de documentações da área, como o CMVP (Certified Measurement & Verification Professional).
    A programação e o link de inscrição do 18º COBEE estão disponíveis no site: https://www.cobee.com.br/
    28 out. 2021

    Apesar das chuvas, rio Paraguai não sofreu grandes alterações em seus níveis a partir de Ladario (MS) segundo la Dirección de Meteorologia do Paraguai. No quadro a medição de Isla Margarita é final no Pantanal. Humaitá está já no encontro com o rio Paraná.
    28 out. 2021

    Climainfo – Conta de luz sobe mais de 25% em 2021 e é maior responsável pela inflação passar de 8%

    O IBGE divulgou a prévia da inflação medida pelo IPCA-15, do IBGE, com o aumento geral chegando a 1,2% em outubro. Com isso, o acumulado no ano está em 8,3% e já passou de 10% nos últimos 12 meses. O Valor ouviu várias consultorias que esperavam que outubro não registrasse mais do que 1%. O item que mais subiu foi a conta de luz (quase 4% em outubro), que contribuiu com 0,19 pontos com a inflação do mês. Assim, a luz aumentou quase 25% em 2021. A CNN e o Valor comentaram.
    Mesmo que chova acima da média histórica, o leilão de emergência realizado na 2ª feira garantiu que a conta de luz seguirá alta por um bom tempo: quase toda a energia contratada (96% dos 1.221 MW) virão de térmicas fósseis. A surpresa negativa foi o preço médio do MWh de R$1.564 que, segundo o IEMA, foi mais de sete vezes maior do que os R$211 do leilão A-6 de 2019. O leilão contratou energia de maio do ano que vem até dezembro de 2025, assegurando o preço alto. O que garante que a conta seguirá alta é que 8 das 14 usinas contratadas rodarão na base, isto é, o tempo todo, independente do nível dos reservatórios. Isso só faria sentido se a bola de cristal do ministro previsse pouca chuva nos próximos anos, apesar de ela não tê-lo avisado da crise hídrica deste ano. Como lembra o IEMA, além do impacto no bolso, essas térmicas contribuirão para o aquecimento global e fornecerão muitos poluentes para os pulmões de quem vive nas suas proximidades.
    Além de frear o esvaziamento dos reservatórios, as chuvas que caem no Sudeste vieram acompanhadas de temperaturas baixas. Segundo o Valor, com aparelhos de ar condicionado funcionando menos, o consumo de eletricidade nas 2 primeiras semanas de outubro foi quase 8% menor do que no mesmo período de 2020, quando houve uma forte onda de calor.
    Para evitar mais crises hídricas seria preciso, dentre outras, zelar pelos mananciais. Um alerta importante é dado em um artigo publicado n’((0)) eco, sobre o impacto da ocupação desordenada em áreas ao redor de São Paulo, que nominalmente, seriam protegidas. O olhar dos especialistas se aplica às outras regiões metropolitanas do país.
    A crise hídrica se estende por toda a bacia do Paraná, impactando nossos vizinhos ao sul. Agora foi o Wall Street Journal que publicou um artigo relatando o impacto sobre o escoamento da safra de grãos e a geração elétrica. O desmatamento da Amazônia é tido como uma das possíveis causas da seca.
    26 out. 2021

    Enviado

    Governo faz leilão para contratar energia – diferença brutal entre térmicas a gas, solar e biomassa.
    – Térmicas a gás R$ 1.619 por MWh.
    – Solar e biomassa preço médio de R$ 343,22 por MWh.
    O leilão emergencial para contratar energia de reserva terminou com a negociação de 775,8 megawatts (MW) médios e 1,22 gigawatts (GW) de potência. Foram contratados 17 projetos: 14 usinas térmicas a gás natural, uma biomassa e duas solares. “As usinas térmicas a gás natural, contratadas no modelo de disponibilidade, tiveram preço de venda médio final de R$ 1.599,57 por megawatt-hora (MWh), ……….. Já os projetos solares e a biomassa tiveram preço de venda médio de R$ 343,22 por MWh, abaixo do preço inicial de R$ 347 por MWh……Os contratos fechados no leilão preveem suprimento entre 1 de maio de 2022 e 31 de dezembro de 2025.” No Valor
    26 out. 2021
    O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou em caráter extraordinário a importação adicional de energia da Argentina. A decisão foi tomada em reunião realizada na noite de ontem e tornada pública neste sábado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), informou o UOL no dia 23 de outubro de 2021.
    25 out. 2021

    Mais poeira no ar

    No domingo (24), a cidade de Rondonópolis, no sul de Mato Grosso, teve o céu tomado pela poeira. O município é um grande produtor de grãos e suas águas drenam para o Pantanal. As razões principais desse tipo de vento são as pastagens degradas, o desmatamento e o solo descoberto para o plantio de grãos – logicamente que a seca prolongada está na base de todo o processo.
    Anteriormente varias outras regiões de São Paulo e Mato Grosso do Sul sofreram com a poeira e as cinzas das queimadas, como foi o caso do Pantanal em MS.

    tempestade de poeira em campo grande
    Tempestade de poeira em Campo Grande (MS). Foto: Alcides Faria.

    22 out. 2021

    Baixo nível do rio Paraguai enche BR-262, estrada que atravessa o Pantanal a partir de Corumbá, MS

    O rio Paraguai está hoje em Ladário (MS) com  0,51 centímetros negativos, quando o esperado para esta época do ano seria de aproximadamente 2,57 metros. Em Ladário, situada ao lado de Corumbá, está uma régua de referência para identificar a situação do rio Paraguai.

    O site Diário Corumbaense informa que o número de caminhões que atravessa diariamente o posto de fronteira da Receita Federal, entre Brasil e Bolívia, cresceu muito devido a impossibilidade de funcionamento da Hidrovia Paraná Paraguai (HPP) devido ao baixo nível do rio. A HPP é uma via exportadora e importadora de produtos da Bolivia, dentre eles grãos, fertilizantes e combustíveis. Cerca de 40 caminhões entravam por dia carregados no Brasil, hoje, são mais de 100. Estima-se que “entre veículos carregados e descarregados, nos dois sentidos, a média é de 800 caminhões”, informa o Diário.

    Grande parte da BR-262 na área úmida do Pantanal é construída sobre aterros. Certamente o trafego intensificado de caminhões carregados agravará os problemas de manutenção da via no trecho pantaneiro.

    21 out. 2021

    Imagem com os níveis do reservatório da represa de Manso entre 2020 e 2021. As águas da represa se juntam às do rio Cuiabá e drenam para o Pantanal. Fonte: Eletrobrás/Furnas

    21 out. 2021
    O militar-ministro Bento Ribeiro, da pasta de Minas e Energia, afirma que é impossível atender a ordem do presidente e remover a bandeira de Escassez Hídrica das contas de energia. As térmicas seguirão até abril, e as bandeiras seguirão sendo indispensáveis para cobrir a conta extra. “Não é possível antecipar o fim, porque nós temos que fazer o monitoramento do acompanhamento do setor, a bandeira tarifária representa o custo da geração de energia”.
    20 out. 2021

    Rio Paraná na Argentina com mais água, mas normalidade ainda distante

    O site Era Verde, da Argentina, informa que o rio Paraná no continua a crescer há cerca de 15 dias em diferentes portos da província de Entre Ríos, mas ainda está longe de sua normalidade. O Instituto Nacional de Águas (INA) alertou que a perspectiva “não nos permite esperar um rápido retorno à normalidade pelo menos até fevereiro de 2022”.
    O baixo nível atual tem afetado consideravelmente a vida ambiental, econômica, produtiva e social das cidades ribeirinhas de Entre Ríos. O INA prevê que nas próximas semanas o rio “continuará a subir sem recuperar sensivelmente” e que a “tendência climática até 31 de dezembro, “não nos permite esperar uma melhoria sustentada das chuvas”.
    Com base no Era Verde e tradução livre do espanhol
    20 out. 2021

    Climainfo

    O avanço do desmatamento na região do Xingu pode prejudicar um dos maiores polos de produção agrícola do país, que sofrerá com um clima mais quente e seco. Essa é a conclusão de um estudo feito por pesquisadores do Climate Policy Initiative (CPI) e da PUC-RJ, que analisou os efeitos da redução da área florestal no Xingu no estado do Mato Grosso.

    De acordo com a análise, a perda de floresta pode reduzir em 7% a média anual de chuvas em MT, especialmente no centro e no noroeste do estado. Na época seca, a redução do nível de chuvas pode chegar a 15%. Daniela Chiaretti deu mais detalhes no Valor.

    Os autores fizeram uma modelagem para analisar a relação entre o desmatamento e a incidência de chuvas a partir da umidade e das correntes de ar na região. A pesquisa mostrou que a perda de floresta no Xingu compromete os ciclos de chuva no Mato Grosso, especialmente no inverno, quando o tempo fica mais seco. Com as temporadas secas mais prolongadas, a produção agrícola mato-grossense pode ser impactada, inviabilizando até mesmo a segunda safra em algumas regiões do estado.

    Em tempo: Na Câmara dos Deputados, a disposição da bancada ruralista é de enfraquecer ainda mais o projeto de lei que modifica o Código Florestal e permite aos municípios definirem as regras e os limites para ocupação e preservação de margens de rios e corpos d’água em área urbana. Segundo O Globo, o relator do projeto na Câmara, deputado Darci de Matos (SC), quer derrubar as mudanças feitas pelo Senado na proposta, em especial o limite mínimo de 15 metros para proteção das margens. “O meu substitutivo dá total liberdade para o município legislar”, defendeu Matos, sem abordar as críticas feitas por ambientalistas sobre os riscos dessa proposta para a conservação dessas Áreas de Proteção Permanente nas cidades.

    19 out. 2021

    Crise Hídrica se agravará com chegada do La Ninã?

    A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) dos Estados Unidos informou que o La Niña, um fenômeno climático chegou novamente e será sentido por vários meses. Segundo a NOAA, após um período de relativo equilíbrio atmosférico desde o início do ano, se intensificará nas próximas semanas e não começará a enfraquecer até a primavera de 2022, o que pode impactar nas chuvas, no final da temporada furacões e a intensidade do inverno boreal que se aproxima.
    “As condições do La Niña se desenvolveram e devem continuar com 87% de probabilidade entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022”.
    Com informações de diferentes publicações, dentre elas BBC em espanhol
    19 out. 2021
    Em plena crise hídrica, quando os fatos mostram que os rios precisam demais proteção, o Congresso promove um desastre reduzindo a proteção dos rios em áreas urbanas.
    Quase 10 anos de aprovação do novo Código Florestal os congressistas estão em vias de aprovar sua flexibilização para as áreas urbanas, com normas menos exigentes.
    Atualmente a faixa de proteção varia de 30 a 500 metros de largura, dependendo do leito do rio. A nova lei passa para os municípios a possibilidade estabelecer as áreas de proteção, devendo respeitar uma faixa mínima de 15 metros e alguns critérios básicos, dentre eles o risco de desastres e a adequação a planos de recursos hídricos ou de saneamento básico.
    19 out. 2021

    Em meio à crise hídrica, agricultores ganham dinheiro produzindo água (G1)

    Falta de chuva, rios mais fracos, reservatórios em baixa…em meio à crise hídrica, tem agricultor ganhando dinheiro produzindo água a partir da preservação do meio ambiente. É o chamado pagamento por serviços ambientais.

    Uma das iniciativas pioneiras é tocada pelo município de Extrema, no estado de Minas Gerais, em um projeto chamado Conservador das Águas. Ele recebe este nome porque a recobertura vegetal é capaz de recuperar o potencial hídrico dos terrenos.

    Em 2008, o Globo Rural chegou a acompanhar este projeto (reveja ao fim do texto) e, na ocasião, visitou a fazenda do Sebastião Fróes, o primeiro proprietário rural a receber dinheiro da iniciativa, após ter aceitado destinar pasto degradado para a reconstituição da floresta.

    Quatorze anos depois, só se vê copa de árvore onde o capim dominava a cena. E a área restaurada até alcançou a mata nativa que já existia no alto da encosta.

    “Nós temos um manancial produzindo algo em torno de 1 litro por segundo em um momento onde nós estamos atravessando uma das piores crises hídricas dos últimos 90 anos da região Sudeste”, conta o biólogo Paulo Henrique Pereira, idealizador do projeto.

    Preservação na Serra da Mantiqueira

    O projeto abrange uma área de 20 mil hectares em cerca de 300 sítios e fazendas de Extrema. E já correu o mundo, sendo notícia na Alemanha, Espanha, além de ter ganhado prêmios, como um da Organização das Nações Unidas (ONU).

    A ideia do biólogo Pereira se expandiu para outras regiões e o que era originalmente política pública só em Extrema, virou o Conservador da Mantiqueira, com o propósito de cobrir toda a Serra da região.

    Com o patrocínio de Organizações não Governamentais (ONGs) e órgãos técnicos de governo, foram criados 28 núcleos de atuação, envolvendo 280 municípios.

    Os valores e a frequência dos pagamentos variam em cada município. Mas, na média, os agricultores têm recebido R$ 250 por hectare, por ano.

    Pensando só na Serra, a dimensão do projeto é grande. A Mantiqueira tem cerca de 500 quilômetros vertendo água para a formação de 5 importantes bacias hidrográficas: as dos rios Grande, Paraíba do Sul, Tietê, Piracicaba e Mogi/Pardo.

    Risco de falta de água diminuiu em SC

    Em Santa Catarina, uma outra iniciativa tem diminuído o risco de falta de água nos municípios de Balneário Camboriú e Camboriú.

    Inspirada pelo projeto em Extrema, a administradora Kelli Dacol incentivou o pagamento por serviços ambientais nas duas cidades, em um programa que coordenou por 10 anos.

    E ela conseguiu dar um passo à frente, ao incluir o pagamento por serviços ambientais na tarifa que o consumidor paga.

    O risco de escassez de água começou a diminuir quando proprietários no entorno das nascentes toparam entrar no projeto demarcando e, em vários casos, reconstituindo áreas com investimento patrocinado.

    Douglas Rocha, que é diretor-geral da Empresa de Água e Saneamento de Balneário Camboriú (Emasa), explica que as áreas recuperadas agora absorvem mais água suprindo bem os 200 mil moradores das duas cidades.

    Água para todos

    Pertinho da capital federal, fica um conjunto de nascentes conhecido como Águas Emendadas. Uma dessas veredas forma o córrego do Pipiripau, que abastece 200 mil moradores e 86 propriedades rurais no entorno de Brasília.

    É o primeiro a fazer parte do projeto de pagamento por serviços ambientais no Brasil Central. O rio quase chegava a secar, mas, com o projeto, a situação mudou e hoje tem água para todos o ano inteiro.

    Em 2017, a propriedade da Dona Marta e Nascimento entraram no programa de restauração da Adasa, a empresa responsável pelos serviços de água e esgoto do Distrito Federal.

    Com o cercamento das minas d’água e o plantio de 2.500 mil árvores, o que antes era pasto degradado já mostra recuperação. Como pagamento pelo serviço ambiental prestado, os dois produtores receberam, em 5 anos, R$ 15 mil reais do programa.

    O dinheiro vem recursos públicos e de ONGs.

    “O projeto produtor de água é um achado, é um ganha-ganha. Ganha o produtor, porque ele pode melhorar a propriedade dele. E ganha a sociedade que vai ter água de melhor qualidade”, diz Devanir Ribeiro, o coordenador do programa em Brasília.

    18 out. 2021

    Climainfo – É isto um Governo?

    O ministro de minas e energia, Bento Albuquerque, desconfiando que o presidente, de fato, não fale com São Pedro, convidou uma médium que, ao incorporar o Cacique Cobra Coral, diz poder fazer chover e afastar a grave crise hídrica-elétrica que atinge o Sudeste. Metrópoles, Veja e o Último Segundo baixaram a mensagem.
    O presidente, por sua vez, agradeceu a Deus pelas chuvas dos últimos dias e prometeu encerrar a bandeira “escassez hídrica” em novembro. A notícia saiu no Valor. Carlos Sardenberg, n’O Globo, apontou os seis erros na fala de Bolsonaro, desde se atrapalhar com as bandeiras, errar ao atribuir responsabilidades, até achar que o (pouco) que choveu até agora mudou o quadro. Sardenberg deu o título de “Fora da Realidade” ao seu artigo.
    O primeiro efeito dessa promessa, segundo a Folha, foi fazer despencar o valor das ações das elétricas na Bolsa, como o da Eletrobras, AES Brasil, Cemig, Energisa, Equatorial e Light.
    O segundo efeito foi o comitê de crise do próprio governo avisar que as medidas tomadas até agora continuam sendo necessárias para se evitar o racionamento. Entre as medidas, a tal bandeira da escassez que continuará valendo. O aviso saiu na Agência Brasil, Congresso em Foco, Valor, Carta Capital, Veja, Folha e no Metrópoles.
    Segundo O Globo, a consultoria PSR estimou que a promessa do presidente de voltar à bandeira normal poderia triplicar os reajustes das tarifas no ano que vem. Sem cravar valores, a consultoria MegaWhat, ouvida pelo Valor, também entende que mexer nas bandeiras agora levaria a reajustes substanciais em 2022. Mesmo as bandeiras como estão não estão cobrindo a conta de acionar todas as térmicas. Até agosto, segundo o g1, o déficit acumulado passou de R$8 bilhões.
    As chuvas que vêm caindo ajudam, mas estão longe de representar um alívio. Segundo o Estadão, Luiz Ciocchi, diretor do ONS, disse que “é muito cedo para se ter a real percepção da estação chuvosa”. Na 6ª feira, o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste marcava apenas 16,8% da capacidade total. Foi, segundo o UOL, o valor mais baixo dos registros para esta época do ano. Ontem, o site do ONS indicava que o nível havia subido para 17%.
    Em tempo: O título desta nota parafraseia “É isto um homem?”, livro de Primo Levi sobre Auschwitz.
    14 out. 2021

    Crise acabou?

    O presidente da República anunciou o fim da crise hídrica logo após as primeiras chuvas de outubro, mas as águas que chegaram até agora não trazem garantia de fim da crise de que os reservatórios das hidrelétricas terão água suficiente para que se desliguem as usinas a gás, fonte muito mais cara e que fizeram subir o preço da energia. Outra questão importante: se as chuvas dos próximos meses não recuperarem os volumes das águas dos reservatórios das hidrelétricas, teremos novamente crise em 2022 com os reflexos conhecidos.
    14 out. 2021

    Brasil Solar

    O Brasil chegou a 10 gigawatts de capacidade instalada em energia solar, o que equivale a 70% da capacidade da represa de Itaipu e suas 20 turbinas.
    Recentemente, a energia solar ultrapassou a potência instalada de termelétricas movidas a petróleo e outros fósseis, que representam 9,1 GW da matriz elétrica brasileira.
    As conexões solares:
    – Mais de 767 mil conexões em residências – capacidade instalada de 2,8 GW
    – Comerciais têm capacidade instalada de 2,5 GW.
    – Meio rural 971 MW;
    – Indústria 582 MW de capacidade instalada.
    O Brasil no mundo.
    1. China: 253,8 MW
    2. EUA: 73,8 MW
    3. Japão: 68,6 MW
    4. Alemanha: 53,7 MW
    5. Índia: 38,9 MW
    6. Itália: 21,5 MW
    7. Austrália: 17,3 MW
    8. Vietnã: 16,5 MW
    9. Coreia do Sul: 13,5 MW
    10. Reino Unido: 13,4 MW
    11. Espanha: 11,8 MW
    12. França: 11,7 MW
    13. Países Baixos: 10,2 MW
    14. Brasil: 10 MW
    15. Ucrânia: 7,3 MW
    14 out. 2021

    Com -56 cm, altura do rio Paraguai é a terceira mais baixa em 110 anos de medição (Diário Corumbaense)

    A altura do rio Paraguai, em Ladário, chegou nesta segunda-feira, 11 de outubro, a 56 centímetros negativos, informa o monitoramento diário do Centro de Hidrografia e Navegação do Oeste, organização militar subordinada ao Comando do 6° Distrito Naval da Marinha do Brasil. A marca é a terceira mais rigorosa vazante de sua história.
    Em 1964, o rio alcançou a menor marca, chegando aos -61 cm (em setembro) na régua de Ladário. Em 1971, mediu -57 cm (setembro). Em 1967 alcançou -53 cm (outubro).
    Projeções do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) mostram que o nível do rio pode baixar ainda mais esta semana e chegar à marca negativa de 59 centímetros no dia 15 de outubro, se tornando a segunda maior seca da história em 110 anos de medição da régua de Ladário.
    A estação de Ladário é considerada um termômetro para medir o grau da estiagem no bioma Pantanal. É, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o terceiro ano consecutivo em que o Pantanal não apresenta a habitual cheia, condição em que o nível d’água supera os 4 metros em Ladário. A última vez foi em 2018, quando o rio atingiu o pico de 5,35 metros.
    O maior ciclo de seca registrado no Pantanal foi de dez anos consecutivos (1964 a 1973). Nesse ciclo, o nível mínimo foi de 61 centímetros abaixo do zero da régua, ocorrido em 1964, segundo a Embrapa Pantanal. No ano passado, a marca mínima foi de -32 centímetros, atingida nos dias 23 e 25 de outubro. Em 2020, houve a maior estiagem em 50 anos.
    A partir das semanas seguintes pode entrar em estabilidade. “Os modelos indicam a tendência à estabilização do nível d’água na maioria das estações. Considerando que para as próximas semanas, as precipitações (chuvas) previstas na bacia deverão ser um pouco mais constantes, o rio Paraguai deverá apresentar em algumas estações a redução da tendência do declínio de seu nível e posteriormente a estabilização”.
    14 out. 2021

    Impacto econômico da crise hídrica não está sendo coberto pelas tarifas mais altas (Climainfo)

    As distribuidoras de eletricidade avisaram a ANEEL que as tarifas mais altas não estão cobrindo o custo da eletricidade que compram pelo atual peso das térmicas na matriz de geração. Segundo a Folha e o Valor, a ANEEL descarta, por enquanto, mais aumentos na conta, embora esteja autorizando reajustes no preço da eletricidade gerada pelas térmicas.
    Cerca de 12 milhões de famílias recebem um desconto na conta de luz por serem beneficiárias da Tarifa Social de Energia Elétrica, que custa R$ 3,6 bilhões por ano, pago pelo conjunto dos demais consumidores. Uma matéria do g1 informa que a ANEEL estima que há mais de 11 milhões de famílias que cumprem os requisitos, mas que não recebem o benefício. Uma mudança no regulamento pode incluí-las a partir do ano que vem.
    Bastou chover um pouco no Sudeste nos últimos dias para o Operador Nacional do Sistema dizer que um racionamento neste ano está descartado. A notícia saiu na CNN e no Valor. Em setembro, mais empresas se interessaram pelos ganhos oferecidos pelo governo para reduzir seu consumo ou deslocá-lo para fora do horário de ponta do sistema. Interessante é que, nesses últimos meses, o ONS, o ministro e outras autoridades juraram que não havia risco de racionamento. Assim, o anúncio de ontem só surpreendeu quem não acreditou nos anúncios anteriores.
    14 out. 2021

    O que choveu não alterou o nível das represas que abastecem cidades do Sudoeste e nem o das hidrelétricas (Climainfo)

    Na 6ª feira passada (8/10), o nível dos reservatórios das hidrelétricas do sistema Sudeste/Centro-Oeste estava em 16,7% da capacidade máxima; no final da 2ª feira (11/10), o nível permanecia o mesmo. Nesse contexto, o Estadão ressaltou a importância da geração das hidrelétricas instaladas ao longo do Rio São Francisco. André Borges trouxe informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS): “Os recursos energéticos da região Nordeste, no período seco de 2021, têm sido fundamentais até a chegada do período chuvoso”.
    8 out. 2021

    Itaipu – menos energia e dívida com pagamento anual de US$ 2 bilhões.

    A CNN Brasil publicou extensa matéria sobre a hidrelétrica Itaipu; um dos pontos centrais é a menor geração de energia devido a eventos climáticos extremos e outra questão importante é a gigantesca divida paga anualmente desde 1973: “Apesar de menor, a energia gerada por Itaipu tende a ficar mais barata no futuro — muito mais barata, inclusive. Segundo cálculos do Ministério de Minas e Energia, o preço do MWh (megawatt-hora) produzido pela hidrelétrica deve cair de R$ 349 para R$ 124 a partir de 2023 — redução de quase 70%, o que deve derrubar as contas de luz de consumidores comuns do país em mais de 4%.
    O motivo é simples: em 2023, Itaipu termina de pagar o empréstimo tomado para sua construção, iniciada em 1973. As parcelas do financiamento custam por ano US$ 2 bilhões (mais de R$ 10 bilhões na cotação atual) à usina. E esse valor representa cerca de 70% do orçamento anual da hidrelétrica.”
    Itaipu é a ultima hidrelétrica no leito do rio Paraná em território brasileiro; são quatro: Ilha Solteira, Jupia, Porto Primavera e Itaipu. Entre Paraguai e Argentina está a quinta, Yacyretá.
    7 out. 2021

    A Câmara dos Deputados do Brasil está discutindo a Medida Provisória (MP) da Crise Hídrica; deputados enxertam propostas que custarão muito a consumidores

    – Os cálculos são de que geradores e consumidores arcariam com uma conta de R$ 33,2 bilhões em 15 anos
    No Valor “A MP estabelece a criação da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg), que atuará como um comitê emergencial para monitorar o sistema elétrico e tentar dar respostas mais ágeis do governo no combate à crise hídrica. O grupo ficaria sob o comando do Ministério de Minas e Energia.”
    No Correio Brasiliense: “Há um item na MP voltado para a construção de gasodutos, com gastos que podem ser repassados como mais um custo de geração de energia. Segundo estimativa feita pela Associação dos Grandes Consumidores de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), o relatório de Viana pode ter um impacto de R$ 46,5 bilhões no bolso do cidadão. Só para construir a ligação entre as usinas de energia e as refinarias de petróleo — que produzem o gás combustível —, os cálculos são de que geradores e consumidores arcariam com uma conta de R$ 33,2 bilhões em 15 anos.”
    7 out. 2021

    Sexta morte devido às tempestades de poeira

    A Folha de São Paulo noticiou no dia 6 último a sexta morte em São Paulo. A vítima foi o “dono de uma pousada no Campinal, distrito da cidade [Presidente Epitácio] localizada às margens do rio Paraná, Valdir Greter, 68, pescava com um amigo em um barco quando ambos se viram em meio ao vendaval. Eles tentaram abrigo próximo a uma plataforma de pesca no meio do rio, mas acabaram à deriva depois que a embarcação virou.
    O colega de Valdir foi resgatado com vida no sábado (2), usando um colete salva-vidas. Já o corpo do empresário só foi encontrado quatro dias após o temporal, a 8 km do local do acidente, próximo à margem sul-mato-grossense do rio, por pescadores que auxiliavam o Corpo de Bombeiros e a Marinha nas buscas.”
    7 out. 2021

    Risco de racionamento diminui (Climainfo)

    Choveu mais no Sul, novas linhas de transmissão entraram em operação antes do previsto e importou-se mais eletricidade da Argentina e do Uruguai. Assim, segundo a consultoria PSR, o risco de racionamento neste ano diminuiu. Mesmo assim, segundo o Canal Energia e o Yahoo Notícias, o sinal de alerta para o ano que vem segue alto, pois os reservatórios estarão baixos no final do verão. Não houve menção a uma possível redução da demanda por conta dos pedidos do governo para empresas e sociedade reduzirem seu consumo de eletricidade. Ainda assim, segundo o G1, o ministro Bento de minas e energia, não vê a necessidade da volta do horário de verão nos próximos anos.
    A ANEEL marcou para o final deste mês um leilão de eletricidade de reserva, valendo para entregas entre maio de 2022 e o final de 2025. Para as térmicas fósseis e as a bagaço, o preço teto do MWh será de R$1.619, quatro vezes e meia mais do que o das renováveis. As térmicas entram pela disponibilidade, enquanto as renováveis entram pela quantidade de energia entregue. Os contratos a serem assinados se referem apenas à região Sudeste/Centro-Oeste. A notícia saiu no Valor, Canal Energia e no InfoMoney.
    Enquanto isso, o secretário de desestatização do ministério da economia se mostrou irritado com os jabutis enfiados na MP da crise hídrica. Segundo o Metrópoles, Diogo MacCord avisou que eles aumentariam ainda mais a conta de luz e tachando a narrativa de que não haverá impacto de “papo furado” e “narrativa maluca”. O Canal Energia conta que, na 3a feira, dez das mais importantes associações do setor elétrico soltaram um manifesto dizendo aos congressistas que o aumento na conta de luz reduzirá ainda mais a competitividade da indústria nacional.
    A CNN fez uma matéria especial sobre Itaipu que se aproxima dos 40 anos de funcionamento (a matéria fala em 50 anos, mas a usina começou a operar em 1982). Este ano, ela está atravessando a maior seca da sua história, com 30% menos água chegando até seu reservatório. No ano passado, ela gerou pouco mais de ¾ da máxima geração que foi alcançada em 2016. Vale lembrar que Itaipu é uma usina a fio d’água e seu imenso reservatório foi implantado para elevar a cota da usina e não para armazenar água.
    5 out. 2021
    O nível do Rio Paraguai, em Isla Margarita, localizada em frente à cidade brasileira de Porto Murtinho (MS), continua em queda. Esse é um registro importante, pois, a rigor, esta é região final do Pantanal. A imagem é do serviço de Meteoreologia e Hidrologia do Paraguai.

    5 out. 2021

    Rio Paraguai e seca no Pantanal sem melhoras no curto prazo

    “Segundo o Serviço Geológico do Brasil, há previsão para pancadas de chuva pelo rio. Para as próximas semanas estão previstas ocorrências de pequenas precipitações na área da bacia do rio Paraguai, com uma maior incidência de pequenos acumulados de chuva, a partir da segunda semana do mês de outubro e se distribuindo de maneira aleatória sobre toda a área da bacia” (Midiamax)
    5 out. 2021

    O site Era Verde informa que a perspectiva para o rio Paraná é “descendente” na Argentina

    – Continuará baixando o nível no mês de outubro e novembro.
    – Atenção deve estar no abastecimento urbano.
    A perspectiva “descendente” se mantém segundo informa o Instituto Nacional de Águas (INA) da Argentina, afetando “a vida ambiental, econômica, produtiva e social das cidades ribeirinhas de [província] Entre Ríos. As alturas atuais já ultrapassaram as marcas de 1971 (0,50 metros), as de 2020 e 1970 (0 metros)”. O registro mais baixo foi o de 1944.
    Segundo o INA o caudal da bacia está “em declínio gradual”. A tendência nos meses de outubro e novembro será “de queda em todos os trechos do rio Paraná” e que a atenção deve estar “na captação de água do rio para consumo urbano”.
    Uma boa ‘régua’ para estabelecer cenários dos próximos meses é analisar as condições dos reservatórios do leito do rio Paraná em território brasileiro: Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera e Itaipu.
    5 out. 2021

    Gráfico do nível do rio Paraguai em Ladário (MS), entre agosto  e 4 de outubro. Fonte Direción  de Meteorología e Hidrología do Paraguai


    5 out. 2021

    Bauru e Itu, São Paulo – O Nordeste é lá

    Para apoiar o abastecimento de água da cidade, em crise, a prefeitura passará a utilizar 13 caminhões pipa, a exemplo do que é feito no sertão do Nordeste. O objetivo é dar “folego” para a lagoa de captação, pois ela está 70 cm abaixo do “desejável”. A cidade está em pleno rodízio no fornecimento de água na base do 24 por 48: 24 com água e 48 sem. Solução futura? Furar poços artesianos e resolver para 2022.

    Em Itu, o racionamento o sistema é de 24 horas com água por 48 horas desde 5 de julho. Dezoito caminhões-pipa são usados em apoio.
    5 out. 2021

    O Climainfo traz um apanhado do relatado a imprensa sobre as tempestades de poeira em alguns estados brasileiros. No Paraguai também uma gigantesca nuvem de poeira foi noticiada pelo Metsul e no Pantanal a nuvem foi de cinzas das queimadas, situação amenizada pelas chuvas observadas a partir de domingo, dia 5/9. Na sexta, dia 1 de outubro, o presidente da Ecoa, André Siqueira, esteve em Corumbá(MS) e observou fuligem por toda parte. O ar estava irrespirável.

    Clima extremo: nova tempestade de poeira deixa quatro mortos no interior de SP
    Pelo menos quatro estados brasileiros registraram tempestades de poeira na última 6a feira (1º/10). A situação foi mais grave no interior de São Paulo: em Presidente Prudente, o vento destelhou casas, derrubou árvores e provocou o fechamento do aeroporto da cidade. Ao menos quatro pessoas morreram em decorrência do fenômeno: três vítimas perderam a vida durante uma operação de combate a incêndios em Santo Antônio do Aracanguá, e outra morreu em Tupã depois do desabamento de uma parede em construção. As nuvens de poeira também causaram problemas em Goiás, Mato Grosso do Sul e Maranhão. Folha e O Globo repercutiram a notícia.
    No domingo retrasado (26/9), uma tempestade de poeira cobriu a região de Franca e Ribeirão Preto. As imagens dramáticas registradas por moradores ganharam as redes sociais na semana passada, causando comoção. Na Folha, Reinaldo José Lopes lamentou a situação dramática do meio ambiente no interior paulista. “O vento que despejou em cima de Franca o que restava do solo fértil dos arredores mostrou, sem disfarces, o que eu já andava intuindo há algum tempo. Nós, caipiras, gastamos o nosso cheque especial ecossistêmico como se não houvesse amanhã – e está chegando a hora de pagar os juros. Spoiler: se não criarmos vergonha na cara, e rápido, vamos ter de penhorar até as calças”.
    Os principais fatores por trás dos haboob são a seca que atinge boa parte do Brasil e o desmatamento geral. Com a falta de chuvas, o solo ressecado e exposto acaba levantando com mais facilidade em contato com o vento mais forte, causando nuvens de poeira.
    Sonia Bridi, no Fantástico, apresentou uma matéria importante, completa e explicativa sobre o fenômeno, ressaltando as práticas agrícolas inadequadas que estão na raiz destes acontecimentos.
    Folha e UOL destacaram o avanço do racionamento de água no interior de SP: com o nível dos reservatórios caindo dia após dia, a região chegou ao 6º mês seguido com cortes no abastecimento que já afetam pelo menos 2 milhões de pessoas. Na Grande SP, a situação é preocupante: o nível do Sistema Cantareira, principal reservatório de água para a região, está abaixo dos 30%, o menor índice em mais de cinco anos. O Estadão deu mais informações.
    Além de problemas de abastecimento de água, a seca também prejudica a economia agrícola em um dos principais celeiros produtivos do país. A Folha destacou o impacto da falta de chuvas na produção, com agricultores sendo forçados a rever seu planejamento para o cultivo e suas perspectivas para a próxima safra.
    Já o Valor abordou o reflexo da seca na região de Corumbá: a empresa Hidrovias do Brasil prevê que a redução do nível do calado dos rios pode impedir o funcionamento do transporte hidroviário no eixo Paraguai-Paraná no mês de outubro.

    5 out. 2021
    (Climainfo)
    Edvaldo Santana, ex-diretor da ANEEL, explica no Valor como a sofisticação dos modelos do setor elétrico teimam em errar quando do advento de crises hídricas como a atual. “O setor elétrico tem algumas características interessantes que variam com o tempo. Mas uma delas, a insistência nos erros, é imutável.” O erro é considerar a tendência histórica mais importante do que a situação do momento. Historicamente, chove bastante entre outubro e novembro, enchendo os reservatórios. Logo, não há problema em esvaziá-los até lá. E assim foi, agravando um período de pouca chuva de verão. Santana tenta explicar, jogando a culpa na tendência humana de não querer mudanças e em interesses políticos para manter o sistema como está.
    4 out. 2021

    O governo brasileiro não deixa de surpreender com suas ações durante a gravíssima crise hídrica

    O governo federal extinguiu o SNM (Sistema Nacional de Meteorologia), órgão reunia os principais institutos do setor em três ministérios. O SNM nasceu há cerca de quatro meses, no entanto, a pedido Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República barrou o processo e tenta colocar em operação no lugar do SNM uma comissão criada há 18 anos.

    1 out. 2021

    Sem horário de verão, mais um erro

    “O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta terça-feira que não há necessidade de retorno do horário de verão para ajudar na economia de energia no país.”
    Horário de verão é necessário porque seu estabelecimento vai muito além da economia de energia, a começar por mudar os horários de pico no uso e maior adaptação das pessoas as condições de luz natural, solar.
    1 out. 2021

    1 out. 2021

    Viagem ao passado recente: o cenário das águas de 2018

    – Itaipu abriu todas comportas para largar água.

    “CHUVAS INUNDAM ITAIPU E CONTINUAM A FUSTIGAR FLORIANÓPOLIS

    As chuvas que começaram no meio de dezembro continuam a cair com força sobre o Sul e parte do Sudeste. Anteontem, Itaipu teve que abrir todas suas quatorze comportas para deixar passar a água que desce pelo rio Paraná. Em novembro, ela já teve que abrir algumas comportas, mas abrir todas elas é algo que não acontece há quase dois anos. Mas como as chuvas não estão caindo em todo lugar, o nível dos principais reservatórios das hidrelétricas ainda está baixo. No subsistema Sudeste-Centro-Oeste, elas estão com menos de 30%. As do Nordeste seguem em estado crítico, com menos de 16%. Já no Sul, onde vem chovendo muito, elas estão com quase 65%.” NO Estado de São Paulo.

    Valor

    “País começa ano com melhor cenário hídrico desde 2012”

    No Valor o título foi e este no texto desenvolvem o que segue: “O ano de 2018 começa com perspectivas favoráveis com relação ao regime de chuvas, abastecimento e preços de energia. De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o volume de chuvas previsto em janeiro para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal do país, é 5% superior à média histórica para o mês. É o melhor indicador para o primeiro mês do ano desde o período pré-crise hídrica, em 2012, quando o volume ficou 16% acima da média histórica. ….. Com o regime de chuvas favorável no início de janeiro, o ONS prevê uma recuperação mais acentuada do nível de armazenamento dos reservatórios, porém ainda abaixo do ideal, fechando janeiro com 35,9% de estoque nos lagos das usinas do Sudeste/Centro-Oeste, que respondem por mais de 70% da capacidade de acumulação de água para geração de energia do país. O número é ligeiramente inferior ao obtido no fim do primeiro mês de 2017, de 37,33%.”

    30 set. 2021

    Itaipu perto de fechar?

    Rio Paraná sem peixes e as perdas do Paraguai com a venda de energia ao Brasil.
    O The Guardian, como informamos, publicou matéria sobre os efeitos da crise de água para o Paraguai, tratando mais da bacia do rio Paraná. O país tem no Paraná e no Paraguai seus dois grandes eixos econômicos.

    O Guardian mostra que os pescadores estão fazendo viagens cada vez mais longas na esperança de resultados melhores na pesca, mas está difícil.
    Mostra também que a produção de eletricidade “na poderosa barragem de Yacyretá, que o Paraguai compartilha com a Argentina, também está afetada. Yacyretá e Itaipu – uma barragem ainda maior no Paraná compartilhada com o Brasil – produzem quase toda a eletricidade paraguaia e de acordo com o governo, Itaipu está perto de fechar devido à vazante” (com tradução livre)
    Segunda a publicação, Mercedes Canese, consultora de energia e ex-vice-ministra da Energia, afirma que o Paraguai embora não sofra com a escassez de energia – usa apenas uma pequena parte de sua energia das duas barragens gigantes – está perdendo US$ 1,57 bilhão nas exportações anuais de excesso de energia para Argentina e Brasil. Segundo Mercedes, com a disparada dos preços de energia no Brasil, “muitos paraguaios dizem que uma injustiça histórica está se aprofundando. O Paraguai é obrigado por tratado a vender energia excedente da barragem de Itaipu ao Brasil a preço de custo, uma condição que o economista Miguel Carter calcula ter custado ao Paraguai US $ 75,4 bilhões de 1985 a 2018. Os preços no Brasil estão nas alturas, mas o Paraguai não pode vender sua energia a preços de mercado. Estamos falando de uma perda de centenas de milhões de dólares.”
    29 set. 2021

    Situação do reservatório de Furnas escancara o falido modelo de gestão da água no Brasil

    A represa de Furnas, localizada em Minas Gerais no rio Grande, um dos rios formadores do rio Paraná, é responsável pela regulação de 21 barragens, sendo responsável pela geração de 17,71% de energia do país. Agora com a crise hídrica escancara-se uma crise muito mais ampla, com a destinação restrita para geração de energia e não consideração dos outros usos. Segundo a Alago (Associação dos Municípios do Lago de Furnas) e o comitê da bacia hidrográfica cerca de 50 atividades foram prejudicadas. “Está péssimo e piorando a cada dia. Turismo com prejuízo acima de 50%, piscicultura teve queda de mais de 70% na produção de pescados e pequenos agricultores, com suas plantações nas margens do lago, estão sem irrigação”, afirmou Fausto Costa, secretário-executivo da Alago e vice-presidente do comitê da bacia para a Folha de São Paulo. Costa continua: “Se houvesse outra política de geração de energia, outro pensamento, de tentar ao máximo reter a água no lago de Furnas nos últimos anos, ele estaria dando condições de uso múltiplo, de várias outras atividades e hoje, na escassez hídrica, estaria garantindo o país com geração de energia”.
    O presidente de Furnas, Clóvis Torres, pediu desculpas aos moradores do Sul de Minas pela seca que atinge os municípios banhados pelo Reservatório de Furnas e anunciou medidas para tentar amenizar danos. Entre as medidas anunciadas está a construção de diques em alguns municípios, a revitalização de nascentes, a reabertura do escritório da empresa em Minas Gerais e a renovação das balsas que fazem o transporte de moradores de cidades banhadas pelo lago.
    A “revitalização de nascentes”, anunciada somente agora com a crise e a pressão dos municípios como medida salvadora, deveria ser parte de política permanente da empresa de recuperação das microbacias
    29 set. 2021
    O site Metsul noticiou sobre uma tempestade de areia e pó no Paraguai, na manhã do dia 28 de setembro, muito parecido com o que aconteceu em várias regiões do estado de São Paulo no dia 26, domingo. A tempestade, que escureceu o céu, ocorreu na localidade de Caapucu, no departamento de Paraguari, no Sul do território paraguaio.
    No ano passado uma tempestade de cinzas e poeira cobriu os céus de uma parte do Pantanal, na região da Serra do Amolar. A região havia sido devastada pelo fogo nos dias anteriores.
    No caso de São Paulo e do Paraguai as causas básicas são o solo descoberto, limpo, sem vegetação, e prolongado clima seco e com ventos fortes.


    29 set. 2021

    Nuvem de poeira: desmatamento e mudança do clima aumentam risco de desertificação no Brasil

    A junção de desmatamento em alta, a maior seca em nove décadas e a chegada das primeiras nuvens de chuva da primavera criaram o “cenário perfeito” para a nuvem de poeira que cobriu cidades no interior de São Paulo e Minas Gerais no último domingo (26/9). O fenômeno, conhecido como haboob, é bastante comum em países desérticos, mas no Brasil não é tão frequente. Sua ocorrência causa preocupação não apenas pelo tamanho, mas também pelo clima cada vez mais seco no Sudeste e Centro-Oeste, o que pode favorecer fenômenos desse tipo.
    “A série de 20 anos de predomínio de períodos secos sugere uma alteração no clima, que pode ter relação com alguma mudança natural, mas também com o aquecimento global”, explicou Giovanni Dolif, do CEMADEN, a’O Globo. “O desmatamento na Amazônia compromete a fonte de umidade desse ar que vem para o Sudeste e Centro-Oeste”. O Metrópoles também fez a associação entre destruição florestal, seca e a tempestade de poeira no Sudeste. A reportagem do Estadão destacou a situação hídrica do norte paulista, que já convive com um racionamento de água em razão do esvaziamento dos reservatórios hídricos da região.
    Falando em crise climática e seca, Cleide Carvalho explicou n’O Globo como a mudança do clima está aumentando o risco de desertificação no Brasil, especialmente no Nordeste. De acordo com análises da Universidade Federal de Alagoas, o estado alagoano é o que possui maior proporção de solo degradado em relação a seu território na categoria de maior risco para desertificação (10%). Na lista também estão Rio Grande do Norte (9,2%), Paraíba (7,1%) e Pernambuco (5,3%). O Globo fez uma lista de eventos extremos registrados recentemente no Brasil, como a cheia do Amazonas neste ano, os incêndios históricos no Pantanal e as tempestades que inundaram Belo Horizonte e São Paulo em 2020.
    Em tempo: O clima extremo no Brasil também foi destaque na Bloomberg. A reportagem abordou os impactos da seca, dos incêndios florestais e das fortes ondas de calor e frio sobre a agricultura brasileira, uma das principais produtoras mundiais de alimentos. Com a colheita prejudicada, os preços de produtos como café, laranja e açúcar subiram no mercado global nos últimos meses, contribuindo para o aumento na inflação internacional de alimentos. De acordo com a ONU, os preços médios tiveram alta de 33% no último ano.
    29 set. 2021

    Militares argentinos atuarão como brigadistas no combate a incêndios florestais

    O Ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Argentina, Juan Cabandié, e o ministro da Defesa, Jorge Taiana, anunciaram a criação de uma “ unidade de coordenação interministerial para o manejo do fogo”. O objetivo é capacitar integrantes das Forças Armadas como membros da Brigada Florestal. Foi inaugurado formalmente o curso para brigadistas.

    O ministro do Meio Ambiente anunciou que será assinado um convênio entre os Ministérios do Meio Ambiente e da Defesa “para a formação dos integrantes das diferentes Forças Armadas”

    A informação é do site Era Verde.

    29 set. 2021

    Tempestade de areia no Paraguai

    O site Metsul noticiou sobre uma tempestade de areia e pó no Paraguai, na manhã do dia 28 de setembro, muito parecido com o que aconteceu em várias regiões do estado de São Paulo no dia 26, domingo. A tempestade, que escureceu o céu, ocorreu na localidade de Caapucu, no departamento de Paraguari, no Sul do território paraguaio.

    No ano passado uma tempestade de cinzas e poeira cobriu os céus de uma parte do Pantanal, na região da Serra do Amolar. A região havia sido devastada pelo fogo nos dias anteriores.

    No caso de São Paulo e do Paraguai as causas básicas são o solo descoberto, limpo, sem vegetação, e prolongado clima seco e com ventos fortes.

    https://twitter.com/i/status/1442835895082799112

    28 set. 2021

    Brasil esvaziou suas represas para gerar energia e rio Paraná subiu na Argentina, mas quadro de alta não se manteve

    O nível do rio Paraná em Rosário, na Argentina, subiu a partir do começo de setembro da crítica situação de -0,29 centímetros para 0,82 no último 21 de setembro trazendo um certo alívio, mas hoje, dia 28, o nível do rio já está em apenas 0,29 centímetros e com tendência de queda. A elevação do nível do rio tem relação, pelo menos em parte, com a liberação de água de reservatórios brasileiros para garantir geração de energia. No leito do rio Paraná em território brasileiro estão 4 grandes hidrelétricas: Ilha Grande, Jupiá, Porto Primavera e Itaipu. A primeira delas, Ilha Grande, já alcançou o limite de seu volume útil.
    28 set. 2021

    O site G1 produziu matéria sobre a situação da represa de Furnas, localizada no rio Grande, um dos formadores do rio Paraná

    O G1 informa que “Furnas é responsável por regular 21 barragens e é responsável pela geração de 17,71% de energia do país, além de ser considerada uma das principais represas do sistema Sudeste/Centro-Oeste, que é responsável por 70% da energia fornecida no país.”
    O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com uma geração média em torno de 280 MW, o que corresponde a 23% da sua capacidade instalada de 1.216 MW.
    Desculpas e medidas tardias
    O G1 informa ainda “que no dia 14 de setembro, o presidente de Furnas Centrais Elétricas, Clóvis Torres, pediu desculpas aos moradores do Sul de Minas pela seca que atinge os municípios banhados pelo Reservatório de Furnas e anunciou medidas para tentar amenizar danos. Entre as medidas anunciadas pelo presidente da empresa está a construção de diques em alguns municípios, a revitalização de nascentes, a reabertura do escritório da empresa em Minas Gerais e a renovação das balsas que fazem o transporte de moradores de cidades banhadas pelo lago.”
    A “revitalização de nascentes”, anunciada somente agora com a crise e a pressão dos municípios como medida salvadora, deveria ser parte de política permanente da empresa de recuperação das microbacias, pois esta é a maneira da empresa garantir a produção de seu “insumo água”. Itaipu, por exemplo, desde 2003 desenvolve o Cultivando Água Boa (CAB), visando a segurança hídrica de sua região.

    28 set. 2021

    O Paraguai e a seca no The Guardian

    “Paraguay on the brink as historic drought depletes river, its life-giving artery”
    Matéria do The Guardian, uma das mais respeitadas publicações do mundo, publicou matéria mostrando que a “seca que começou no final de 2019 continua castigando a região” e que as mudanças climáticas e o desmatamento são apontados como intensificadores do fenômeno.
    A abordagem do Guardian é a partir da situação do rio Paraná: “O rio experimentou uma elevação temporária enquanto o Brasil liberava água de reservatórios hidrelétricos para a produção urgente de eletricidade, mas os níveis estão caindo rapidamente.” Na bacia do rio Paraná são 57 represas em território brasileiro, sendo a ultima delas no curso do rio a de Itaipu, compartida com o Paraguai.
    O The Guardian afirma que a seca ameaçou o abastecimento de água na Argentina, elevou os preços da energia no Brasil e ajudou a impulsionar incêndios florestais galopantes na região e lembra que o Paraguai, que não tem costa e depende de seus rios para inúmeros serviços sociais, ambientais e comerciais, enfrenta grandes tensões. O Paraguai que tem a “terceira maior frota fluvial do mundo” tem 96% de suas importações e exportações internacionais realizada ao pôr suas hidrovias: a do Paraná e a do Paraguai.
    Juan Carlos Muñoz, diretor do Órgão Nacional de Navegação e Administração de Portos (ANNP) afrma na matéria que o setor de transporte enfrenta uma perda de 20% da receita – US $ 100 milhões – pelo segundo ano consecutivo, apesar das dragagens.
    27 set. 2021

    Rio Paraguai em situação Crítica. Capital do Paraguai atinge baixa histórica no nível do rio

    A crítica situação do rio Paraguai, hoje 27 de setembro de 2021, segundo a Dirección de Meteorologia e Hidrologia do Paraguai. Tomam como ponto de partida a régua de Ladário (MS). O rio nasce na Chapada dos Parecis, no Mato Grosso, corre na borda oeste do Brasil até Porto Murtinho (MS); atravessa o Paraguai e encontra o rio Paraná na localidade de Ilha del Cerrito, na Argentina. A consequência econômica mais visível do baixo nível do rio é a interrupção da navegação ou a realização do transporte pelo rio em menor escala. O quadro leva a projetos “loucos” como dragar e explodir rochas na parte brasileira e no Paraguai para aprofundar o leito do rio.

    27 set. 2021
    A falta de cobertura vegetal e o tempo muito seco leva a essa situação apocalíptica. Franca (SP), uma das cidades atingidas pela tempestade de poeira, está sob racionamento de água.

    24 set. 2021

    Cidades do estado de São Paulo e a crise da água

    A Companhia de Saneamento de São Paulo (Sabesp) informa que na região atendida por ela, o município de Franca passa por rodízio de água desde o dia 2 de setembro. A medida foi ampliada no último dia 18/9. Antes o rodízio era de um dia sem água a cada três e agora é de um dia a cada dois. O G1 trouxe de Alex Veronez, gerente distrital da Sabesp, classificou a situação como “histórica”: “Historicamente, nós não temos uma vazão desse nível, não. Desde que a gente tem o acompanhamento das vazões, nunca chegamos a esse ponto, não. É histórico, mesmo”

    – A região metropolitana de São Paulo “aponta níveis satisfatórios dos reservatórios com as perspectivas de chuvas do fim da primavera e início do verão, quando a situação será reavaliada. Não há risco de desabastecimento neste momento”. Sabesp.

    Outras regiões de SP:

    – Rio das Pedras, na região de Campinas (SP), com cerca de 36 mil habitantes, com as chuvas em menor quantidade em 2020 e 2021, a cidade foi levada ao racionamento.

    – Valinhos intensificou o racionamento nesta semana. Os moradores ficam sem água duas vezes na semana. “Valinhos faz parte da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, conhecida como PCJ”

    – Nas bacias dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari outros quatro dos 76 municípios vivem racionamento. 12 estão em estado de alerta.

    – São José do Rio Preto, na região Noroeste, onde a estiagem é pior no Estado, o racionamento já dura quatro meses, sem data para acabar. Não chove na região há mais de seis meses.

    A Sabesp informa que a região metropolitana de São Paulo “aponta níveis satisfatórios dos reservatórios com as perspectivas de chuvas do fim da primavera e início do verão, quando a situação será reavaliada. Não há risco de desabastecimento neste momento”.

    Fonte: Valor, G1 e Folha de São Paulo.

    23 set. 2021

    Valor mostra que crise em São Paulo se agrava – Sabesp reduz pressão na tubulação à noite

    A escassez de água provocada pela estiagem fez com que a Sabesp aumentasse em duas horas o intervalo em que reduz a pressão nos dutos que abastecem a cidade de São Paulo e a Região Metropolitana durante o período noturno. Até o mês passado, a redução na maior parte dos bairros ocorria de 23h às 5h e, agora, tem sido feita das 21h às 5h.
    Os números segundo o Valor
    “O chamado sistema integrado, composto por sete reservatórios, entre eles o Cantareira, que atende 21 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo e está hoje com 39,8% de sua capacidade, nível considerado crítico. O Cantareira estava com 32,4% do volume total.
    São volumes menores que os que precederam a crise hídrica de 2014, quando o chamado volume morto (água que fica abaixo do sistema de captação) do Cantareira teve que ser acionado. Em 22 de setembro de 2013, o nível de água do Cantareira estava em 42,3% do total e o sistema total tinha 52,8%.”
    23 set. 2021

    Primavera não alivia a crise

    Com a chegada da primavera a previsão das instituições que analisam o quadro climático é que a estação trará chuvas mais concentradas no oeste da região norte do país, no leste de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e em uma parte do Nordeste, o que indica uma continuidade da crise de água onde se manifesta com intensidade, a bacia do rio Paraná (MG, GO, DF, MS, SP, PR e uma mínima parte de SC). A recuperação dos reservatórios das hidrelétricas deve demorar ou mesmo não ocorrer a contento. Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o Climatempo apontam que setembro terminará com chuvas abaixo da média.
    23 set. 2021

    Governo aposta no aumento da oferta para não enfrentar problemas da redução de demanda por eletricidade

    Para o enfrentamento dos efeitos da crise hídrica sobre o setor elétrico, o governo tem priorizado aumentar a oferta de eletricidade por meio da antecipação da entrada de térmicas e do acionamento de novas linhas de transmissão para trazer eletricidade do Nordeste e do Norte para o Sudeste. Por exemplo, nunca as térmicas em operação geraram tanto, com recordes em julho e, de novo, em agosto. Vale ver as matérias da CNN, UOL, Estadão.
    Do lado da demanda, o governo recém lançou programas para redução voluntária de consumo, com resultados ainda desconhecidos.
    Ontem, Miriam Leitão moderou uma live do Valor sobre a crise hídrica. Os dois representantes do governo – Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do ONS, e Christiano Vieira, secretário do Ministério de Minas e Energia (MME), descartaram o racionamento e disseram que o governo está de parabéns pela qualidade da comunicação da crise. Além disso, os dois disseram que o governo vem tomando medidas desde o ano passado, sem especificá-las.
    Mais uma vez o físico Paulo Artaxo lembrou dos avisos recorrentes dados a décadas pela ciência segundo os quais o clima ficaria cada vez mais seco exatamente onde estão os principais reservatórios. Falta, para Artaxo, uma governança energética de Estado, e não do governo de plantão. O caminho é aproveitar o imenso potencial eólico e solar para se depender menos das chuvas e, claro, dos fósseis. O Globo também disponibilizou um link para quem quiser ver a live.
    Os professores José Goldemberg e Cristiane Cortez, na Folha, criticaram o governo por não ter poupado água nos reservatórios no último verão. Também criticaram a prioridade dada ao aumento da oferta e não ao controle da demanda, o que tem feito a conta de luz das famílias e do setor produtivo não parar de aumentar.
    Em tempo 1: A chegada da primavera não representará um alívio para a maior crise hídrica em mais de nove décadas no Brasil. De acordo com INMET, a “estação das flores” será marcada por precipitações irregulares nas principais áreas de produção agropecuária do país, sendo que algumas delas podem registrar chuvas abaixo da média histórica. Por outro lado, os termômetros deverão começar a subir com força a partir de outubro, completando um cenário que pode intensificar as incertezas quanto à possibilidade de “apagão” por problemas na geração de energia elétrica. Agência Brasil, Exame, g1 e Valor destacaram essas informações.

    20 set. 2021

    A estatal chinesa China Three Gorges Corporation (CTG), responsável pela hidrelétrica de Ilha Solteira, no rio Paraná, emitiu nota sobre o fato de o reservátório da usina chegar a ZERO% de volume útil.
    “Em função da crise hídrica instalada no país, a CTG Brasil vem acolhendo na sua integralidade as determinações recebidas, cumprindo rigorosamente a legislação, procedimentos e normas do setor elétrico brasileiro, bem como a Política de Operação definida pelo ONS para as usinas hidrelétricas sob sua concessão, e colaborando com o ONS e demais instituições”.
    No site da empresa ela informa que está em 40 países e tem capacidade instala de 124 GW: “A China Three Gorges Corporation (CTG) é um grupo de energia limpa focado no desenvolvimento e operação de hidrelétricas de grande porte. A CTG também atua em negócios de energia renovável, incluindo energia eólica e solar. Presente em mais de 40 países, a empresa é hoje a maior produtora de energia hidrelétrica do mundo, com capacidade total instalada (incluindo éolica e solar) de aproximadamente 124 GW, tanto em operação como em construção.”
    20 set. 2021

    Rio Iguaçu, afluente do rio Paraná, está com sua maior hidrelétrica também em situação crítica

    No dia 19 de setembro, o reservatório da usina Foz do Areia (Gov. Bento Munhoz) apresentava 12,87% de volume útil e uma defluência de apenas 113 m3/s. A vazão natural para o período, indicada pela Agência Nacional de Águas (ANA), é de 682,88 m3/s. A expectativa é que as últimas chuvas mudem esse quadro. Outras represas também estão em situação crítica dentre elas a Ilha Solteira, no rio Paraná, e a de Manso, no rio Manso, bacia do rio Paraguai
    16 set. 2021

    Consultoria aponta que racionamento de energia em 2022 pode zerar o PIB brasileiro (Climainfo)

    A corretora XP somou um risco de racionamento de 30% com o aumento da inflação e as incertezas da política econômica e fiscal do governo para projetar um aumento na taxa de juros e um crescimento pífio da economia no ano que vem. Se o governo decretar um racionamento, nem crescimento haverá. Em conversa com jornalistas, economistas da corretora dizem estimar que um racionamento de 10% no consumo retira 1,2 pontos do PIB. A conversa foi relatada no UOL e na Folha.
    Ao Valor Investe, Luiz Barroso, da consultoria PSR, disse que há um risco de racionamento de 20% e um risco de 30% de que o sistema elétrico opere de forma “apertada” neste ano, podendo sofrer com blecautes pontuais em horários de pico de demanda. Barroso entende que as iniciativas do governo ajudam a afastar o racionamento.
    Para o Poder 360, o ministro Bento disse que “não há data determinada para isso terminar”, e, tentando justificar, acrescentou que “estamos vivendo uma crise hídrica que mês a mês as afluências são menores e isso tira a previsibilidade de quando essa crise hídrica vai terminar”. Os meteorologistas têm previsões bastante acuradas para a chuva que cairá nos próximos meses. O pior cego é o que diz que não consegue ver nada.
    Camille Lichotti, na Piauí, liga corretamente os pontos: uma seca provocada pela mudança do clima que, por sua vez, vem sendo intensificada pelo desmatamento da Amazônia, o que faz o governo acionar todas as térmicas possíveis, aumentando as emissões de gases de efeito estufa e, junto, o aquecimento global. Acrescente-se que a redução do volume de grãos transportados pela hidrovia Tietê-Paraná leva a um aumento do transporte rodoviário responsável por 20% das emissões pela queima de combustíveis fósseis, ou 5% do total de emissões brasileiras.
    A consultoria MegaWhat estima que a tremenda alta na conta de luz não será suficiente para pagar todas as térmicas este ano. Segundo matéria do Valor, ficará um ajuste de R$5 bilhões para entrar nos reajustes das tarifas (e não bandeiras) no ano que vem. Com o grave risco de que, em sendo ano eleitoral, o governo Bolsonaro pendure a conta para um possível futuro governo.
    Para quem quer entender melhor a dimensão da crise e as perspectivas para 2020, vale ouvir o podcast d’O Globo com a conversa entre a jornalista Fernanda Trisotto e o economista Roberto Brandão, da UFRJ.
    Um alerta para os defensores das térmicas a gás: não só o preço do gás disparou aqui, como ele vem aumentando mundo afora. No Reino Unido, o preço da eletricidade das térmicas a gás está 11 vezes acima do que seria considerado normal. Com o inverno chegando no hemisfério norte, a demanda por gás deve aumentar, arrastando o preço do fóssil para cima. Assim, as perspectivas para a virada do ano parecem trazer mais aumentos nas nossas contas de luz. Vale ver as matérias do Financial Times e The Telegraph.
    16 set. 2021

    Represas em São Paulo em situação crítica e a tendência é piorar

    Pedro Luis Côrtes, professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do IEE (Instituto de Energia e Ambiente) da USP: “A situação vem piorando de maneira significativa e a tendência é permanecer nesse ritmo pelo menos até a virada do ano porque as previsões climáticas dão conta que as chuvas vão diminuir na primavera e no verão”. Segundo o especialista, os atuais níveis estão mais baixos que em 2013, ano anterior da pior crise hídrica da história do estado de São Paulo, de 2014 a 2015. Em 18 de agosto de 2013, o volume total armazenado era de 60,4%, cifra que atualmente é de 45%.
    Resgatamos esse trecho do Agora São Paulo de 18 de agosto e é importante ter em conta que a situação realmente piorou. Um exemplo: o reservatório de Ilha Solteira (SP-MS), no rio Paraná chegou a ZERO% de volume útil.
    16 set. 2021

    Represas em situação crítica também na bacia do rio Paraguai

    A represa de Manso, no rio do mesmo nome, localizada no Mato Groso, na alta Bacia do rio Paraguai, estava ontem, dia 15 de setembro, com 11,38% de volume útil. E para complementar o quadro, a afluência era de 55,24 ms3/segundo e a defluência 91 ms3/segundo.
    Na bacia do rio Paraná a primeira das cinco represas no leito do rio, a de Ilha Solteira, estava com O% de volume útil no dia 15. A afluência era de 1.938,23 ms3/segundo e defluência era de 4.107 ms3/segundo.
    16 set. 2021

    Corrigindo informações publicadas em diferentes sites

    A Hidrovia Paraná-Paraguai não tem conexão com a Hidrovia Tietê Paraná. A primeira conecta (quando tem água) Cáceres (MT) com Nueva Palmira no Uruguai, atravessando o Paraguai e a Argentina. A Tietê-Paraná conecta alguns estados brasileiros (MS, GO, MG, SP) através do rio Paraná e alcança Pederneiras (SP), no rio Tiete.
    Outra: no leito do rio Paraná não existem 20 represas, como alguém disse para o Mongabay em espanhol. São 5: Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera, Itaipu e Yacyretá. Itaipu entre Paraguai e Brasil e Yacyretá entre Argentina e Paraguai.
    16 set. 2021
    O estado do Paraná tem 21% da bacia do rio Paraná e praticamente todas as suas sub-bacias estão em situação crítica. Curitiba, a capital, está em emergência hídrica desde 2020. A população da Grande Curitiba é abastecida em sistema de rodízio.

    rios do paraná em situação de crítica
    Fonte: IAT/PR.

    15 set. 2021
    Artigo escrito por Alcides Faria, biólogo e diretor-executivo da Ecoa, publicado hoje, “Causas da crise hídrica: o desmatamento das florestas e do cerrado na bacia do rio Paraná”, apresenta dados como a quantidade de hidrelétricas no rio Paraná, a contribuição hídrica do Cerrado para a vazão da bacia do rio Paraná, e fatos como o desmatamento ocasionando crise hídrica na região.
    “O desmatamento altera os processos naturais da água em cada microbacia hidrográfica. A vegetação nativa, adaptada, tem o papel de manutenção da umidade e controle da velocidade e volume das águas que chegam até os cursos d’água, tanto das águas que escorrem na superfície, como das águas que infiltram no solo, alcançando os lençóis subterrâneos”, diz Faria, e complementa: “Menos vegetação nativa menor abastecimento dos lençóis e menos água para córregos e rios.”.
    Leia mais aqui.
    15 set. 2021

    Argentina

    Gustavo D’Alessandro, presidente do Conselho Hídrico Federal.
    As coisas até pioraram à medida que se sobe rumo ao norte. “O porto de Barranqueras está sem operar porque as barcaças não podem entrar”, informa D’Alessandro. Por ali chegam os hidrocarbonetos que abastecem quatro províncias do nordeste argentino, que agora devem ser transportados em caminhões, o que encarece o transporte, diminui a quantidade e aumenta o tempo de viagem.
    14 set. 2021

    Dragagem e explosões de rochas no rio Paraguai, no Paraguai

    – Ex-ministro critica.
    O Ministério de Obras do Paraguai faz dragagem do rio Paraguai no país em três regiões. O engenheiro responsável, Benjamin Martinez afirma que o Ministério prepara-se para explodir rochas no próximo ano para garantir a navegação. O ex-ministro do Meio Ambiente do País, Oscar Rivas, afirma que “Eles vão piorar o problema, pois com isso drenam o que sobrou de áreas úmidas! A pouca água conservada no território passará pelo canal a descoberto. Tudo para favorecer o transporte por um período muito curto. Vamos adaptar os barcos aos rios!!!!! E não dos rios para os barcos!!!”
    14 set. 2021
    Yaciretá, a represa que gera 14% da energia consumida na Argentina e situada entre este país e o Paraguai, está operando com 50% de sua capacidade. A queda dos níveis de água nos rios Paraná e Paraguai afeta a economia diretamente: 85% das exportações argentinas saem em grandes barcos dos portos do Paraná inferior. Por lá passam 73% das exportações paraguaias e 20% das bolivianas. No Brasil a hidrovia Tietê-Paraná foi fechada por falta de água para a navegação.
    14 set. 2021
    Andrés Sciara, professor e pesquisador na Universidade de Rosario, no documentário “Bajo Rio.”Desde 2015 não há uma grande inundação que gere o estímulo e o espaço de procriação de peixes que depois mantenha a população até o ciclo de chuvas seguinte. Se a situação atual continuar, o grupo de peixes mais pescado viverá uma situação crítica”.
    14 set. 2021

    Crise hídrica se agrava e o governo segue negando a gravidade (Climainfo)

    Uma das maiores hidrelétricas do país está quase parada: o nível da represa de Ilha Solteira (3,4 GW) estava com menos de 1,5% da sua capacidade, segundo Gustavo Basso, no Yahoo Notícias. A chinesa CTG, dona da usina, disse que o nível está em 323 metros e que a usina pode operar até um nível de 314 metros.
    A rigor, há duas crises hídricas se sobrepondo neste momento. A primeira é a que ocupa espaço em todos os jornais: choveu pouco no último verão e os gestores do sistema elétrico preferiram gastar água para tentar segurar a tarifa. Sérgio Cortizo escreveu para o UOL mostrando, a partir de dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) que, entre o final de novembro e as chuvas de dezembro, faltará potência para atender à demanda do sistema. Suas contas indicam que haverá um déficit equivalente a uma semana de geração. Já o diretor geral do ONS, Luiz Ciocchi, acha que o sistema elétrico atravessará os próximos meses sem problemas. Como é de praxe nesse governo, não mostrou dados que sustentem sua opinião. Segundo matéria do Valor, ele disse que a recente inauguração de mais uma linha de transmissão e a entrada de mais uma térmica a gás darão conta do recado.
    A segunda crise é que há 20 anos, em média, chove cada vez menos. Uma bola cantada por climatólogos e reforçada no recente relatório do IPCC. Ou seja, além de se recusar a enfrentar a gravidade do momento, o governo contribui para agravar a mudança do clima e, portanto, acelerar as próximas estiagens, ao insistir em ligar térmicas a gás e a carvão. Ricardo Baitelo, do IEMA, aponta para a necessidade de se diversificar a matriz elétrica, contratando-se mais eólicas, fotovoltaicas e a cogeração a biomassa: “Uma recuperação verde contra a bandeira vermelha”. Sob esse ótimo título, ele lembra, em artigo publicado no Valor, do desperdício de energia por conta do enorme parque de equipamentos ineficientes quando comparado ao que existe mundo afora.
    Ontem o governo criou uma empresa que parece inspirada em animais mitológicos. Tem uma cabeça binacional para ser a parte brasileira de Itaipu, um corpo nuclear para cuidar das usinas de Angra e das projetadas e duas patas – uma para melhorar a eficiência do uso da eletricidade e outra para continuar subsidiando usinas renováveis do começo do século. A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) é a parte não privatizável da Eletrobrás e já nasce com um orçamento de R$4 bilhões para o ano que vem. Até ontem, o governo não explicou como será a estrutura organizacional do novo grifo (ou qualquer outro bicho fantasioso). O Globo soltou duas matérias sobre a ENBPar. A notícia também saiu na Folha e na CNN.
    13 set. 2021

    A crise energética derruba o PIB (Climainfo)

    Por enquanto, o grande impacto da crise hídrica sobre o sistema produtivo é o aumento da conta de luz. Segundo o UOL, o presidente do Banco Central entende que os juros terão que subir para segurar a inflação. Juros mais altos reduzem a atividade econômica e, portanto, o PIB. Com menos PIB gasta-se menos água, mas aumenta-se o desemprego e o espectro da fome no prato de quem não tem como se defender.
    A tragédia não para aí. As projeções de chuva para este final de ano não são das mais animadoras. Estima-se que os reservatórios passarão o réveillon com menos de 15% da sua capacidade.
    Muita gente pede uma atuação mais decisiva do governo, como aconteceu em 2001. A avaliação é que, apesar do PIB ter caído em relação ao que vinha acontecendo desde o Plano Real, o tombo teria sido ainda maior sem medidas governamentais fortes. A crise foi um dos fatores importantes no ano seguinte quando Lula chegou à presidência pela primeira vez. Vale ver a matéria da Veja sobre apagões e os custos econômicos e políticos.
    Edvaldo Santana, ex-diretor da ANEEL, voltou à carga no Valor. Ele afirma que a gravidade da atual crise estava claramente colocada ainda no começo do ano. A decisão de empurrar com a barriga é típica de quem não é do ramo, como o ministro Bento. Se um racionamento tivesse sido adotado em junho, o impacto sobre a economia e, principalmente, sobre os consumidores mais pobres já teria sido menor. Santana cita que, neste caso, o custo da crise estaria por volta de R$20 bilhões. Bem salgado, mas muito menor do que os R$110 bilhões que ela está custando agora. Parte gorda da diferença irá para o bolso dos donos das térmicas e para quem vende petróleo e gás para estas. Outra parte irá para quem aderir aos planos voluntários de redução de consumo.
    Santana diz que os pequenos consumidores, responsáveis por ⅓ do consumo, pagarão mais de ⅔ da conta. Falando do vício de linguagem do setor, ele crava: “o fim, ‘nossas’ térmicas + ‘nossas’ hidrelétricas + ‘nossas’ distribuidoras + ‘nosso’ sistema de transmissão resulta bem maior que os ‘vossos consumidores’, vistos, sim, como meras externalidades a um sistema que é pródigo em criar e encarecer crises e em transferir despesas”.
    Por falar em Bento, no meio de uma das piores crises energéticas da história, o ministro foi viajar para o exterior novamente, como fez em julho e, de novo, no mês passado. E, novamente, foi tratar de energia nuclear, sua paixão. A Veja e o Antagonista comentaram a viagem.
    A ANEEL pretende contratar mais térmicas para fornecer energia entre abril do ano que vem e dezembro de 2025. A justificativa é poupar água dos reservatórios, sendo que, dada a urgência colocada pela crise hídrica, avaliam se é o caso de convidar empresas no lugar de realizar um leilão. Leilões foram adotados para comprar energia pelo menor preço. Ou seja, há um risco da conta de luz seguir alta até 2025, mesmo se voltar a chover bastante. Um preço que o próximo governo herdará.
    A notícia saiu na Folha, n’O Globo e no Correio Braziliense. Vale ver a matéria do G1 sobre o nível dos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste que bateram em 19% da sua capacidade neste final de semana.
    13 set. 2021
    Um vídeo importante, com cerca de 11 minutos, elaborado pela Universidad Nacional de Rosário, Argentina, sobre os níveis muitos baixos do rio Paraná. Está em nosso canal do youtube.

    13 set. 2021

    A crise e os royalties de Itaipu para Paraguai

    O Paraguai tem recebido menos de Itaipu porque a usina está gerando menos energia devido à crise da água na bacia do rio Paraná. Já quanto aos royalties – a compensação paga por Itaipu ao Brasil e ao Paraguai pela utilização das águas do rio, os valores aumentaram com relação a 2020. De janeiro a agosto, o Paraguai recebeu US$137,3 milhões, o que é 4,9% mais do que em 2020 no mesmo período, quando recebeu US$130,9.
    O repasse de royalties é feito dois meses após o “fato gerador”. Isto é, o repasse de agosto, por exemplo, refere-se ao que a usina produziu dois meses antes, em junho quando tinha mais água para gerar energia. A partir de julho há queda na geração com menor uso de água.
    Os royalties são compostos também pelo ajuste do dólar, que é referente à energia gerada no ano anterior. O valor dos royalties é repassado ao governo do Paraguai e, no Brasil, ao Tesouro Nacional, que depois distribui aos municípios, estados e órgãos federais que têm direito ao benefício.
    Com H2Foz e ABC Color.
    10 set. 2021

    Crise na geração de energia também no rio Xingu

    O grande problema na geração de energia na bacia do rio Paraná, com alta concentração de hidrelétricas, tem somado o do rio Xingu.
    A publicação Poder360 informa que a usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, está gerando muito menos que o esperado: 3% da energia projetada. Sua capacidade geradora é de 11.233 MW, mas gerou apenas 244 MW na quarta, dia 9 de setembro. A água é suficiente para mover apenas uma das 18 turbinas desde 4 de agosto.
    usina monte belo
    Saiba mais sobre a usina Belo Monte aqui.
    9 set. 2021

    Crise hídrica na bacia do rio Paraná é destaque do The New York Times de ontem (8)

    Lucas Micheloud, membro da Associação Argentina dos Advogados Ambientalistas, foi um dos entrevistados. A Associação acredita que é preciso “avanzar hacia una gestión de cuencas con mirada de justicia social y ecológica, evitando el ecocidio de nuestros ríos.”.

    9 set. 2021

    Paraguai – Menos água, menor orçamento

    O jornal paraguaio ABC Color informa que o Paraguai perderá recursos com a menor geração de energia das usinas de Itaipu (Brasil – Paraguai) e Yacyretá (Paraguai-Argentina). O País não terá problemas de abastecimento, mas o orçamento do país terá impacto.
    O Paraguai recebeu de Itaipu entre janeiro e agosto 311,9 milhões de dólares, valor 5,5% menor que o do mesmo período do ano passado. A queda maior foi no item compensação: o preço pago pelo Brasil ao Paraguai pela energia não consumida. De janeiro a agosto de 2020, Itaipu pagou US$ 162,2 milhões; este ano, US$ 138,9 milhões, 14,5% menos.
    No outro grande rio do Paraguai, o Paraguai, o problema do nível baixo também é grave.
    As perdas monetárias de Argentina, Brasil e Paraguai com a menor quantidade de água na bacia do rio Paraná é enorme, principalmente na geração de energia e na navegação.
    Informações: Abc Color e H2Foz.
    9 set. 2021

    Nível das represas que armazenam 70% das águas geradoras de energia está abaixo de 20%

    Jornal Nacional (JN), da Rede Globo, informou ontem, dia 8 de setembro, que “de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o nível médio de água nos principais reservatórios está hoje abaixo de 20%. Por medida de segurança, recomenda-se o desligamento das usinas quando a concentração de água chegar a 10%.”
    O JN mostra que o “Sudeste e Centro-Oeste, que concentra 70% de toda a água armazenada no Brasil”, o que, basicamente, para o caso das hidrelétricas, trata-se das bacias dos rios Paraguai e Paraná.
    Segue o JN: De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o nível médio de água nesses reservatórios está hoje abaixo de 20%. Uma das mais importantes, que é a de Furnas, tem apenas 16%. Outros reservatórios estão com o nível de água ainda mais baixo: é o caso de Ilha Solteira, Nova Ponte, Marimbondo, Emborcação e Itumbiara.
    Professor Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Petrobrás, criticou a lentidão do governo: “A crítica que eu faço é que isso demorou, com os indícios de que não estava bem a hidrologia já desde o ano passado. As curvas mostram que a afluência de água já mostrava um declínio e seria prudente que medidas fossem tomadas com antecedência”.
    9 set. 2021

    Conta de luz é a 1ª prestação do prejuízo causado pelo desmatamento (Climainfo)

    O desmatamento da Amazônia contribui duplamente para a seca no Sudeste e no Centro-Oeste: menos água é transportada do Atlântico pelos ciclos de evapotranspiração até as nascentes do rios voadores nos Andes e, ao emitir quase 1 bilhão de tCO2e por ano, ajuda a tornar o clima mais seco nesta região. Pedro Cortês, da USP, explicou ao El País que “o que está sendo precificado na conta de luz é o desmatamento da Amazônia”. Cortês também diz que “em agosto de 2020, já sabíamos que a estiagem viria”. A pouca chuva no último verão só aguçou a situação dos reservatórios. Roberto Araújo, do Ilumina, disse ao UOL que “a gente vem assistindo, desde 2014, um esvaziamento constante dos reservatórios. Já estávamos avisados de que teríamos problemas”. O governo, por sua vez, insiste na narrativa de que foi pego de surpresa. Se bem que, lentamente, ela está mudando. O ministro Bento disse ao O Globo que a crise não termina este ano e que será preciso monitorar os próximos anos. Sobre a relação entre o desmatamento da Amazônia e a crise hídrica, vale ver a matéria de Naiara Albuquerque na Galileu.

    A consultoria PSR estima em 20% o risco de racionamento e acredita que o risco de blecaute é maior do que o de racionamento. Eles sugerem que o governo tenha pronto um plano de contingência: “A preparação destas medidas não significa que elas serão utilizadas, e sim uma questão de prudência”. O Canal Energia traz mais informações da publicação da PSR, o Energy Report. A MetSul, em consulta com vários meteorologistas, avisa que é grande a chance de que as chuvas de outubro e novembro fiquem abaixo da média histórica. Ao Poder 360, o senador Eduardo Braga disse que também acha que há um risco “seríssimo” de ser preciso decretar um racionamento já no mês que vem.

    O impacto da crise na economia e, em especial, na inflação é objeto de duas matérias na Folha: uma sobre a reação das empresas e outra sobre o entendimento do Banco Central. Inflação e economia também são os focos de matérias do Correio Braziliense, CNN Brasil, Colabora. A CNN Brasil publicou outra matéria sobre a reação das empresas.

    Manoel Ventura, n’O Globo, conta uma Medida Provisória permite às distribuidoras adiar o pagamento de impostos até o final do ano para aliviar a pressão no caixa da entrada das caras termelétricas fósseis.

    Ainda em junho, o governo autorizou aumentar a importação de eletricidade dos vizinhos. O problema, segundo matérias n’O Globo e no Jornal Nacional, é que ela custa 12 vezes mais do que as eólicas e fotovoltaicas no país.

    6 set. 2021

    Argentina: 60 cidades com escassez de água

    Gabriel Fuks, chefe de uma equipe do governo argentino que coordena a resposta a emergências no país afirmou ao The New York Times que nunca imaginou que o nível do rio chegaria ao que chegou agora: “Não estávamos preparados para esta emergência”. Fuks informa que a maior prioridade do governo é ajudar as cerca de 60 cidades ao longo do rio que estão enfrentando uma perigosa escassez de água. Na cidade de Paraná, às margens do rio, uma bomba que fornece 15% da água para uma cidade de 250.000 habitantes deixou de funcionar porque o nível da água estava muito baixo.
    As poucas chuvas desde 2020 já derrubaram o Produto Interno Bruto (PIB), do agronegócio, em 2,8%. Matéria da Folha de S. Paulo do dia 3 de setembro diz que a “falta de chuva prejudica a produção na agropecuária, eleva custos na indústria, pressiona a inflação e, assim, atinge o consumo das famílias.”.
    6 set. 2021
    O New York Times tratou da situação extrema do rio Paraná produzindo matéria com o título “El Paraná se marchita y com él seca un pilar económico de Sudamerica”.
    No texto o jornal mostra que “o segundo maior rio da região está ficando sem água em meio à pior seca em 70 anos, colocando em risco os ecossistemas, o comércio e a subsistência.”
    Segue o NYT: “Numa região que depende fortemente dos rios para gerar energia e transportar os produtos agrícolas que são o sustentáculo das economias nacionais, o recuo do segundo maior rio do continente também prejudica as empresas, ao aumentar os custos de produção de energia e transporte marítimo.” – com tradução livre.
    Para Lucas Micheloud, membro da Associação Argentina de Advogados Ambientais, a situação é muito mais do que um problema hidrológico. A autora do texto ouviu Lincoln Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que afirmou que fenômenos extremos, como a seca que atinge grande parte da América do Sul, estão se tornando “mais frequentes e intensos”. Lincoln trabalhou no último relatório do Grupo Intergovernamental de Especialistas. sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.
    Para o governo argentino a prioridade é resolver os problemas de abastecimento de 60 cidades que dependem das águas do rio.
    6 set. 2021

    Falta de água “seca” a economia e estragos são previstos para 2022

    As poucas chuvas desde 2020 derrubaram em 2,8% o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio entre abril e junho de 2021, ante o trimestre imediatamente anterior. Informação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 2 de setembro. Em matéria de 3 de setembro, a Folha de S. Paulo diz, após ouvir consultorias econômicas, que a “falta de chuva prejudica a produção na agropecuária, eleva custos na indústria, pressiona a inflação e, assim, atinge o consumo das famílias. Se não bastasse isso, uma parte dos analistas demonstra preocupação com os riscos de racionamento obrigatório de energia elétrica e eventuais apagões devido à seca.”
    3 set. 2021

    Meteorologistas alertam para chuvas abaixo da média (Climainfo)

    A dança da chuva do Planalto não deve estar funcionando. O Cemadem (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) avisou que teremos mais uma estação chuvosa com menos chuva, o que irá piorar a já grave crise hídrica. Em agosto, já havia a quase certeza de que aconteceria um novo La Niña ainda este ano, trazendo menos chuva para o Sudeste e o Centro-Oeste. O Globo reproduz um gráfico do Cemadem com a variação das chuvas em relação à média histórica. Não é crível alguém dizer que foi pego de surpresa – pelo menos desde 2002, chove menos em quase todo o país. E não há dúvidas de que a Amazônia, desmatada, não transfere mais tanta água para o sul.
    Ontem, as represas do Sudeste/Centro-Oeste estavam com 21% de sua capacidade, segundo o site Metropoles e o ONS. Apesar disso, não há risco de as usinas hidrelétricas pararem, ao contrário do que disse o presidente outro dia – a Folha comentou a fala de Bolsonaro. O risco cada dia mais agudo é não ter água suficiente para suportar os picos de demanda que começam no meio da tarde quando os aparelhos de ar condicionado funcionam a plena carga, o que pode provocar apagões.
    Elena Landau, ex-presidente do Conselho de Administração da Eletrobras, falou à UOL. Ela usou a palavra “grave” repetidas vezes para se referir à crise e falou da péssima gestão e comunicação por parte do governo na condução da economia, o que está nos levando de volta a uma inflação de dois dígitos, penalizando, como sempre, os mais pobres. “Pagar mais pela energia por questão climática, tudo bem, mas por incompetência, não”.
    Numa live do Valor, Fernando Barbosa, do Bradesco, entende que estamos em “um nível bastante desconfortável. Não parece prudente do ponto de vista da segurança do setor que se opere ao redor de 10%.” Mas, talvez para não desmentir o ministro Bento, completou: “Nossa conta é que vai bater na trave, mas não entrar no gol. Ou seja, ficaremos próximos de ter racionamento.”
    Empresários que conversaram com a Exame estão pedindo a volta do horário de verão, extinto em uma das primeiras medidas do governo Bolsonaro. O argumento era o de que a mudança de horário economiza pouca energia. Diante do quadro atual, qualquer pequeno bocado faz diferença.
    2 set. 2021

    Economista fala sobre efeito da crise hídrica na economia – Reuters

    “O que me deixa mais preocupado é para a frente, quarto trimestre, ano de 2022. Se o risco hídrico, se concretizar, o PIB do ano que vem tem uma possibilidade de caminhar para zero. Não é nosso cenário base, mas tem que se levar em consideração. Reservatórios em baixa não é algo que se resolva rápido. O que aprendemos é que o risco é pequeno, mas está aumentando”. Diretor de pesquisas para América Latina do BNP Paribas, Gustavo Arruda.
    Comentário: os efeitos já estão à vista. Exemplo: reservatórios que abastecem a grande São Paulo estão muito baixos, o que a partir de 2013 teve efeito desastroso na economia.
    2 set. 2021

    Grande São Paulo com reservatórios em níveis críticos

    – A Folha de São Paulo publicou matéria no dia 1/9/21 mostrando que estão com menos água do que 2013, ano de início da outra grande crise.
    – A população da Grande São Paulo é de cerca de 21,6 milhões de habitantes.
    “Os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo estão atualmente com níveis de armazenamento inferiores aos que tinham em 2013, um ano antes da pior crise hídrica do estado, que durou de 2014 a 2015.
    Em alguns casos, a diferença do volume total armazenado supera 14 pontos percentuais, na comparação com o nível de com oito anos atrás.
    Nesta quarta-feira (1º), por exemplo, o Sistema Cantareira, principal fornecedor da região metropolitana de São Paulo, tem 37% do volume operacional, com 363,07 hm³ de água. Em 2013, o nível era de 47,1% e 462,61 hm³ (um hectómetro cúbico equivale a 1 milhão de metros cúbicos).
    Já o reservatório do Alto Tietê, outro sistema importante para a Grande São Paulo, apresenta 44,5% e 249,44 hm³, ante 58,5% e 304,70 hm³ em 2013.”
    2 set. 2021

    Perdas de bilhões na navegação com a crise da água no rio Paraná

    Com a crise da água na bacia do rio Paraná e com baixo nível do caudal dos rios é noticiado perdas de bilhões na Argentina, Paraguai e no Brasil, por condições deficientes de navegação ou fechamento de via, como ocorreu a partir de 27 de agosto de 2021 com a hidrovia Tietê-Paraná. A situação é agravada pela retenção de água em reservatórios de represas para geração de energia.
    Na Argentina, a Bolsa de Comercio de Rosario calcula o prejuízo com o transporte limitado pelo rio Paraná alcança já 315 milhões de dólares.
    Em 2020 as perdas também foram altas, ultrapassando os 220 milhões. No Brasil, o fechamento da Tietê-Paraná gerará perdas de R$3 bilhões – aproximadamente US$ 600 milhões – para o setor hidroviário, cálculo do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros.
    2 set. 2021

    A crise e os custos da energia elétrica

    (Climainfo)

    Governo anuncia nova bandeira tarifária, mais cara, e vê demanda elétrica totalmente atendida ao menos até novembro
    A Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG), criada pelo governo federal para lidar com os efeitos da crise hídrica na geração elétrica, anunciou a criação de uma nova bandeira tarifária para conter o consumo de energia elétrica pelos consumidores brasileiros. A partir de hoje, a bandeira de escassez hídrica cobrará R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora (kWh), um aumento de 49,6% em relação à bandeira vermelha 2 (R$ 9,49), a mais cara até então. Por ora, o novo valor vai vigorar até o final de abril de 2022. A estimativa é que a conta de luz fique, em média, 6,78% mais cara nos próximos meses. Estadão, G1, UOL e Valor deram mais informações.
    A CREG também validou a análise feita pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) um dia antes, que concluiu que as medidas tomadas para minimizar o impacto da crise hídrica na capacidade elétrica nacional tiveram efeito positivo e que a demanda elétrica será plenamente atendida sem a necessidade de ações adicionais (como racionamento), ao menos até novembro, a despeito dos cenários sombrios do Operador Nacional do Sistema (ONS) e da consultoria PSR.
    Já Anne Warth explicou no Estadão a “surpresa” embutida na proposta de bonificação anunciada pelo governo para premiar os consumidores que reduzirem voluntariamente sua demanda elétrica. O desconto será de R$ 0,50 por cada kWh do volume de energia economizado dentro da meta de 10% a 20% na comparação com a média mensal de consumo entre os meses de setembro, outubro e novembro de 2020. Pela matemática financeira do governo, o bônus será pago pelo próprio consumidor por meio de aumentos diluídos na conta de luz de todos os consumidores.

    1 set. 2021
    Por Luiza Rosa.
    O Diário da Crise Hídrica é um trabalho de monitoramento feito pela Ecoa para  trazer ao público as várias faces e causas da falta de água que afeta principalmente a bacia hidrográfica do rio Paraná (Brasil, Paraguai e Argentina). Este território é o centro econômico desses países e a falta de água tem efeitos sobre várias atividades, até mesmo sobre o abastecimento humano. Curitiba (PR), por exemplo, está sob emergência hídrica desde 2020. A Hidrovia Paraná-Paraguai, na Argentina, tem problemas desde o ano passado e a Tietê-Paraná deixou de funcionar no dia 27 de agosto de 2021. Na bacia do rio Paraguai, onde está o Pantanal, a crise é gravíssima, o que pode ser medido pelos incêndios de 2020.

    bacia do rio paraná
    Localização da Bacia do rio Paraná na América do Sul. Mapa desenvolvido pela Ecoa.

    Somente no Brasil, a região hidrográfica do rio Paraná, cuja vegetação nativa é o Cerrado, tem uma área de 879,86 Km, quase 88 milhões de hectares, 10% do território brasileiro. Mais de 60 milhões de brasileiros vivem nela, é o centro da economia do país. Fazem parte da bacia os estados de São Paulo (25% da região); Paraná (21%); Mato Grosso do Sul (20%); Minas Gerais (18%); Goiás (14%); Santa Catarina (1,5%) e o Distrito Federal (0,5%).
    O Cerrado é a “caixa d’água” do Brasil: é a origem de oito das 12 bacias hidrográficas brasileiras. O iminente colapso do bioma, em decorrência do desmatamento, e o agravamento das secas acarreta menos água para as populações rurais e urbanas e para a agricultura. A menor vazão dos rios também afetará a geração de energia hidrelétrica, com provável escassez.
    Entenda o que vem ocorrendo em cada país da bacia do rio Paraná e Paraguai, de julho até hoje.

    Argentina
    A crise hídrica no país, já havia sido anunciada por movimentos ecologistas, segundo o advogado ambientalista Jorge Daneri, que declarou, no dia 13 de julho, que o país está planejando um Comitê da Bacia para gerenciamento da crise.
    No dia 9 de julho, houve um chamado urgente para que fosse vedada a pesca na bacia do rio Paraná enquanto se mantivesse as condições hidrológicas de seca. O governo argentino decretou, no dia 28 de julho, “emergência hídrica” por 180 dias.
    Não há água nem para navegar no rio Paraná, muitos navios cargueiros estão saindo do maior polo agroexportador da Argentina, em Rosário, com menos carga do que o normal devido ao baixo nível do rio Paraná.
    A represa Yacyretá está com operação em 50% e o Centro de Monitoreo Meteorológico (SAT) emitiu um informe especial que aponta para baixa possibilidade de chuvas durante a primavera e o verão em toda a bacia do rio da Prata (rios Paraná, Uruguai e Paraguai).
    A baixa histórica do rio Paraná, na Argentina, pode ser vista pela imagem produzida pela Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), reproduzida abaixo, que compara a condição do rio em 2014 e em 2021.

    Imagem gerada por DEFIS/Comissão Europeia. Fonte: Metsul.

    O advogado ambientalista Enrique Viale publicou em seu twitter imagens chocantes da seca no rio Paraná, que podem ser vistas abaixo:

    Literalmente caminando sobre el río Paraná… Desolador…

    (foto de ayer domingo. Frente a la ciudad de Paraná. Entre la isla puente y el islote curupi) pic.twitter.com/8IdjKKGXNc
    — Enrique Viale (@EnriqueViale) July 19, 2021

    Paraguai
    O Paraguai está em chamas e a temperatura chega aos 40°C.
    Os rios Paraguai e Paraná encontram-se em seca histórica nunca vivida e está ocorrendo um desmatamento record.
    A COVID-19 segue deixando rastros terríveis.

    Brasil
    A crise da falta de água na bacia do rio Paraná não começou em 2021, mas agora se agravou muito em algumas regiões e vai muito além de problemas para a geração de energia. O lago da usina hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais, no rio Grande, um dos formadores do rio Paraná, recuou 8 kms e os usos da água como irrigação, a piscicultura, os clubes náuticos, a hotelaria, passam por grandes dificuldades em vários municípios.
    O uso de usinas termelétricas por conta da escassez nos reservatórios das principais hidrelétricas deve custar R$13,1 bilhões até novembro deste ano aos consumidores. Devido à crise hídrica, o governo autorizou o uso de todas essas usinas, até mesmo as mais caras, para garantir o abastecimento de energia no País. A despesa bilionária será embutida nas tarifas de energia no próximo ano.
    Oito das vinte turbinas de Itaipú estão desativadas em decorrência da estiagem. O nível dos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste continua caindo e, no dia 27 de julho, bateu o recorde histórico. Segundo Lauro Jardim, n’O Globo, foi menor até do que o ponto mais baixo registrado durante o Apagão de 2001. O sistema segue vulnerável e pode comprometer a retomada da economia pós-pandemia, seja pelo alto custo de operar as térmicas, seja pela necessidade de deslocar o consumo do horário de ponta.
    A Hidrovia Tietê Paraná está paralisada desde o dia 27 de agosto, por falta de água.
    Brasil pode ter a energia mais cara do mundo no fim do ano. País ocupa 2º lugar no ranking da tarifa mais alta, atrás apenas da Alemanha, cujos recursos hídricos são muito inferiores ao do Brasil.
    Dezenas de municípios de cinco Estados brasileiros racionam água: problema está concentrado nas bacias do rio Paraná e do rio Paraguai.
    No Paraná a capital, Curitiba e mais 28 cidades da região metropolitana enfrentam racionamento de água, com 36 horas com abastecimento e outras 36 sem água. Em julho, choveu 14,6 milímetros na região, diante da média histórica de 92,4 mm no mês. Curitiba enfrenta problemas e está sob emergência hídrica há mais de um ano.
    No Pantanal, a cidade de Corumbá (MS) enfrenta problemas para captar água do rio Paraguai, pois o nível está muito baixo, comprometendo a ponte de captação, o que leva a necessidade de uso de bombas móveis e outras medidas. Já em Coxim (MS) município que tem parte de seu território no Pantanal, o problema está no abastecimento na zona rural, pois rios secaram e a administração trabalha com caminhões pipa.
    O problema também alcança Minas Gerais, onde a Grande Belo Horizonte está sob risco. O Rio das Velhas, “responsável por abastecer 60% da região, entrou em estado de alerta no dia 3, segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica”.
    O prejuízo estimado para o PIB brasileiro é de ao menos R$ 60 bilhões, decorrente da safra menor no campo; do aumento da tarifa elétrica e seus efeitos nos setores industriais e de serviços; e do crescimento da inflação. Sem os impactos adversos do clima, a economia brasileira poderia crescer 5,5% neste ano; no entanto, por causa do clima extremo, o crescimento projetado do PIB é de 4,7%.
    Cresce o risco de apagão e o governo dá sinais da possibilidade com medidas como redução na vazão das hidrelétricas, incentivos à indústria para a redução do consumo de energia nos horários pico e flexibilização nas margens de segurança na transmissão de energia. Em setembro novas medidas virão. É o que diz o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Traçarão metas de redução do consumo para clientes residenciais e pequenos empreendimentos em troca de bônus. Como pode-se deduzir, são medidas frágeis diante da gravidade da crise hídrica.
    1 set. 2021

    31 ago. 2021
    Na sexta-feira, 27 de agosto, foi paralisado o transporte de carga na Hidrovia Tietê-Paraná. Entre 2014 e 2016, a via também esteve fechada devido a disputa entre água para gerar energia a partir das represas do rio Tietê ou navegação.
    Em 2020, foram transportados 2,1 milhões de toneladas de grãos, adubo e outras cargas, como milho, soja e cana-de-açúcar, segundo o portal G1. A via de 2,4 mil quilômetros conecta cinco estados: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
    30 ago. 2021

    Economistas falam:

    “Esta crise hídrica não é um desafio só para 2021, mas como vamos lidar com ela indica nossa compreensão ou não da emergência ambiental.”.
    Nicola Tingas, da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) entende que há um ambiente de deterioração das condições econômicas, afetando desde a produção de manufaturados até a agricultura, que também deve ter quebras de safra. Existem problemas de oferta o que pode gerar inflação. “O conjunto diminui a motivação para investir e há uma desaceleração no ritmo de retomada da economia, com riscos que inibem uma maior taxa de investimento.”
    “O pior é a ausência de um planejamento estruturado a médio e longo prazo, já que a as mudanças climáticas tendem a fazer deste um problema frequente”, afirma Rafael Cagnin, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
    Ele avalia que o recurso das termelétricas é razoável para contornar o desafio imediato, mas não serve de resposta definitiva, dado que é mais caro, mais sujeito às variações cambiais e sobretudo incompatível com o meio ambiente.
    (Partes da matéria “La Niña pode reduzir chuvas em até 30% e prejudicar ainda mais hidrelétricas”, da Folha de S. Paulo).
    30 ago. 2021
    “Os técnicos do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) contam com a volta, no fim de setembro, das chuvas ao centro-sul do país, onde a estiagem neste ano colocou em alerta os reservatórios de usinas hidrelétricas.
    Já entraram no radar, no entanto, os possíveis efeitos do fenômeno climático La Niña, a partir de outubro, que poderiam reduzir o volume de chuvas de 10% a 30% na região. “É difícil prever com exatidão qual seria o impacto exato do La Niña nas chuvas deste ano, mas é um fenômeno que torna as frentes frias mais fracas e, sem dúvida, é uma fonte de preocupação.”, disse o metereologista Cleber Souza, para a Folha de S. Paulo.
    O fenômeno causa uma alteração periódica na temperatura das águas do oceano Pacífico, o que tende a reduzir as chuvas no centro-sul do Brasil, agravando a seca na bacia do rio Paraná.”.
    (Folha de S. Paulo)
    26 ago. 2021

    Brasil a caminho do racionamento de energia? Apagão no horizonte?

    Cresce o risco de apagão e o governo dá sinais da possibilidade com medidas como redução na vazão das hidrelétricas, incentivos à indústria para a redução do consumo de energia nos horários pico e flexibilização nas margens de segurança na transmissão de energia.
    Em setembro novas medidas virão. É o que diz o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Traçarão metas de redução do consumo para clientes residenciais e pequenos empreendimentos em troca de bônus. Como pode-se deduzir, são medidas frágeis diante da gravidade da crise hídrica.
    26 ago. 2021

    Argentina. Crise no transporte na hidrovia Paraná-Paraguai se agrava

    O sobrecusto logístico no transporte pelo rio Paraná, entre 2020 e o primeiro semestre de 2021 se aproxima dos 600 milhões de dólares.
    A Bolsa de Valores da cidade de Rosário estimou a perda de carga por navio está entre 6.600 e 9.200 toneladas, o que levou a sobrecustos logísticos na exportação de grãos no primeiro semestre de 2021 a 315 milhões de dólares. No ano passado esses sobrecustos foram de aproximadamente 245 milhões de dólares.
    26 ago. 2021

    Governo negacionista e Itaipu operando com 30% da capacidade

    Em O Globo a jornalista Miriam Leitão afirma que o ministro Bento Albuquerque [Minas e Energia] continua errando ao afirmar que não trabalha com a hipótese de racionamento de energia elétrica. “Na prática, isso já começa a acontecer para os órgãos federais. O governo está atrasado porque é negacionista também nesse assunto e tem medo da queda da popularidade do presidente Bolsonaro”. Miriam informa que Itaipu está hoje gerando 39% da sua capacidade. “Se não fosse a energia dos ventos e do sol, que não havia na crise de 2001, o Brasil já poderia estar em colapso”.
    Itaipu é a última das quatro usinas em território brasileiro. A usina seguinte é Yacyretá, entre Argentina e Paraguai, a qual opera com 50% de sua capacidade segundo a publicação da Página 12.
    26 ago. 2021

    A manchete do El Pais em português: “Invasão de capivaras agita a guerra de classes na Argentina”

    A publicação afirma que a “Presença crescente dos roedores no condomínio exclusivo Nordelta, ao norte de Buenos Aires, reativa as vozes favoráveis a uma lei de uso dos pantanais e desencadeia um debate público sobre os privilégios dos ricos”.
    Essa invasão de “carpinchos”, como são denominadas as capivaras em espanhol, trouxe o debate sobre a ocupação de áreas úmidas por várias atividades, incluindo edificações como é o caso de Nordelta, construído sobre um pantanal. O problema é também uma das faces da crise hídrica que assola a bacia do rio Paraná, uma unidade ambiental comum a Brasil, Paraguai e a própria Argentina. O rebaixamento histórico do nível do rio Paraná faz com que animais como as capivaras busquem áreas como a do condomínio de luxo. São aproximadamente 400 animais que avançam sobre os gramados e plantas ornamentais para ter o alimento que não encontram em outros lugares.
    25 ago. 2021

    Argentina – Rio Paraná baixo e inúmeras consequências, dentre elas problemas para abastecimento de água nas cidades

    O site da publicação Pagina12 elaborou extensa matéria sobre as consequências do baixo nível do rio Paraná e informa que “a baixa altura do rio traz consigo situações que impactam diretamente o meio ambiente, como o aumento do risco de incêndios em pastagens e uma paisagem modificada com braços que encolheram ou restos de areia transformados em ilhas e surgimento de novas ervas daninhas ou espécies invasoras.” (com tradução livre).
    Quanto ao abastecimento de cidades as consequências mais alarmantes com o baixo nível do rio Paraná é o fato de muitas das entradas de água potável estarem a descoberto e a salinidade da calha de água aumentada.
    24 ago. 2021

    Milhões de dólares devido ao rio Paraná baixo

    O Site da publicação argentina Página 12 trouxe como matéria central, no dia 23 de agosto, o cálculo dolarizado do prejuízo na logística causado pelos níveis muito baixos do rio Paraná, rio por onde são transportadas 80% da safra do País. A conclusão: “Os aumentos nos custos logísticos nas exportações de grãos foram de 315 milhões de dólares no primeiro semestre.” A publicação mostra ainda que a situação afeta também a geração de energia na represa de Yacyretá, a última das cinco no leito do rio Paraná – as outras quatro estão em território brasileiro – a produção de arroz, a pesca artesanal e a disponibilidade de água potável. Várias cidades ao longo do rio têm problemas para abastecimento. O governo federal decretou no final de julho Emergência Hídrica por seis meses.
    23 ago. 2021
    A Folha divulgou dados de uma análise da consultoria MB Associados: o prejuízo estimado para o PIB brasileiro é de ao menos R$ 60 bilhões, decorrente da safra menor no campo; do aumento da tarifa elétrica e seus efeitos nos setores industriais e de serviços; e do crescimento da inflação. Sem os impactos adversos do clima, a economia brasileira poderia crescer 5,5% neste ano; no entanto, por causa do clima extremo, o crescimento projetado do PIB é de 4,7%.
    23 ago. 2021

    El Paraguay en llamas

    Por Oscar Rivas, ex-ministro do Meio Ambiente do Paraguai e diretor de Sobrevivência.
    – Los Rios Paraguay y Parana en histórica sequía nunca vivida.
    – El Chaco Paraguayo con peligrosos focos de calor, territorio seco e inminentes grandes fuegos.
    – Sigue la Deforestacion récord.
    – Mas de 5 mil focos de incendios.
    – >40° grados en zonas del país.
    – Miles de especies en grave peligro de muerte.
    El Covid sigue dejando huellas terribles. El panorama está sobrecogedor.

    incêndios no pantanal
    Imagem dos incêndios no Paraguai nos últimos sete dias.

    23 ago. 2021

    A crise hídrica. Falta água para navegação – Hidrovia Tietê Paraná com barcaças paradas.

    – Empresários querem que represas liberem água para barcaças navegarem.

    – Frete de produtos agrícolas subiu 40%.

    – Na Argentina a navegação no rio Paraná está comprometida. O governo central decretou Emergência Hídrica.

    O programa de TV Globo Rural, do dia 22 de agosto, informou que devido ao baixo volume de água no rio Tietê “30 embarcações estão ancoradas no Porto Intermodal de Pederneiras desde junho e 90% das barcaças da região estão paradas. Quem se arrisca a passar pelo ponto mais crítico, precisa estar com, no máximo, 30% da carga.

    O valor do frete aumentou em 40% porque os produtores precisam pagar a quebra do contrato e encontrar uma nova empresa para enviar os cultivos para Santos. Do outro lado, as empresas de transporte aquaviário estão demitindo trabalhadores. Segundo a administração geral dos portos, 80% dos funcionários da unidade de Pederneiras foram dispensados.”

    23 ago. 2021

    Tempestade de areia no leito do rio Paraná, na Argentina

    Revista 170 publicou a imagem abaixo mostrando uma tempestade de areia no leito do rio Paraná, em frente à cidade de Paraná, evidenciando a gravidade da seca vivida naquela bacia. O texto em espanhol: “Los efectos de la bajante prolongada del río frente a la ciudad de Paraná producen vistas difíciles de imaginar tiempo atrás, como esta en la que se ve una tormenta de arena sobre el lecho que quedó al descubierto entre las dos islas – ahora unidas – Curupí y Puente.”.

    rio paraná
    Tormenta de areia na bacia do rio Paraná, na Argentina. Fonte: 170 escalones.

    19 ago. 2021
    Precisamos de outras lógicas para o país – quebrar narrativas e deixar de comprar pelo preço que apresentam. O caso Cantareira e a falta de água em SP é emblemático. (Por Alcides Faria, diretor executivo da Ecoa)
    Outras equações do Cantareira
    Recuperar os 88 mil hectares de pastos existentes no Sistema Cantareira diminuiria a quantidade de sedimentos que chegam nos cursos d’água anualmente em 30%, o que equivale a 78 mil toneladas. Caso as matas ciliares entrassem na dança da recuperação a diminuição seria de 44%, ou 114 mil toneladas – 3.800 carretas com 30 toneladas cada. São dados de pesquisa da Unicamp (matéria abaixo)
    Fiz uma busca rápida de custos de recuperação de pastagens e encontrei valores entre 500 e 3 mil reais.
    Posterior – o valor médio que usei abaixo (2 mil reais)para recuperação de um hectare está alto. Continuarei pesquisando.
    Supondo que no Cantareira esse valor chegue a R$ 2 mil, a recuperação dos 88 mil hectares seria de apenas R$ 176 milhões, muito menos que os bilhões de investimentos anunciados por Alkimin e Dilma para trazer água para São Paulo.
    Considerando que cada hectare recuperado produza apenas mais 40 quilos de carne anualmente, teríamos mais 3,52 mil toneladas de carne disponíveis e, importante, próximo de grandes mercados consumidores. Calculo semelhante pode ser feito para o leite. Ganhos por todos os lados.
    Sobre os ganhos ambientais e o prolongamento da vida dos reservatórios, creio desnecessário comentar.
    – Todos os anos, mais de 260 mil toneladas de sedimentos vão para o fundo dos reservatórios, rios e córregos que formam o Cantareira. A sedimentação implica a piora da qualidade de água, diminuição do tempo de vida útil dos reservatórios e ampliação dos custos de tratamento da água.
    – Caso haja a recuperação de 88 mil hectares de pastos, que ocupam 38% da área total do sistema, a taxa de sedimentação cairia 30%.
    – Se, além da pastagem, as matas ciliares, aquelas localizadas às margens dos rios, também fossem recompostas, a taxa cairia 44%.
    Recuperação de pastos pode melhorar Cantareira, diz pesquisa
    Criado em 10/05/15 14h49 e atualizado em 10/05/15 14h50
    Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil
    Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que a existência de água no Sistema Cantareira depende diretamente da recuperação de áreas de pastagens no local.
    Segundo o autor da pesquisa, Oscar Sarcinelli, paisagens cobertas por vegetação têm maior capacidade de proteger o solo contra o impacto da chuva.
    “O objetivo da pesquisa foi analisar medidas direcionadas à conservação da água na região do Sistema Cantareira”, explicou Sarcinelli. “Há várias propostas: recuperar as matas ciliares, construir novos reservatórios, fazer transposição dos reservatórios do rio Paraíba do Sul para o Cantareira”, disse ao se referir às propostas que exigem muito dinheiro e tempo. Os pastos são uma realidade da região e, por isso, sua melhoria foi uma das alternativas estudadas por ele.
    Terreno sem vegetação propicia erosão e deslizamento de sedimentos. Todos os anos, mais de 260 mil toneladas de sedimentos vão para o fundo dos reservatórios, rios e córregos que formam o Cantareira. A sedimentação implica a piora da qualidade de água, diminuição do tempo de vida útil dos reservatórios e ampliação dos custos de tratamento da água.
    Segundo Sarcinelli, caso haja a recuperação de 88 mil hectares de pastos, que ocupam 38% da área total do sistema, a taxa de sedimentação cairia 30%. Se, além da pastagem, as matas ciliares, aquelas localizadas às margens dos rios, também fossem recompostas, a taxa cairia 44%.
    A pesquisa ressalta que a existência de vegetação traz um grande benefício: boa parte da água da chuva se infiltra no solo, o que alimenta os lençóis freáticos. Mais tarde, quando não houver chuva, a água subterrânea continuará fluindo para as represas.
    Sarcinelli concluiu que o simples manejo dos pastos tem papel importante, e de menor custo, para a conservação dos reservatórios do Sistema Cantareira. O emprego de uma pecuária mais intensiva, com menos área para criação do rebanho, e pastagens mais densas, não só contribuiriam para a sustentabilidade dos reservatórios, como aumentariam a produtividade do setor.
    19 ago. 2021

    A crise hídrica somado ao ar seco tem várias consequências muito graves

    O site H2Foz informa que a Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel) registrou “116 desligamentos no estado causados por queimadas junto à rede de distribuição de energia elétrica, de janeiro a julho deste ano – um aumento de 30% na comparação com o mesmo período em 2020. A seca atual aumenta o risco de incêndio e muitas pessoas insistem em atear fogo inclusive nas áreas perto da fiação. Com vegetação seca nesta época do ano, o fogo pode alastrar-se muito rápido. Segundo a companhia, julho passado concentrou 33 ocorrências, sendo o mês em que se registrou mais queimadas até o momento. Esse número é o dobro dos atendimentos no mesmo mês do ano anterior.”
    18 ago. 2021

    Frente à crise hídrica, governo começa por racionar informações (Climainfo)

    Em linha com a falta de transparência deste governo, desde janeiro de 2019 não se divulga o “risco de déficit” hídrico. Segundo o Estadão, o MME disse que não há uma métrica para se decretar um racionamento e, sim, o acompanhamento mensal do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) e que o “risco” divulgado anteriormente era ineficaz. Não haver divulgação é certamente pior, pois força empresas e o próprio governo a tomar decisões no escuro. Para a consultoria PSR, há um risco de racionamento entre 10% a 40% neste segundo semestre, dependendo da recuperação da economia.
    Segundo o Poder 360, Vicente Andreu, ex-diretor-presidente da ANA (Agência Nacional de Águas), disse em audiência pública na Câmara Federal na 3ª feira, que “o ONS (Operador Nacional do Sistema elétrico) aumentou sistematicamente, mês a mês, mesmo as chuvas não chegando, a operação da geração hidráulica no Brasil, e reduziu, de maneira irresponsável, a geração térmica, provocando artificialmente um esvaziamento dos reservatórios” e acrescentou que “é um padrão que leva à fabricação artificial de crise no final do período chuvoso, gerando uma explosão de tarifas”. Diretores da Aneel confirmaram que a conta, de fato, pode subir ainda mais. Depende, segundo a diretora Elisa Bastos, da “chegada de chuvas” e de os consumidores reduzirem seu consumo, seja por causa do custo ou por entender os recados do governo. Esse aumento pode passar de 16% no ano que vem. A Folha e a Exame acompanharam a audiência.
    Enquanto isso, o ministro de minas e energia, almirante Bento Albuquerque, segue alheio a uma crise hídrica histórica e a um relatório sobre a gravidade da crise climática. Ele foi aos EUA atrair investidores para a exploração de petróleo e gás. Na semana passada, lançou o Plano do Carvão Sustentável. O site do ministério e O Globo falaram da viagem.
    18 ago. 2021

    Os empresários e a crise da água

    “Com o país atravessando uma grave crise hídrica, empresários estão preocupados com a possibilidade de apagão e consequentemente com os custos maiores na conta de luz. É o que aponta um levantamento feito pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) com 572 empresários brasileiros. De acordo com a pesquisa, 83% dos empresários apontaram que o maior medo é o aumento no custo da energia; 63% se dizem preocupados com o risco de racionamento e 61% afirmam estar receosos com a possibilidade de instabilidade ou de interrupções no fornecimento de energia.” (UOL)
    17 ago. 2021

    Geração hidrelétrica e outras fontes

    Em 2001, o Brasil sofreu interrupções no fornecimento de energia, o chamado “apagão”. A geração de fonte hidrelétrica era responsável por 95% da matriz, sendo, ao longo do tempo, reduzida aos 63,5% de hoje.
    As outras fontes e percentuais: eólica – 11%; gás – 8,8%; biomassa – 8,3%; óleo e diesel – 2,5%; solar – 2,5%; carvão – 1,8% e nuclear com 1,2%.
    17 ago. 2021

    Corte de água em hidrelétricas do Paraná mata peixes e ameaça piracema (Folha de S. Paulo)

    “As primeiras semanas de redução da vazão de hidrelétricas no rio Paraná resultaram em grande mortandade de peixes nas regiões que passaram a receber menos água e geraram alertas sobre efeitos na piracema, o período de desova, que se inicia em novembro. O problema é mais visível na hidrelétrica Porto Primavera, operada pela Cesp, na divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul. Em um período de cinco semanas, equipes da empresa encontraram 2,3 toneladas de peixes mortos e resgataram 1,7 tonelada que estavam em situação de risco.”
    17 ago. 2021

    Imagem publicada pela Folha de São Paulo em junho dá uma ideia da gravidade da crise enfrentada pela falta de água nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras responsáveis pela geração de mais de 60% da geração de fonte hidráulica no País.


    16 ago. 2021

    Dezenas de municípios de cinco Estados brasileiros racionam água: problema está concentrado nas bacias do rio Paraná e do rio Paraguai

    No Paraná a capital, Curitiba e mais 28 cidades da região metropolitana enfrentam racionamento de água, com 36 horas com abastecimento e outras 36 sem água. Em julho, choveu 14,6 milímetros na região, diante da média histórica de 92,4 mm no mês. Curitiba enfrenta problemas e está sob emergência hídrica há mais de um ano.
    No Pantanal, a cidade de Corumbá (MS) enfrenta problemas para captar água do rio Paraguai, pois o nível está muito baixo, comprometendo a ponte de captação, o que leva a necessidade de uso de bombas móveis e outras medidas. Já em Coxim (MS) município que tem parte de seu território no Pantanal, o problema está no abastecimento na zona rural, pois rios secaram e a administração trabalha com caminhões pipa.
    Várzea Grande (MT), vizinha de Cuiabá, abriu licitação para a contratar 40 caminhões-pipa.
    O problema também alcança Minas Gerais, onde a Grande Belo Horizonte está sob risco. O Rio das Velhas, “responsável por abastecer 60% da região, entrou em estado de alerta no dia 3, segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica”.
    Aqui no Diário da Crise Hídrica apontamos a situação de outras regiões do Brasil e da Argentina na bacia do rio Paraná.
    (Com algumas informações do Estadão e Campo Grande News)
    16 ago. 2021

    Crise hídrica expõe problemas estruturais do sistema elétrico (Climainfo)

    O sistema elétrico nacional foi construído sobre bases que, desde há algum tempo, não mais se sustentam. Pedro Bara, no Valor, descreve como essas bases foram construídas: “Servindo a uma geração hídrica caracterizada por uma sequência sinérgica de reservatórios de regulação, eventualmente complementada por uma reserva térmica fóssil”.
    Bara conta que o sistema foi planejado para uma vazão dos rios brasileiros que não existe mais. A entrada das eólicas e fotovoltaicas e as grandes hidrelétricas a fio d’água na Amazônia fragilizam o sistema centralizado que não incorpora os custos reais de transmissão na atual divisão em submercados.
    Como a mudança do clima aponta para menos água nos principais reservatórios, Bara diz que não há volta para o passado e que é necessário se repensar o sistema fortemente centralizado, porém frágil.
    11 ago. 2021

    Hidrovia Tietê Paraná na iminência de paralisar por falta de água

    – Na crise anterior ficou paralisada por 2 anos, entre 2014 e 2016.
    – Conflito estabelecido entre reter água nas represas para geração de energia ou liberar para navegação e outros usos.
    Matéria da Folha de São Paulo de 12 de agosto informa sobre a falta de água para navegação normal na Hidrovia Tietê Paraná. As barcaças não operam mais com toda capacidade. Em Nova Avanhandava, no rio Tietê, está o principal gargalo da rota. Entre janeiro e maio, o número de barcaças permitido era de 24. Atualmente, apenas dez trafegam na hidrovia.
    Em 2020, passaram pela hidrovia 6,16 milhões de toneladas de carga. Ela liga produtores de Goiás e do oeste de Minas Gerais a São Paulo pelos rios Paranaíba, Paraná e Tietê.

    10 ago. 2021

    Matéria do site de notícias argentino Misiones Online mostra imagens desoladoras da seca no rio Paraná

    O site de notícias argentino Missiones online publicou imagens desoladoras da seca pela qual o rio Paraná está passando. Além das fotos, há um vídeo gravado sobre o que restou do rio Paraná, em Misiones, na fronteira entre Argentina e Paraguai, no qual um jornalista dá mais detalhes sobre essa crise hídrica.
    O presidente da Argentina declarou emergência hídrica na bacia do rio Paraná e interrompeu obras de infraestrutura e de acesso à água potável.
    O que se busca é otimizar o manejo da crise e a recuperação para a assistência das populações ribeirinhas, tanto no rio Paraná como em seu sistema de afluentes.
    Veja as imagens aqui.
    10 ago. 2021

    Argentina. Poços em Misiones sem água e autoridades preveem prolongada crise hídrica.

    O subsecretário de Proteção Civil de Misiones (Argentina), Jorge Atilio De León, afirma que a atual emergência hídrica em todo o litoral por conta da calha do rio Paraná, tomarão uma série de medidas para enfrentar o problema no “sistema de água de cada município”, fornecendo soluções de perfuração de poços, uma vez que 50 por cento dos perfurados nas cidades do interior já não têm água.
    Jorge Atilio diz que quando o rio Paraná diminui seu nível, traz como consequência a descida de todos os seus afluentes e são mananciais dos municípios da província de Misiones. Conclui que deve-se “cuidar da água, porque vamos ter pelo menos mais alguns meses de crise hídrica e vamos demorar mais alguns meses para recuperar o estado natural que tínhamos do volume de água.” Com informações do Misiones Online.
    10 ago. 2021

    A estrondosa notícia fake sobre cheia nos rios Iguaçu e Paraná em plena seca. Inclusive no meio ecologista foi reproduzida

    Um site em espanhol publicou uma estrondosa notícia no dia 6 de agosto: “Una extraordinaria creciente del Iguazú y del Paraná pone en alerta al Litoral”, com uma imagem das cataratas do Iguaçu com a água barrenta e jorrando em volume espantoso. No corpo do texto diz que “Uma extraordinária enchente do rio Paraná colocou as províncias do Litoral [argentino] em estado de alerta. As chuvas – uma média de 100 milímetros por dia no sul do Brasil e em Misiones [província argentina] nos últimos 10 dias – causaram uma vazão extraordinária na barragem binacional de Yacyretá, que teve que aumentar sua descarga”. E segue mentindo: “Com a situação, os passeios nas Cataratas do Iguaçu ficam suspensos e a água de alguns riachos chega à altura da ponte sobre a Rota Nacional 12, o que gera uma preocupação maior, pois o trânsito nessa estrada ficaria praticamente cortado”.
    09 ago. 2021

    Brasil pode ter a energia mais cara do mundo no fim do ano, diz instituto. País ocupa 2º lugar no ranking da tarifa mais alta (Radar/Veja)

    Até o fim do ano, o Brasil poderá ser detentor de uma triste marca: a de país com a tarifa de energia mais cara do mundo. O prognóstico é o do diretor do Instituto Ilumina, Roberto D’Araújo.
    “Em junho, a Agência Internacional de Energia divulgou balanço relativo às tarifas do ano passado e o Brasil figurava no segundo lugar do ranking da energia mais cara, atrás apenas da Alemanha, país que tem uma bacia hidrográfica menor que a nossa, menos sol e menos vento.”
    06 ago. 2021

    O Climainfo informa que o Governo brasileiro solicitou estudos sobre retenção de água em barragens e sinaliza preocupação com abastecimento

    “O agravamento da crise hídrica no Brasil forçou o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) a solicitar a realização de estudos sobre medidas para preservar mais água nos reservatórios de hidrelétricas durante o período úmido e sobre as condições de atendimento eletroenergético na transição do período seco para a temporada de chuvas de 2021. O objetivo dessas análises é ter mais insumos sobre os cenários de disponibilidade hídrica e geração hidrelétrica em 2022. Ao mesmo tempo, o CMSE também autorizou ações adicionais para aumentar a retenção de água nos reservatórios para garantir o suprimento de energia elétrica no país.”
    Aqui no Diário já informamos que barragens de Jupiá e Porto Primavera no rio Paraná já retêm água por determinação governamental. Situação na Argentina deve agravar-se.
    06 ago. 2021

    Situação das pastagens em algumas regiões é de total desespero

    – É preciso práticas conservacionistas.
    O pesquisador Júlio Palhares, da Embrapa, consultado pelo Canal Rural, afirmou o seguinte sobre a situação das pastagens e a crise da água: “A situação em algumas regiões das quais temos relatos é de total desespero, pois não existe água para os animais ou para qualquer prática pecuária. Os estudos indicam que as mudanças climáticas devem tornar esses eventos mais frequentes e intensos, então nós temos que ser muito preventivos e se preparar para esses eventos. Isso envolve desde práticas conservacionistas na questão de solo, o menor uso de água na sala de ordenha, uma irrigação eficiente, com preceitos técnicos, e a própria nutrição do animal tem uma influência direta no consumo de água do animal. Uma nutrição bem feita reverte-se no consumo adequado de água e, logo, uma maior preservação do sistema de produção.”
    05 ago. 2021

    Mandaram gastar os reservatórios e isso pode levar a apagões

    Matéria do site do “ O Tempo”, de Minas Gerais, sobre a situação crítica de reservatórios de usinas das Centrais Elétricas de Minas Gerais traz declaração do diretor-presidente da Enecel Energia, Raimundo de Paula Batista Neto, sobre o manejo determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Afirma que os reservatórios foram recuperados devido ao menor consumo de energia em 2020 devido a Pandemia, “mas veio o ONS e mandou usar todos os reservatórios. Aquele mau uso do ano passado está fazendo falta agora. Em 2020, estávamos nessa época com alguns reservatórios em 80%, em quatro meses o ONS jogou alguns para níveis bem baixos. Com o auxílio do governo em gastar os reservatórios estamos numa situação gravíssima, que vai piorar, com os reservatórios podendo chegar próximo de zero. Vai ser preciso equilibrar a operação do sistema para assegurar que não tenhamos déficit de energia por algumas horas, os famosos blecautes, apagões”.
    O mapa abaixo mostra o nível mínimo do reservatório da UHE Emborcação, localizada no rio Paranaíba, triângulo mineiro, afluente da bacia do rio Paraná. Fonte: CEMIG.

    04 ago. 2021

    Cerrado em colapso, um risco para o Brasil

    Um grupo de 12 cientistas brasileiros publicou na Global Change Biology  estudo que mostra que o Cerrado brasileiro pode entrar em colapso em 30 anos.
    Alguns dos principais  pontos do estudo:
    – O desmatamento está ampliando os efeitos das mudanças climáticas no bioma Cerrado brasileiro, tornando-o muito mais quente e seco. Os pesquisadores observaram aumentos mensais de 2,24 ° C (4,03 ° F) nas temperaturas máximas médias entre 1961 e 2019. Se essa tendência persistir, a temperatura poderia ser 6 ° C mais alta em 2050 com relação a 1961.
    – A umidade do ar do Cerrado está diminuindo e isto se deve em parte à remoção de árvores, as quais trazem água de até 15 metros abaixo do solo para realizar a fotossíntese durante a estação seca.
    – A substituição da vegetação nativa por plantações também reduz a absorção da luz solar pelas plantas e leva ao aumento da temperatura.
    – Até o orvalho, a única fonte de água para plantas menores e muitos insetos durante a estação seca, está sendo reduzido devido ao desmatamento e ao aumento das secas.
    – O desaparecimento de polinizadores que dependem do orvalho pode provocar um efeito em cascata, impactando negativamente a biodiversidade do bioma.
    – O Cerrado é a “caixa d’água” do Brasil : é a origem de oito das 12 bacias hidrográficas brasileiras. O iminente colapso do bioma e o agravamento das secas acarreta menos água para as populações rurais e urbanas e para a agricultura. A menor vazão dos rios também afetará a geração de energia hidrelétrica, com provável escassez.

    Nota da Ecoa

    Muitas das conclusões dos cientistas sobre os efeitos da destruição do Cerrado já manifestam intensamente há vários anos. A bacia do rio Paraná (Argentina, Paraguai e Brasil), território em que grande parte da vegetação original era o Cerrado e onde estão a maioria dos reservatórios das usinas hidrelétricas, sofre desde a metade da década passada com crises persistentes de falta de água para seus vários usos, dentre eles a geração de energia, a navegação e o abastecimento de cidades. Este quadro agravou-se em 2020  e 2021 com várias regiões da bacia frente a um quadro de crise jamais visto. Na Argentina foi decretada uma “emergência hídrica” e no Brasil as represas das usinas estão com níveis muito baixos e várias cidades estão sob racionamento.
    04 ago. 2021
    Dramática situação do rio Paraná na Argentina. O El País, o principal diário da Espanha publicou o seguinte texto sobre a o rio Paraná na Argentina: “El río Paraná, el segundo más largo de Sudamérica, sufre una bajada de las aguas histórica. En su delta, en el este de Argentina, los humedales se ven amenazados por la sequía y por incendios, a menudo intencionales para ganar tierras a la ganadería. En 2020, se quemaron más de 300.000 hectáreas de pastizales y bosques en la zona y arrasaron con fauna y flora autóctona. Este año, con las aguas a su nivel más bajo de los últimos 77 años, el riesgo es aún mayor sobre este rico ecosistema, clave como reserva de agua dulce y también para filtrarla y evitar inundaciones.”

    seca no rio paraná
    Seca no rio Paraná, em 2021. Fonte: El país.

    03 ago. 2021

    Crise da água se agrava nas cidades da bacia do rio Paraná

    – Poluição, lençóis subterrâneos sem vazão e desperdício somam-se a desmatamento e degradação dos solos como causas.
    – No estado de São Paulo a cidade de Tietê adotará o racionamento de água a partir do dia 9/8/21.
    – A cidade de Tietê é atravessada pelo rio Tietê, mas não capta água do rio para tratá-la devido a extrema poluição.
    – A água consumida na cidade é captada de lençóis subterrâneos através de poços, mas estes estão com pouca vazão. Tal quadro tem relação com o a falta de chuvas por período maior, mas fundamentalmente com o excesso de extração, o desmatamento e a degradação de solos. O Aquífero que abastece a cidade é o Tubarão, no qual estão instalados 26 poços profundos.
    – Na cidade de Rio das Pedras, na região noroeste de São Paulo, os 35 mil habitantes estão sob racionamento desde maio. Na cidade a perda da água distribuída é de 50%, acima da média nacional que gira em torno de 40%.
    – Em Sorocaba (700 mil habitantes) as represas abastecedoras estão com volume baixo. A Votorantin Energia opera a usina hidrelétrica de Itupararanga, a qual perdeu mais da metade do seu volume de água em um ano: de 62% em julho do ano passado para 30,7% agora. Ela atende 65% da cidade. A operadora afirma que está liberando o volume mínimo exigido.
    Na semana passada publicamos as seguintes informações:
    – A crise se abate principalmente na ‘unidade ambiental’ bacia do rio Paraná, distribuída entre Brasil, Paraguai e Argentina.
    – No Brasil a cidade de Curitiba, a populosa capital do estado do Paraná, tem graves problemas no abastecimento de água desde 2020, quando foi decretada “emergência hídrica”.
    – Mas não é somente a capital do Paraná que enfrenta problemas de falta de água. Santo Antônio do Sudoeste e Pranchita no Paraná e Itu Salto, São José do Rio Preto e Bauru no estado de São Paulo, segundo a BBC Brasil.
    – Itu e Salto são atravessadas pelo Tietê, rio que alcança as duas cidades extremamente poluído principalmente por sujeiras da Grande São Paulo, o aproveitamento das águas para o abastecimento público fica prejudicado.
    – Na Argentina várias cidades que usam a água do rio Paraná para abastecimento da população, são obrigadas a tomar medidas como furar poços ou buscar outras locais para captação de água. O governo central criou um fundo de emergência para ajudar as municipalidades.
    03 ago. 2021

    Governança fraca e planejamento desatualizado são os maiores responsáveis pela crise hídrica e elétrica – Climainfo

    Os meteorologistas sabiam que as chuvas seriam poucas no verão passado, mas, mesmo assim, o governo faz cara de surpresa. Jennifer Ann Thomas, do Um Só Planeta, conversou com Ângelo Lima, do Observatório das Águas e ouviu que a política de Bolsonaro de desmantelar a governança ambiental se espalhou em vários estados. “Os recursos da cobrança pelo uso da água, que deveriam ser utilizados para implementar programas e projetos, foram desviados para outros fins” pelos governadores. Assim, os principais instrumentos de gestão da água, como os planos de bacias, controle de outorgas e cobrança pelo uso da água estão, em muitos lugares, inoperantes.
    30 jul. 2021

    Crise elétrica: negacionismo pode custar caro ao Brasil – Climainfo

    Um estudo recém-lançado do Instituto Clima e Sociedade (iCS) mostra que o Brasil não pode abrir mão de um planejamento energético estruturado, e não pode expandir seu parque gerador às custas de mais emissões e mais aquecimento global, fenômeno responsável, ao menos em parte, por esta e futuras crises hídricas. O governo faz de conta que está em outro planeta ao dizer que a crise está sob controle e que mais térmicas a gás fazem bem para todos.
    José Goldemberg, Luiz Eduardo Barata e Amanda Ohara, autores do trabalho, classificam o governo como negacionista. No seminário de lançamento do estudo, Goldemberg disse: “A pior coisa que o governo está fazendo no momento é não preparar o brasileiro para as contingências que vamos ter no final do ano. Pelo contrário, está tranquilizando as pessoas. É uma coisa parecida com a pandemia da COVID.”
    O estudo reforça a importância das fontes renováveis diante de uma crise climática cada vez mais aguda. Queimar fósseis não é mais opção. O papel do planejamento do setor é, agora, ainda mais importante do que quando foi pensado para um sistema de poucas hidrelétricas com grandes reservatórios. Vale a leitura das matérias do Valor e da Folha.
    Para Heber Galarce, do Instituto Nacional de Energia Limpa, afirma no Valor que a crise poderia ter sido evitada ou, ao menos, mitigada, caso o governo tivesse promovido as fontes limpas. Mas no toma-lá, dá-cá, acabou sancionando os jabutis que criaram uma reserva de mercado para o uso do gás. Já Pedro Cortês (USP) reforçou no Estadão o aviso de que o clima mudou e as chuvas não serão mais como antes. Ironicamente, o acionamento de termelétricas contribui para mais acionamento de termelétricas.
    Folha e o Poder 360 contam que o governo abriu a contratação de energia de térmicas sem contrato e de mais energia importada dos vizinhos. O Valor conta que o ONS (Operador Nacional do Sistema) está pedindo para donos de térmicas adiarem as manutenções preventivas regulares e deixá-las em operação total.
    Mais gente volta a falar no desperdício de energia neste momento de crise. Marcel Haratz, no Estadão, relembra que o último Plano Decenal de Energia alertava que “os setores de Indústria e Serviços serão responsáveis, em 2029, por um desperdício de energia […] equivalente a quase 40% da geração de Itaipu no ano passado”.
    A recuperação parcial da economia pós-pandemia também contribui para agudizar a crise. Um crescimento potencial do PIB na casa de 5% implica aumento de carga de 4,6%, o que esvaziaria ainda mais rapidamente os reservatórios, segundo cálculos mostrados pelo Poder 360. O Valor também comentou o drama da recuperação parcial da economia e da crise.
    Quem está feliz com a situação aqui e na Argentina são os produtores de gás de fracking norte-americanos. A Argentina também depende das hidrelétricas da bacia do Prata, incluindo as do quase seco Rio Paraná. De mãos dadas, os dois países estão contratando a importação de gás natural liquefeito de campos do Texas, aqueles que quase fecharam no ano passado. A Exame contou a história.
    Outro agente feliz é a Norte Energia, dona da usina de Belo Monte. Segundo a UOL, um desembargador de Brasília se referiu à crise para cassar uma liminar que obrigava a empresa a reduzir a vazão da usina para garantir um mínimo sustentável para a população ribeirinha e indígena na Volta Grande do Xingu. Para o desembargador e para o governo, a vida dos outros é apenas a vida dos outros.
    29 jul. 2021

    Nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste bate marca histórica – Climainfo

    O nível dos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste continua caindo e, no dia 27 de julho, bateu o recorde histórico. Segundo Lauro Jardim, n’O Globo, foi menor até do que o ponto mais baixo registrado durante o Apagão de 2001. O sistema segue vulnerável e pode comprometer a retomada da economia pós-pandemia, seja pelo alto custo de operar as térmicas, seja pela necessidade de deslocar o consumo do horário de ponta.
    Roberto Kishinami, do iCS, disse à CNN Brasil que o governo deveria adotar um racionamento. Tanto nosso histórico do Apagão quanto a experiência internacional mostram que demorar para agir implicará em medidas mais duras: agir agora doerá menos do que empurrar a crise até o final do ano. Mesmo se o cálculo do governo for puramente eleitoreiro, melhor um racionamento agora do que um em cima da eleição do ano que vem.
    E não é verdade que o governo foi pego de surpresa pela falta de chuvas no último verão. José Marangon, ex-diretor da ANEEL, disse à Folha que há estudos desde 2012 avisando que a mudança do clima abaixaria o nível dos reservatórios. O tombo da pandemia no ano passado mitigou um problema que poderia ter estourado antes. A matéria da Folha conta que quem governa o sistema elétrico segue repetindo o refrão de que não há dados confiáveis a não ser os históricos. A velocidade com que o clima está mudando – é só ver as ondas de calor, inundações, incêndios florestais e derretimento de geleiras – deveria ser o suficiente para usar esses históricos com uma pitada grande de sal.
    Enquanto isso não acontecer, o consumidor seguirá pagando pelas teimosia e inércia do sistema e, ainda por cima, terá que conviver com apaguinhos e apagões.
    28 jul. 2021

    Quer saber o que se passa com o rio Paraná na Argentina? Veja essa postagem do advogado ambientalista Enrique Viale:

    rio paraná na Argentina
    Clique aqui para assistir ao vídeo.
    28 jul. 2021

    Não dá para contar com a hidrelétricas como se contava no passado

    – Estudo já indicava problemas de falta de água para geração de energia já em 2014.
    Em 2014 foi publicado um estudo solicitado pela Aneel sobre os impactos das mudanças climáticas na geração de energia elétrica no Brasil. Participaram mais de 70 pesquisadores durante três anos.
    Na introdução do trabalho indicam que pretendiam “mostrar que o uso de séries temporais embasado em observações do passado pode levar a estratégias equivocadas relacionadas ao uso dos recursos naturais”, o que de fato se comprova agora.
    Matéria da Folhapress sobre o fato indica que no estudo os pesquisadores usaram modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática que consideram projeções de emissões de gás carbônico no planeta.
    Com base no modelo e considerando o Plano Nacional de Energia de 2030 do ONS (Operador Nacional do Sistema), o estudo mostra que, a partir de 2041, a média de redução de energia em todo o parque energético brasileiro poderia chegar a 25%.
    Um dos participantes do Estudo, o engenheiro José Wanderley Marangon, afirma que já tinham notado uma diminuição que começou a acontecer em 2012. Considera que para evitar novas crises se deve mudar o planejamento elétrico brasileiro: “De antemão, temos que entender que não dá para contar com essas hidrelétricas do jeito que se contava no passado.”
    28 jul. 2021

    Emergência hídrica na Argentina. Advogado ambientalista comenta e aponta por onde navegar: Comitê de bacia tomando o barco da democracia ambiental

    O governo argentino decretou “emergência hídrica” por 180 dias devido ao baixíssimo nível do rio Paraná, o que provoca problemas sociais, econômicos e ambientais graves. A partir do decreto o advogado ambientalista Jorge Daneri afirma que “não é uma emergência hídrica, é ambiental. Mas no fundo, já chegando à superfície, a emergência é política. O Decreto que declara isso é mais do passado. O comitê de bacia é o canal para navegar e a democracia ambiental o melhor barco”.
    28 jul. 2021

    Milho – 30 navios importados

    A Agência Reuters informa que a quebra na safra de milho do Brasil leva à importação da Argentina para produção de ração animal. A JBS “segunda maior empresa de alimentos no mundo, já adquiriu 30 navios do cereal no país vizinho”. A quebra da safra tem relação com a grande seca nas principais regiões produtoras do País.
    27 jul. 2021
    A crise nas cidades II “No início do ano passado, 6 dos 7 reservatórios que abasteciam a Grande São Paulo estavam com mais de 85% de seus níveis máximos. Dois deles (Rio Claro e São Lourenço) chegaram a ultrapassar a própria capacidade. Menos de um ano depois, a pior seca em quase cem anos começava a dar seus primeiros sinais.” (Folhapress)
    27 jul. 2021

    A crise da água e cidades. Várias delas racionam o abastecimento

    – A crise se abate principalmente na ‘unidade ambiental’ bacia do rio Paraná, distribuída entre Brasil, Paraguai e Argentina.

    – No Brasil a cidade de Curitiba, a populosa capital do estado do Paraná, tem graves problemas no abastecimento de água desde 2020, quando foi decretada “emergência hídrica”.

    – Mas não é somente a capital do Paraná que enfrenta problemas de falta de água. Santo Antônio do Sudoeste e Pranchita no Paraná e Itu Salto, São José do Rio Preto e Bauru no estado de São Paulo, segundo a BBC Brasil.

    – Itu e Salto são atravessadas pelo Tietê, rio que alcança as duas cidades extremamente poluído principalmente por sujeiras da Grande São Paulo, o aproveitamento das águas para o abastecimento público fica prejudicado. As imagens de espuma toxica no rio mostram o quão grave é a situação. Imagem da prefeitura de Bom Jesus de Pirapora (SP)

    – Na Argentina várias cidades que usam a água do rio Paraná para abastecimento da população, são obrigadas a tomar medidas como furar poços ou buscar outras locais para captação de água. O governo central criou um fundo de emergência para ajudar as municipalidades.

    Imagem da prefeitura de Bom Jesus da Pirapora (SP).

    27 jul. 2021

    Governo Argentino decreta emergência hídrica por 180 dias devido a grande seca na bacia do rio Paraná. O grave problema ocorre nos 3 países que a formam: Brasil, Paraguai e a própria Argentina

    Se decreta la emergencia hídrica por 180 días,
    “Considerando que el déficit de precipitaciones en las cuencas brasileñas del río Paraná, del río Paraguay y del río Iguazú es uno de los factores determinantes para la bajante histórica actual, considerada la más importante en nuestro país en los últimos SETENTA Y SIETE (77) años.
    Que la bajante extraordinaria de los ríos mencionados presenta eventuales afectaciones sobre el abastecimiento del agua potable, la navegación y las operaciones de puerto, la generación de energía hidroeléctrica y las actividades económicas vinculadas a la explotación de la Cuenca Hídrica conformada por los ríos Paraná, Paraguay e Iguazú.
    Que el ESTADO NACIONAL, a través de la coordinación de distintos organismos, lleva adelante un monitoreo permanente que permite analizar posibles escenarios a corto y mediano plazo ante esta situación problemática, dando las alertas correspondientes para gestionar los riesgos y mitigar sus posibles consecuencias.
    Que la extraordinaria magnitud de los acontecimientos requiere que todas las áreas del Gobierno Nacional aúnen esfuerzos para mitigar este fenómeno hidrológico en las zonas alcanzadas por la afectación.”
    27 jul. 2021

    O custo de uma parte da crise da água – a da geração de energia

    O uso de usinas termelétricas por conta da escassez nos reservatórios das principais hidrelétricas deve custar R$13,1 bilhões até novembro deste ano aos consumidores. Devido à crise hídrica, o governo autorizou o uso de todas essas usinas, até mesmo as mais caras, para garantir o abastecimento de energia no País. A despesa bilionária será embutida nas tarifas de energia no próximo ano. (Estadão)
    23 jul. 2021

    Crise hídrica na Argentina: governo cria fundo para atender localidades afetadas pelo baixo nível do rio Paraná

    O governo argentino anunciou a criação de um “fundo de emergência hídrica” de um bilhão de pesos (cerca de 54 milhões de reais) para atender as províncias e localidades afetadas baixo nível do rio Paraná. O governo ordenou também a implementação dos procedimentos previstos no Sistema Nacional de Gestão de Riscos Integrais (Sinagir). Um “Comitê de Crise” foi formado para acompanhar a situação.
    Uma das questões que se apresentam é se o quadro pode agravar-se com a retenção de água no Brasil nos reservatórios a montante, como determinado pelo governo brasileiro para as usinas de Jupiá e Porto Primavera.
    23 jul. 2021

    Governo brasileiro reduz vazão de reservatórios de usinas no rio Paraná.

    Itaipu e Yacyretá com produção de energia reduzida. No leito do rio Paraná estão os reservatórios de cinco grandes usinas: Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera, Itaipu e Yacyretá. Itaipu é a última em território brasileiro, sendo compartida entre Brasil e Paraguai e Yacyretá entre Paraguai e Argentina.
    Em junho, o governo brasileiro determinou a redução da vazão, a partir de julho, das usinas de Jupiá e Porto Primavera. Para Jupiá a redução de vazão foi de 3.300 m3/s para 2.300 m3/s e para Porto Primavera de 3.900 m³/s para 2.700 m³/s. Tal medida reduz a quantidade de água que chega nas represas de Itaipu e Yacyretá.
    A usina de Itaipu reduziu de 20 para 12 turbinas em operação e Yacyretá está operando com 50% de sua capacidade, segundo o site Página 12.
    22 jul. 2021

    Crise hídrica: geração hidrelétrica cai 20% e térmica fóssil aumenta 30%

    Por Climainfo.

    hidrelétrica itaipu
    Foto: Alexandre Marchetti / Divulgação / Itaipu

    Na última 2ª feira, as hidrelétricas, que costumam suprir – em média – 65% da eletricidade consumida pelo país, geraram 50%. Enquanto isso, as térmicas fósseis, que geram, em média, 25% da eletricidade, responderam por 32%. Como a energia  destas últimas é mais cara, as contas de luz subiram e deverão ficar pelo menos 5% mais altas até novembro. Até lá, haverá um custo adicional de R$4 bilhões em relação ao previsto no começo de junho. O aumento na conta de luz foi responsável por 25% da inflação no mês passado, conforme informa André Borges no Estadão.
    Para evitar que esta crise hídrica se torne perene, especialistas recomendam cinco grupos de ações. Giulia Fontes conta no UOL que será preciso diversificar mais a matriz de geração para depender menos da (falta de) chuvas. Como o Nordeste tem um potencial imenso de geração eólica e fotovoltaica a desenvolver, será preciso investir no sistema de transmissão, para distribuir essa energia nova por todo o país.
    Também será preciso achatar a curva, expressão que se tornou popular durante a pandemia. A demanda de eletricidade tem um pico acentuado na segunda metade das tardes; uma distribuição melhor dessa demanda, reduziria a pressão sobre os reservatórios. O planejamento do setor e da operação do sistema precisam incorporar mais e melhor os impactos das mudanças climáticas.
    Também será necessário atualizar os dados de capacidade dos reservatórios, que andam superestimados. Finalmente, há a recomendação de dar liberdade a todos os consumidores para que escolham de quem querem comprar eletricidade.
    Como é de costume, nenhum dos entrevistados lembrou de falar de medidas e equipamentos mais eficientes, que geram o mesmo serviço consumindo menos do que hoje em dia. Aquela que deveria ser a primeira “fonte” de geração, é sistematicamente esquecida.
    Com a conta de luz mais alta, os painéis fotovoltaicos instalados em telhados residenciais, do comércio, serviços e indústrias mais atraentes. Se antes da crise, eles se pagavam por volta de 10 anos, agora o retorno se dá entre 3 a 6 anos, dependendo de onde no país o painel é instalado. Stephanie Tondo, n’O Globo, traz mais números e informações a respeito.
    Em tempo: O país está perdendo tempo e oportunidades ao não acompanhar a expansão dos veículos elétricos que acontece na China e nos países mais ricos. Talvez uma frota elétrica trouxesse problemas nesse momento de crise. Mas reduziria as emissões e, provavelmente, mitigariam crises hídricas futuras. Apesar do país e várias cidades terem planos de eletromobilidade, quase todos nunca saíram do papel. O presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Adalberto Maluf, conversou com Mário Sérgio Venditti, do Estadão, a esse respeito.
    22 jul. 2021

    A crise se agrava: demanda elétrica em alta e os reservatórios em baixa

    O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) registrou aumento na demanda por energia elétrica em todos os meses ao longo do primeiro semestre. A alta foi de quase 7% no mês passado no sistema Sudeste/Centro-Oeste, em relação a junho passado. No país todo, ela subiu 8%. Nos últimos 12 meses, esse crescimento foi de quase 5%, o que é muito olhando para os reservatórios baixando a cada dia. O ONS entende que “a recuperação do setor industrial, principalmente das indústrias voltadas para exportação, aliado ao aumento da confiança nos setores de comércio e serviços foram os principais fatores que influenciaram no avanço da carga”.
    A falta de chuvas fez com que Itaipu, uma usina a fio d’água, gerasse, nos primeiros 6 meses do ano, a menor quantidade de energia nos últimos 27 anos – lembrando que em 1994, a usina operava 18 das 20 turbinas atuais. Segundo O Globo, ela gerou 20% menos eletricidade do que no ano passado, um ano que já havia sido considerado ruim. Mais ao sul, no rio Paraná que abastece Itaipu, a Reuters informa que o governo argentino também está tomando medidas para poupar a água do rio e evitar um impacto maior na principal via de transporte da produção de soja e outros produtos agrícolas do norte do país.
    Ontem, na região Sudeste/Centro-Oeste, a mais crítica, a capacidade de geração estava em menos de 28% do valor máximo. Para poupar água, o governo tem acionado as caras térmicas fósseis. Segundo a Veja, já se gastou neste ano quase R$ 8 bilhões, mais do que ao longo de todo o ano seco de 2015. Apesar dos custos e do fato de que a mudança climática, uma das causas dessas estiagens, é agravada por elas, há quem defenda aumentar mais a emissão de gases de efeito estufa. Adriano Pires, no Poder 360, inverte a tendência mundial de privilegiar as fontes limpas: “Térmicas a gás natural com 70% de inflexibilidade, bem como nucleares passariam a ser parte da geração prioritária de base, sendo complementada por geração hidráulica de vazão mínima, eólica, solar, hidráulica a fio de água”. Já a EPE (órgão oficial de planejamento energético) publicou uma atualização do seu plano para terminais de gás natural liquefeito, acrescentando mais 4 aos muitos existentes e planejados. Talvez por ironia, um deles ficaria em Itacoatiara, às margens do Rio Amazonas, no coração da floresta.
    E, por falar em nuclear, sua associação também está aproveitando a crise para vender seu peixe, como informa a Folha. O argumento é que o preço do urânio é estável e é um recurso nacional.
    Em tempo: Por conta da crise, tem gente sugerindo a volta do horário de verão. Roberto Kishinami, do iCS, falou com a CNN Brasil explicando porque a volta não ajudaria em quase nada a reduzir o consumo, cerca de 1% de redução. Mas lembrou que “não usamos a eficiência energética de maneira adequada, só lembramos dela quando está em crise”.

    22 jul. 2021

    Crise hídrica sem alívio nos próximos 3 meses.

    O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, indica quadro de “seca extrema” no noroeste paulista, com comprometimento acima de 80% da atividade agropecuária e “risco alto” para a agricultura familiar. O documento do Cemaden diz ainda que “não há expectativas para alívio da crise hídrica atual nos próximos três meses” (El País)
    22 jul. 2021

    A água secou e a roça perdeu o viço. No Estado mais rico do Brasil

    Matéria do jornal espanhol El País, em português, mostra que “Em meio à pior seca em 91 anos, açudes e córregos secam no noroeste de São Paulo”.
    No texto a publicação afirma que a região está em uma situação crítica, “sofrendo os impactos da emergência climática que assola o mundo inteiro com efeitos diversos. O que para muitos é uma imagem distante, personificada por gelos derretendo na Antártida, já traz consequências diretas no Estado mais rico do Brasil.
    O desequilíbrio no clima tem um impacto devastador na hidrologia do país, que provoca contas de luz mais caras nas cidades (uma vez que os reservatórios das usinas hidrelétricas estão vazios, aumentando o uso das termelétricas), enchentes em Manaus (com a concentração de boa parte da pluviosidade em um período curto de tempo), e perda de colheitas para a pior seca dos últimos 91 anos no Sudeste e Centro-Oeste do país.
    A crise climática também acentua fenômenos atmosféricos como o La Niña, que favorece a estiagem na região”. Texto completo aqui.
    21 jul 2021

    A baixa histórica do rio Paraná na Argentina em duas imagens

    “La bajante histórica del Rio Paraná vista desde el espacio.
    Comparación de imágenes del 19 de julio de 2014 con exceso hídrico y el 1 de julio de 2021 con déficit de água. Producto elaborado por la Unidad de Emergencias y Alertas Tempranas de la CONAE (Comisión Nacional de Actividades Espaciales).
    Imágenes del sensor MODIS del satélite AQUA, en color RGB, resalta las áreas inundadas y cicatrices de incendios (en marrón claro, en el Delta). La vegetación se ve en verde brillante, el suelo desnudo en rosado. El agua líquida en suelo se ve oscura y azul el agua con sedimentos”.
    rio paraná
    20 jul. 2021

    Argentina

    “A pior seca do Paraná afeta a vida e a economia Nacional” é o titulo de matéria do La Nación, um dos jornais maios lidos da Argentina.
    Na introdução do artigo a publicação resume uma série de questões, incluindo a crise hídrica no Brasil:
    “Itaipú producirá un 15% menos de energía este año y Yacyretá funciona al 50% de su capacidad. Como el río tiene un caudal un 40% menor que el promedio histórico los puertos graneleros sobre su vera no se pueden utilizar porque no hay calado para llevar las barcazas. Pescadores comienzan a mostrar preocupación por la salud de la fauna ictícola y solo los contrabandistas aparecen celebrando que haya partes en las que solo hay que atravesar un hilo de agua. En Argentina temen que haya problemas con la energía y el abastecimiento de agua potable. En Brasil, Matto Grosso tiene emitida una alerta y el corazón de la generación energética está en crisis. El gigante hijo del mar de los guaraníes parece decir que algo debe hacerse para protegerlo mejor.” Você pode acessar a matéria aqui.
    20 jul. 2021

    As razões da Associação dos Advogados Ambientalistas da Argentina para promoverem a ação que proibiu o aprofundamento do rio Paraná por dragagem, o que levou à redução de carga transportada pelos navios

    “No es intención confrontar con el sector agroportuario, sino que el sector agroportuario de una vez por todas entienda que no puede destruir la cuenca fluvial más importante que tiene nuestro país y que está en absoluta fragilidad en los últimos meses”, dijo Lucas Micheloud. (Infobae)
    19 jul. 2021

    Não tem água para navegar no rio Paraná

    Muitos navios cargueiros estão saindo do maior polo agroexportador da Argentina, em Rosário, com menos carga do que o normal devido ao baixo nível do rio Paraná. Esta é a principal hidrovia da Argentina, a qual tem sofrido restrições para dragagem por questões ambientais: se aprofundar o leito retirará águas de outras áreas. “Os navios Handymax estão deixando o porto com 9.250 toneladas de carga a menos do que o normal e os navios Panamax com 11.350 toneladas a menos”, disse Guillermo Wade, gerente da Câmara de Atividades Portuárias e Marítimas, à Reuters na quarta-feira, informa o site Infobae.
    19 jul. 2021

    Centro de Monitoramento Meteorológico

    – Previsão de poucas chuvas na primavera de 2021 e no verão 21/22.
    – A situação das represas na bacia do rio Paraná pode agravar-se.
    Argentina. O Centro de Monitoreo Meteorológico (SAT) emitiu um Informe especial no qual aponta a possibilidade de poucas chuvas para a primavera e verão próximos na bacia do Paraná, e mesmo em toda a bacia do rio da Prata (rios Paraná, Uruguai e Paraguai).
    O prognóstico é que as chuvas provavelmente continuarão abaixo do normal para a estação quente (novembro, dezembro e janeiro) e chuvas significativas podem ocorrer de forma isolada.
    Água poluída.
    “Uma vazão menor no rio Paraná trará problemas sanitários aos centros urbanos, visto que a água potável é obtida do leito do rio e, por ter menor vazão, será possível ter níveis mais elevados de poluentes dissolvidos”.
    Áreas Úmidas.
    No informe do SAT é registrado que os ecossistemas de áreas úmidas são afetados diretamente pelos baixos níveis das águas, pois as águas não alcançando lagoas e riachos, os peixes, pássaros, mamíferos, répteis e roedores terão seus nichos ecológicos devastados e terão que migrar para áreas urbanas e rurais, trazendo problemas extras para as atividades agrícolas e urbanas.
    Brasil.
    O informe do SAT é válido também para o Brasil e, portanto, deveria também servir de alerta para as autoridades brasileiras quanto a situação hídrica em 2022, já gravíssima em 2021. Não devem esperar por um milagre dos céus e considerar a possibilidade de menos água nos reservatórios, nos leitos dos rios e lençóis freáticos menos abastecidos.

    16 jul. 2021

    Crise se agrava na Argentina

    “Seca histórica no [rio] Paraná: Yacyretá em 50%, problemas em termelétricas e contingência em Atucha por captação de água de usinas nucleares.”
    Essa é a manchete do site Econojournal. Yacyretá é uma represa no rio Paraná, entre Paraguai e Argentina, após Itaipu, compartida entre Paraguai e Brasil, e Atucha é a central nuclear do País. No começo de julho a usina de Itaipu desativou 8 de suas 20 turbinas.
    O problema é muito grave na Argentina, com problemas em várias devidos aos níveis muito baixos do rio Paraná. É provável que a situação se agrave nos próximos meses, pois represas do rio em território brasileiro estão com níveis muito baixos e duas delas, no leito do rio Paraná estãop retendo água por determinação governamental. Vale lembrar que estamos no período de poucas chuvas, que vai até setembro/outubro.
    Ecojournal:“La bajante histórica del río Paraná, provocada por la peor sequía en casi un siglo en Brasil, disparó la alerta a distintas plantas de generación de energía en el país. Yacyretá opera al 50% de su capacidad y por la baja del río existen problemas operativos en centrales térmicas como Vuelta de Obligado, San Martín y San Nicolás. Contratan una draga para garantizar la toma de agua de Atucha I y II. Los próximos 20 días son claves. Hay casi 3000 MW en riesgo.” Leia o texto completo no Econojournal.
    16 jul. 2021

    A crise elétrica e a má gestão de recursos do governo federal

    (Climainfo)
    Uma má gestão dos recursos hídricos e a prioridade dada aos reservatórios das usinas hidrelétricas pode ter agravado a situação da falta de chuvas no Sudeste no final do ano passado.
    A ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, conversou com O Eco dizendo que faltou visão no ano passado quando se fez uma aposta de que choveria mais no final do ano e, assim, não houve preocupação em poupar água nos reservatórios. Mesmo tendo ligado as termelétricas, “não adianta culpar o Santo. A responsabilidade da crise reside no plano da Terra, mais especificamente em Brasília, na Esplanada dos Ministérios.”
    A crítica de Izabella se junta à de Elena Landau, feita em artigo no Estadão, no qual reclama da falta de transparência por parte do governo e, em especial, do ministro Bento de Albuquerque. A MP do Racionamento deu poderes especiais ao ministro para gerenciar a crise e Izabella e Elena lembram dos usos múltiplos da água. Landau lista as “exigências de navegação, ambientais (por exemplo, evitar mortandade de peixes), abastecimento de cidades, irrigação e até atividades esportiva e turística”, e diz que, agora, “alguém tem de administrar a escassez.”
    Gustavo Veronesi, Cesar Pegoraro e Marcelo Naufal, da Fundação SOS Mata Atlântica, afirmaram no Ecoa que “a gestão integrada da água e da floresta é estratégica para o país. Sem floresta não há água. Combater o desmatamento na Amazônia e restaurar a Mata Atlântica – florestas que mantêm o equilíbrio do ciclo hidrológico, é o caminho que o Brasil deve trilhar para minimizar os impactos do clima sobre os recursos hídricos”.
    Na contramão da imperiosa necessidade de enfrentar a mudança do clima, o pessoal do gás é um dos beneficiados pela crise hídrica. Uma matéria do Estadão comenta a expansão das térmicas a gás no litoral do Sudeste, próximo das plataformas das bacias de Campos e do pré-sal. Há novos projetos em Macaé e no Açu, no Rio, e uma expansão em Cubatão. Essa é mais uma espiral da morte: ter mais térmicas fósseis implica mais aquecimento global, o que agudiza as crises hídricas, aumentando a pressão por mais térmicas fósseis.
    Uma crise dessas desarticula o funcionamento do sistema elétrico em vários pontos. Uma matéria do Valor fala das comercializadoras e seu papel no funcionamento do mercado livre, onde há contratos diretos entre geradores e empresas consumidoras. Várias comercializadoras estão sem
    14 jul. 2021

    Hidrovia Paraná Paraguai – aprofundar mais leito do rio Paraná é proibido na Argentina

    O governo da Argentina proibiu a dragagem do rio Paraná. Isso se deu devido à solicitação feita pela Associação Argentina de Advogados a Advogadas Ambientalistas a várias carteiras da Nação Argentina sobre uma dragagem mais profunda não permitida no canal do rio Paraná em plena crise hídrica.
    A prática da dragagem foi proibida e se realizam investigações para penalizar a concessionária.
    Leia mais aqui, aqui e abaixo.

    14 jul. 2021

    Crise hídrica na bacia do rio Paraná e a crise de geração elétrica: crise climática como base teve alerta (limitado) dentro do governo

    O Ministério de Minas e Energia alertou órgãos do setor elétrico, em 12 de março, sobre uma possível redução na capacidade de geração de energia elétrica das usinas hidrelétricas que fazem parte da Eletrobrás (Furnas, Itaipu e outras). É o que conta o jornalista Leonardo Sakamoto em matéria para o UOL.
    De acordo com o alerta, em documento ao qual Sakamoto teve acesso, “enquanto no subsistema Sul, a Energia Natural Afluente (ENA), ou seja, a quantidade de água disponível para a geração de energia, conta com uma tendência de crescimento na energia produzida, no Nordeste houve uma tendência de aumento até a década de 1960, seguida de uma diminuição acentuada provocada pelas mudanças climáticas”.
    Quanto ao “sistema Sudeste/Centro-Oeste, há uma pequena tendência de aumento de água à disposição para a geração de energia até a década de 1980 seguida de uma lenta diminuição por conta das mudanças climáticas”. O Sistema Sudeste/Centro-Oeste tem como ‘centro’ a bacia hidrográfica do rio Paraná, onde estão 57 grandes represas geradoras de mais da metade da energia elétrica do País. Na bacia do Paraná estão Itaipu, Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera e Furnas. Segundo Sakamoto a análise dos dados presentes no documento aponta que a tendência de queda também deve persistir nas próximas décadas devido à aceleração da alteração do clima.
    A análise encontrada por Sakamoto no documento coincide com as outras pesquisas publicadas em 2020 e 2021 sobre o clima na América do Sul como a que analisa os últimos 600 anos das alterações climáticas a partir dos anéis das árvores.
    Leia sobre dados sobre o clima encontrado em anéis das árvores aqui, em estudo escrito por Alcides Faria, biólogo e diretor executivo da Ecoa.
    14 jul. 2021

    O centro da crise hídrica no Brasil  – a bacia do rio Paraná.

    – A região hidrográfica do rio Paraná no Brasil tem uma área de 879,86 mil Km² ou quase 88 milhões de hectares – 10,3% do território brasileiro
    –  Mais de 60 milhões de brasileiros vivem nela.
    – É o centro da economia brasileira.
    – Fazem parte da bacia os estados de São Paulo (25% da região); Paraná (21%); Mato Grosso do Sul (20%); Minas Gerais (18%); Goiás (14%); Santa Catarina (1,5%) e o Distrito Federal (0,5%).

    hidrelétricas na bacia do alto Paraguai
    Represas hidrelétricas na bacia do rio Paraná. Fonte: Agência Nacional de Águas.

    13 jul. 2021

    Organizaciones ambientales frenan el sobredragado del Paraná

    Hidrovia Paraná-Paraguai
    A raíz de la denuncia pública de organizaciones ambientales a las tareas de sobredragado en el río Paraná que desde mayo de este año viene realizando la empresa belga Jan De Nul, se ha emitido una orden que frena esta actividad. Un primer avance hacia la urgente ecologización integral que necesita imprimir el gobierno nacional a la agenda de la denominada Hidrovía Paraná Paraguay, para avanzar hacia una visión y gestión con visión de cuenca.
    Accedé al comunicado de la Asociación Argentina de Abogados/as Ambientalistas aqui.
    13 jul 2021

    Bajante del río Paraná

    mudanças climáticas e crise hídrica
    Jorge Daneri, advogado ambientalista argentino, propõe um Comitê de Bacia para toda a bacia do rio Paraná na Argentina agora e no futuro, quando mudar a situação política no Brasil, ampliá-lo, incluindo Paraguai e Bolivia, como um instrumento para enfrentar problemas como a atual crise hídrica. Foto: arquivo Jorge Daneri.

    Parte de uma entrevista de Daneri para Analisis Digital.
    Consultado respecto de la crisis hídrica, Daneri advirtió que “los movimientos ecologistas lo vienen anunciando hace décadas y esto se sabía que iba a pasar pero mirando propositivamente están pasando cosas interesantes en el Ministerio de Ambiente de la Nación, se están poniendo en crisis temas que hace bastante se debían poner en crisis y desde varios ámbitos, pero particularmente desde la Asociación Argentina de Abogados Ambientalistas, se está planteando la necesidad de constituir urgentemente un Comité de Cuenca en Argentina”. No obstante, opinó que “hasta que (el presidente de Brasil, Jair) Bolsonaro no se vaya del poder va a ser imposible; se puede ahora conversar con Bolivia y quizás enganchar a Paraguay en términos regionales pero hay que hacer un replanteo” y resaltó que “hay planteos ya formulados, como las estrategias de sustentabilidad del sistema de humedales de los ríos Paraguay-Paraná presentada hace 12 años por la Alianza Sistema de Humedales de los ríos”.
    Explicó al respecto que “es una propuesta propositiva que aprobaron los gobiernos hace 10 o 12 años como documento base para construir la estrategia regional de sustentabilidad del sistema de humedales, y finalmente por los diversos cambios de gobierno con el macrismo en Argentina y el bolsonarismo en Brasil todo quedó encajonado”.
    “Ahora parece que con semejante crisis y el río gritando se pueda cambiar la tendencia, en cuanto a la Hidrovía Paraná-Paraguay se está viendo que empieza a darse un cambio muy interesante, así que apostamos y acompañamos ese debate y ojalá esto se vaya abriendo más y discutiendo no solo la soberanía del río, sino también la soberanía alimentaria y energética que están muy heridas”, reflexionó.
    Por último, lamentó que “Brasil frenó dos represas, de las cuatro que hay en el cauce principal del río Paraná, y está levantando los niveles de dos represas lo cual es absurdo pero lo hace en función de su propia estrategia de generación hidroeléctrica, en la mayor crisis de la cuenca, y eso imposibilita que llegue agua a la represa de Itaipú, que es la última, y por ende también a la República Argentina.”.
    12 jul. 2021
    “A grave crise energética que ameaça o país e já provocou o reajuste das bandeiras tarifárias, pode ser mais um duro golpe para as micro e pequenas empresas que ainda sequer conseguiram recuperar o nível de faturamento pré-pandemia. Uma pesquisa feita pelo Sebrae, em 2019, já mostrava que a conta de energia representava mais de 15% dos custos operacionais dos pequenos negócios. No ano passado, um novo levantamento revelou que essas despesas eram o principal custo para quase 28% dos empreendedores.” (Sebrae)
    9 jul. 2021

    Parem de pescar

    Argentina.
    El río Paraná sigue en bajante extrema y ya van tres ciclos consecutivos de escasa reproducción de peces, según registran estudios científicos sobre la fauna íctica. A ello se le suman que en Delta del Paraná, al sur del curso de agua, las quemas del Humedal han dejado sin comida a los animales, tampoco con un refugio y se observan ejemplares sin energías para reproducirse. Investigadores lanzaron llamado urgente a las provincias costeras para que establezcan la veda total de la extracción. “La veda total sería lo ideal, siempre y cuando se pongan de acuerdo todas las provincias. Y mientras duren las condiciones hidrológicas actuales debería mantenerse”, definió Juan Pablo Roux, doctor en ciencias veterinarias del Instituto de Ictiología del Nordeste. (Era Verde)
    9 jul. 2021

    Você sabe que o centro da crise hídrica no Brasil é na bacia do rio Paraná?

    – A região hidrográfica do rio Paraná no Brasil tem uma área de 879,86 mil Km² ou quase 88 milhões de hectares – 10,3% do território brasileiro
    – Mais de 60 milhões de brasileiros vivem nela.
    – É o centro da economia brasileira.
    – Fazem parte da bacia os estados de São Paulo (25% da região); Paraná (21%); Mato Grosso do Sul (20%); Minas Gerais (18%); Goiás (14%); Santa Catarina (1,5%) e o Distrito Federal (0,5%).
    9 jul. 2021

    BBC News –

    A BBC e um olhar profundo sobre causas da atual crise hídrica na bacia do rio Paraná no território brasileiro, a de maior PIB do País.
    Dados consistentes e análises que mostram que a falta de água tem causas que vão muito além de eventuais fenômenos climáticos – no cimo da lista o desmatamento do Cerrado.

    8 jul. 2021

    Argentina. La bajante del río ya afecta la provisión de agua en Paraná.

    El intendente de la capital provincial [ciudad de Paraná], Adán Bahl, pidió “responsabilidad ciudadana” y “solidaridad” a quienes hoy cuentan con el suministro de agua potable en sus hogares. La restricción del servicio se debe a que por la bajante del río no llega el agua cruda a la bomba de captación que lo envía a la planta potabilizadora. Por este problema se calcula un impacto en el 15% de la población. Por otro lado, crecen los pedidos para que la Provincia establezca una veda pesquera. Como medida se amplió a cuatro días la restricción de la pesca comercial, pero mantienen el mismo cupo de extracción que los períodos pasados: 1.596,56 toneladas para el trimestre julio, agosto y septiembre. El río Paraná llegó hoy frente a las costas de la ciudad a los 8 centímetros sobre el nivel del mar (Era Verde 5/7)
    7 jul. 2021

    Lago da represa de Furnas recua 8 quilômetros

    A crise da falta de água na bacia do rio Paraná não começou em 2021, mas agora se agravou muito em algumas regiões e vai muito além de problemas para a geração de energia. O lago da usina hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais, no rio Grande, um dos formadores do rio Paraná, recuou 8 kms e os usos da água como irrigação, a piscicultura, os clubes náuticos, a hotelaria passam por grandes dificuldades em vários municípios.
    7 jul. 2021

    Argentina e a baixa do rio Paraná

    Defensores del Pueblo, de las provincias que integran la cuenca del Paraná, firmaron uma declaración para expresar su preocupación por la situación de la bajante histórica del río. Solicitan que los gobiernos locales y nacionales adopten las medidas necesarias para preservar los recursos naturales. Según proyecciones del Instituto Nacional del Agua (INA), no existe tendencia a mejora del caudal durante el mes de agosto.
    En el documento, los defensores manifiestan “la preocupación por la bajante histórica que registra el río, con la consiguiente afectación de todo su ecosistema” y solicitan a los gobiernos locales y nacionales, que adopten las políticas públicas adecuadas para la preservación de los recursos naturales de la cuenca. Piden que la veda pesquera, como medida de protección para los recursos ictícolas, sea considerada en forma uniforme e integral por todos los estados provinciales y ciudades que integran la cuenca del Río Paraná.
    Se puede leer el documento completo aqui.
    6 jul. 2021

    Rio Paraná

    No leito do rio Paraná estão quatro hidrelétricas: Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera e Itaipu. Com a seca afetando toda a bacia do Paraná, o governo brasileiro definiu que Jupiá e Porto Primavera devem reter a partir de 1 de julho aproximadamente 1/3 da vazão do mês de junho. A redução de vazão pode agravar a crise que vive a Argentina e o Paraguai devido ao nível muito baixo do rio Paraná nesses países.
    Foto de capa: seca no rio Paraná / Ruben Figoni.
    2 jul. 2021

    Oito das 20 turbinas de Itaipú estão desativadas em decorrência da estiagem

    De acordo com a Rede Globo do Paraná e o jornal online paraguaio ABC en el Este, oito das vinte turbinas da usina hidrelétrica de Itaipú, a maior hidrelétrica do mundo, estão desligadas devido à falta da matéria prima para a geração de energia elétrica: a água.
    A usina que é responsável por produzir 14% do total de energia produzida no Brasil, agora contribui com cerca de 8% da produção nacional. A estratégia é gerar mais energia com a mesma quantidade de água.
    Desde outubro de 2020, não são registradas chuvas na zona dos afluentes dos rios que alimentam a usina de Itaipú. Nesta temporada de seca, foi registrado o nível mais baixo do rio Paraná.
    Noticiamos no dia 31 de maio, antes mesmo dos jornais nacionais noticiarem, em artigo escrito pelo diretor executivo da Ecoa, o biólogo Alcides Faria, que passamos por uma crise hídrica na bacia do rio Paraná que decorre de mudanças climáticas e do modelo de ocupação econômica desse território, que concentra riqueza econômica, que é a bacia do rio da Prata, onde se concentram cidades de grande porte como São Paulo, Asunción, Curitiba, Corrientes, Rosário, Brasília, Santa Vitória, entre outras.
    Seguimos acompanhando as consequências dessa crise.

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