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A luta heroica das Brigadas Voluntárias para salvar o Pantanal do fogo. Em 2023 elas evitaram vários incêndios

12 minutos de leitura
Dona Maria, brigadista terena da aldeia Mãe Terra

– Leia o relato de ações das Brigadas que evitaram grandes incêndios em 2023, entre 1/7 a 27/11.
– Relatório teve como uma das fontes os focos de calor de Plataforma do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE). Dados foram trabalhados em ambiente SIG (Sistema de Informação Geográfica) no software Qgis versão 3.28 para gerar o mapa de calor (Mapa de Kernel).
– CASA, ICAS, WWF e SOS Pantanal foram instituições que apoiaram e apoiam as brigadas. O Prevfogo é estratégico nessa construção.

Fernanda Cano, pesquisadora da Ecoa que fez o levantamento sobre a atuação das Brigadas Voluntárias no Pantanal em 2023  . Imagem: Silas Ismael

Fernanda Cano, especialista da Ecoa, trabalhou em levantamento preliminar sobre a atuação durante 2023 das Brigadas Voluntárias no Pantanal que estão sob a coordenação da organização. A especialista indicou também no relatório os métodos e fontes utilizados no monitoramento dos focos de calor/fogo na região.

Fernanda mostra que várias brigadas atuaram diretamente no combate aos focos iniciais de fogo, impedindo que se tornassem grandes incêndios. Vários casos foram identificados, a exemplo da ação dos brigadistas na Área de Proteção Ambiental Baia Negra, em Ladário (MS), que atuaram bravamente em conjunto com a Brigada Pantanal/ Prevfogo; da Brigada do Passo do Lontra (Corumbá, MS), atuando na Estrada Parque Pantanal e da Serra do Amolar a montante de Corumbá (MS). Entre os indígenas Terena a preparação e ação direta foi de grande importância para evitar a destruição de suas áreas, como foi o caso dos grupos formados nas aldeias São Miguel (Kinikinau), Mãe Terra (Terena). Vale o registro de que brigadas coordenadas pela SOS Pantanal atuaram no estado de Mato Grosso no Parque Estadual Encontro da Águas e na rodovia Transpantaneira.

Uma passagem triste foi o das famílias produtoras de mel às margens do rio Miranda, em Miranda (MS). Na tentativa de salvar suas colmeias alguns apicultores foram alcançados pelas chamas e terminaram hospitalizados. Suas colmeias foram dizimadas pelo fogo – uma lição a se ter para 2024 através de apoio direto a eles com medidas de prevenção.

A formação de brigadas é um trabalho que a Ecoa iniciou no ano de 2.000. O primeiro grupo de brigadistas foi estruturado na da Barra do rio São Lourenço, a montante de Corumbá (MS), nos marcos de uma campanha anual denominada “Queimada Mata”. Hoje o Pantanal possui mais de 50 brigadas, 23 das quais estão sob coordenação André Siqueira, diretor da Ecoa.

André Siqueira, diretor da Ecoa – Ecologia e Ação. Atua na formação de brigadas voluntárias no Pantanal (Foto: Acervo Ecoa)

O CASA (Centro de Apoio Socio Ambiental, o Instituto de Conservação de Animais Silvestre (ICAS) e o WWF Brasil apoiaram diretamente a formação e a equipagem das brigadas voluntárias no Pantanal. A SOS Pantanal é outra instituição que tem uma política de formação de brigadas de prevenção e combate ao fogo, atuando em coordenação com a Ecoa. Nesse processo o suporte do Prevfogo/Ibama através de seu coordenador, Marcio Yule, sempre foi estratégico.

Brigada Passo da Lontra. Imagem: acervo Ecoa
Brigada Paraguai-Mirim. Imagem: acervo Ecoa

Confira o relatório  https://ecoa.org.br/relatorio-atuacao-das-brigadas-voluntarias-comunitarias-do-pantanal-em-2023 /

ATUAÇÃO DAS BRIGADAS VOLUNTÁRIAS COMUNITÁRIAS DO PANTANAL EM 2023

Para o levantamento da atuação das brigadas voluntárias comunitárias além do contato direto com as lideranças através de troca de mensagens, foi realizada o download dos focos de calor do bioma Pantanal considerando o período entre 01 de julho até 27 de novembro de 2023, por meio da plataforma BD Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE). Posteriormente, os dados foram trabalhados em ambiente SIG (Sistema de Informação Geográfica) no software Qgis versão 3.28 para gerar o mapa de calor (Mapa de Kernel). A partir do mapa de calor, foi possível observar as ocorrências de incêndios de grandes proporções, como por exemplo, os incêndios que atingiu o Parque Estadual do Encontro das Águas, Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, região da Transpantaneira em Poconé, Parque Estadual do Rio Negro, as margens do rio Miranda e as margens da rodovia BR-262. Estima-se que mais 1,1 milhão de hectares foram consumidos pelo fogo em 2023 no Pantanal. Durante o período crítico de incêndios no Pantanal, também foi utilizado a plataforma FIRMS da NASA para monitoramento online diariamente, assim como, a plataforma Windy para previsão de tempo e direção dos ventos.

A seguir são relatadas as atuações durante o período crítico de 2023 das brigadas voluntárias comunitárias que a ECOA auxiliou na formação e doação de equipamentos de
combate por meio diversos projetos.

– APA Baía Negra
A Brigada Voluntária Comunitária da APA Baía Negra junto com a Brigada Pantanal do PrevFogo/IBAMA conseguiu controlar rapidamente o fogo que surgiu dentro da Unidade de Conservação localizada em Ladário (MS), no dia 18 de novembro de 2023. Visto que em 2020 o fogo destruiu 50% do território, afetando a coleta de frutos nativos e a pesca, com efeitos que perduram até hoje. Mas a realidade agora é bem diferente, com a formação da brigada voluntária APA Baía Negra e atuação conjunta com a brigada Pantanal do PrevFogo/IBAMA, os focos de incêndio são prontamente combatidos e a APA é um exemplo de unidade de conservação no Pantanal.

– Barra do São Lourenço
A brigada voluntária foi mobilizada devido ao incêndio de grandes proporções que estava vindo do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (MT) em direção à
comunidade e deixou as 31 famílias que vivem no local sob ameaça constante enquanto o incêndio estava fora de controle no parque nacional, entretanto, não houve combate.

– Serra do Amolar
Os brigadistas voluntários, Reinaldo e Beto, atuaram em conjunto com a brigada Pantanal do PrevFogo/IBAMA no incêndio que iniciou na região dos novos Dourados e foi
contido rapidamente. Em 2020 e 2021 a região sofreu o maior incêndio já registrado.

– Passo do Lontra
A brigada voluntária comunitária do Passo do Lontra, localizada na Estrada Parque Pantanal, teve atuação de 4 brigadistas e a ação foi emblemática ao evitar incêndios de
grandes proporções após um transformador da rede de energia elétrica estourar e os brigadistas agiram rapidamente evitando a propagação do fogo para conter o incêndio. Pois, pela primeira vez, em muitos anos, a região da Estrada Parque Pantanal não sofreu incêndios devastadores, como em 2020.

– Associação de Pescadores Apicultores Bandeira e Associação de Pescadores de Iscas de
Miranda
Teve a mobilização de brigadistas voluntários na área que estava com fogo, porém, devido a magnitude dos incêndios às margens do rio Miranda não houve combate direto
por parte dos brigadistas voluntários. Além da perda da vegetação nativa, houve a perda de diversas caixas de abelhas que mantinha a geração de renda para as famílias por meio da apicultura. Mais de 20 famílias foram prejudicadas.

– São Miguel (Kinikinau) e Mãe Terra (Terena)
Fizeram dois combates em conjunto no mês de julho e agosto de 2023 na Terra Indígena Cachoeirinha, município de Miranda.

Combate de agosto e setembro de 2023

– Aldeia Brejão e Água Branca (Terra Indígena Nioaque)
Houve combate na região de banhado na TI Nioaque, onde os brigadistas voluntários aturam diretamente até extinguir o incêndio.

– Terra Indígena Lalima
Segundo informações do cacique Gilson, a brigada voluntária atuou em 2 combates dentro da Terra Indígena e auxiliou o PrevFogo Cachoeirinha em 1 combate.

Comunidades que tiveram incêndios próximos, mas que não possuem brigadas
voluntárias comunitárias:
– Região próxima do Porto da Manga, Corumbá

– Porto Mangueiral: incêndio que veio do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e pulou o rio São Lourenço.

 

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