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Treinamento fortalece brigadas comunitárias no Pantanal às vésperas de nova temporada de risco de incêndios

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Em nota técnica publicada em 31 de março, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) apontou mais de 80% de probabilidade de ocorrência de El Niño na segunda metade de 2026, com intensidade estimada entre moderada e forte. O documento alerta que a combinação de chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e baixa umidade pode incrementar o risco de incêndios na região Centro-Norte do Brasil a partir de agosto. Uma semana depois, a NOAA atualizou suas projeções: a chance de El Niño já no trimestre maio-julho subiu para mais de 61%.

É nesse contexto que, entre os dias 7 e 10 de abril, a Ecoa articulou um ciclo de treinamentos com brigadas comunitárias voluntárias nos municípios de Corumbá e Ladário, no Pantanal sul-mato-grossense.

A Ecoa apoia a formação de brigadas comunitárias voluntárias no Pantanal desde 2006, quando foi pioneira na articulação da primeira brigada de apoio ao Parque Nacional do Pantanal, com moradores das comunidades Barra do São Lourenço e Amolar. Desde então, já foram constituídas 23 brigadas em um modelo que combina conhecimento local, articulação com políticas públicas e estratégias de conservação do bioma.

“Essas brigadas são estratégicas na transformação do cenário de mega incêndios no Pantanal, e a Ecoa aposta nisso há quase duas décadas”, afirma André Luiz Siqueira, diretor de projetos da Ecoa.

As brigadas comunitárias voluntárias são, em muitos casos, a primeira linha de defesa do Pantanal contra o fogo. Formadas por pessoas que vivem nos territórios – pescadores, agricultores familiares, moradores de comunidades tradicionais -, elas conseguem agir com rapidez nos estágios iniciais de um incêndio, antes que o fogo se torne incontrolável e antes que equipes especializadas consigam chegar. Nos últimos anos, essa capacidade de resposta local demonstrou resultados concretos: em 2024, mesmo registrando a maior seca em 124 anos de monitoramento, a área queimada no Pantanal foi de 2 milhões de hectares – metade dos 4 milhões devastados em 2020.

Dois territórios, quatro brigadas

Nos dias 7 e 8, a formação aconteceu no Assentamento São Gabriel, em Corumbá, reunindo a recém-criada Brigada Harpia e integrantes da Brigada São Gabriel. Ao todo, participaram 15 brigadistas: sete novos membros da Harpia e oito da São Gabriel em processo de atualização.

Nos dias 9 e 10, o treinamento seguiu em Ladário, com a Brigada da APA Baía Negra e a Brigada do Assentamento 72 — brigadas com história documentada de atuação na região desde 2019 e 2020, respectivamente. Participaram 15 brigadistas: nove da APA Baía Negra e seis do Assentamento 72.

Vale registrar: a APA Baía Negra foi a única unidade de conservação do Pantanal que não sofreu incêndios em 2024. A presença de uma brigada comunitária ativa e bem treinada foi fator decisivo nesse resultado.

As formações abordaram organização de brigadas, uso de equipamentos de proteção individual e estratégias de prevenção para o período crítico de incêndios. O conteúdo foi ministrado pelo Prevfogo/IBAMA, parceiro histórico da Ecoa nessa agenda, e pela Defesa Civil de Corumbá.

O projeto conta com o apoio do WWF-Brasil, do Fundo Casa Socioambiental e do Global Nature Fund (GNF). O Prevfogo/IBAMA e a Defesa Civil de Corumbá participaram como parceiros técnicos e institucionais. O Instituto Ipê contribuiu com a aquisição de EPIs e equipamentos para a Brigada da APA Baía Negra.

Pantanal, governança do fogo e articulação regional

As ações se inserem também na agenda da Paisagem Modelo Pantanal (PMP), no âmbito da Rede Latino-Americana de Bosques Modelo. A Ecoa contribui para essa agenda com foco na governança do fogo, fortalecendo o intercâmbio de experiências e a construção de estratégias integradas de proteção territorial em escala regional. O trabalho está alinhado à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (MIF), que reconhece as brigadas comunitárias como atores essenciais na prevenção e resposta aos incêndios, e contribui para o avanço de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados à ação climática, vida terrestre e parcerias para a implementação.

Com os alertas climáticos soando e a temporada de incêndios se aproximando, a formação de brigadistas voluntários nas comunidades do Pantanal segue sendo uma das apostas mais consistentes, e comprovadas, para reduzir o impacto do fogo no bioma.

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