Durante a COP30, na Cúpula dos Povos em Belém (PA), mulheres do Cerrado ocuparam a Casa Feminista para trocar experiências, fortalecer redes e levar suas vozes às discussões sobre clima, território e soberania. A seguir, em suas próprias palavras, Ana Carolina Alves, uma das cursistas da Formação em Liderança para Mulheres na Conservação do Cerrado compartilha o que viveu e aprendeu nesse espaço de acolhimento e atuação política:
Participar da Cúpula dos Povos foi uma experiência indescritível — um sentimento que vai além das palavras. A cada troca, escuta e participação nas rodas de discussão, meu coração transbordava gratidão por estar naquele espaço. Jamais imaginei, nem nos meus melhores sonhos, que teria a oportunidade de estar presente na COP30.
Sou profundamente grata à Ecoa e à AMB pela acolhida, pelas trocas e pelas mulheres responsáveis pela alimentação, que trouxeram cuidado e sabor para cada momento. As mulheres que estavam comigo naquela casa me encheram de amor e sabedoria. Meu respeito vai para todas as mulheres do Norte e das diversas regiões do país que representaram seus territórios com tanta força.
Como mulher mineira do Cerrado, compreendi ainda mais a importância de ocupar esse espaço e, junto às minhas companheiras de luta, reforçar a necessidade de olhar para o Cerrado com lucidez, responsabilidade e comprometimento. Esse bioma, frequentemente sacrificado, desempenha um papel crucial para todos os outros, é o coração das águas do Brasil. A Amazônia, o Pantanal, a Caatinga e a Mata Atlântica dependem do Cerrado para manter suas águas e garantir a saúde dos ecossistemas.
A força dos povos do Cerrado e seus saberes são essenciais para encontrar soluções adequadas, porque são essas comunidades que mantêm seus territórios e florestas em pé, com os mananciais vivos e saudáveis. Não há mais espaço para um modelo de agro que destrói e mata pessoas, animais, rios e vegetação.
Essa experiência foi um marco na minha trajetória. Agradeço a todas as instituições envolvidas. Sem mulheres, não há clima; sem mulheres, não há Cerrado em pé.
Na Casa Feminista, mais de 60 mulheres de diferentes territórios se reuniram para dialogar sobre justiça climática, defesa dos territórios e transição justa. Além do apoio institucional, a Ecoa viabilizou a participação de três cursistas da “Formação em Liderança para Mulheres na Conservação do Cerrado”, iniciativa realizada com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).
Participam das atividades da Casa Feminista e da Cúpula dos Povos: @anacarol.alves @bonanomijuliana e @raizeiraquantica acompanhadas por @jolu_batista que também facilitou a etapa presencial do curso.
Sobre o CEPF
O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Fundação Hans Wilsdorf, da Gestão Ambiental Global, o governo do Canadá, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Um objetivo fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida na conservação da biodiversidade.






