Grupo da Fundação Moisés Bertoni percorreu a cadeia do mel em Mato Grosso do Sul, de Anastácio à Serra do Amolar, em intercâmbio organizado pela Ecoa
Para chegar aos apiários, seu Osmar e seu José dirigem uma hora e pouco até o porto e seguem de barco pelo rio Miranda. As colmeias ficam numa área conhecida como Barra, sobre aterros cercados de água. Os dois apicultores fazem parte do grupo Flor de Camalote e, juntos, produzem de 5 a 6 toneladas de mel por ano.
Na terça-feira (20), quem desceu dos barcos foram técnicos da Fundação Moisés Bertoni, do Paraguai, e um apicultor que trabalha com eles. Por lá, as abelhas ficam em áreas de mata, em uma região sem campos alagáveis. A Fundação cuida de três áreas protegidas no país, entre elas a Reserva Natural do Bosque Mbaracayú. No entorno das reservas há grandes lavouras e também pequenas propriedades. É com esses pequenos produtores que a fundação começou a trabalhar com apicultura e meliponicultura (a criação de abelhas sem ferrão), uma fonte de renda que depende da floresta em pé e não usa fogo. Hoje eles estão se organizando em associações.
O intercâmbio foi proposto pelo Global Nature Fund (GNF), que apoia as duas organizações, e organizado pela Ecoa. Entre 19 e 22 de outubro, o grupo passou por Anastácio, Aquidauana, Miranda e Corumbá, municípios em que a Ecoa apoia produtores de mel por meio do Programa Oásis de conservação de polinizadores.
A primeira parada foi na Colônia de Pescadores Z-18, em Anastácio, onde pescadores profissionais artesanais começaram a criar abelhas com apoio da Ecoa. O mel é uma alternativa para o defeso, os quatro meses em que a pesca fica proibida na Bacia do Rio Paraguai. Produtores de fazendas da região também participaram da reunião.
Vera Golze, coordenadora regional da Agraer, apresentou o que o governo do estado planeja para a cadeia, como um centro de processamento para trabalhar pólen, própolis e outros derivados. Ela lembrou que a região fica entre o Cerrado e o Pantanal e que “o mel é o resultado do que a gente tem de vegetação aqui”. A Agraer acompanha os pescadores desde o início do ano, a convite da Ecoa.
À tarde, em Aquidauana, o grupo conheceu a Associação Leste Pantaneira de Apicultores (Alespana), que envasa o mel de 34 associados de Anastácio, Aquidauana, Dois Irmãos do Buriti e Miranda.
Antes de seguir para o rio, uma parada rápida na Casa de Mel de Miranda (MS), iniciativa da Ecoa que integra o conjunto de ações apoiadas pelo Global Nature Fund (GNF), Ministério Federal Alemão para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ), e Ministério Público do Trabalho (MPT-MS), e que já está em fase de equipamento. Em Corumbá, na quarta-feira (21), a visita foi ao centro de processamento do Assentamento Taquaral.
Antes de descer o rio, na terça, houve uma parada rápida na Casa de Mel de Miranda, construída e equipada pela Ecoa com apoio do GNF, BMZ e Ministério Público do Trabalho (MPT-MS). Atualmente, a unidade está recebendo os equipamentos para dar início as atividades.
🐝Saiba mais: Uma conquista para a apicultura de Miranda/MS: começa em 2026 a construção da Casa de Mel, parceria entre Ecoa e Prefeitura
Em Corumbá, na quarta-feira (21), a visita foi ao centro de processamento do Assentamento Taquaral. Na quinta (22), o grupo seguiu até a comunidade do São Francisco, onde conheceu apiários de famílias que a Ecoa apoia, e encerrou o roteiro no centro de processamento da Ecoa na Serra do Amolar. Ali, os paraguaios envasaram mel de florada silvestre para levar para casa.
O intercâmbio faz parte do projeto “Pantanal: combate às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento local”, executado pela Ecoa com apoio do Global Nature Fund (GNF) e do Ministério Federal para Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Alemanha (BMZ).
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