A partir de amanhã (17), Corumbá recebe pela primeira vez um encontro que reúne mulheres dos cinco biomas brasileiros — Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa — para discutir renda e conservação. O Encontro Mulheres Interbiomas 2026 vai até o dia 18 e é realizado pela Cáritas Alemanha, com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), a Rede Cerrado e a Rede Ecovida de Agroecologia, dentro do projeto Redes pela Conservação. No Pantanal, a iniciativa é executada pela Ecoa – Ecologia e Ação, que também apoia a realização do encontro, com foco no fortalecimento das cadeias produtivas da sociobiodiversidade e no apoio a negócios liderados por mulheres.

O projeto Redes pela Conservação apoia a implementação dos Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDs) nos cinco biomas e contribui para as metas brasileiras de redução das emissões de gases de efeito estufa e de desmatamento zero até 2030.
Ao mesmo tempo, tem como objetivo promover o reconhecimento do papel das mulheres e fortalecer sua autonomia e capacidade de atuação na conservação da natureza, no uso sustentável dos recursos naturais e no enfrentamento das mudanças climáticas.
Tomando como exemplo a experiência das mulheres ribeirinhas e artesãs do aguapé, no Pantanal, Nathalia Ziolkowski, diretora-presidenta da Ecoa, pontua que o encontro marca um reconhecimento que falta nas políticas de conservação e “mostra que a conservação não acontece separada da vida das comunidades”.

Representando o Pantanal está Leonida Aires, mais conhecida como Eliane, pescadora e artesã da Comunidade da Barra do São Lourenço. Ela dirige a Associação de Mulheres Artesãs da Comunidade da Barra do São Lourenço (Renascer) e integra a Rede de Mulheres Produtoras do Cerrado e Pantanal (CerraPan). Eliane leva para o encontro a experiência de mulheres que transformam os recursos naturais e os conhecimentos do território em geração de renda, conservação do Pantanal e preservação dos saberes ribeirinhos.

O encontro reúne 15 lideranças femininas indicadas pelas três redes que atuam no projeto, além de representantes das próprias redes e da Cáritas Alemanha. Ao todo, cerca de 20 mulheres, entre quilombolas, indígenas e agricultoras familiares, vão discutir o que deve orientar o trabalho de justiça de gênero do projeto até 2031.
De acordo com Nathalia, é importante “que as mulheres sejam entendidas não só como beneficiárias das ações, mas como produtoras de conhecimento, lideranças, tomadoras de decisão e protagonistas da conservação em seus territórios”.
No segundo dia, a programação sai da sala e vai para uma imersão territorial na Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, em Ladário, a poucos minutos de Corumbá. Criada em 2010, é a primeira e única unidade de conservação de uso sustentável do Pantanal sul-mato-grossense. Lá, mulheres organizadas em associação desenvolvem produção de doces, artesanato e turismo de base comunitária.

Sobre o Redes pela Conservação
O projeto Redes pela Conservação é realizado pela Cáritas Alemanha, Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Rede Cerrado e Rede Ecovida, em parceria com o Governo Federal do Brasil via Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). No Pantanal é executado pela Ecoa – Ecologia e Ação. O projeto é financiado pela Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) do Governo Federal da Alemanha, via Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN).
Serviço
Encontro Mulheres Interbiomas 2026
Quando: 17 e 18 de setembro
Onde: Centro de Convenções de Corumbá, com visita de campo à APA Baía Negra (Ladário)
Realização: Cáritas Alemanha, ASA, Rede Cerrado e Rede Ecovida
Apoio local: Ecoa – Ecologia e Ação
