Antes de qualquer plantio, é preciso conhecer a saúde do solo. Entender suas necessidades é o primeiro passo para que o cultivo floresça. Muitas vezes, a baixa produtividade não está ligada apenas à falta de chuva ou insumos, mas ao próprio equilíbrio do solo, que também precisa de cuidado e atenção.
Com esse propósito, a engenheira florestal Nélida Tainá, técnica do projeto Quintais Produtivos, conduziu em outubro uma oficina sobre fertilidade do solo e compostagem com as mulheres do Assentamento Andalúcia, em Nioaque (MS).
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A atividade foi realizada em parceria com o Grupo de Estudos Florestais Integrado (GEFI), vinculado ao curso de Engenharia Florestal da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS/Aquidauana).
“A análise do solo serve justamente para isso, para a gente saber qual é a saúde do solo e poder fazer as correções.”, explica Nélida.
O encontro teve como base as análises de solo das áreas onde estão sendo implantados os 10 quintais agroecológicos previstos pelo projeto, cada um com até 1 hectare de hortaliças, árvores frutíferas, espécies medicinais e nativas .
A partir dos resultados, as famílias puderam compreender o potencial e as carências de cada área, aprendendo também a produzir compostos e substratos orgânicos com materiais disponíveis nos próprios quintais.
“A gente pode ter também os substratos sem que a gente precise comprar, a partir do que a gente tem no quintal. A gente pode juntar e fazer o adubo para que o solo fique mais fértil”., destacou Nélida.
A oficina contou com a presença da professora Ana Paula Câmara, coordenadora do GEFI, e das acadêmicas Maria Júlia e Nara Beatriz, que contribuíram com orientações técnicas e trocaram experiências com as agricultoras.
Recuperar nascentes do Cerrado
Além da implantação dos quintais, o projeto também prevê a recuperação de duas nascentes que drenam para o Ribeirão Taquaruçu, afluente do rio Aquidauana, que por sua vez deságua no rio Miranda e alimenta as águas do Pantanal.
As áreas estão sendo cercadas e receberão mudas nativas — como baru e jatobá — reforçando a conexão entre conservação hídrica e restauração ecológica.
O trabalho responde também a uma preocupação recorrente das mulheres assentadas: a fome dos animais silvestres observada nos últimos anos. O avanço da soja na região reduziu drasticamente suas áreas de alimentação, o que fez aumentar a busca por alimento nas pequenas roças de subsistência.
Muitas agricultoras contam que a fome é tanta que os bichos não esperam nem mesmo os alimentos amadurecerem, “comem verde mesmo”. Daí também a importância do plantio de árvores frutíferas e nativas.
Sobre o projeto
O projeto Quintais Produtivos, articulado pela Ecoa e pelo CEPPEC – Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado, é financiado pelo Fundo ECOS/ISPN e conta com o apoio do Global Nature Fund (GNF/BMZ) e da Bosques del Mundo. A iniciativa integra produção agroecológica, geração de renda e conservação ambiental, fortalecendo o protagonismo das mulheres rurais no Cerrado.
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