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Dia do Pantanal: em memória de um grande defensor

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O dia 12 de novembro é a data em que se celebra o Pantanal, a maior planície alagável do mundo e onde a Ecoa atua desde a sua criação. A decisão de ter um dia dedicado à região é também uma forma de homenagear um dos maiores defensores do Pantanal: Francisco Anselmo de Barros. 

Em 12 de novembro de 2005, Francisco morreu após atear fogo ao próprio corpo durante ato público em defesa do Pantanal. O feito aconteceu no calçadão da Rua Barão do Rio Branco, em Campo Grande. No local, há hoje uma homenagem ao ativista.  

Uma das suas maiores lutas foi para impedir a construção de usinas de álcool de açúcar no Pantanal, assim como de grandes lavouras de cana-de-açúcar, o que poderia causar uma série de problemas como contaminação dos rios, desmatamento e impactos sociais.  

No começo da década de 80, Francisco Anselmo organizou a reação da sociedade civil à construção de uma gigantesca usina no Pantanal de Miranda (MS). A mobilização incluiu abaixo assinados e protestos de rua em pleno período de ditadura militar. Com a pressão popular, o projeto da usina veio abaixo e foi instituída a Lei nº328, que proibiu “a instalação de destilaria de álcool e usinas de açúcar na área de Pantanal Sul-Mato-Grossense”.  

A Ecoa surge neste momento, inspirada na luta em defesa do Pantanal implementada por Anselmo e outros ambientalistas, como o diretor executivo da Ecoa, Alcides Faria.  

Alcides afirma que Anselmo foi um dos maiores ecologistas do Mato Grosso do Sul e defensor do Pantanal. “Ele era integralmente dedicado à causa ambiental, uma figura única. Até me emociona falar sobre o Anselmo, era um amigo próximo da Ecoa. Nos encontrávamos praticamente todos os dias, desenvolvemos várias iniciativas conjuntas em relação ao Pantanal”. 

O diretor executivo da Ecoa relembra que o ato final de sua vida também foi relacionada à questão das usinas de álcool e açúcar que, de tempos em tempos, ressurge “como uma fênix”. 

“O ato final da sua vida foi também relacionado às usinas do Pantanal. Quando ele decidiu tirar sua vida, o projeto das usinas retornava novamente. Sua morte foi justamente próxima a uma manifestação contrária a esse absurdo”.  

Últimas palavras 

“Foi difícil tomar essa decisão de sã consciência. A minha vida sempre foi um sacerdócio em defesa da natureza. É a nossa casa e o presente maior de Deus. Se ele deu a vida por nós, eu estou dando a minha vida por ele, defendendo o futuro dos nossos filhos. […] Continuem a luta por mim”. Foi com essas palavras que Francisco se despediu por meio de cartas deixadas ao que aqui ficaram.  

Neste dia dedicado ao Pantanal, reforçamos aqui que sua luta não foi em vão. Francisco segue sendo inspirando novas gerações. Seguimos resistindo e atuando em defesa do Pantanal, lugar que tanto amava. 

Alíria Aristides

Jornalista no núcleo de comunicação da Ecoa

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