Com o objetivo de incentivar a organização das mulheres e fortalecer práticas produtivas que contribuem para a conservação do Cerrado, a comunidade quilombola Furnas da Boa Sorte, em Corguinho (MS), recebeu a segunda oficina do projeto “Despertando o Viver no Cerrado: Mulheres Articulando em Rede”.
O encontro organizado pela Ecoa e CerraPan (Rede de Mulheres Produtoras do Cerrado e Pantanal), aconteceu no dia 31 de março, nas instalações da Associação de Moradores de Furnas da Boa Sorte.
A chuva forte do dia anterior dificultou o acesso da equipe técnica ao local, mas não foi suficiente para impedir a realização da oficina – que aliás, era esperada com grande expectativa! A alegria, o entusiasmo e a dedicação das mulheres foram contagiantes durante as atividades.
A importância da identidade produtiva e da precificação para mulheres agroextrativistas
Ao longo da programação, conversas orientadas por Rosana Claudina (Ceppec) e Denise Silva (Bruaca), trouxeram reflexões sobre identidade produtiva e organização coletiva, além da discussão de estratégias que fortaleçam seus empreendimentos e ampliem suas oportunidades de comercialização.
Rosana destaca que, por meio de um produto local, uma mulher se representa, dá visibilidade à sua comunidade e contribui para a conservação do bioma. “A partir do momento que você tem uma marca, uma identidade, dizendo esse produto é daquela comunidade, você já se ampara, porque de fato você está preservando, está fazendo uso, está ajudando a manter esse bioma em pé”.
Um dos desafios apontados por Denise às participantes é a correta precificação de seus produtos. Um passo imprescindível para alcançar uma produção realmente sustentável e que gere renda justa para as trabalhadoras. “Existe uma coisa muito importante na hora da gente colocar preço no nosso produto que é o nosso trabalho, o nosso conhecimento. Para você ir lá coletar um pequi, ou você vai de carro e vai gastar o combustível, ou você vai a pé e vai gastar o seu tempo. O tempo também que você vai utilizar para despolpar o pequi, ou para cortar e torrar o baru. Tudo isso tem que estar no preço final”.
Como a organização coletiva fortalece a produção para mulheres no Cerrado?
Contando sobre a experiência do Ceppec (Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado) o agroextrativista, Altair de Souza, ressaltou às mulheres de Furnas da Boa Sorte a importância de participarem de redes como a CerraPan e a Rede Cerrado. “A articulação territorial de forma coletiva é muito mais ampla”, enfatizou ele, dando o exemplo de que na maior parte das vezes os aportes de recursos geralmente são coletivos.
Além disso, iniciativas como a CerraPan ampliam a visibilidade das produtoras, criando conexões estratégicas para potencializar suas vendas e garantir maior segurança para o escoamento dos produtos.
O projeto “Despertando o Viver no Cerrado: Mulheres Articulando em Rede” é realizado com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Fundação Hans Wilsdorf, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.
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