//

Estrada Parque Pantanal: local de fogo recorrente agora conta com duas novas brigadas

6 minutos de leitura

A formação de brigadas é uma eficiente estratégia para prevenção e combate ao fogo adotada pela Ecoa há quase duas décadas. Ao se formar um grupo de brigadistas em uma região, permite-se maior agilidade de resposta, monitoramento e educação ambiental.  

Em novembro deste ano, duas brigadas foram formadas em uma região onde o fogo até então era um problema crônico e recorrente: Passo do Lontra, na Estrada Parque Pantanal. Além das brigadas do Passo do Lontra, outras seis foram formadas em diferentes regiões do Pantanal e Cerrado ao longo de novembro.  

O trabalho é realizado a partir de articulação da Ecoa, com apoio do WWF-Brasil e do Prevfogo/Ibama, responsável pelo treinamento. 

Leia também: Pantanal e Cerrado – Mais 56 brigadistas formados para prevenir e combater incêndios

Treinamento das brigadas da região (Foto: Manu Bailosa)

Desde 2019, de maneira consecutiva, a região do Passo do Lontra sofre com incêndios mais de uma vez por ano. Em 2022, foi a primeira região a pegar fogo. Tal cenário se mostra ainda mais preocupante pela importância da Estrada Parque Pantanal para a conservação da fauna e flora pantaneira, além da relevância para o turismo e a própria população local.

Leia também: A beleza da Estrada Parque Pantanal

André Luiz Siqueira, diretor presidente da Ecoa, explica que a recorrência de incêndios ao longo da EPP se dá, em partes, pela falta de um olhar para o local e investimento.

“Falta gestão, sistema de monitoramento e brigadas permanentes nessa região, o que leva à ocorrência desses incêndios. Isso tem um impacto profundo na vida das milhares de pessoas que vivem ao longo da estrada, desde propriedades até comunidades”. André relembra ainda que, até o momento, parte das pontes queimadas em 2020 ainda não foram recuperadas.  

André Siqueira e Sandra Maysa Fava, proprietária da Fazenda Xaraés, no Passo do Lontra (Foto: Manu Bailosa)

A recorrência dos incêndios e a importância da Estrada Parque reforçam a necessidade da formação de brigadas locais. “A gente conseguiu um feito histórico de organizar duas brigadas no Passo do Lontra com pessoas bastante envolvidas. Muitos já combateram fogo sem equipamento, sem orientação, sem formação. Agora a gente dá essa estrutura, dá equipamento e formação, e espera que isso tenha efeitos diretos na diminuição de incêndios”.  

Formação no local 

André explica que o interesse em formar brigadas no local partiu dos moradores e moradoras da região. “Os incêndios quase ceifaram vidas, queimaram bens das famílias e comprometem a renda das famílias do Passo do Lontra. As fazendas e pousadas da região, que vivem da pecuária e do ecoturismo, tem a fonte de renda comprometida. Isso motivou os moradores e proprietários da região a procurarem apoio para formação de brigadas voluntárias”. 

O trabalho para formação das brigadas no local exigiu mais de um ano de investigação, levantamento de interessados e mobilização. “Precisamos identificar as lideranças, quem teria interesse. Não foi um processo fácil, mas chegamos a um grupo que é extremamente interessado e organizado”.  

Brigadistas do Passo do Lontra (Foto: Manu Bailosa)

Uma das brigadas é formada integralmente por funcionários da Fazenda Xaraés, enquanto a segunda é formada por moradores e moradoras da região, que trabalham em fazendas, pousadas do Passo do Lontra e da Base de Estudos do Pantanal (UFMS). 

“Os proprietários da região sempre auxiliaram no combate direto ao fogo e prestando auxílio ao hospedar, dar alimento, oferecer estrutura e acesso a água. Tal acolhimento é determinante para que a equipe de combate esteja em boas condições para fazer seu trabalho”. 

A partir de agora, o intuito é seguir fortalecendo o trabalho com brigadas voluntárias na região, em especial diante do cenário de seca que se mantém no Pantanal. “A planície ainda precisa de muita chuva para voltar ao normal, para evitar essa grande quantidade de incêndios. Por isso, as brigadas comunitárias voluntárias são fundamentais no território para dar primeira resposta, realizar monitoramento e, principalmente, sensibilização, educação e prevenção”.  

Alíria Aristides

Jornalista no núcleo de comunicação da Ecoa

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Mais recente de Blog