Ambientalistas bolivianos denunciam represas brasileiras no rio Madeira

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Texto originalmente publicado em: 02/10/06

LA PAZ, 30 set (AFP) – Os planos do Brasil para a construção de duas represas hidroelétricas no rio Madeira estão causando preocupação aos ambientalistas bolivianos, informou neste sábado o Foro Boliviano sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Fobomade).

A construção das represas Jirau e Santo Antônio no Madeira, principal afluente do Amazonas, poderá afetar a qualidade das águas e gerar mudanças no regime hídrico, com danos para a ictiofauna, adverte o Fobomade.

Segundo um estudo do Instituto, 70% das espécies de peixes – das mais de 700 variedades existentes na região – correm o risco de desaparecer com as represas.

A sedimentação que provocarão as represas implicará em um aumento dos níveis da água, com graves conseqüências para os peixes e, eventualmente, para a população local, que ficará mais exposta à malária e outras doenças.

Além disto, muitas terras cultiváveis serão cobertas pelas águas.

“As duas represas e sua linha de transmissão são parte de um projeto que inclui outras duas represas – uma em águas compartilhadas por Brasil e Bolívia e outra no território boliviano – e uma hidrovia de 4.000 km que exigirá grandes mudanças nos rios da região para transformá-los em canais navegáveis”, destaca o relatório.

Segundo o Fobomade, 95% das águas da Bolívia “são escoadas pelo rio Madeira e as represas colocarão este escoamento sob o controle do Brasil, o que também representa uma perspectiva geopolítica inquietante”.

“O Brasil está reincidindo em um ato extremamente perigoso para a região: que é utilizar águas de curso internacional sem consultar as partes afetadas. Um precedente neste sentido foi o represamento do rio Paraná, sem consultar a Argentina, para a construção da represa de Itaipu”, diz a Fobomade.

(Foto de capa de Wilson Dias via International Rivers)

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