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Pantanal: nível do rio Paraguai indica 2021 com possibilidade de incêndios devastadores

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Rio Paraguai barrento e com nível baixo. (Registros: Edilaine Arruda, 2020)

O rio Paraguai é o principal indicador das condições de inundação do Pantanal a cada ano. Ele atravessa a planície pantaneira entre Cáceres (MT) e Porto Murtinho (MS), nas fronteiras com Bolívia e Paraguai, e a quantidade de chuva em suas cabeceiras e de seus principais afluentes determinam a área que será inundada a cada ano. Se há maior inundação, há maior área com água, e, logo, barreiras para o fogo vindo das fazendas.

A Ecoa acompanha as medições do nível do rio Paraguai feitas pela Marinha do Brasil e outras instituições diariamente. O cenário visto até agora é extremamente preocupante, pois em toda a extensão as medidas indicam que o Pantanal pode ter menos água em 2021 do que em 2020, facilitando o avanço do fogo caso o próximo ano seja muito seco.

Acompanhando o rio Paraguai de norte a sul – de Cáceres a Porto Murtinho.

Em Cáceres (MT), no dia 30 de novembro de 2020 o rio Paraguai atingiu 0,60 metros na medição da Marinha. No mesmo dia em 2019 o nível era de 1,55 metros. Em 2018, 3,70 metros.

Em Ladário (MS), no mesmo dia, o nível era 0,04 metros. Em 2019 a medição indicava 0,85 metros. Em 2018 o nível atingiu 2,63 metros.

Em Forte Coimbra, uma base do Exército a jusante de Corumbá (MS), o rio Paraguai chegou a menos 0,92 metros no dia 30 de novembro. Em 2019 neste mesmo dia o nível era menos – 0,16 metros. Em 2018 o nível era bem mais alto: 2,34.

Em Porto Murtinho (MS), na parte sul e onde o termina o Pantanal em território brasileiro, no dia 30 de novembro o nível do rio Paraguai era de 1,46 metros. Em 2019, no mesmo dia, o nível atingiu 2,09 metros e em 2018 o rio estava muito mais alto: 5,53 metros.

O que fazer?

A resposta é Prevenção. O ponto de partida para lidar com essa situação extrema deve ser a PREVENÇÃO para que em 2021, caso se mantenha o quadro de emergência climática com águas baixas no Pantanal, não se repita a tragédia de 2020. A impunidade observada até agora para aqueles que desmatam e provocam incêndios deve acabar com o fortalecimento do trabalho de fiscalização, inexistente em 2019 e 2020.

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