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BID lança financiamento de eficiência energética para PMEs

Programa conta com seguro que assume os riscos do investidor caso a economia de energia projetada não seja alcançada

solarenergy
Publicado em 26 de setembro de 2018 às 20:44 Compartilhar:

Via Procel Info
Por Tiago Reis

Estimular a eficiência energética em pequenas e médias empresas no Brasil. É com esse objetivo que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou nesta quarta-feira (19/09) o Programa de Eficiência Energética Garantida. Desenvolvido em parceria com Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Goiás Fomento, AXA Seguros e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o programa vai disponibilizar US$ 25 milhões para o financiamento de projetos de energia solar distribuída e eficiência energética em pequenas e médias empresas (PMEs), nos segmentos industrial, comercial ou agronegócio.

De olho no potencial desse mercado, o BID já estava avaliando com fornecedores de tecnologia e soluções energéticas, bancos públicos e agências de fomento as possibilidades de criar um produto financeiro para alavancar os investimentos em eficiência energética no Brasil. Após conseguir captar recursos do governo da Dinamarca, foi possível identificar oportunidades de replicar as experiências que o banco vinha desenvolvendo em outros países da América Latina e trazer para o país essa nova linha de crédito.

“Para desenvolver esse produto, foram feitos estudos de mercado nos estados onde o conceito estaria sendo testado (Espírito Santo, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), identificando, assim, as falhas de mercado, em particular relacionadas ao interesse e percepção das PMEs sobre os investimentos em eficiência energética, além de identificar oportunidades de negócio com mais de 100 fornecedores de tecnologias e soluções energéticas atuando nas regiões”, explica Maria Netto, Especialista em Mercado de Capitais do BID.

A executiva revela que, apesar da disparidade de cada região, foi possível identificar que os gargalos e oportunidades eram muito semelhantes. Ela lista que a falta de capacidade financeira de muitos dos fornecedores para atuarem como Escos (empresas de serviços de energia), a falta de confiança das PMEs sobre as soluções apresentadas pelas Escos e a importância de desenvolver mecanismos para dar segurança para as PMEs poderem pagar os empréstimos para o investimento em eficiência energética foram os pontos principais atacados pelo banco para trazer para o Brasil o Programa de Eficiência Energética Garantida.

Com juros subsidiados, o programa tem como desafio aumentar o investimento privado em projetos de eficiência energética e geração distribuída, além de mostrar as diversas vantagens da implementação desses serviços nos diversos segmentos da economia.

Produto inovador

Maria Netto destaca que o programa traz uma série de inovações para a implementação da eficiência energética em pequenas empresas. Além de oferecer o crédito, o Eficiência Energética Garantida também contempla um seguro que reduz significativamente os riscos do investimento. A especialista ressalta que com o seguro de garantia de eficiência energética o investidor é indenizado caso o contratado não alcance a economia de energia estimada.

Ao garantir que o investidor não sofrerá prejuízo em caso de desempenho abaixo do esperado, o seguro garantia reduz o risco mais evidente dos projetos de geração solar distribuída e eficiência energética, tornando-os ainda mais atrativos e aumentando a viabilidade dos fornecedores, prestadores de serviços e integradores de adquirir financiamento para grandes projetos. “Nesse modelo, o pagamento das parcelas do financiamento é realizado pelas empresas-clientes à instituição financeira, e não pelo fornecedor como em um modelo tradicional de serviços de conservação de energia, ou Esco, sendo produto da economia energética gerada. Uma vez que o principal risco esteja mitigado, esperamos que mais empresas possam conhecer e se beneficiar dos investimentos em eficiência energética”, afirma a especialista do BID.

Outro ponto que reduz os riscos é a participação da ABNT no programa. A entidade será responsável pela acreditação de fornecedores, prestadores de serviços e integradores, bem como pela validação dos projetos, assegurando que as metodologias sejam respeitadas e que a instalação dos equipamentos e medição de economia energética ocorram de acordo com o projeto contratado. Dessa forma, o risco do prêmio do seguro será muito baixo, variando entre 0,5% e 1% do investimento total.

Programa pode financiar até mil projetos

Estudos recentes indicam que somente o setor industrial brasileiro poderia economizar cerca de R$ 4 bilhões ao ano com a adoção de tecnologias mais modernas em sistemas de resfriamento, climatização, compressores de ar, motores e sistemas de vapor e cogeração de energia. Maria Netto revela que durante a formatação do programa foram identificadas oportunidades de financiamento de até 1.000 projetos nos cinco estados em que o Eficiência Energética Garantida será implementado inicialmente.

Num primeiro momento, a expectativa é de que pelo menos 200 projetos sejam contemplados pelo programa, mas a especialista ressalta que diante da aceitação desse novo produto, ele poderá ser replicado em nível nacional, tanto por bancos de fomento quanto por instituições comerciais.

“O enorme potencial de replicação, principalmente diante do baixo risco de prejuízo, vai permitir a redução do spread dos financiamentos estimulando as PMES a investirem mais em eficiência energética e os fornecedores a terem maior capilaridade no mercado”, destaca Maria.

Com baixo risco de prejuízo, o BID acredita que linha de crédito tem grande potencial de estimular a eficiência energética em pequenas e médias empresas.

Experiência já é desenvolvida no exterior

Pioneiro no Brasil, o Programa de Eficiência Energética Garantida já é implementado, com sucesso, em outros países latino-americanos. Na Colômbia, o programa já vem operando junto com a asseguradora Sura e com uma linha de financiamento do Banco de Desenvolvimento da Colômbia (Bancoldex), que através de bancos comerciais, vem financiando projetos de eficiência energética de pequenas e medias empresas, sobretudo no setor turístico.

Já em El Salvador, o programa também se beneficiou da presença da seguradora Sura no país, assim como recursos do Fundo Verde do Clima, para se estruturar e já ter um pipeline importante de projetos e oportunidades de investimentos, sobretudo no setor comercial. Já no México, o foco do programa tem sido de promover o mecanismo no setor de agronegócio. Peru, Chile, Argentina e Paraguai também são países que contam com o programa desenvolvido pelo BID.

“Nesse sentido, as ferramentas desenvolvidas para o programa no Brasil se beneficiaram das experiências em outros países. Por exemplo, as metodologias usadas para estimar a redução de uso de energia para as várias tecnologias propostas no programa seguiram os padrões da ISO e foram antes desenvolvidas em outros países e adaptadas as práticas brasileiras”, completa Maria Netto.

O  já está disponível para contratação. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato com os bancos participantes (Bandes, BRDE e Goiás Fomento).

 

 

Foto de Capa:  Zbynek Burival (Unsplash)

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