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Cultivando água: Hidrelétrica de Itaipu plantou 24 milhões de árvores em 2021

6 minutos de leitura

Por Alcides Faria, Diretor Executivo da Ecoa 

Em dezembro de 2021, a Hidrelétrica Binacional de Itaipu anunciou que completava o plantio de 24 milhões de árvores. Este é um marco muito importante, principalmente considerando a sucessão de crises hídricas na bacia do rio Paraná. 

Itaipu é a segunda maior hidrelétrica do mundo. O reservatório tem 1.350 quilômetros quadrados em território brasileiro e paraguaio. Suas turbinas geram mais de 10% da energia consumida no Brasil e cerca de 88,5% de toda energia elétrica consumida no Paraguai. A usina desenvolveu também um dos mais importantes projetos ambientais no País: o Cultivando Água Boa (CAB).

 

O site da Itaipu informa que o Cultivando Água Boa (CAB) foi criado em 2003. O programa é “um conjunto de iniciativas socioambientais baseadas em documentos nacionais e planetários e relacionadas com a segurança hídrica da região, com a conservação dos recursos naturais e da biodiversidade, e com a promoção da qualidade de vida nas comunidades na área de influência da usina”. 

Jarbas Teixeira, técnico ambiental de Itaipu, informa que a “faixa de proteção da Itaipu tem cerca de três mil vizinhos com quem temos que trabalhar, intermediar conflitos e dialogar”, ressaltando a importância dessas parcerias para evitar incêndios florestais e outros desastres.

Segundo Ariel Scheffer, superintendente de Gestão Ambiental de Itaipu, “18% da água da região é produzida pelo solo-vegetação-atmosfera”, o que evidencia a importância de se cuidar das florestas. As ações socioambientais podem levar a um ganho de dez anos para a usina.

 A Usina e a crise hídrica e o assoreamento

A parte da bacia do rio Paraná, no estado Paraná, onde está a represa em território brasileiro, enfrenta a pior crise hídrica em quase um século de medição. A capital do estado, Curitiba, está sob ‘emergência hídrica’ desde 2019.

Entre junho e agosto de 2021, a usina registrou a pior afluência desde que começou a operar, em 1984. No auge da crise, apenas oito das 20 turbinas funcionaram. A bacia hidrográfica do rio Paraná se distribui pelos territórios dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Durante o evento realizado para registrar as 24 milhões de arvores, dirigentes da Itaipu Binacional afirmaram que preservar a natureza é preservar o negócio de produção de energia. Hoje, se prevê 109 anos de vida útil para o lago da usina. A conservação das microbacias associada ao plantio de mudas ajuda a obter a matéria-prima, que é a água, reduzindo o assoreamento do lago da represa.

O assoreamento é um trabalho da natureza que não pode ser impedido, mas o manejo adequado do território aumenta a vida útil do lago. A vegetação protege os cursos d’água: aumenta a infiltração, abastece os lençóis subterrâneos e retém o arraste de terra para os córregos e rios. Além de diminuir o assoreamento dos lagos das usinas, esses processos aumentam sua vida útil ao acumular mais água e amenizar os impactos de grandes períodos secos.

Fazendeiros

As ações socioambientais que mantêm a mata e a Itaipu vivas incluem a pesquisa por trás da qualidade das mudas, a manutenção da área verde, a recuperação da bacia hidrográfica do Paraná, o cuidado com a sustentabilidade das atividades agropecuárias no entorno e o investimento em educação ambiental.
A empresa também mantém convênio com as prefeituras vizinhas, fornecendo mudas, e firmou parceria com alguns fazendeiros da região. É o caso da Fazenda Santa Maria, cujo foco está no plantio de milho e de soja e na criação de gado. Os proprietários cederam quatro quilômetros do solo mais caro do País para a criação do Corredor Santa Maria, uma área de reflorestamento com 60 metros de largura que liga duas microbacias importantes: a do Rio Bonito, que deságua na represa, e a do Rio Apapú, que corre para o Parque Nacional do Iguaçu. 

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