//

Estudo da Embrapa mapeia risco de desmatamento no Cerrado

6 minutos de leitura

Um estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mapeou o risco de desmatamento em 101 municípios de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais e mensurou a área em que a perda de vegetação nativa do Cerrado foi evitada.

Nos 16,7 milhões de hectares de vegetação natural do bioma avaliados nos quatro Estados, o desmatamento esperado era de 384,7 mil hectares. O número foi confrontado com o registro oficial de desmate em 2019 feito pelo MapBiomas Brasil nessa área, de 347,8 mil hectares. Com isso, a Embrapa disse que houve um saldo de desmatamento evitado de 36,9 mil hectares.

Mesmo assim, Goiás (-3,9 mil hectares) e Mato Grosso do Sul (-39,6 mil hectares) desmataram mais que o esperado. O saldo foi compensado por uma preservação acima do previsto em Mato Grosso (65,8 mil hectares) e Minas Gerais (14,7 mil hectares).

No estudo, a Embrapa usou dados espaciais e a metodologia de pesquisa ACEU, que leva em conta características da terra que podem aumentar ou diminuir as chances de desmatamento, como a acessibilidade do local (acessibility – A), a aptidão da área para uso agropecuários (cultivability – C), a existência de recursos naturais ali (extractability – E) e se há algum regime de proteção (Protection status – U).

No quesito acessibilidade, por exemplo, é considerada a distância da área para rodovias. Quanto mais próxima das estradas, maior o risco de desmatamento. No caso dos recursos extraíveis foi levada em conta a ausência ou presença de madeira e minério. O risco foi dado pela soma dos valores atribuídos aos fatores acessibilidade, cultivabilidade e existência de recursos naturais, subtraindo-se 1 caso o local conte com alguma forma de proteção, por exemplo, parques naturais ou reservas indígenas.

Análise de risco

Dos 8,4 milhões de hectares de Cerrado avaliados em 25 municípios de Mato Grosso, 17% possuem risco muito alto de desmatamento, 19% possuem risco alto, 19% risco médio, 15% baixo e 30% muito baixo. Em Mato Grosso do Sul, a área avaliada é de 3,4 milhões de hectares, das quais os riscos de desmatamento encontrados foram 14% muito alto, 16% alto, 40% médio, 14% baixo e 16% muito baixo.

Em Minas Gerais o projeto avaliou 2,6 milhões de hectares de Cerrado, sendo que 8% apresentam risco muito alto de desmatamento, 25% alto, 27% médio, 20% baixo e 20% muito baixo. Já em Goiás, foram mapeados 2,4 milhões de hectares de Cerrado, com 5% apresentando risco muito alto de desmatamento, 18% risco alto, 27% risco médio, 20% baixo e 20% muito baixo.

Para cada nível de risco há um percentual de perda de vegetação esperada para 20 anos. Em áreas com risco muito baixo, a expectativa é de perda de 10% da vegetação no período, enquanto o percentual sobe para 30% nas áreas de risco baixo, 50% com risco médio e 70% e 90%, respectivamente, para os riscos alto e muito alto. Foi assim que a estatal calculou o desmatamento esperado e confrontou com os registros do MapBiomas.

Municípios

Segundo a Embrapa, a pesquisa permitiu verificar o retrato de cada município. Em Lucas do Rio Verde (MT), importante produtor agrícola do Estado, 76,5% dos 117 mil hectares de Cerrado existentes estão com risco alto ou muito alto de desmatamento. Mesmo assim, a perda de vegetação registrada em 2019 foi de 55% da perda esperada, ou seja, houve um desmatamento evitado de quase dois mil hectares.

Em Sorriso (MT), capital nacional do agronegócio, o saldo positivo entre o desmatamento esperado e o registrado foi de 5,7 mil hectares. O cenário se repetiu em Sapezal (8,5 mil hectares), Tangará da Serra (5 mil hectares), Diamantino (6,9 mil hectares), Nova Mutum (5,6 mil hectares), Campo Novo do Parecis (5,1 mil hectares) e vários outros. Em alguns municípios de Mato Grosso, no entanto, o saldo foi negativo, como em Rondonópolis (-1 mil hectare), Poxoréu (-2,3 mil hectares), Pedra Preta (-718 hectares) e Dom Aquino (-640 hectares).

A pesquisadora e chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril (MT), Laurimar Vendrusculo, que coordenou o estudo, diz que, ao indicar onde o risco é maior, os dados permitem ao poder público tomar medidas para evitar que o desmatamento ocorra. A intenção da estatal é disponibilizar os mapas georreferenciados na plataforma Geoinfo para serem usados por governos municipais e estaduais para a adoção de medidas locais e alternativas sustentáveis de produção agropecuária, como as técnicas conservacionistas capazes de aumentar a vegetação e promover melhorias do solo e dos recursos hídricos.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Mais recente de Blog

Boletim Sabores: Cumbaru

Material faz parte do Programa “Valorização de Plantas Alimentícias do Cerrado e do Pantanal”, da UFMS

Formigas polinizadoras

A espécie Camponotus crassus é a principal responsável pela fecundação de um tipo de sempre-viva do