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Mel de aroeira: propriedades, origem e diferenciais

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mel de aroeira
Aroeira (Foto: João Medeiros via Flickr)

O mel de aroeira ganha destaque entre os diversos méis não convencionais existentes por suas propriedades medicinais e características únicas de produção. 

A aroeira-do-sertão, ou aroeira, Myracrodruon urundeuva (Anacardiaceae), ocorre em grande parte do território brasileiro, mas principalmente em regiões de Cerrado e Caatinga. 

Essas árvores têm uma rápida floração, que dura no máximo 90 dias, entre abril e agosto, garantindo pasto para as abelhas na época mais seca do ano. Mas o verdadeiro diferencial do mel de aroeira é a maneira como ele é obtido pelas abelhas.

Produção do mel de aroeira

As árvores de aroeira e da maioria das espécies vegetais perdem suas folhas durante a época seca do ano. Para se proteger da insolação, a aroeira depende dos pulgões, insetos quase invisíveis a olho nu. Ao sugarem a árvore, os pulgões induzem a produção de compostos fenólicos, que serão expelidos pela planta e atuam como um filtro solar para a árvore. 

As árvores abrigam esses insetos em todas as fases de seu ciclo de vida (ovo, ninfa e adulta). Eles sugam a seiva elaborada da planta e a digerem e maturam em seu organismo, excretando uma substância açucarada conhecida como melato ou honeydew.

A pesquisadora mineira Esther Barros, que analisa as propriedades medicinais deste mel no Norte de Minas Gerais, explica que o diferencial na sua produção se dá por conta desse casamento da planta com o pulgão. 

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“O pulgão suga a seiva da planta e provoca nela a produção de uma resina que a protege das altas temperaturas da região, como um filtro solar. Esse filtro solar nada mais é que uma formação de substâncias fenólicas. A planta produz isso e manda para os tecidos mais externos, como folhas e flores. Assim ela se protege, através do pulgão”, explica a pesquisadora. 

É assim, ao polinizar a aroeira-do-sertão, que as abelhas coletam um néctar misturado às secreções fenólicas produzidas próximo aos nectários, bem como a secreção excretada pelos pulgões. Desse modo, o mel produzido a partir da aroeira contém alta concentração de compostos fenólicos e presença de melato, diferentemente de méis produzidos a partir de outras espécies vegetais, nos quais está ausente essa última substância.

Aroeira (Foto: João Medeiros via Flickr)

Características do mel de aroeira

O mel de aroeira tem coloração âmbar bastante escura, sabor menos adocicado, contém altos índices de invertase (enzima responsável pela transformação do néctar em mel), baixa acidez e dificilmente se cristaliza. 

Mas as propriedades medicinais, descobertas recentemente por pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, liderados pela Dra. Esther Bastos, é o que mais surpreende nesse mel. 

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Segundo os pesquisadores, esse mel tem atividade antibiótica contra a bactéria Helicobacter pylori, responsável por problemas estomacais como gastrite, úlceras e câncer de estômago, e por isso tem potencial para ser usado no desenvolvimento de medicamentos e no tratamento dessas doenças.

“Só de consumir o mel, você já está melhorando seu sistema imune. Ele serve para amenizar úlcera gástrica, pode agir contra H. Pylori e pode ser feito em plastos para queimaduras e feridas. Ele também pode ser colocado em outros produtos para se tornarem medicamentos”, afirma Esther Bastos. 

Estudos continuam sendo conduzidos e não se descarta encontrar novas propriedades medicinais. 

mel de aroeira
Foto: Revista Campo e Negócios

Realidade atual 

A coloração escura fazia com o que o mel de aroeira fosse rejeitado em relação a méis mais claros no passado, mas após as descobertas e ampla divulgação das suas propriedades, o cenário mudou. 

Alguns apicultores já conseguem comercializar o mel de aroeira por um valor até 30% maior que o mel convencional. 

O mel de aroeira é um alimento natural e diferenciado, produzido sem que seja necessário degradar a natureza, muito pelo contrário. A apicultura e o mel de aroeira parecem o casamento perfeito entre sustentabilidade e equilíbrio nos ecossistemas. 

 

Com informações de G1 Grande Minas, Canal Rural e Estado de Minas

Alíria Aristides

Jornalista no núcleo de comunicação da Ecoa

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