Troca de saberes é realizada para restaurar área no Pantanal

Oficina abordou questões como monitoramento participativo, coleta de sementes, produção de mudas e agrofloresta

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Moradores da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, em Ladário, Mato Grosso do Sul, e a equipe do Laboratório de Ecologia de Intervenção (LEI) da UFMS, realizaram no dia 9 de outubro uma troca de saberes sobre questões como restauração, monitoramento participativo, armazenamento de sementes, produção de mudas e agrofloresta. A atividade faz parte do projeto ‘Restauração Estratégica e Participativa no Pantanal’, executado pela Ecoa e financiado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). O intuito é restaurar 58 hectares de área degradada na APA.

Ao todo, 18 moradores da região participaram ativamente da oficina, que é uma das ações iniciais para implantação do projeto. Felipe Borges, engenheiro agrônomo e membro do LEI, explica que integrar a comunidade é decisivo para o sucesso da restauração, já que os moradores devem participar ativamente do processo. “Testamos uma metodologia diferente, estabelecemos uma conversa e isso gerou uma dinâmica menos engessada. Foi realmente uma troca porque você aprende com a experiência deles e oferece a sua experiência também, então saímos todos bem completos”.

No aspecto de restauração, os participantes discutiram o significado do conceito, como se dá o processo, quando ele é necessário, as principais técnicas e suas etapas: planejamento, execução e monitoramento. Borges explica que a oficina buscou fazer “uma capacitação inicial em diferentes tópicos para depois ir trabalhando mais profundamente com quem tiver mais interessado”.  O engenheiro agrônomo evidencia que os moradores serão beneficiados financeiramente com o processo, já que devem ser remunerados nas atividades. A compra de insumos no local, como as mudas que serão plantadas no projeto, também é outra estratégia adotada para trazer uma fonte de renda para a comunidade.

Alguns dos participantes demostraram maior afinidade com determinados pontos apresentados na troca de saberes, como é o caso de Virgínia Paz. A moradora da APA relata que já gostava de plantar e que pretende atuar na coleta de sementes e produção de mudas. “Já vou começar a fazer minhas mudinhas, já achei semente de ipê. Quando falaram em reflorestamento fiquei super feliz, a gente vai voltar a ver a APA novamente verdinha com as árvores que a gente tanto gosta, quem sabe voltar a ter toda nossa estrada florida de ipê, de piúva”.

A professora e pesquisadora Letícia Garcia Couto, que orienta a parte técnica de restauração no projeto, avalia positivamente os resultados da oficina. “Como a Ecoa é muito bem vista pela comunidade, tem essa permeabilidade entre eles e isso foi muito positivo para nossa atividade. Todos estavam participando, dando opinião sobre os aspectos teóricos da restauração ecológica, trocando informações e falando sobre as experiências deles”. Letícia também evidencia a forte participação feminina na troca de saberes. “Ficou evidente como elas são fortes na APA. Deu para perceber que elas abraçaram o projeto, que já se envolveram com o tema e querem ver resultado”.

 

Alíria Aristides

Jornalista no núcleo de comunicação da Ecoa

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