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Dona Júlia: liderança que nos inspirou em vida, agora eternizada por meio da arte!

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Sanny e Thainan encontraram na arte forma de homenagear dona Júlia

Quem chega à Área de Proteção Ambiental Baía Negra, em Ladário (MS), agora se depara com um grande mural onde se destaca o rosto de uma mulher sorridente e borboletas que voam ao ser redor. Esta foi a forma que as artistas Thainan Bornato e Sanny Alburquerque encontraram para homenagem Júlia Gonzalez, a líder comunitária que faleceu em janeiro deste ano e que, ao longo dos seus anos de vida, inspirou a todos que trabalham em defesa do Pantanal.

Dona Júlia dedicou sua vida à causas socioambientais, travando diversas batalhas em busca de melhorias para sua comunidade, onde viveu por mais de 20 anos. Tratava-se de uma mulher de fibra, exemplo da força das comunidades tradicionais, que lutava todos os dias por aquilo que acreditava.

Além da homenagem por meio da arte, esta semana o prédio que é sede da APA Baía Negra também passou a receber o nome “Júlia Gonzalez”. A decisão foi aprovada na Câmara de Vereadores de Ladário e sancionada pela Prefeitura como Lei. 

O mural feito pelas duas artistas que fazem parte do Coletivo de Mulheres Artistas do Pantanal (COMAP) está localizado na cozinha comunitária da APA. O espaço, onde dona Júlia passava boa parte do seu tempo, costumava ser classificado por ela como “um sonho que se tornou realidade”.

As doações para a reforma e os equipamentos da cozinha foram realizadas através do Projeto transfronteiriço ECCOS, executado pela Ecoa com o apoio da União Europeia, e também com doação feita pelo programa Caldeirão do Huck.

E por que borboletas? Em uma visita de campo da Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD), uma das alunas gravou um depoimento onde dona Júlia comenta que, se fosse um bicho, com certeza seria uma borboleta.

 

Assim como uma borboleta, dona Júlia até poderia passar a impressão de ser frágil, delicada. Mas bastava poucos instantes em sua companhia para que essa opinião mudasse completamente. Ela era a síntese da potência pantaneira.

“A ideia da arte era fazer as pessoas se lembrarem de quem foi essa mulher. Foi a forma que estava ao nosso alcance para fazer uma homenagem a essa potência que foi dona Júlia, uma mulher pantaneira e ribeirinha tão importante para a história daquela comunidade e para todo o Pantanal”.

 

 

 

Alíria Aristides

Jornalista no núcleo de comunicação da Ecoa

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