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Alerta Pantanal: quadro geral indica mais um ano de seca

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Água não foi suficiente para alagar planícies (Foto: Alíria Aristides / Arquivo Ecoa)

As chuvas dos últimos meses na Bacia do Alto Paraguai não foram suficientes para mudar o cenário de seca que atinge o Pantanal há três anos. Ainda no período chuvoso, réguas no rio Paraguai apontavam que a recuperação na altura das águas foi tímida e, até o momento, as planícies pantaneiras não chegaram a serem alagadas.  

Os ambientes estão extremamente secos para essa época do ano e acendem alerta para a possibilidade de incêndios. Com falta de água para alagar planície, a vegetação seca permanece exposta e as chances de fogo aumentam. 

Segundo o último boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do rio Paraguai, do Serviço Geológico do Brasil, há previsão de contínua redução de chuvas na região ao longo das próximas semanas. É importante frisar que, em períodos de pluviosidade normal, chuvas acontecem com abundância ainda nos meses de maio e junho.   

Em março, a seca no Pantanal de Mato Grosso do Sul foi classificada como ‘extrema’ pelo Mapa Monitor de Secas da Agência Nacional das Águas. Segundo a publicação, o cenário acontece “em decorrência de um longo período (superior a 12 meses) com chuvas abaixo da média”.  

Créditos: Monitor de Secas

Cenário no local 

André Siqueira, diretor presidente da Ecoa (Arquivo Ecoa)

Em abril, a equipe da Ecoa esteve na região da Serra do Amolar, onde possui uma base de apoio, e pôde observar pessoalmente sinais preocupantes. André Luiz Siqueira, diretor presidente da Ecoa, afirma que o cenário é preocupante. “Ainda na época de chuvas, o volume do rio nas réguas apontava apenas uma subida tímida, com números muito parecidos com o observado no ano passado”.

Já a jusante no rio, nas regiões de Paraguai-Mirim e São Francisco, também foi possível observar que as águas estão abaixo da média. O rio Taquari influencia diretamente neste volume, já que desemboca na região e poderia ser responsável por aumentar a altura do Paraguai. Entretanto, o cenário no local indica que o volume de água proveniente do Taquari também é baixo.

O rio Miranda, outro importante curso d’água na região pantaneira, também segue afetado pela seca e com volume abaixo da média. Com isso, a água é represada no canal do rio e não transborda para a planície, o que agrava o quadro de seca no campo.

Principais rios e formações no Pantanal. Fonte: Researchgate, (modificado de Souza, 1998).

Fazendeiros de diferentes regiões pantaneiras, com os quais a Ecoa tem permanente contato, relatam que a seca que atinge toda a região. Segundo relatos, corixos, baías e rios intermitentes (que possuem água em períodos chuvosos) estão totalmente secos. 

Informações que chegam da brigadas indígena na aldeia Limão Verde, que atuam na região de Nabileque, reforçam a presença de seca extrema no local. 

Brigadas em alerta

A Ecoa segue trabalhando com o Prevfogo/Ibama na formação e fortalecimento das Brigadas Comunitárias.

Foto: Victor Hugo Sanches.

A formação de brigadas voluntárias em comunidades do Pantanal é uma estratégia que favorece o combate às chamas. A proximidade e conhecimento dessas comunidades é fundamental para que o prejuízo ambiental seja minimizado. Além disso, os brigadistas promovem educação ambiental e transformam o local onde vivem.

Atualmente, o Prevfogo/Ibama atua na capacitação e renovação dos brigadistas. Além disso, uma nova brigada indígena foi contratada na T.I. Cachoeirinha, totalizando cinco brigadas indígenas pelo PrevFogo. A mobilização deve se intensificar principalmente durante o período mais seco e propício para incêndios, o que acontece a partir de agosto.

A Ecoa começou a articular a formação e treinamento de brigadas comunitárias no Pantanal em 2006. De lá para cá, são 17 brigadas formadas, totalizando 125 pessoas treinadas para combater o fogo no Pantanal.

Alíria Aristides

Jornalista no núcleo de comunicação da Ecoa

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