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Brigadas indígenas em defesa do Pantanal e Cerrado

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João Leôncio, um dos líderes da aldeia Mãe Terra (Foto: Victor Hugo Sanches / Arquivo Ecoa)

Os povos originários são fundamentais para a conservação dos ecossistemas, fauna e flora do planeta. Neste 19 de abril, Dia da Luta dos Povos Indígenas, enfatizamos também o importante trabalho dos brigadistas indígenas em defesa do Pantanal e Cerrado. 

Em articulação entre a Ecoa, a WWF-Brasil e o Prevfogo/Ibama, responsável pelo treinamento, foram formadas quatro brigadas indígenas. Os esquadrões são compostos por 39 voluntários da Aldeia Brejão, em Nioaque (MS), Aldeias Mãe Terra e La lima, em Miranda (MS), e na Aldeia Morrinho, em Aquidauana (MS). O treinamento das brigadas indígenas aconteceu nos anos de 2020 e 2021.

O Pantanal também conta com o apoio fundamental das Brigadas Indígenas Federativas, ligadas ao Prevfogo/Ibama. Estão em atividade as brigadas da Aldeia Limão Verde, da etnia Guarani, Aldeias Alves de Barros e São João, dos Kadwéu, e Aldeia Taunay Ipegue, dos Terena.

Criado em 2013 por um acordo de cooperação entre Ibama e Funai, o Programa Brigadas Federais une o conhecimento tradicional indígena ao apoio técnico e financeiro dos órgãos citados. O objetivo é prevenir os incêndios e combatê-los quando necessário. Mais de mil brigadistas indígenas atuam em todo o país, protegendo 14 milhões de hectares de terras indígenas. 

Foto: Victor Hugo Sanches / Arquivo Ecoa

“Lutar pela natureza mãe”

Gilson Pinheiro é líder do esquadrão formado no fim de agosto do ano passado na aldeia La Lima. Segundo o brigadista, a defesa do território onde vive é uma das principais benefícios da formação das equipes de combate e prevenção ao fogo. 

“A formação das brigadas vem ao encontro do anseio da maioria da população indígena, que é defender o lugar onde a gente vive. Os brigadistas indígenas conhecem a aldeia e a região, sabem onde ir, como fazer, onde pode combater”.

Apesar de sua importância, o trabalho como brigadista exige preparo físico, psicológico e emocional. “É um serviço muito árduo, de alto risco. Em alguns incêndios a gente só consegue fazer o combate depois de dois ou três dias, isso exige muito do psicológico, do corpo. Por ser um serviço perigoso, a gente tem que ter amor no que faz, senão não consegue desempenhar o trabalho”.  

Em suas vivências de manejo do meio ambiente, os povos tradicionais acumulam conhecimentos que, se levados em conta, podem ser benéficos para a conservação ambiental e o uso sustentável de recursos naturais

Pinheiro relata que decidiu atuar no combate aos incêndios devido à ligação que possui com a natureza por ser indígena. “Se puder ajudar de alguma forma, a gente está pronto para lutar por amar a natureza como uma mãe, por ter esse vínculo grande com a comunidade também. O meu objetivo maior dentro da minha comunidade é prestar um serviço solidário, visando a atenção das crianças, preparação das crianças para o futuro, para ajudarem a cuidar do nosso rio, da nossa floresta”.  

Brigadistas formados na Aldeia Mãe Terra (Foto: Victor Hugo Sanches)

Brigadas comunitárias

A formação de brigadas voluntárias em comunidades do Pantanal é uma estratégia que favorece o combate às chamas. A proximidade e conhecimento dessas comunidades é fundamental para que o prejuízo ambiental seja minimizado. Além disso, os brigadistas promovem educação ambiental e transformam o local onde vivem. 

Conheça o trabalho de formação de brigadas promovido em articulação entre a Ecoa, a WWF-Brasil e o Prevfogo/Ibama, responsável pelo treinamento. Veja o vídeo abaixo:

 

A Ecoa e o combate aos incêndios

Desde 1997, a Ecoa vem atuando no enfrentamento a incêndios.

A primeira grande campanha de enfrentamento aos incêndios urbanos e rurais foi a “Queimada mata! – Campanha em defesa da vida”, que ocorreu de 1997 a 2007 e teve grande repercussão, com trabalho de panfletagem, adesivagem, informações disponibilizadas no site da organização, para a sensibilização da população em Campo Grande e Corumbá (Mato Grosso do Sul).

“Queimada mata!” teve o apoio de entidades governamentais e não-governamentais como a Rede Pantanal, Forum do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, Fundação Manoel de Barros, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Agência Municipal de Transporte e Trânsito (AGENTRAN) e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL).

Em 2006, a Ecoa deu início a outra ação de combate aos incêndios: cursos de treinamento de brigadas comunitárias no Pantanal. O primeiro curso ocorreu na Serra do Amolar (Pantanal), na base de apoio da Ecoa, para atender ao Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense.

Em 2019, a Ecoa formou brigadas comunitárias no Pantanal, como a da Área de Proteção Ambiental Baía Negra (localizada no Pantanal, no município de Ladário, Mato Grosso do Sul), por meio do projeto ECCOS – Ecorregiões, Conectadas, Conservadas, Sustentáveis, com financiamento da União Europeia.

Em 2020, além do apoio do projeto ECCOS, a Ecoa contou com parceria com a WWF-Brasil e com apoio de pessoas físicas, como da ambientalista Patrícia Médici – que trabalha pela conservação das antas e foi ganhadora, em 2020, do Whitley Gold Awards, promovido pela Whitley Fund for Nature, considerado o Oscar Verde –, para comprar equipamentos e treinar brigadas comunitárias no Pantanal. A Ecoa deu suporte para traslado e recepção em sua base de brigadistas comunitários, do Prevfogo/Ibama e do corpo de bombeiros.

Em 2021, a Ecoa continua contando com a parceria com a WWF-Brasil no treinamento e formação de novas brigadas comunitárias e promove treinamentos em parceria com, entre outras organizações e pessoas físicas, a SOS Pantanal, Fundação de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural de Ladário, Universidade Federal da Grande Dourados e Conselho Gestor da APA Baía Negra.

Alíria Aristides

Jornalista no núcleo de comunicação da Ecoa

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