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Pela rota do extrativismo sustentável – Um intercâmbio Brasil-Bolívia

5 minutos de leitura

Por Luana Campos (Ecoa)

Grupos extrativistas da Bolívia e representantes da Fundação para Conservação do Bosque Chiquitano (FCBC) visitaram os centros e cozinhas de associações de produtores/as do Cerrado e Pantanal, no Brasil. A atividade é chamada de ‘rota extrativista’ por promover a troca de conhecimentos sobre as cadeias produtivas, isto é, todo o processo sustentável que envolve desde o manejo e as tecnologias empregadas na coleta e no processamento de frutos como baru (Dipteryx sp.), laranjinha-de-pacu (Pouteria sp.) e bocaiuva (Acrocomia sp.), até a venda realizada pelas famílias extrativistas locais.

Entre 18 e 21 de março, os grupos estiveram reunidos em Corumbá (MS) e Nioaque (MS), na rota desenhada pela Ecoa, a partir das associações de produtores/as com as quais há anos trabalha na implementação dos negócios comunitários, em sua maioria liderados por mulheres, e na promoção de práticas extrativistas sustentáveis.

Roteiro das visitas aos de Centros de Produção e Cozinhas de Associações de Produtores/as.

Potencial e possibilidades: O fomento e as ações para o e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis são parte de um dos eixos trabalhados no Projeto ECCOS, que tem apoio da União Europeia e é coordenado pela Ecoa na porção brasileira. Ao promover estes encontros o Projeto busca incentivar o surgimento de novas fontes de renda pelos produtos florestais não madeiráveis (PFNM).

No Bosque Seco Chiquitano, por exemplo, há abundância da bocaiuva, mas que não é aproveitada. Já na comunidade Antônio Maria Coelho, há uma grande diversidade de produtos feitos a partir do fruto, como a farinha e a polpa fresca para sorvetes. O inverso ocorre com a copaíba. Na Bolívia há um grande aproveitamento do óleo extraído da árvore, que possui alto valor agregado. Já no Cerrado e Pantanal, no Brasil, mesmo sendo de fácil acesso, este potencial não é explorado.

Durante a atividade os intercambistas também tomaram contato com o Programa Oásis de conservação de polinizadores, que foi apresentado em todas as comunidades visitadas.

Baru, um dos pontos de convergência: Altair de Souza e Rosana Sampaio, são as grandes lideranças do Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado (CEPPEC), referências no extrativismo de baru e sua castanha no país. Ambos ministraram uma aula sobre o fruto, onde explicaram como, atualmente, funciona a cadeia de produção, até venda para consumidores internacionais.

Na Bolívia, o baru também é o principal fruto trabalhado pelas comunidades no Bosque Seco Chiquitano com as quais atua a FCBC, sendo, por lá, um trabalho exclusivo das mulheres. No CEPPEC, elas são maioria – inclusive, esta é uma exigência de sua estrutura estatutária-organizacional.

Ao longo dos últimos 15 anos, o CEPPEC e apoiadores estão à frente de grandes transformações no uso e ocupação do solo nas propriedades rurais da região de Nioaque (MS) – localizada na sub-bacia do rio Miranda. Com restauração florestal e exploração sustentável da castanha de baru, nascentes foram protegidas e centenas de hectares possuem sistemas silvipastoril com baruzeiros (Dipteryx alata) e jatobazeiros (Hymenaea courbaril). Atualmente o CEPPEC, além de já ter presidido a Rede Cerrado, uma das maiores redes da sociedade civil no país, se prepara para ampliar a produção nos municípios em outras bacias hidrográficas.

Confira os registros do intercâmbio feitos por Iasmim Amiden (Ecoa):

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